segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Por quase uma semana apos chegar na ilha, Demetrius deu a ela o espaço que desejava.
Nao faziam as refeiçoes juntos. Nao se sentavam para conversar. So se encontravam de passagem e, mesmo assim, Chantal se sentia tensa.
Nao estava apenas incomodada com o que acontecera entre eles. Estava envergonhada. O unico conforto era saber que nao ia se repetir.
Mas ainda assim, lamentava ter perdido o controle.
- Soube que voce estava saindo para uma caminhada.
Ela congelou na metade da escadaria. Nao se falavam ha uns dois dias e sua aparencia repentina, muito masculina, a desconcertou.
- Sim.
- Entao esta se sentindo melhor?
- Sim.
- As costelas nao estao mais tao doloridas?
- Nao sinto dor ha um ou dois dias.
- Bom. Vamos começar entao. Voce pode querer mudar.
- Mudar o que?
- Aulas de autodefesa. E essencial. Voce tem de saber se proteger. Entao, se voce vai mudar...
- Nao vou. Estou bem confortavel como sou. Alem do mais , isso nao deve levar muito tempo.
- Otimo. Voce e a princesa.
Ele a conduziu ao andar de baixo da casa. Ela so estivera no andar inferior uma vez. Era o andar de Demetrius. Sabia que seu escritorio era no piso inferior, junto com um quarto vago, mas nao sabia sobre a sala de ginastica.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

- Nao preciso.

- Precisa. Pode escolher. Yolie ou eu.

- Voce?

- Ficarei muito feliz em banha - la e vesti - la.

- Como se eu fosse lhe dar essa oportunidade!

- Voce me deu ontem.

- Que baixo!

- Mas e verdade. Para sua informaçao, Yolie so fala grego. Se houver alguma confusao, sinta - se à vontade para mandar me chamar.

Certo. Sabia que ela nunca chamaria.

- Obrigada.

- Hoje à noite vou mandar servirem o jantar em seu quarto para que possa descansar. Mas amanha fique à vontade para explorar a casa, e aproveite a piscina e os jardins. A ilha é completamente segura. Voce pode relaxar ou explorar.

- Vou precisar de alguns artigos de toucador. Roupas.

- Vera que o closet esta repleto de tudo que podera desejar. Shorts, saias, vestidos, roupas esportivas, maios de todos os grandes estilistas.

- Para o meu tamanho?

- Tudo para o seu tamanho. Voce e a queridinha do mundo da moda, e quando os grandes estilistas souberam que voce estava precisando de algo para vestir, as roupas vieram aos montes.

- Em um dia?

- Nao se subestime, Chantal. As roupas chegaram ha uma hora. Voce e a princesa favorita de todos.

domingo, 9 de outubro de 2011

Demetrius ficou num canto distante do quarto, de costas para dar a Chantal um pouco de privacidade enquanto o medico de Atenas a examinava. O unico momento em que olhou de relance para a cama foi quando o medico pediu a Chantal para se sentar e ela gritou de dor.
Poucos minutos depois, o doutor concluiu o exame. Trouxera alguns analgesicos para aliviar a dor, para aliviar a dor, principalmente durante a noite, se a princesa tivesse dificuldade para dormir.
- Alem disso, recomendo descanso. Sua alteza precisa deixar os musculos lesionados se recuperarem. Nada de esforço.
Demetrius acompanhou o medico ate a saida e retornou poucos minutos depois com a jovem empregada grega.
- Essa e Yolie. Vai ajudar voce enquanto estiver aqui.
Chantal sentiu como se sua vida tivesse sido arrancada. Primeiro, o medico. Agora, a jovem empregada grega.
- Nao preciso de ajuda.
- Voce nao consegue sentar sem choramingar como um bebe, princesa...
- Por que me chama assim? - Achava - o arrogante. Controlador. Nunca usava Sua Alteza nem Sua Alteza Real, o titulo apropriado.
- O que prefere? Seu primeiro nome?
- Sua Alteza serve.
Seu labio superior se contraiu.
- Tentando me colocar no meu lugar, princesa?
Ela enrubesceu, mortificada por ele ter percebido sua intençao, e prendeu a respiraçao, lutando contra a raiva. Nao queria estar aqui. Queria Lilly. Queria paz. E se nao pudesse ter isso, gostaria de ao menos ficar sozinha.
- Eu gostaria de um pouco de privacidade, por favor. Voce pode ir.
- Posso?
- Sim. E pode levar sua empregada. Prefiro ficar sozinha.
- Que bom. Infelizmente nao vou deixa - la sozinha, nao enquanto ainda estiver tao machucada. Vai precisar de ajuda para sair do banho e se vestir. Entao deixe o orgulho de lado e admita que necessita de ajuda...

sábado, 1 de outubro de 2011

- Voce tem um fã obcecado.

Chantal sentou - se lentamente em um dos sofás cobertos de um tecido azul e esforçou - se para assimilar isso tudo. Fora envenenada. Envenenada. Isso significava que alguem tinha se aproximado o bastante de sua comida, sua bebida... essa pessoa podia ir à cozinha ou à sala de jantar sem levantar suspeitas.

- Isso é loucura. E quanto a Lilly? Há alguma indicaçao de que ela possa ser alvo?

- Nao. Nada. Os avós a mantém bem protegida. É com você que estamos preocupados. E não eliminamos a possibilidade de que a ameaça possa vir dos Thibaudet...

- Nao.

- Nao podemos elimina - las, princesa. Ambas as tentativas aconteceram ou no castelo ou proximo.

- Nao... Nao tive um relacionamento cordial com os pais de Armand, mas eu os conheço, e nao posso acreditar que fariam parte de algo tao... repreensivel. Podem ser insensíveis, mas nao sao maldosos.

Ele nao disse nada. Simplesmente a fitou em silencio.

Seria um adversario implacavel.

Nunca aceitaria a derrota.

- A rainha Thibaudet praticamente foi criada com minha avó. Eram amigas de infância. Os Thibaudet sao pessoas boas.

- Pessoas boas que querem a custodia de Lilly. E estao cansadas de lutar contra voce...

- Eles nao lutam contra mim. Amarraram completamente minhas maos!

- Mesmo assim, voce os preocupa. Voce é... uma pedra... no caminho deles. - Seus olhos se estreitaram. - Eles nao disseram isso a voce?

Ela fechou os olhos. Disseram. Mas como ele sabia?

- Como voce pode ter ouvido?

- Todo palacio tem ouvidos.

Batidas soaram na porta e uma jovem empregada apareceu na entrada. Inclinou a cabeça e falou com Demetrius em grego. Ele respondeu e virou - se para Chantal.

- O doutor esta aqui. Esta esperando la em cima.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

- Desidrataçao.
- Recebeu transfusao. Voce estava sendo envenenada.
- Nao.
- Seu medico em La Croix alertou o rei e a rainha...
- Nunca ouvi nada sobre isso.
- E claro que nao. O medico foi proibido de falar sobre isso com voce. Disseram a ele que voce fizera isso a si mesma, que estava cada vez mais autodestrutiva desde a morte de seu marido e que isso era mais um comportamento para chamar a atençao.
- O que?
- Um pedido de ajuda. - Demetrius passou o dedo pela lateral do pescoço dela.
Assim como na noite anterior, o toque a incentivou e o desejo retornou, trazendo de volta a lembrança do prazer. Nada se comparava àquela sensualidade em sua vida. Ninguem a tocara como se ela fosse ao mesmo tempo bonita e real, e era incrivel amar seu corpo, sua pele, sua mente.
Sua mente sempre fora sua maior força. Sua disciplina. Contudo, ele estava dizendo que o rei e a rainha achavam que ela nao era mentalmente sadia. Pior, disseram ao medico que se envenenara para chamar atençao.
Que nojo. Como se ela fosse se ferir quando tinha tanto para viver!
- Isso é ridiculo. Posso ter problemas com meus sogros, mas nao tenho nenhum desejo de deixar esta vida.
- E eu nao tenho nenhum desejo de ve - la deixar esta vida.
- Quem me envenenou, entao?
- Se soubessemos, eu nao a estaria protegendo.
Protegendo. Que termo horrivel.
- Alguma ideia? Possiveis pistas?
- A segurança do palacio de Melio esta conduzindo a investigaçao. Minha equipe esta trabalhando com eles, mas nosso trabalho principal e mante - la em segurança, e nao resolver o crime. Mas no momento temos duas teorias diferentes. A primeira, que voce é alvo por razoes politicas. A segunda, que e puramente pessoal.
- Pessoal? Como?

domingo, 25 de setembro de 2011

- Sim, mas tenho um codigo de segurança neles. Ninguem pode usa - los sem eu digitar o codigo antes.
- Posso ao menos ligar para Lilly?
- Nao... Voce esta sensivel demais.
- E para minha irma, Nicolette? Ou meu avô?
- Nao ha razao para isso. Eles sabem o necessario: o aviao caiu, houve momentos assustadores, mas voce esta em segurança comigo.
Em segurança com ele? Chantal quase se engasgou com as lagrimas que prendia. Nada em relaçao a Demetrius era seguro. Ela se despira, abrira seu corpo, quase abrira seu coraçao para ele. Como isso poderia... ele... ser considerado seguro?
- Compreendo que tenha sido contratado para me proteger, mas nao ficarei isolada de minha casa e minha familia.
- Mesmo se isso a matar?
- Que exagero.
- Quando foi a ultima vez que os Thibaudet visitaram o palacio em Melio?
- Mais ou menos ha seis meses. Foram a Melio de aviao para o casamento de Niccolette com o rei Nuri.
- Foi mais alguem de La Croix?
- Muitas pessoas. Tanto o rei como a rainha tem irmaos e irmas, assim como primos. Por que?
- Alguem proximo de voce, alguem com acesso a voce quer... ve - la morta.
Morta? Ela empalideceu, mas manteve - se firme, todos aqueles anos de treinamento foram uteis para mascarar a profundidade de seu choque.
- Sabemos de duas tentativas. A primeira foi frustrada puramente por acaso. A segunda foi quase fatal.
- Eu nao... Nao sei de nada sobre uma tentativa, e certamente nada de uma ter sido quase fatal.
- Voce ficou doente depois do casamento da sua irma.
- Fiquei gripada.
- Foi hospitalizada.
- Por um dia.
- Dois dias.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

E era seu orgulho que mais a colocava em risco.
A princesa nao sabia quando e nem como pedir ajuda.
Estava certo em te - la trazido à Rocha. Este era o refugio final, uma zona proibida a todos. Ninguem chegava de barco, aviao ou helicoptero sem sua permissao.
Chantal passou pelos comodos praticamente vazios. Enquanto ia de um comodo para outro, percebia paredes vazias, a mobilia estava escassa, nenhuma decoraçao. Nenhum retrato, livro, televisao; nada para o divertimento ou prazer.
E de repente ele estava la, silencioso. Ele a aterrorizava. Nao porque a magorara, mas porque a fez sentir tanto em Sao Tome, a ilha em que o aviao aterrizava.
- Sua casa e vazia.
- Tenho o que necessito.
- O que voce faz aqui? Como passa o tempo?

- Eu trabalho.

- Voce tem um escritorio aqui?

- La embaixo.

- E guarda - costas a muito tempo?

- Ha algum tempo.

- Voce nao parece um guarda - costas.

- Eles vem num pacote padrao?

- Ja tive guarda - costas antes.

- Eram bons?

- Ainda estou aqui, nao estou?

Ele nao disse nada. Ela nao sabia como lidar com ele. Tambem nao sabia como se distanciar. Ele nao tinha nenhum impacto sobre ela.

Mas nao era verdade.

A palavra proteçao deveria evocar segurança. Conforto. Paz. Mas ela nao sentia nada disso agora.

- Voce tras todos os seus clientes aqui?

- Voce e a primeira.

- E a falta de vizinhos?

- Gosto da minha privacidade.

- Voce ao menos tem telefones?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O vigilante tornara - se profissional, especialista em resolver e proteger de crimes.

Sua empresa de segurança era considerada uma das melhores do mundo, e ele fez fortuna atraves do medo das pessoas, construiu um imperio com a ideia de que o que acontecera a Katina nunca deveria acontecer a mais ninguem.

- Demetrius? Ainda esta ai? - Avel Dragonouis, o especialista grego em segurança que Demetrius enviara a Melio para trabalhar com os detetives do palacio, surgiu na linha. - Desculpe deixa - lo esperando.

- O que aconteceu?

- Havia uma camera no quarto dela aqui no palacio. Nos a encontramos disfarçada em uma parede. Nao e de alta tecnologia, nao deve ser da policia nem do governo.

- Onde estava a camara?

- Posicionada sobre a cama dela.

- Um voyer pervertido, alem de tudo.

- Alguem verificou os quartos dela em La Croix?

- Ate agora o rei e a rainha tem se recusado a cooperar com nossa investigaçao...

- Nos so queremos que o quarto dela seja verificado.

- Dizem que é invasao de privacidade.

- Melhor perder a princesa, certo? Muito bem. Mantenha - me informado.

Demetrius viu Chantal nervosa, esfregando as maos no carro.

Sua cabeça estava abaixada. Mas ele sentiu sua vulnerabilidade.

Os Thibaudet precisavam ser investigados.

Antes de entrar no chuveiro, Demetrius fez mais uma ligaçao, desta vez para seu escritorio em Atenas. Era hora de começar um inquerito sobre as vidas de Phillipe e Catherine Thibaudet. Queria saber tudo sobre eles. Tambem queria saber tudo sobre Armand, seu falecido filho unico, o principe com quem Chantal se casara.

No chuveiro, Demetrius refletiu sobre tudo que sabia sobre Chantal. A mae norte - americana. A influencia em Melio. A perda dos pais aos quatorze anos. Seu relacionamento protetor com as irmas. O casamento dificil. A filha pequena. Seu orgulho.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

- Esta nao e a minha casa.

- Sera durante o proximo mes.

Mes? Ele estava louco? Esforçou - se para sair do conversivel , o lado direito do corpo com uma dor latejante. Suas costelas ardiam desde que entraram no aviao, mas a dor fisica nao era nada comparada à perda de Lilly.

- Voce nao quer dizer realmente um mes.

- Nao esta em condiçoes de lutar comigo. Mal cosegue ficar de pe.

- Estou otima.

- O medico julgara isso. Ele esta a caminho.

Dentro da casa, Demetrius subiu ate sua suite no segundo andar, verificando os recados no celular.

A maioria das chamadas nao era urgente, mas a mensagem da segurança do palacio de Melio era. Ligou para o chefe de segurança enquanto se dirigia à janela do quarto. A princesa ainda estava apoiada no carro. Parecia furiosa. Frustrada.

Ele nao a culpava. Tambem estava frustrado. Transar fora um erro. Nunca deveria ter perdido o controle. Mas a culpa nao resolveria nada.

Naqueles primeiros anos depois de ter rompido com a familia.

- A familia - , ele esperava uma bala nas costas a qualquer momento. Nao se saia da familia. Ele era o primeiro em decadas. Mas sua raiva tinha sido tao grande, sua perda tao grave que os lados opostos respeitaram sua dor e deixaram - no ir.

Naturalmente houve tentativas de leva - lo de volta "para casa" , de influencia - lo, persuadi - lo, - dinheiro, intimidaçao psicologica , ameaças fisicas -, mas Demetrius estava insensivel demais para temer a morte. E teve sua vingança e buscou sua liberdade , um trabalho de cada vez.

sábado, 17 de setembro de 2011

Fora simplesmente uma companhia. So era vista ao lado de Armand.
De vez em quando, guias e interpretes conversavam com ela quando estava sozinha. Mas quando Armand aparecia, a energia e a atençao eram voltadas exclusivamente para ele.
Para a maioria dos homens de La Croix, uma mulher devia ser vista, mas nao ouvida; devia submeter - se.
- Nao posso responder a seus medos se nao me disser o que a esta preocupando...
- Nao estou com medo.
- E nao posso ajudar voce se nao me disser do que necessita.
Ajuda - la? Como poderia? Ele era um homem.
- Chegamos - disse Demetrius, estacionando na frente de uma casa alta completamente simples.
O ar travou em sua garganta. Nunca vira uma casa tao simples em sua vida. Como ele podia viver aqui? Parecia um hospital.
Ou uma prisao.
Demetrius desligou o motor.
- Bem vindo à sua nova casa.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As ilhas gregas deveriam ser bonitas. Isto era um pedaço de rocha preta no meio do mar.
Momentos depois, o jato pousou na menor pista de decolagem imaginavel e, quando desceram do aviao, entraram em um Mercedes conversivel escuro com Demetrius ao volante.
- Estamos quase em casa.
- Uma casa de verdade?
- Com encanamento interno. - Ele riu.
Mas ela nao estava feliz. A ultima coisa que gostaria de fazer era rir.
- Quando posso ligar para minha filha?
- Nao pode.
Ele nao podia impedi - la de se comunicar com a propria familia. Nao tinha esse poder.
- Voce esqueceu, Demetrius, que trabalha para mim.
- Na verdade, prinecesa, trabalho para o sultao.
- Ele nao vai aprovar a maneira como esta me tratando.
- Ele conhece meus metodos.
- Eu nao teria tanta certeza assim.
- E meu povo tambem conhece. Nao pense que eles te emprestarao um telefone, um barco ou um aviao.
- Seu povo?
- A Rocha e meu mundo. Tudo nesta ilha e parte desse mundo, o unico em que confio. Aqueles que vivem aqui trabalham para mim.
- Tem certeza de que nao os possui?
- Claro que nao. Eles nao sao objetos. Mas possuo a lealdade deles. Sao meu povo.
Como sabia que podia confiar nele? Podia ser ele a ameaça.
E se nao tivesse sido realmente contratado pelo sultao? E se trabalhasse para outra pessoa? E se...?
- Se existe algo em sua mente, diga.
Dizer isso? Perguntou - se silenciosamente, pensando no passado. Tinha perdido muitos anos em silencio.
Foram anos e anos sendo educadamente ignorada. Em La Croix, nunca fora uma mulher, muito menos uma princesa real.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

- E ela vai sentir sua falta, mas é melhor mantermos voce segura.
- Quando seu aviao chega?
- Logo.
- E seu aviao vai me levar para La Croix?
- Nao vamos voltar para La Croix.
- Nao vou para casa?
- Nao imediatamente.
- Minha filha está em La Croix.
- Eu sei. Mas nao estamos indo para la.
- Para onde estamos indo, entao?
- Para a Rocha.
- A Rocha?
- Minha ilha.
- E Lilly?
- Estará segura em La Croix com sua familia.
A familia de Armand. Ela conteve um arrepio. Nao queria estar aqui quando a proxima tempestade caisse. Poderia nao sobreviver a outra tempestade com Demetrius Mantheakis.
- Minha filha devia estar comigo.
- Ela estara.
- Eles nao a deixarao sair do pais. Parte do meu... contrato... como princesa é que eu posso sair, mas Lilly, que herdara o trono, deve permanecer. Ela é a unica herdeira de La Croix.
- Por enquanto ela permanecera com a familia do pai.
- Eu preciso dela.
- Voce estara com ela de novo. Quando for seguro. Para as duas. Voce nao acredita que esta em perigo, nao é?
- Nao.
- Mas esta.
- E quando chegarmos em sua ilha...?
- Eu serei capaz de mante - la segura da minha maneira.
- Sua maneira?
- Meu povo, minha ilha, meu controle.

Ele chamava isto de ilha?, perguntou - se Chantal, inclinando - se no assento para ver a terra abaixo deles.

domingo, 11 de setembro de 2011

- Por que?

- Voce esta em perigo.

Não. Não estava. Que absurdo.

- Alguem teria me dito alguma coisa. Minha irma... meu avo.

- Tenho vigiado voce a duas semanas, princesa.

- Duas semanas?

- Em todo lugar que voce estava eu tambem estava.

- Nos desfiles de moda?

- Nas recepçoes e coqueteis.

- No cafe da manha no hotel?

- Sei exatamente qual e o garçom de quem voce falou.

- Por que acha que estou em perigo?

Mas antes que ele pudesse responder, houve um barulho alto. O jato que havia pousado ha quinze minutos estava levantando voo.

Por um longo momento ela olhou fixamente a barriga do jato branco.

Tomada pelo panico, ela gritou.

- Não. Não sem mim!

Correu atras do aviao ao longo da praia. As lagrimas encheram seus olhos ao ver o jato se afastar no ceu azul.

Queria ir para casa. Precisava. Nunca tinha estado longe de Lilly por mais de uma semana. Aquele era seu limite. Tinha deixado claro desde o começo que cumpriria seus deveres reais, mas nunca deixaria a filha por mais de uma semana.

Deveria ter chegado em casa na noite anterior. Este era o oitavo dia.

- Meu jato pousara logo.

- Eu queria estar naquele aviao. Voce nao tem ideia de quanto eu sinto falta de Lilly.

Ela estava errada sobre uma coisa, pensou ele, prestando atençao à brisa soprando seus cabelos. Ele sabia o quanto ela sentia falta da filha. Perdera a esposa e uma filha. E nunca deixara de ter vontade de ve - las, toca - las, abraça - las mais uma vez.

Fizera muitas barganhas com Deus, prometido seu coraçao, seu lar, sua alma se Katina e a filha pudessem ser poupadas.

Deus, ele aprendeu, nao fazia barganhas.

- Sinto falta dela.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

- Nao é o nosso aviao - repetiu.

- Me solte.

- Assim que voce se sentar.

- Nao quero sentar. Quero ir junto com minha equipe no aviao.

- Estamos esperando um aviao diferente, princesa.

- Acho que voce nao me entendeu. Demetrius. Nao quero esperar outro aviao. Quero este.

- Sinto muito.

Ela puxou o tornozelo com força.

- Chega. Pare com esse jogo agora. Eu quero ir.

- Voce nao pode.

- Voce esta começando a me assustar.

- Nao tenho nenhuma intençao de assusta - la. É meu trabalho protegê - la. Sua segurança é meu interesse número um.

- Por quê? O que quer dizer?

- Você não tem idéia de quem eu sou, tem?

- Não. - Havia muito mais que queria dizer, mas tinha aprendido a só fazer as perguntas mais urgentes, só lutar as batalhas mais essenciais. Certamente, esta era uma dessas batalhas. - Quem é você?

- Sua sombra.

- Minha sombra? Como... um guarda - costas?

- Exatamente.

- Eu não contratei você.

- Não.

- Então...?

- Seu cunhado, rei Nuri, me contratou...

- Malik?

- Com a bênção de seu avô.

- Acho que o calor está me fazendo mal. Eu não entendo. Nada que você está dizendo faz sentido...

- Então não está escutando.

Ela precisava de um banho. A areia e o mar cobriram sua pele. O calor e a umidade também não estavam ajudando.

- Então diga outra vez.

- Sua família me contratou para protegê - la.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

- Obrigada - disse ela com rigor e se afastou. Ficou feliz por parecer tao calma quando por dentro sentia - se exaltada mais uma vez.

Como alguns homens sabem exatamente o que fazer? Armand, com toda a experiencia, nunca lhe proporcionara prazer algum. Como podia ter tido a noite mais sexual de sua vida com Demetrius aqui na praia?

- E as calcinhas? - perguntou ele.

Chantal ficou gelada e quente ao mesmo tempo.

- Posso ajuda - la. - lembrou a ela.

- Por favor. Isso foi um erro, sr. Mantheakis.

- Acho que deixamos as formalidades para trás, Chantal.

A maneira como ele disse seu nome produziu outro arrepio quente.

- Voce pode vestir suas roupas, por favor?

- Claro, princesa.

- O que exatamente voce faz?

- Tenho meu proprio negocio.

Ela tentou imaginar que tipo de negocio.

- Voce é bem sucedido?

- Bastante?

- E tem sua propria ilha?

- Tenho.

Chantal ouviu um som ao alto, um distante zunido de motor.

- Voce ouviu isso? - perguntou, fazendo uma busca pelo céu azul. Nao esperou a resposta. Levantou - se, pressionando o braço ao lado para manter as costelas e os musculos em volta imobilizados.

De repente, um aviao surgiu atras das arvores altas da floresta tropical. Chantal deixou escapar um grito de alivio.

- Eles nos encontraram!

O aviao sobrevoou a ilha. Planou e fez uma aproximaçao final.

- Vamos. Ele esta aterrissando.

- Nao e o nosso aviao.

- E um aviao de resgate. Esta bem. Fique aqui. Eu nao me importo.

Ele estendeu o braço, envolveu o tornozelo dela e a segurou.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Demetrius estava irritado. Não tinha o direito de estar irritado.

Sabia que a noite anterior fora a única vez, que nunca perderia o controle de novo e, no entanto, saber isso em nada facilitou as emoções quentes dentro dele.

Tinha estado vigilante por tanto tempo que não pensava que poderia se importar com as pessoas, as necessidades e os sentimentos. Isso era um erro. As emoçoes atrapalhavam seu trabalho.

- Como estão as costelas?

Seu corpo enrijeceu. Era impossível esquecer como ela ficara debaixo dele. Estava pronto para fazer tudo outra vez, para senti - la se contorcer e gritar de prazer.

- Muito bem. Você se importa em virar? - perguntou friamente.

Ele rangeu os dentes. Ela realmente achava que ele nao vira tudo? Que não tinha memorizado cada curva de seu corpo?

O coração de Chantal se apertou quando Demetrius ficou de pé.

Como ela poderia ter caído assim em seus braços?

Ele era enorme. Musculoso. Intimidador.

Quis desviar os olhos, mas era tarde demais. Tinham ficado... íntimos. Muito.

Com ele de costas, ela se esforçou para tirar a blusa outra vez, gemendo no esforço de tentar fechar o sutiã. A cada levantar do braçom a dir a atravessava. Piscando para evitar lágrimas, tentou novamente.

- Basta. É um absurdo não me deixar ajudá - la. - Fechou o sutiã.

- Nao quero sua ajuda.

- Que pena. - Abaixou - se e pegou a blusa para ela.

- Voce não devia... - Nao podia recrimina - lo. Deixaria aquilo acontecer. Pior, desejara aquilo tudo.

Ele abotoou a blusa para ela, ajudando - a a se vestir.

sábado, 3 de setembro de 2011

Sua expressão estava fechada. O que estava pensando? Ela queria correr, mas não havia para onde ir. Foi até ele.

Ao chegar perto, viu o sutiã e a calcinha na mão dele.

- Por favor - pediu, a mão em um gesto imperial - Obrigada - rangeu, lágrimas de vergonha tomando seus olhos.

- O prazer é meu. Princesa.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A tempestade acabara. Devia ser de manha, mas Chantal não queria abrir os olhos. Não queria acordar até Demetrius ter ido embora. Mas ele não se movia. Estava deitado junto a ela, as mãos sobre seu quadril nu.

Passara a noite nos braços dele. O amor que fizeram foi intenso, explosivo.

Estivera desejosa durante anos.

Sentia dor. Mas forçou - se a ficar de pé. A tempestade destruíra o abrigo.

Mancando ao longo da praia, Chantal procurou suas roupas e tentou fingir que não estava nua.

Fizera sexo com um desconhecido.

Não apenas uma vez, mas duas, três vezes.

Quem diabos era ele? Não sabia nada sobre esse homem. Poderia ser um repórter. Um amigo de seu sogro. Poderia ser casado. Poderia ter uma infecção.

Poderia estar grávida.

Fizeram sexo sem proteção. Três vezes.

Nunca fora muito fértil - ela - ela e Armand transaram sem proteção por um ano antes de Lilly ser concebida - e não devia estar nessa fase do ciclo.

Além disso, muitas transavam sem proteção e não engravidavam. Era quase impossível.

O que foi feito, estava feito, lembrou a si mesma. Não fique histérica. Pegue suas roupas. Vista - se. Saia daqui.

Procurou as roupas e avistou - as na praia, molhadas, enlameadas. A arrebentação deve tê - las carregado e depois trazido de volta. As roupas estavam frias, úmidas e cheias de areia, mas Chantal vestiu a blusa assim mesmo e entrou na saia curta, agora manchada.

Aflita, Chantal deu as costas para o oceano e congelou. Demetrius estava acordado, olhando para ela.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Havia muito tempo que tinha estado com uma mulher assim.
Não estava celibatário desde que a esposa morrera, mas não sentia nada com ninguém há tanto tempo que a emoção era atordoante.
Sentiu os seios de Chantal, sentiu o corpo dela tremer debaixo do dele, os quadris se erguendo, beijou - a mais uma vez.
Paz, pensou ele, os lábios separando os dela, a língua movendo - se pelo interior macio e entumecido do lábio, provando sua boca e a quentura e a humidade dentro dela. Não tinha paz a anos.
Perdera a família, a esposa, o círculo de amigos.
Perdera tudo quando percebera que não poderia continuar a tradição dos Mantheakis, pois ser um membro da família, co clã, o estava matando assim como matou sua esposa.
Tinha de desistir de algo.
Então desistiu do passado, do futuro, da alma. Mas agora, aqui, com a princesa, não estava tão desconectado. Quase sentia - se vivo novamente.
Fizera sexo inúmeras vezes nos últimos anos, mas nunca fizera amor.
E de alguma forma queria fazer amor com a princesa que parecia quase tão sozinha quanto ele.
Ela o estava fazendo arder. Sentia - se como um jovem apaixonando - se pela primeira vez. Mas não era amor. Era medo. Era alegria. Era gratidão por sobreviver a mais um dia.
Queria dar a ela tudo que havia negado às mulheres que haviam passado por sua vida desde que Katina morrera.
Sentiu a princesa respirar rápido quando a mão dele acariciou seu quadril. Era tão esbelta, delicada, e ele a puxou para perto, os seios macios contra o peito dele.
Ergueu brevemente o corpo, posicionou - se entre as pernas dela e sentiu o corpo buscá - la, procurando seu calor, e sentiu sua maciez, a maneira como seu corpo cedia.
Deslizou as mãos por entre suas pernas para sentir se ela pronta para ele, e estava. Seu corpo estava quente, molhado, desejoso. Isso era certo?, perguntou - se, enquanto a beijava.
Quando a penetrou, movendo - se com cuidado para não machucá - la, sentiu algo dentro dele se romper, uma pequena lágrima, e soube que cometera um enorme erro tático. Esta não era uma mulher que ele poderia ter. Mas também não era uma mulher que ele poderia esquecer.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

- O que há de errado?

Ela balançou a cabeça, com medo de falar. O que estava acontecendo com ela? Por que ela estava desmoronando agora?

- Venha cá.

No círculo que seus braços formavam. Chantal sentiu emoções opostas. - medo e necessidade.

- As princesas não podem chorar - disse ele.

- Eu sei. Regra número um.

- Qual é a regra número dois?

- Não fazer nada em público que possa envergonhar a família.

- Isso é um aviso?

- Não. Apenas uma regra.

- E isto é público? - Estavam no meio do nada.

- Não sei mais.

- Não há ninguém aqui. Apenas nós. O mar. O céu.

- E a tempestade.

- E seu medo. - completou ele.

- E meu medo - repetiu, o coração acelerando.

- Por que está com medo?

- Eu não faço... isto.

- Isto? Por que não?

- Não é permitido.

Sentiu a respiração quente e a textura dos lábios dele - a boca firme e tranquila. Fazia tanto tempo desde que beijara alguém que nem se lembrava como era, mas não conseguiu se afastar.

Ele a beijou muito lentamente, e sua boca estremeceu contra a dele, seus nervos se retesando, suas emoções à flor da pele.

- O que faço? Não sei o que fazer...

- Eu sei.

Sentiu o corpo grande e rígido dele deitar - se sobre o dela, sentiu o torso, os braços, as pernas. Seus ombros a cobriram, os quadris aninhados nos dele.

Demetrius conteve o peso nos braços, ciente de suas costelas frágeis e da dor que ela sentiria se ele soltasse o peso do corpo sobre o dela.

sábado, 20 de agosto de 2011

Ninguém a fez sentir assim em anos.

Nenhuma mão em seus seios, nenhum dedo nos quadris, nenhuma exploração cuidadosa. E agora este homem, as mãos dele, a escuridão e o calor, a tempestade à sua volta.

- Isso doeu?

- Não. - Chantal pensou em tudo que perdera nos últimos anos.

Amor. Fazer amor. Sexo.

Talvez o sexo seja superestimado quando se tem, mas ao eliminá - lo, o corpo deixa de se sentir um corpo real. Limite o corpo a realizar apenas tarefas essenciais e a vida começa a se exaurir. Os corpos têm nervos, pele, espírito, um coração e uma imaginação infinita...

- A outra perna.

- Não.

- Estou quase acabando.

- Não está machucado - sussurrou ela.

Mas ele não tinha pressa. Nem um pouco.

Ela não devia precisar.

Não devia querer.

Nem sentir.

Finalmente a mão dele envolveu a coxa e começou a subir.

Chantal soltou uma respiração desigual, e depois outra, desconcertada por tudo que acontecera nas últimas horas.

Não devia tê - lo deixado tocá - la. Não devia responder ao toque.

- Você está muito machucada. Quebrou algumas costelas. Mas acho que isso é o pior.

Ele era homem. Era diferente dela. Em tudo.

- Você disse que era grego - comentou, fechando a blusa.

- Sim.

- Você vive lá? - Tremia tanto que mal conseguia abotoar a roupa.

- Sim.

- Em Atenas? - Ele começou a abotoar a blusa dela.

- Possuo minha própria ilha perto de Santorini.

Chantal achara que o exame tinha sido difícil. Mas o toque suave dele abotoando a blusa era pior. As lágrimas vieram aos olhos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O calor da mão dele parecia explosivo.
Chantal engoliu ar, a cabeça girando ao contato inesperado.
Havia tanto tempo que ninguém a tocava. Nos últimos anos, só Lilly. Os abraços de Lilly.
Oh, Deus, ter trinta anos e ser tão solidária...
Ser uma mulher e não se sentir uma mulher.
- Relaxe. Não vou machucá - la.
- Eu sei.
Com os olhos fechados, quase pôde imaginar uma vida que nunca tivera. Pôde se ver esposa de alguém com uma linda casa com cortinas azuis e vista para o mar. Entrou no devaneio e não pensou em mais nada.
- Desabotoe sua blusa, princesa.
A voz dele embalou seus sentidos. Ele esperava obediência.
Esperava que ela fizesse extamente o que dissera.
- Vamos, princesa. Ou eu desabotoarei.
Ela tremeu e levou as mãos ao primeiro botão. Não conseguia acreditar que estava realmente desabotoando a blusa. Onde estava sua cabeça? O que estava acontecendo? Como podia ter perdido o controle? E mesmo assim não parou.
Ele não se moveu. Não olhou para os seios dela.
Ela se agitou ao toque investigativo dele. A sensação era vigorosa, quente. Chantal sibilou.
- Isso dói?
- Está... sensível.
- Recostou - se. Estou preocupado com suas costelas.
Sentia arrepios. O toque dele era quente e a deixava em alerta.
O que estava acontecendo dentro dela, em volta dela, com o mundo? O céu escuro agitava - se, ouvia - se o estrondo de um trovão e um som mais profundo refletiu de uma extremidade a outra do céu.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Inconscientemente cruzou os braços sobre o peito, com medo, tremendo, arrepiada por que? Por causa do olhar de um homem?
Ninguém a tocara nem olhara para ela desde que Armand morrera, e quando estavam juntos, ele não era muito... delicado.
Armand casara - se com ela para criar uma aliânça política e econômica e, embora os países tivessem se beneficiado, Chantal falhara.
Fora pior do que imaginara. Não era a vida que pensou que teria. Era a mais velha, a mais corajosa, a mais segura de si. Ela ia fazer as coisas funcionarem para as irmãs, os avós, o povo de Melio. Poderia fazer qualquer coisa, ser qualquer coisa e... falhara.
Estava errada sobre tudo.
Armand não a amava. Nem tentou amá - la. Ela era qualquer coisa exceto o que ele realmente queria.
Pobre Chantal, pobre princesa desiludida vivendo na torre.
A mão de Demetrius se posicionou no meio das dela, e depois a palma quente e firme envolveu seu ombro.
- Sua blusa, princesa, agora.

domingo, 14 de agosto de 2011

Evitou olhar para o peito dele e fixou o olhar nos músculos das coxas.
- Se pudesse desabotoar a blusa, princesa.
- Sr. Mantheakis.
Ele não respondeu. Estava esperando. Era paciente. Muito paciente.
Chantal ficou em pânico, sentindo que perdera poder.
- Não vou tirar minha roupa.
- Só estou pedindo que desabotoe a blusa. Você não está nua por baixo dela. Está usando um sutiã.
Nua. Sutiã. Blusa. Era sobre o corpo dela que estavam conversando, suas roupas, sua privacidade.
- Sim, mas...
- Preciso desabotoá - la pra você?
- Não se atreva. Não tem o direito... - Ela parou, assustando - se quando as mãos dele a tocaram, os dedos roçando a curva dos seios. - Pare!
- Não estou a fim de discutir.
- Afaste - se.
- Quieta.
Ela ficou boquiaberta. Meu Deus, outro Armand. Esses homens arrogantes e rudes estavam por toda parte. Bateu na mão dele.
- Posso ser uma princesa boba de trinta anos, mas não sou uma idiota. Não tem de tirar minha blusa para verificar se quebrei algum osso. Pode muito bem examinar por cima da blusa.
- Estou procurando contusões profundas.
- Muito obrigada, mas tenho meu próprio médico em La Croix.
- Vamos ficar aqui a noite inteira, talvez amanhã o dia inteiro. Não podemos esperar até La Croix. Agora, por favor, desabotoe a blusa. Prometo que não vou perder o controle.
- Não zombe de mim.
- Estou falando sério.
- Não estou acostumada a me despir em público.
- Entao pode relaxar. Isto é privado.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

- De jeito nenhum.

- Não vai doer.

- Quero voltar ao avião.

Tentou se levantar com força quando sentiu o calor do corpo dele através da camisa, as partes duras de seu peito contra as costas dela.

- Deixe - me ir.

- Não vou machucá - la.

A voz grave lhe deu um calafrio e ela sentiu um soluço no peito. Ele era tão mais forte que ela.

- Não tem o direito de me tocar.

- Você está dificultando tudo.

Ela fechou os olhos e virou o rosto, a face roçando no peito dele. Sentiu o músculo do ombro, a quentura da pele e a batida firme do coração.

Ele era forte. Muito forte. Passou pela cabeça dela que nada ultrapassava essa parede de braços. Ele era poderoso. Como os antigos guerreiros e conquistadores gregos que fundaram a civilização.

- Por favor, me deixe ir.

- Depois de me certificar que não há outros ferimentos.

- Não há nenhum. Acredite em mim.

- Não acredito em sua palavra, princesa. Desculpe.

A respiração dela estava mais acelerada, e Chantal olhou para ele ao abrir os olhos, percebendo as linhas duras de seu rosto.

Sabia que ele não era alguém com quem queria negociar.

- Não quebrei nada.

- Tenho de checar mesmo assim...

- Não. Não, não, não e não. - De jeito nenhum deixaria as mãos dele percorrerem o corpo dela. - Eu saberia se tivesse machucado algo.

- Você não sabia que estava sangrando.

- Achei que era a chuva.

- Exatamente.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ele encontrou um local na praia de que gostou. Ficava de frente para a água, tinha uma duna alta atrás e oferecia uma vista não obstruída da floresta e da clareira. Se alguém se aproximasse, ele veria.
Reunindo alguns galhos caídos, ele montou um minialpendre na areia. Não levou muito tempo para montar o abrigo, mas quando terminou, nuvens negras de tempestade tinham praticamente obscurecido a lua branca.
- Vai chover.
Ele a viu se arrastar cautelosamente para o alpendre, os lábios contraídos, o rosto concentrado. Sentia dor.
Sentira que ela estava tensa quando a erguera alguns minutos atrás, e achou que ela talvez estivesse simplesmente se fortalecendo. Mas também podia ser algo sério.
Não queria confrontá - la, mas fora contratado para um serviço e o faria. Sentou - se ao lado dela no pequeno abrigo, a areia quente contra as costas.
- Por que não tira os sapatos, princesa? Pode ficar mais confortável.
Mordendo o lábio, abaixou - se para tirar os sapatos. Quando os tirou, os lábios se contraíram novamente.
- Onde dói?
- Estou bem.
- Não foi o que perguntei.
- O que disse?
- Você está ferida.
- Não.
- Você treme sempre que se move.
- Um pequeno machucadoi, sr. Mantheakis.
Ela se esforçava para colocá - la em seu devido lugar, mas não sabia que ele não acreditava no sentido de castas. Viera de muito longe para aderir a classes ou hierarquias sociais. No mundo dele, as pessoas eram pessoas. Ponto.
- É pior que isso.
- Não é.
Atemorizá - la não resolveria nada. Tentou abrandar a voz.
- Preciso verificar seus ferimentos.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

- Preciso voltar ao avião.
- Não.
- Nunca vou me perdoar se estiverem feridos e eu ficar aqui sentada sem fazer nada.
- Não posso deixar você voltar.
- Você não entende...
- Entendo. Shh. Tem alguém vindo.
Seu olhar estava fixo no arvoredo e ele tocou a lateral do corpo logo abaixo do braço. Ela conhecia o gesto. O destacamento do seu serviço secreto já tinha feito a mesma coisa inúmeras vezes . Estava procurando uma arma.
Ele carregava uma arma de fogo?
- Quem está aí?
Uma voz masculina respondeu em grego.
Demetrius relaxou um pouco, mas não muito. Ela sentiu o poder no corpo dele, em suas costas largas, músculos contraídos, preparados. Ele falou com o outro homem rapidamente, a voz grave, curta, sem evasivas.
Era um homem acostumado a ser obedecido.
Chantal olhou para ele, para a nuca, a largura dos ombros e imaginou quem ele realmente era e o que exatamente estava fazendo em seu avião.
O homem perto das árvores desapareceu na escuridão e Demetrius a deixou na areia. Sentou - se junto a ela.
- Pode descansar agora. Era o piloto. Há alguns feridos, sem mortos.
- Tem certeza?
- Todos foram contados e, embora alguns ferimentos não sejam leves, ninguém parece estar correndo risco de vida.
- Graças a Deus.
- Eles pediram ajuda pelo rádio. Vamos ficar aqui até a ajuda chegar. É mais seguro.
- Certo.
O tempo passou. Lentamente. Chantal sentiu - se sonolenta, mas esforçou - se para manter os olhos abertos. À medida que as horas passavam, um vento quente começou a soprar.
- Siga - me.

sábado, 6 de agosto de 2011

- Entre outras coisas.

Eles estavam realmente vivos?

Parecia impossível. Impossível.

Cautelosamente, levantou a mão para tocar a testa, que latejava. Sentir dor ao erguer o braço. Examinou um pouco e sentiu algo viscoso, ainda quente e pegajoso. Sangue.

Deve ter colidido com algo muito duro. Não se lembrava de ter atingido nada, mas quando o avião estava caindo, tudo parecia voar na direção dela - uma bolsa de couro, um salto alto, um livro. Era como se estivessem no espaço: astronautas em gravidade zero.

- Você chegou a perder a consciência?

- Não.

- E não está ferido?

- Não.

Podia vê - los no jatinho, sentir o terror, a fumaça, o sangue e o medo, e ainda assim estavam aqui, em uma ilha remota da costa de onde? No meio do Atlântico?

- Onde estamos?

- Perto da costa da África, acho.´

- É impossível. Não havia terra...

- Nossa excelente tripulação encontrou.

- Onde está o avião?

- Lá. Todos estão do outro lado das árvores.

- Estamos assim tão perto da água?

- Paramos muito próximo da praia.

- Temos sorte de estar aqui.

- Muita.

Ela olhou ao longe, vendo a interminável linha de água escura, sentindo a umidade pesada no ar.

Ela não conseguiu assimilar isso tudo.

O perigo ainda era tão recente, tão real, não podia acreditar que sobreviveram relativamente incólumes.

Seu coração se apertou. E os outros? Tinha de saber sobre sua equipe. A maioria das mulheres que trabalhava para ela ainda não era casada, mas ainda era a filha, a irmã, a namorada de alguém. Tinha de vê - las. Tinha de saber os fatos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Depois de analisar os arquivos. Demetrius soube que não poderia recusar o trabalho. O rei Malik Nuri e os membros da realeza dos Ducasse não sabiam como lidar com esse tipo de ameaça. Demetrius sabia. Oferecia a forma mais sórdida de proteção e intimidação.
Normalmente não cometia erros.
Cometera um hoje e nunca mais se esqueceria. Nem o repetiria.
O solo ficou macio sob os pés dele e as vozes e gritos dos passageiros se distanciavam. A tripulação havia encontrado terra no meio do Atlântico. Seriam recompensados por isso.
Ouviu o som interminável e monótono da água contra a areia. O jatinho aterrissara perto do oceano. Se tivessem ultrapassado a pista um pouquinho, teriam se despedaçado na água. Outro milagre.
Demetrius se agachou e deitou Chantal na areia quente e imóvel. Verificou os sinais vitais e ela parecia bem. A pancada na cabeça dela o preocupava. Parte da parede acolchoada voaram na direção deles.
Desejou ter uma lanterna. Queria verificar os olhos dela, ver se estavam tão dilatados quanto temia.
- Lilly?
- Ela está bem. Chantal. Deite - se, relaxe.
- Onde ela está?
- Em casa.
- Ela não estava no avião.
- Não.
- Graças a Deus. Nós sobrevivemos. E os outros?
- Sei que há sobreviventes. Vi alguns passageiros reunidos do lado de fora dos destroços.
- O avião, você quer dizer? - Temos de ir. Precisamos estar lá. Eu tenho de estar lá. Preciso ajudar. As pessoas estão feridas...
- Não pode.
- Eu preciso.
- Não é seguro.
- Por quê?
- Muito volátil.
- O avião, quer dizer?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

- A parte da cauda esta pegando fogo.

- Onde está?

- Atrás de nós.

Um enorme pedaço de folha de metal prateado projetava - se, retorcendo - se em direção ao céu como uma escultura pós - moderna.

- Cuidado.

Ela o teria seguido para qualquer lugar naquele momento.

- Posso andar - protestou ao ser levantada no colo.

- Você está sangrando.

- Não estou sangrando.

Ele não respondeu. Continuou andando.

Demetrius carregou - a do avião em chamas até a clareira logo adiante. Levou - a para longe dos outros sobreviventes. Deu graças por ela tre desmaiado. Não queria conversar nem tentar explicar o que acontecera.

Ele falhara. Simples assim.

Fora contratado para protegê - lo. E não a protegera. O acidente fora culpa dele.

Havia substituído a tripulação. Trocara as comissárias de bordo também, sem querer correr o risco de o perigo vir de alguém que era pago parar servir à princesa. Rastreara todos os que viajavam com Chantal, e estava confiante de que aqueles que voavam com ela eram leais.

No fim, o problema tinha sido o jatinho. Ele o inspecionara. Obviamente a inspeção não tinha sido completa.

Acho que depois de dez anos tinha aprendido alguma coisa. Entrou nesse tipo de trabalho à revelia. Um tiro saiu pela culatra na segurança familiar e ele pagou o preço. A tragédia o transformou em especialista no assunto. Era implacável e frio demais para ser um bom guarda - costas. Não aceitava serviços individuais, mas depois que o rei Nuri de Baraka, o novo cunhado da princesa Chantal, lhe explicou a situação. Demetrius não pôde dizer não. A situação da princesa Chantal Thibaudet era diferente.

Viúva aos 27 anos, era um belíssimo membro da família real com uma filha de quatro anos e alguém queria que ela desaparecesse. Morta.

domingo, 31 de julho de 2011

Por um instante, nada aconteceu. Estava voando e, de repente, foram caindo.
O solo veio na direção deles. O jatinho colidiu contra a terra, Ricocheteou. Chocou - se novamente. Ricocheteou mais alto, metal explodindo, estourando, guinchando até Chantal ter certeza de que seriam consumidos pelo calor e pelo barulho metálico, o cheiro de borracha e combustível queimando.
Enquanto uma fumaça preta invadia a cabine, o jato derrapou para o lado, um avião descontrolado deslizando pela noite.
Algo brilhoso flamejou, cor, luz, calor. O avião estava pegando fogo.
Mas o jatinho ainda estava se movendo, deslizando, até que o corpo se despedaçou, o nariz se foi, a cauda caiu e a barriga se abriu.
Aturdida, Chantal viu o céu da noite no alto. Piscando, tentou focalizar no que deviam ser estrelas enquanto algo quente e molhado gotejava em cima dela. Fumaça e combustível queimavam seu nariz. Tinha de sair dali.
Uma mão agarrou sua cintura, procurando o cinto de segurança. Tentou se levantar, mas as pernas não a sustentaram.
Novamente tentou se erguer, mas o peito doía, as pernas tremiam. O corpo se recusava a cooperar enquanto a mente gritava: tenho de sair.
- Pegue minha mão - ordenou a voz. Demetrius, ela reconheceu. Mas não conseguia encontrar a mão dele. Olho para trás e percebeu que os outros haviam sumido, que a cauda do jatinho ficara em algum lugar lá atrás.
- Chantal.
Ele a ergueu e Chantal tentou se mover, mas as pernas estavam moles.
- Sinto o cheiro de fogo.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Lembrou - se de Armand. A risada morreu na boca, estrangulada na garganta. Homens duros e fortes não eram o tipo que queriam conhecer.
O jatinho mergulhou e, de algum lugar atrás de Chantal, uma mulher soltou um grito longo e aterrorizante que parecia continuar enquanto o jato movia - se ruidosamente em direçao ao oceano.
- Estou aqui.
- Estamos caindo.
- Estamos caindo rápido.
Havia dureza em sua voz. Ela sentiu urgência e o perigo. Dois seres humanos... mortais... nenhuma distinção entre ninguém agora.
- Obrigada por fazer isso. Ficar comigo.
- É um prazer.
As máscaras de oxigenio caíram.
Chantal olhou para o objeto balançando na sua frente e se lembrou de todas as orientações de vôo. Alcançou a máscara e ajustou - a sobre o nariz.
Olhou para Demetrius. A máscara dele estava no lugar.
- Quero ir pra casa.
- Para sua filha. - Ela balançou a cabeça concordando. - Conte - me sobre ela. Quantos anos tem? Qual a cor favorita dela?
- Quatro. - A pressão nos ouvidos e na cabeça era intolerável. - Verde.
O avião estava caindo, girando, e seu cinto de segurança se esticou, mal a mantendo presa no assento.
- Como ela é?
Chantal não conseguiu descrever a filha. Tímida. Ela é tímida.
Imaginou Lilly, manteve o rosto da filha diante dos olhos, guardou o amor por ela no coração. Enquanto o mundo girava, Chantal percebeu pela primeira vez que o amor poderia não ser aprisionado; está vivo por todo o universo.
O amor é inerente a cada organismo vivo, cada criatura e homem.
Lilly ficaria bem. Teria a tia Nic e a tia Joelle, o vovô e a vovó e sempre teria o povo de Mellio que a amaria.
Uma voz ecoou pelo alto falando do avião. O comandante anunciava que tentariam aterrissar.
- Segurem - se.
O braço de Demetrius agora forçava a cabeça dela para baixo novamente, fazendo - a parecer uma bola.
Eu amo voce, Lilly.
- Segure - se. - Demetrius a empurrou mais uma vez, a mão segurando com firmeza a nuca dela.
Estou me segurando.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A voz tranquila de Demetrius a fez querer gritar. Ele estava tao firme enquanto ela estava nauseada pelo medo. Se não fosse por Lilly, ela poderia ir, poderia aceitar que tivera sua chance, vivera sua vida, mas Lilly precisava dela.
Deus, me dê dezesseis anos, rezou Chantal. Mais dezesseis anos de aniversários e abraços e conversas até tarde da noite sobre tudo que Lilly queira conversar.
Não pedirei a ela que viva por mim. Só quero estar por perto. Quero abrir portas para ela, colocá - la na cama tarde da noite, sabendo que ela está a salvo.
- Se eu não conseguir, chegar em casa...
- Você vai conseguir.
- Mas se nã conseguir, me prometa que vai dizer à minha filha...
- Chantal.
A voz dura dele, como uma placa talhada de mármore, arrastou o olhar dela, subindo pelo peito dele até o colarinho aberto, o queixo, as mandíbulas e a boca. Quando os olhos se encontraram, ela se sentiu um emaranhado de nervos vivos.
- Você não me chama de Sua Alteza.
- Mas você não é minha alteza. Você é Chantal Thibauldet...
- Odeio esse nome. Não sou uma Thibaudet. Esse era o nome do meu marido.
- E ele morreu.
- E ele morreu.
- E você não vai morrer.
- Não.
- Esta é a primeira resposta positiva que ouvi de você.
- E este é o primeiro sorriso que vi em você.
- Não gosto de sorrir.
Ela riu. Por um instante, ela se esqueceu do avião que sacudia, dos mergulhos e estocadas no espaço, da náusea que invadia cada órgão.
- Você não gosta de sorrir?
- Os tolos sorriem.
- Você deve estar brincando.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Chantal não podia nem pensar nisso. Os Thibaudet, pais de Armand, eram frios e rígidos e controlariam cada escolha, cada pensamento, cada respiração de Lilly.
Sua cabeça girava. Seu estômago lhe causava ânsias. Sentiu que ia vomitar. Do nada uma mão pressionou a parte de trás de sua cabeça, forçando - a para baixo, empurrando seu rosto para os joelhos.
- Respire.
O toque de Demetrius era firme, embora sua voz fosse calma.
Os olhos se estreitavam enquanto lutava para se controlar.
Você tem de ficar bem, tem de se desprender. Ninguém vive para sempre... ninguém ganha sempre...
- Respire.
- Não consigo. - começou a chorar. - Não consigo...
- Você consegue. Você precisa. Vamos. Chantal, seja forte.
Depois de um instante ela se acalmou. Estava respirando novamente.
- Estou bem agora - disse.
Demetrius Mantheakis a assustava tanto quanto o estremecer do avião.

Demetrius observava a princesa sabendo que estavam em perigo; estava calmo porque não havia nada que pudessem fazer. Ou sobreviveriam ou não. De qualquer forma, ele estaria com a princesa Thibaudet. Conseguiu ficar calmo. Certas decisões já haviam sido tomadas por eles. Era uma questão de esperar.
- Estou bem agora - disse ela novamente.
- Não há nada de errado em ter medo. - Ele viu a cabeça dela se levantar, seu olhar azul encontrando o dele.
- Está com medo?
- Um pouco.
Chantal desviou o olhar, seus dedos pressionando o metal frio dos braços da poltrona. Estava com muito medo.
- Vamos sobreviver?
- Vamos tentar de toda maneira.

sábado, 23 de julho de 2011

- E o quê?

- A paz. Paz. Não fechou os olhos, mas por dentro sentiu - se tão estranha e vazia que teria fechado se ele não a tivesse vendo tão de perto. Mas ele não conhece você, lembrou - se a si mesma. E mesmo que sobreviva a este vôo maluco, algo que parece remoto neste momento, nunca nos veremos novamente. Havia tanto mal assim em se abrir? Ser honesta? Falar com o coração?

Sua vida inteira fora ditada pelo dever, pelo país, pela economia. Como a mais velha das três netas do rei Remi Ducasse, Chantal estava destinada a ser a futura rainha e monarca de Melio. Sabia desde a adolescencia que era seu dever ter um bom casamento, proporcionar herdeiros, assegurar a estabilidade financeira e garantir a independência em relação a seus poderosos vizinhos Espanha, França e Itália.

Falar com o coração. Viver de acordo com o coração. Não eram escolhas possíveis. Seu coração a tempos fora dominado pela cabeça, e sua lealdade e desejo inatos para fazer o certo há muito haviam ofuscado o impulso e o sentimentalismo. Havia o certo e havia o que precisava ser feito, e sabia que se casaria com alguém à altura, um parceiro arranjado pelo seu avô e seus conselheiros. Ela traria prosperidade e estabilidade ao reino novamente.

Esse era seu trabalho. Era o que faria.

E tinha sido o trabalho que fizera. Tragicamente, no momento em que se casara com Armand, Chantal soube que havia cometido o pior erro de sua vida e ter Lilly só o piorara.

Mas apenas pensar em sua filhinha a fazia sorrir por dentro . Lilly era tudo. A maior e mais pura alegria que a vida poderia lhe conceder. Um presente.

De repente, o avião gemeu de novo, sussurrando como se agonizasse .

O que aconteceria a Lilly?

Sabia que seu cunhado, o rei Malik Nuri, sultão de Baraka, estava tentando libertar Lilly, tentando encontrar uma maneira de fugir das leis arcaicas de La Croix, mas até agora nada havia adiantado, o que significava que, se o avião caísse, Lilly ficaria presa para sempre com os Thibaudet em La Croix.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

- Acho que ele era corajoso.
No restaurante de manhã, primeiro ela ficou intrigada, depois confusa e, por fim, compreensiva.
E sua compaixão profunda a fez sentir um pouco da dor que ele deve ter sentido por ter mudado tanto seu mundo.
Sabia o que era nascer de um jeito e lutar contra ele constantemente.
Lutar dia após dia, negar os impulsos naturais o tempo todo, ordenar a si mesma para fazer isso porque... tinha de ser assim.
- Café? - o garçom lhe perguntou de manhã, com uma voz suave como a de uma mulher e ainda assim distintamente masculina.
A voz se enterrara no fundo de seu coração, onde tentou não deixar a emoção entrar.
Sentira tamanha empatia por ele que tentou sorrir, mas seus olhos se encheram de lágrimas.
Esse pobre homem deve ter enfrentado anos de dor.
- Por favor - respondeu.
Levantando os olhos, encontrou os do garçom e sorriu, mesmo pensando que ninguem levava a vida sem uma dor enorme.
- Mas você é corajosa. Fez coisas incríveis na vida.
- Não. Não como isso. Na verdade, nunca lutei por nada.
- Se pudesse fazer tudo de novo, pelo que lutaria?
Chantal parecia desconfortável na poltrona. Queria sair do avião. Queria afastar - se desse homem que lhe fazia perguntas difíceis e desejava respostas reais. Tinha sido um longo dia, mas não sabia como não responder a ele. Havia algo nele que a obrigava a responder.
- Felicidade.
- Falicidade?
- Nunca achei que seria tão ilusória. Sempre pensei que todos nós teríamos oportunidades iguais.
- E você não teve?
Nunca conversava com as pessoas dessa maneira, mas agora que começara a se abrir, parecia não poder parar. Era como se ele houvesse desencadeado uma tempestade dentro dela.
- Não sei o que deu errado. Eu me esforcei tanto para fazer a coisa certa, e sempre pensei que se tentasse o bastante, fosse boa, honesta, generosa e compassiva o bastante... se trabalhasse com afinco, descobriria aquela felicidade ilusória que os outros parecem ter. Encontraria a felicidade e...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Fora a Nova York para encontrar um pedaço de seu passado, pelo menos o passado de sua mãe, mas isso não aconteceu.
Como poderia encontrar a mãe, ou a si mesma, em um hotel fino com saguões de mármore e restaurantes de cerejeira?
A vida no Le Meridien de Nova York era de pretígio elevado, chique e barulhenta, e talvez assim fosse a cidade, afinal de contas.
E talvez esta fosse a razão por que Chantal sabia que sempre seria uma estranha ali.
Não era a ilha dela, o reino de seu marido, ou sua maneira refinada e elegante de viver a vida.
Mas talvez esta fosse a fascinação de Nova York.
Lembrou - se da vista da suíte real.
A cidade tinha a ver com mudança, escolha, poder e sacrifício, e enquanto a cidade pulsava em volta dela, soube que não possuía esse tipo de força.
Ou coragem.
- A vida é um quebra - cabeça.
- Pode ser.
Ou poderia ser bem simples.
Também fora bem simples para Chantal no passado.
Não mais.
Não desde seu casamento, o nascimento de Lilly, a morte de Armand.
Nada era claro.
Nem simples.
E pensar na falta da simplicidade a fez lembrar - se do garçom naquela manhã no restaurante do hotel.
Tinha sua própria mesa - seus assistentes sentavam - se em uma próxima - e o garçom desafiava a descrição.
Literalmente.
- Havia um garçom no restaurante do hotel - disse ela, imaginando o garçom alto, que devia ter pelo menos 1,85cm, cabelos longos, uma voz macia, ombros caídos, cintura delicada, quadris largos e, contudo, era um homem.
Pelo menos nascera homem.
- Ele não combinava com o corpo.
Não sei se estava tomando algo para ficar mais feminino, ou talvez apenas desejasse isso, mas...
- Mas o quê?
- Eu o admirei.
Por se recusar a passar a vida como alguém que não queria ser... por não querer passar o resto da vida em um corpo que não lhe era adequado, ou desempenhando um papel que não lhe era apropriado.
- Parece que o garçom tomou medidas drásticas.

domingo, 17 de julho de 2011

Teve uma sensação desagradável no fundo dos olhos.

Apertou os joelhos com força para evitar as lágrimas.

Princesas não choram, não demonstram emoção em público.

Mas o rosto da filha surgiu diante de seus olhos, o rosto doce e pálido, os cabelos loiros.

Cobriu o rosto com as mãos e esfregou os olhos, secando as lágrimas antes que caíssem.

Não podia perder o controle.

O comandante não havia feito nenhum pronunciamento.

Os comissários de bordo estavam afivelados em seus assentos, mas pareciam tranquilos e profissionais.

O jatinho estremeceu e inclinou - se muito para a esquerda, Chantal espiou pela janela novamente.

- Não consigo ver nada. - disse, enquanto o jatinho parecia retomar um padrão mais normal de vôo.

- Está escuro lá fora. - respondeu ele calmamente.

- Será que os pilotos conseguem exergar?

- Eles voam por meio de equipamentos.

"Mas e se os esquipamentos estivessem com defeito", quis perguntar.

Em vez disso, voltou a pensar na vida, nas escolhas feitas, nas oportunidades perdidas.

- Momentos como este são ótimos para uma auto - análise.

Nada como encarar a si mesmo.

- Arrependimentos?

- Vários.

- Diga um.

- São muitos. Não consigo pensar em apenas um, mas em todos eles, toda a experiência de vida, as esperanças e sonhos...

- A vida nunca é o que se acha que será, não é mesmo?

Ele parecia tão grande, tão imponente e ainda projetava força.

Calma.

- Não.

- O que acabou sendo diferente para você?

Ela balançou a cabeça.

Não podia falar sobre isso.

Sobre nada.

De repente, relembraram o fim de semana em Nova York.

Tinha sido a convidada de honra da semana anual de moda, e a direção do evento havia lhe reservado a suíte real do Le Meridien, um hotel luxuoso, com uma forte influência francesa.

Supôs que eles tivessem imaginado que ela ficaria mais confortável com o sotaque francês, mas não fora até lá para encontrar a França, ou Melio, nem mesmo La Croix.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

- Sou da Grécia - retrucou ele, levantando - se.
Atravessou o estreito corredor e sentou - se na poltrona ao lado dela.
"Ah, grego", pensou ela.
- Sou a princesa Chantal Marie...
- Sei quem você é.
É claro que ele sabia.
Que idiota.
Ela se esforçou para parecer normal.
- Qual é seu nome?
- Demetrius Mantheakis.
- Difícil de pronunciar.
- Sim.
O jatinho gemeu alto e fez um movimento estranho.
Flexível.
Móvel.
- Isso não é mais turbulência, é?
- Não.
Foi o que pensou.
Expirou lentamente, tentando ignorar o medo.
- Como está seu cinto de segurança? - perguntou, mas não esperou a resposta.
Estendeu as mãos e verificou ele mesmo.
- Você não tem de fazer isso.
- Fazer o quê?
Achou que a voz dele era dura e que o sotaque não era como o dos gregos que conhecera.
O tom era mais duro.
A modulação, mais áspera.
- Divertir - me. Distrair - me. O que quer que esteja fazendo.
- Chamo isso de fazer companhia.
Ela tentou sorrir, mas não conseguiu.
Sentia - se descontrolada por dentro, o coração disparado.
Estavam sobrevoando o oceano Atlântico, voltando para a Europa.
Não havia nada debaixo deles, exceto água.
Mesmo que precisassem aterrissar, não poderiam.
Virou - se para a janela.
O trepidar do avião, as nuvens negras, a sensação de que a destruição estava a um passo de distância aguçava seus sentidos, o tempo se esticava infinitamente, de modo que o futuro parecia impossível.
"Lilly".

quarta-feira, 13 de julho de 2011

- Deixe - me pegar sua xícara. Não queremos que você se queime.
O avião estava sacudindo, estremecendo como uma dançarina executando a dança do ventre no céu, e os passageiros murmuravam na parte traseira enquanto o cabeleireiro de Chantal começou a chorar.
Ao erguer os olhos, Chantal encontrou o olhar de uns dos homens.
Estava sentado logo do outro lado do corredor estreito em uma poltrona de couro, e seu olhar escuro encarava o dela.
Não era inglês nem francês.
Tinha um olhar firme, belo mas firme, o rosto com linhas rígidas e planas - uma linha inflexível de sobrancelhas, nariz, boca e queixo.
- Vôo turbulento.
- Sim.
Chantal teve a impressão de que ele resistia à companhia - a pessoas.
- Você viaja muito de avião?
- Sim. - Seu olhar misterioso era quase tão duro quanto a linha dos ossos da face e dos maxiliares - E você?
- Bastante. Eu nunca. - parou de falar quando o avião mergulhou abruptamente, e alguém atrás dela gritou.
Os cabelos da nuca de Chantal se eriçaram e, agarrando os braços da poltrona, ela se concentrou na respiração.
Acalme - se.
Com o coração disparado e os olhos ardendo, ela se virou para olhar o homem do outro lado do corredor.
Ela não podia enfraquecer.
Tinha de permanecer concentrada.
Converse com ele.
Faça contato com ele.
Soltou uma respiração curta, a cabeça girando.
- Você tem sotaque.
- Você também.
Talvez fosse latino.
Italiano?
Siciliano?
A ardência nos olhos tranformou - se em lágrimas.
Sentia - se constrangida por perder o controle.
- Sou de Melio - disse ela, mencionando o nome de seu país independente próximo à costa da França e da Espanha.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O jatinho parte da frota real de La Croix, estremeceu, e a princesa Chantal Thibaudet olhou de relance para cima, seu chá balançando na xícara.
Tinha sido um vôo relativamente tranquilo até agora.
Estavam voando há quase três horas - a meio caminho de casa em La Croix, saindo de sua estada de uma semana em Nova York - e, embora sua secretária e sua dama de companhia estivessem felizes, Chantal estava desesperada para voltar para casa e para a filha.
Contudo, controlava - se para nao demonstrar inquietação, sua expressão permanecendo neutra, treinada por anos de serviço público para sempre esconder o que realmente estava sentindo.
Por um momento, a desolação de seu futuro a deixou desorientada, as paredes, as regras, o silêncio...
Não era a vida que pensou que teria.
Sempre tinha sido tão boa, tão séria sobre tudo, sempre teve certeza de que a vida transcorreria de maneira diferente.
Abrupatamente o avião caiu, uma guinada que fez com que o séquito de Chantal soltasse risadas nervosas e olhasse de relance ao redor, verificando outras reações.
A própria Chantal passou os olhos pelos grupos de passageiros.
Seus assistentes brincalhões, dois representantes da imprensa, diversos homens espalhados, executivos, amigos dos Thibaudet, a tripulação.
Odiava vôos turbulentos.
Eram inerentes ao vôo, e ela crescera em aviões, mas agora que era mãe, Chantal temia as decolagens e aterrissagens e as turbulências entre elas.
A aeronave sacudiu.
O jatinho despencou outra vez, uma queda mais acentuada.
Não gostou disso.
Mas tentou parecer calma.
Nao iam colidir.
Era apenas turbulência.
Nada sério.
Os aviões enfrentavam turbulência a toda hora.
Uma comissária de vôo da companhia aérea real de La Croix veio rapidamente na direção de Chantal.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A minha mae comentou comigo, certa vez, sobre o escandalo que as minhas primas fizeram no enterro da minha tia Edith, logo apos enterra - la, foi quando o meu pai chegou cansado com o meu tio Luis e veio falando que as minhas primas fizeram ceninha e desmaiaram jogando - se no chao.

A Rosa, a Cida, a minha prima Vania que mais fizeram ceninha la no enterro da minha tia.

O meu pai chegou atrasado com o meu tio e so veio ele pra ca, prometendo que no Natal viriam aqui, pra todos nos irmos na casa da minha tia Maria, e foi o que acabou acontecendo, fomos passar o Natal na casa da minha tia no Rio de Janeiro.

No enterro da minha tia Edith, irma deles, o meu tio Luis veio sozinho e passou poucos dias aqui em casa e logo o meu pai o levou na rodoviaria porque ele tinha que voltar pra casa dele e eu fiquei chateada porque teria que passar mais um Natal fora de casa sem comunicaçao com ninguem, porque la no Rio de Janeiro era ate dificil de se ver televisao, porque o meu tio era evangelico daqueles bem fanaticos mesmo, pois ele achava que tudo era pecado e a minha tia tambem entrava nessa de tudo ser pecado, so nao era pecado transar, agora o resto era e bem pecado mesmo...

E eu tinha que engolir isso, mais um ano, alem da comida ruim que ela fazia.

Tinhamos que suportar e ultimamente eu falava pra minha mae que nao queria mais que ela levasse comida pra la, porque de nada adiantava.

A comida era ruim e ate as panelas tinham o mesmo cheiro ai nao dava nem pra comer.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mas... No final das contas, eles se casaram e nao viveram felizes para sempre, como em contos de fadas, separaram - se por uns tempos e depois voltaram... E eu, ate fiquei surpresa quando eu fiquei sabendo da suposta separaçao dos dois.

E o Haravena sempre estava em todas as festas desse tipo que tinha na igreja, e eu sempre ficava olhando pra ele, mal sabendo que ele era da Cida e ja tinha ate faturado um filho nela, e que depois do enterro da minha tia, ele demoraria mais uns meses por la e depois se mandaria novamente, pra qualquer outro lugar ou ate mesmo pra casa dele, pra trouxa da mulher dele, aceita - lo novamente, que eu acho que foi o que acabou acontecendo, agora o cara deve estar velho, caindo aos pedaços e deve nao valer mais a pena... Se ja nao valia, nao é?

Se valeu a pena algum dia, mas como eu tinha a cabeça desiludida, por ter sofrido por tantas desilusoes amorosas e eu tinha ate medo de arriscar um novo amor, pois tinha medo de ser rejeitada novamente, como eu sempre fui, por nao ser bonita, entao... Eu sofria por essas pessoas sem futuro, sofria nao... Porque eu nao me deixava apaixonar...

So queria ter alguem pra pensar e dormir em paz e ficava armando historias pra pensar no cara que eu pagava pau, nao andava com ninguem, nao tinha ninguem, era despresada pelos colegas de escola, chorava por qualquer coisinha, era muito menina e infantil, quando ja era pra eu ser uma mulher, trabalhar fora, ter namorados e me sentir bela... Coisa que eu nunca me senti, so vez por outra, mas logo tirava da cebeça...

Gostava de ouvir musicas, como sempre, e ficava em meu quarto ouvindo algumas musicas da epoca e sonhando boquiaberta com as musicas e as pessoas que eu podia ter e nao tinha, porque a beleza nao ajudava nenhum pouquinho...

E naquela ano fomos a algumas festas que deu pra marcar legal o ano, porque a maioria dos tempos era so a igreja e nada mais podia ser feito, a minha juventude estava passando e eu, como sempre, enfaiada dentro de uma igreja e nao conhecia o Sandro ainda e nem sabia que aquela maravilha existia e mal sabia eu, que no ano seguinte eu encontraria um novo amor que me perturbaria ate hoje e que nao sairia jamais da minha cabeça ate hoje, o grande amor da minha vida...

Depois que nos arrumamos pra irmos embora, eu percebia que a minha tia mandava a gente ir, como quem queria se ver livre da gente e falava que depois levaria o bolo e algumas pessoas que moravam longe, foram conosco no carro, tambem devem ter ficado sem o bolo, ou nao... So nos que ficamos sem o bolo, e claro...

E sera que ela levou para os outros e so pra nos que nao?

sábado, 14 de maio de 2011

Disfarcei e pensei que ele fosse falar alguma coisa pra mim, mas eu acho que ele deve ter levado em consideraçao a minha juventude e nem abriu a boca ou entao deve ter comentado algo em off com a minha mae, que tambem nem me falou nada e eu nunca remexi nessa historia que era pra ninguem pensar que eu pagava pau pro cara e o pior que eu pagava pau pra ele, mas isso era em off, ninguem sabia e ele tava sentado num toquinho de uma arvore e eu em outro, enquanto a minha mae conversava com a minha tia, coisa que nunca acontecia em outros tempos, porque a minha tia nao suportava a nossa cara, principalmente a cara da minha mae, ela so queria nos ver pelas costas e falar mal da gente, principalmente da minha mae, e claro, por isso que as minhas primas tem raiva da gente ate hoje, e talvez essa raiva ate suma um dia, espero eu, depois que elas lerem o meu blog, ou entao ate aumente mais ainda, nao sei... Depende do ponto de vista da cada um...

E a Rosa, minha prima, chamou todo mundo, porque ela ja ia cortar o bolo e ai foi todo mundo la em volta da mesa e o bolo era enorme e naquele tempo eu ainda podia comer coisa com coco, porque eu me lembro daquele bolo que tinha cobertura de chantilly com coco por cima e eu ate pude me deliciar...

Me deliciei, porque no casamento da minha prima Sandra, eu fui, tava maravilhoso e tudo, mais eu nao fiquei pro bolo, porque deu um faniquito no meu pai, como sempre dava, e ele quis vir embora e eu queria ficar mas a minha tia falou que iria levar um pedaço pra gente e eu fiquei esperando ate hoje, porque nao chegou nenhum pedaço aqui, pra gente, e eu fiquei chateada e a minha mae ainda ficou comentando comigo desse bolo anos a fio.

A minha prima tava muito linda no casamento dela, tenho algumas fotos aqui em casa, que comprovam o que eu to falando, que depois eu as coloco em meu orkut, e soltaram ate rojao e a minha mae comentou, enquanto subiamos as escadinhas que dava a impressao de que estavam querendo se ver livres dela e eu acabei por concordar...

E comemos, bebemos, festa de pobre e a minha prima, mae dela, porque a Sandra e a minha prima segunda, falou que trabalhou seis meses pra comprar o belo vestido pra ela, e todo mundo que passava pra cumprimenta - la, elogiava o vestido dela e a minha trabalhou seis meses pra tudo aquilo, dar aquela festinha que foi no quintal da casa dela, mas foi uma festinha digna e depois se separaram e eu me lembro que o noivo ate parecia o filho do Haravena, e o cara do civil, que tava fazendo o casamento da Sandra, perguntou pra ela se ela nao tinha achado o noivo bonito e ela deu um sorrisinho timido e falou que sim e ele começou a falar de confiança, que um tinha que ter no outro, e ele sempre falava, quando a Sandra sair... Ou o fulano sair, um tem que ter confiança no outro...


quarta-feira, 11 de maio de 2011

E ja que programa bom eu nao tinha mesmo, entao... O jeito foi ir ao bendito do casamento da tal filha do irmao Sebastiao, que ja deve ter ate se divorciado, pelo tanto que passou...

E foi devido eu ficar sentada na cama, escrevendo muito, de lado, e que eu peguei uma enorme escorliose e eu, bobona, como sempre, com aquela idade toda, nao sabia nem como era uma discoteca, so imaginava...

Porque o meu pai, que falava, pra colocar medo em mim, sempre passava a ideia errada pra mim, falando que o povo ate transava ali dentro da discoteca e realmente eu pensava que ali era a maior nojeira do mundo e que o povo transava la dentro e como e que eu iria parar num lugar daqueles?

Sendo que eu nao tinha nem amigas e nem amigos e o povo me zuava ate dizer chega...

Imagine eu, sendo zuada dentro da discoteca e eu querendo brigar la ou ficar triste e cabisbaixa, e os seguranças me ameaçando de me colocar pra fora?

E voltando à festa da filha do irmao Sebastiao, como eu nao tinha programa nenhum, porque o meu programa era so ir pra igreja, o que eu acredito que e a vida de muitos jovens hoje, eu fui naquela bendita festa e fiquei la, sentada perto da minha mae, como sempre, nao desgrudava, e eu ja estava cursando o terceiro ano do magisterio e ja sonhando com o quarto ano, que era o ultimo, daquela tregedia toda, eu nao gostava de ninguem e so pagava pau pro Haravena, que ficou uns tempos com a minha prima Cida e depois sumiu, deve de ter voltado pro Chile, pra familia dele, e uma certa vez, quando estavamos la na casa da minha tia Edith, ainda quando ela era viva, ela nos mostrou a foto da casa dele, falando que ele tinha uma casa boa no Chile, e era casado, com filhos e tinha ate uma moto na garagem e tinha vindo pra ca buscar o que, se o homem tinha tudo la?

E eu vi ate a motoca na garagem, um carro do ano, entao realmente ele era bem de vida la no Chile e eu acho que ele tambem pagava pau pra mim, porque eu era bem novinha, corpinho bem feito, so nao tinha cara bonita, coisa que eu nunca tive mesmo, mas naquela epoca ainda os homens gostavam das novinhas, assim como nessa epoca, e as velhotas... As velhotas, mesmo inesperientes, acabam ficando pra tras, e eu comecei a olha -lo e ele começou a corresponder tambem e o meu pai pegou a gente se olhando e olhou tambem e eu nem sabia que o velho tava olhando e acabamos disfarçando e a Rosa tinha feito um bolo daquele que eu gostava recheado de amendoim, que realmente era tudo de bom... E como eu sempre gostei de doce, ela sabia fazer um bolo maravilhoso...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Isso porque o pessoal de la nao se da muito com o pessoal de ca, pois nos acham muito metidas, inclusive a minha mae, coitada, que leva fama à toa.

A minha mae sempre contou que a familia dessa minha tia sempre viveu na pintura e sempre essa minha tia mandava buscar comida em minha casa e a minha mae tinha somente para os meus irmaos, porque na epoca eu nao existia ainda e ela tinha que pegar as coisas fiado, pra dar pra minha tia, que vivia passando fome, e o meu pai descobriu e começou a brigar com ela e sempre quando os meus irmaos, porque na epoca eu nao existia ainda e sempre quando os meus primos vinham buscar comida e chorar as magoas porque nao tinham o que comer, a minha mae dizia que nao tinha e ta ai a fama de miseravel dela, e o meu pai ficou de boa na historia, como sempre, e os meus primos, junto com a minha tia, resolveram crucificar a minha mae, falando que ela era uma miseravel, por nao dar comida a vontade pra eles e ela ia ficar levando bronca do meu pai ate quando?

E o meu pai ficou de boa e de gostosao nessa historia, e a minha mae sempre foi discriminada por essa minha tia que nao ia com a cara dela nem a cassetada, so começou a ir antes um pouco dela morrer, ai sim, tudo acabou mudando e a minha mae sempre falando que a minha tia estava estranha e que ela acabaria passando dessa pra melhor e eu acabei nao querendo acreditar nesse papo e no final, foi o que aconteceu, a minha tia acabou passando dessa pra melhor...

E num sabado a noite, que tava meio frio, e eu tava sentada em minha cama, escrevendo alguma coisa e olhando algumas figuras e o meu pai entrou com a ideia de que ele queria ir na festa do casamento da filha do irmao Sebastiao, aquele irmao pretinho, que era bom demais, e eu perguntei pra ele, ainda, me fazendo de besta "Que filha do irmao Sebastiao?" e ele nem respondeu falando que era no proprio sabado friorento e fomos à festinha de casamento da menina, que tava cheio de gente, e nos ficamos sabendo que o irmao Sebastiao havia pedido pra filha dele nao tocar musicas e a festa foi totalmente chocha, e sem graça, festa de crente, onde so tem o que comer e nao tem como dançar, porque nao pode...

So os comes e bebes que sao uma delicia, e tambem tinha uma mina la, bonita, mas com cara de madura, morena dos cabelos negros, e um corpao de mulherao que chamava a atençao pra caramba, e trajava um vestido verde, e eu vi quando so tinha um fiozinho transparente que mostrava os peitos dela e eu achei que aquilo ali nao tinha nada demais, a moça era bonita, tinha um corpao de mulherao, assim mesmo chamava mais a atençao com aquele vestido acima do joelho, mas hoje eu tambem acharia bem indecente.

E depois da festinha, quando chegamos em casa, os meus pais começaram a criticar o vestido da mulher e eu ficava falando: "Ta vendo? Quer andar bem vestida, va pra outro lugar, nao pra uma festa de pobre..." e a minha mae ficava repetindo o que eu havia dito, com cara feia: "Andar bem vestida?" e ela falou pra mim que a mina nao tava bem vestida, ela tava era um escandalo com aquela roupa e eu, na epoca, achei que nao, eu ate queria poder ser um mulherao daquele tipo pra poder andar com aquele vestido, exibindo aqueles peitoes pra deixar qualquer homem louco, mas infelizmente eu nao era assim e nem sonhava em ser, pois jamais eu conseguiria ser daquele jeito...

E segundo o meu pai, so nao teve musica na festa da filha do irmao Sebastiao, porque ele pediu muito a ela e falou pra ela que iria convidar aos irmaos da igreja em peso, pois na casa dele tinha um bom espaço e foi decretado que nao haveria culto no sabado que seria a festa de casamento, so pra todo mundo ir la comer e se esbandar de tanto beber... Refrigerante, e claro...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

E esse desejo, a minha tia Edith nao conseguiu realizar, de me ver casada e com filhos, e ate hoje eu nao me casei e nem sei o que seria da minha vida, pois agora sim, eu me preocupo com a solidao.

Esses papos sempre rolavam, quando estavamos esperando o meu pai sair da igreja, ja dentro do carro e a minha mae sempre ficava sentada no banco da frente e eu e a minha tia Edith, sempre sentadas no banco de tras, no carona.

Depois que a minha tia Edith morreu, a familia ficou do mesmo jeito, as minhas primas, como ja eram casadas e bem mais velhas do que eu, ja tinham ate familia e ja eram casadas a muito tempo, entao eu nao tive prima do lado do meu pai, nesse negocio de ir na casa da prima e de se divertir com as primas, filhas das irmas do meu pai, pois eu fui a raspa do tacho, tinha mesmo amizade com algumas das filhas delas, que eram as primas segundas, com marido e filhos.

E de la eu nunca esperei nada, so ouvia da minha mae que elas adoravam confusao e a minha tia Edith tambem, pois ela sempre fez confusao comigo, e com a minha mae, ja declarando em alto e bom tom, que nao gostava da gente e falava que a gente era metida demais e que quem tinha que ir no carro quando iamos visitar os parentes do meu pai, era sempre ela e nao a gente, porque nos nao eramos da familia e ai o meu pai respondeu que a minha mae era da familia tambem, pois ela era casada com ele e a minha tia ate calou a boca, depois do que ele disse que respondeu pra ela.

Isso porque a familia da minha tia sempre morou proximo da minha casa, num bairro bem proximo, so que ninguem vem ate aqui pra saber do meu pai e em tempos modernos, o meu pai ja se encontra numa idade delicada e avançada, que qualquer problema que ele tiver de saude ou qualquer coisa que acontecer com ele, pode ser motivo pra ele morrer, e e dificil elas aparecerem aqui e quando vem so sao as duas que ainda falam que vem so pra ve - lo, esquecendo - se da minha mae e eu ate corrigi certa vez e depois a Rosa falou, sem graça, que a minha mae tambem, mas que o meu pai era o unico que ainda tava vivo.

A casa das minhas primas, ficam bem na subida e eu acho ruim de ir a pe ate la e nunca vou a pe, quando eu vou, porque e muito dificil mesmo.

domingo, 8 de maio de 2011

Passaram - se mais uns dias, e o dia tava ensolarado e a minha mae estendia roupas junto com a Cleia que ja estava bem mais conformada com a situaçao, em relaçao à morte do Dinho e eu senti um violento safanao no meu coraçao e me assustei e comecei a chorar de tao nervosa que eu fiquei e me sentei proximo ao jardim de casa, falando pra minha mae que eu tava passando mal e eu pensei que eu ate seria a proxima a morrer e a minha mae acabou falando que isso era uma ocorrencia de todos os nervosos que eu havia passado durante o mes e o meu pai, que tambem escutou o que tava acontecendo comigo, acabou falando que era assim mesmo, que foi porque eu havia passado muito nervoso com as duas mortes.

E esse dia estava ensolarado e quente, ja indo para o mes de setembro, e eu ainda estava preocupada com as duas mortes que tinham acontecido com a minha familia e eu fiquei com medo de perder a minha mae tambem, no meio dessas duas mortes que ocorreram em nosso meio.

O meu pai nao se dava muito bem com a minha tia Edith e nem nos tambem, pois ela era sistematica o bastante pra nao gostar da gente e sempre ia pras viagens nas costas dos parentes, quando iamos, ela pegava carona conosco e levava dois netos ou sempre a Erica ia de carona no colo dela, porque era a neta querida dela, nao sei se era a caçula, mas era a neta querida dela.

A minha tia Edith gostava de ir ali na igreja perto da casa dela, porque senao ela teria que pegar carona conosco pra ir at a igreja de Itaquera que sempre foi uma igreja grande e cheia.

Eu eu sempre gostei e igreja grande e cheia, pois era melhor do que uma igrejinha pequena e vazia e eu era obrigada a ir, porque o meu pai nao ia pra igreja de Itaquera, e eu acabei me adaptando a isso e aos costumes daqui de casa, nunca saia sozinha, devido aos costumes da familia, so saia pra ir pra escola e pra fazer trabalho.

E a minha tia sempre falava que eu precisava de me casar, pois eu tinha que viver e saber o que era a vida e ela sempre falava que eu tinha que me arrumar mais, nao so eu, como a minha mae tambem, porque tinha pessoas que tinham muito menos dinheiro do que nos, que se arrumavam bem melhor e a minha mae sempre falava pra ela que o meu pai nao se incomodava nao e nunca soltava grana pra gente, como e ate hoje.

Mas eu nunca quis me casar, devido ao sofrimento da minha mae com o meu pai e eu tinha muito medo de ter o mesmo azar que ela teve, e eu me repunava, ao falar em casamento e sempre quando essa minha tia falava, eu falava que nunca ia me casar e que talvez me casaria la pro ano dois mil e o ano dois mil nao tava muito longe nao, passou num abrir e piscar de olhos, porque tudo passa rapido, ainda mais quando passamos a ficar mais velhos.

sábado, 7 de maio de 2011

E nos nao tinhamos que ficar ligando pra esse tipo de coisas porque tinhamos que ligar para o que estava acontecendo entre nos.

E quando ficamos sabendo que a minha tia Edith morreu, a minha irma Adna ligou pra casa e falou que tinha tido um sonho que tinha um livro e esse livro se abria e ali uma voz falava pra ela, conforme as paginas que se abriam, que iam morrer tres pessoas na casa dela e eu estava olhando a minha mae ali, deitada na cama, e fiquei com medo e comecei a chorar e a chama - la e a passar a mao nos cabelos dela e a minha mae falou que eu tava ate pensando que o negocio era com ela, e que era ela quem ia morrer e ela falou pra eu deixar de ser boba e parar de ficar pensando nesse tipo de coisas e eu continuei chorando e a Adna ainda tava na linha e ela deve ter escutado tudo.

E sempre isso aconteceu, em minha familia, morre de tres em tres so que sempre tem um mais longe do que o outro, depois de dois proximos, e foi assim que a minha irma falou, que sempre iam dois proximos e depois um mais longe, parece ate um tipo de maldiçao que acontece na minha familia.

Eu ate acho isso esquisito.

Mas sempre acontece isso e agora eu estou mais acostumada, o baque e grande, mas depois eu acabo me conformando e me acostumando com a situaçao que parece mais uma praga que rogaram pra minha familia, sei la...

E a andreia acabou ficando totalmente impressionada com a morte do pai dela, que foi o primeiro baque que sofremos e ela olhava para o teto do quarto e falava que ali parecia mais uma perninha gordinha e que aquela perninha gordinha era a perninha gordinha do pai dela e eu acabei olhando e falando pra ela que com aquela perninha gordinha ali no estuque do quarto, ele tava falando pra ela que tava tudo bem com ele e ela ja tava chorando com a situaçao que estava ocorrendo e a minha mae ne chamou a atençao e eu fui ate ela e ela me falou que eu tava confundindo as coisas e eu fiquei ate quieta com tudo aquilo que tava acontecendo em casa e o que eu deveria responder pra menina que estava desesperada com a morte do pai dela e ainda estava chorando?

Nao sei... Talvez eu teria que responder que nao era nada e que nao era pra ela se preocupar e que aquilo ali era alguma coisa relacionada ao bolor que dava nas paredes de casa, e era isso mesmo, so pra nao tomar uma tremenda bronca da minha mae.

E eu nada respondi, acabei nao ficando muito perto da Andreia, pois se ela tivesse mais algo a perguntar, e eu mais algo tolo a responder, porque eu agia como se fosse uma adolescente sonhadore a bem imaginativa, tudo que eu imaginava, parecia ate ser uma realidade, imposta por mim, qualquer coisa, principalmente relacionadas a meus amores platonicos.