terça-feira, 17 de maio de 2011

A minha mae comentou comigo, certa vez, sobre o escandalo que as minhas primas fizeram no enterro da minha tia Edith, logo apos enterra - la, foi quando o meu pai chegou cansado com o meu tio Luis e veio falando que as minhas primas fizeram ceninha e desmaiaram jogando - se no chao.

A Rosa, a Cida, a minha prima Vania que mais fizeram ceninha la no enterro da minha tia.

O meu pai chegou atrasado com o meu tio e so veio ele pra ca, prometendo que no Natal viriam aqui, pra todos nos irmos na casa da minha tia Maria, e foi o que acabou acontecendo, fomos passar o Natal na casa da minha tia no Rio de Janeiro.

No enterro da minha tia Edith, irma deles, o meu tio Luis veio sozinho e passou poucos dias aqui em casa e logo o meu pai o levou na rodoviaria porque ele tinha que voltar pra casa dele e eu fiquei chateada porque teria que passar mais um Natal fora de casa sem comunicaçao com ninguem, porque la no Rio de Janeiro era ate dificil de se ver televisao, porque o meu tio era evangelico daqueles bem fanaticos mesmo, pois ele achava que tudo era pecado e a minha tia tambem entrava nessa de tudo ser pecado, so nao era pecado transar, agora o resto era e bem pecado mesmo...

E eu tinha que engolir isso, mais um ano, alem da comida ruim que ela fazia.

Tinhamos que suportar e ultimamente eu falava pra minha mae que nao queria mais que ela levasse comida pra la, porque de nada adiantava.

A comida era ruim e ate as panelas tinham o mesmo cheiro ai nao dava nem pra comer.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mas... No final das contas, eles se casaram e nao viveram felizes para sempre, como em contos de fadas, separaram - se por uns tempos e depois voltaram... E eu, ate fiquei surpresa quando eu fiquei sabendo da suposta separaçao dos dois.

E o Haravena sempre estava em todas as festas desse tipo que tinha na igreja, e eu sempre ficava olhando pra ele, mal sabendo que ele era da Cida e ja tinha ate faturado um filho nela, e que depois do enterro da minha tia, ele demoraria mais uns meses por la e depois se mandaria novamente, pra qualquer outro lugar ou ate mesmo pra casa dele, pra trouxa da mulher dele, aceita - lo novamente, que eu acho que foi o que acabou acontecendo, agora o cara deve estar velho, caindo aos pedaços e deve nao valer mais a pena... Se ja nao valia, nao é?

Se valeu a pena algum dia, mas como eu tinha a cabeça desiludida, por ter sofrido por tantas desilusoes amorosas e eu tinha ate medo de arriscar um novo amor, pois tinha medo de ser rejeitada novamente, como eu sempre fui, por nao ser bonita, entao... Eu sofria por essas pessoas sem futuro, sofria nao... Porque eu nao me deixava apaixonar...

So queria ter alguem pra pensar e dormir em paz e ficava armando historias pra pensar no cara que eu pagava pau, nao andava com ninguem, nao tinha ninguem, era despresada pelos colegas de escola, chorava por qualquer coisinha, era muito menina e infantil, quando ja era pra eu ser uma mulher, trabalhar fora, ter namorados e me sentir bela... Coisa que eu nunca me senti, so vez por outra, mas logo tirava da cebeça...

Gostava de ouvir musicas, como sempre, e ficava em meu quarto ouvindo algumas musicas da epoca e sonhando boquiaberta com as musicas e as pessoas que eu podia ter e nao tinha, porque a beleza nao ajudava nenhum pouquinho...

E naquela ano fomos a algumas festas que deu pra marcar legal o ano, porque a maioria dos tempos era so a igreja e nada mais podia ser feito, a minha juventude estava passando e eu, como sempre, enfaiada dentro de uma igreja e nao conhecia o Sandro ainda e nem sabia que aquela maravilha existia e mal sabia eu, que no ano seguinte eu encontraria um novo amor que me perturbaria ate hoje e que nao sairia jamais da minha cabeça ate hoje, o grande amor da minha vida...

Depois que nos arrumamos pra irmos embora, eu percebia que a minha tia mandava a gente ir, como quem queria se ver livre da gente e falava que depois levaria o bolo e algumas pessoas que moravam longe, foram conosco no carro, tambem devem ter ficado sem o bolo, ou nao... So nos que ficamos sem o bolo, e claro...

E sera que ela levou para os outros e so pra nos que nao?

sábado, 14 de maio de 2011

Disfarcei e pensei que ele fosse falar alguma coisa pra mim, mas eu acho que ele deve ter levado em consideraçao a minha juventude e nem abriu a boca ou entao deve ter comentado algo em off com a minha mae, que tambem nem me falou nada e eu nunca remexi nessa historia que era pra ninguem pensar que eu pagava pau pro cara e o pior que eu pagava pau pra ele, mas isso era em off, ninguem sabia e ele tava sentado num toquinho de uma arvore e eu em outro, enquanto a minha mae conversava com a minha tia, coisa que nunca acontecia em outros tempos, porque a minha tia nao suportava a nossa cara, principalmente a cara da minha mae, ela so queria nos ver pelas costas e falar mal da gente, principalmente da minha mae, e claro, por isso que as minhas primas tem raiva da gente ate hoje, e talvez essa raiva ate suma um dia, espero eu, depois que elas lerem o meu blog, ou entao ate aumente mais ainda, nao sei... Depende do ponto de vista da cada um...

E a Rosa, minha prima, chamou todo mundo, porque ela ja ia cortar o bolo e ai foi todo mundo la em volta da mesa e o bolo era enorme e naquele tempo eu ainda podia comer coisa com coco, porque eu me lembro daquele bolo que tinha cobertura de chantilly com coco por cima e eu ate pude me deliciar...

Me deliciei, porque no casamento da minha prima Sandra, eu fui, tava maravilhoso e tudo, mais eu nao fiquei pro bolo, porque deu um faniquito no meu pai, como sempre dava, e ele quis vir embora e eu queria ficar mas a minha tia falou que iria levar um pedaço pra gente e eu fiquei esperando ate hoje, porque nao chegou nenhum pedaço aqui, pra gente, e eu fiquei chateada e a minha mae ainda ficou comentando comigo desse bolo anos a fio.

A minha prima tava muito linda no casamento dela, tenho algumas fotos aqui em casa, que comprovam o que eu to falando, que depois eu as coloco em meu orkut, e soltaram ate rojao e a minha mae comentou, enquanto subiamos as escadinhas que dava a impressao de que estavam querendo se ver livres dela e eu acabei por concordar...

E comemos, bebemos, festa de pobre e a minha prima, mae dela, porque a Sandra e a minha prima segunda, falou que trabalhou seis meses pra comprar o belo vestido pra ela, e todo mundo que passava pra cumprimenta - la, elogiava o vestido dela e a minha trabalhou seis meses pra tudo aquilo, dar aquela festinha que foi no quintal da casa dela, mas foi uma festinha digna e depois se separaram e eu me lembro que o noivo ate parecia o filho do Haravena, e o cara do civil, que tava fazendo o casamento da Sandra, perguntou pra ela se ela nao tinha achado o noivo bonito e ela deu um sorrisinho timido e falou que sim e ele começou a falar de confiança, que um tinha que ter no outro, e ele sempre falava, quando a Sandra sair... Ou o fulano sair, um tem que ter confiança no outro...


quarta-feira, 11 de maio de 2011

E ja que programa bom eu nao tinha mesmo, entao... O jeito foi ir ao bendito do casamento da tal filha do irmao Sebastiao, que ja deve ter ate se divorciado, pelo tanto que passou...

E foi devido eu ficar sentada na cama, escrevendo muito, de lado, e que eu peguei uma enorme escorliose e eu, bobona, como sempre, com aquela idade toda, nao sabia nem como era uma discoteca, so imaginava...

Porque o meu pai, que falava, pra colocar medo em mim, sempre passava a ideia errada pra mim, falando que o povo ate transava ali dentro da discoteca e realmente eu pensava que ali era a maior nojeira do mundo e que o povo transava la dentro e como e que eu iria parar num lugar daqueles?

Sendo que eu nao tinha nem amigas e nem amigos e o povo me zuava ate dizer chega...

Imagine eu, sendo zuada dentro da discoteca e eu querendo brigar la ou ficar triste e cabisbaixa, e os seguranças me ameaçando de me colocar pra fora?

E voltando à festa da filha do irmao Sebastiao, como eu nao tinha programa nenhum, porque o meu programa era so ir pra igreja, o que eu acredito que e a vida de muitos jovens hoje, eu fui naquela bendita festa e fiquei la, sentada perto da minha mae, como sempre, nao desgrudava, e eu ja estava cursando o terceiro ano do magisterio e ja sonhando com o quarto ano, que era o ultimo, daquela tregedia toda, eu nao gostava de ninguem e so pagava pau pro Haravena, que ficou uns tempos com a minha prima Cida e depois sumiu, deve de ter voltado pro Chile, pra familia dele, e uma certa vez, quando estavamos la na casa da minha tia Edith, ainda quando ela era viva, ela nos mostrou a foto da casa dele, falando que ele tinha uma casa boa no Chile, e era casado, com filhos e tinha ate uma moto na garagem e tinha vindo pra ca buscar o que, se o homem tinha tudo la?

E eu vi ate a motoca na garagem, um carro do ano, entao realmente ele era bem de vida la no Chile e eu acho que ele tambem pagava pau pra mim, porque eu era bem novinha, corpinho bem feito, so nao tinha cara bonita, coisa que eu nunca tive mesmo, mas naquela epoca ainda os homens gostavam das novinhas, assim como nessa epoca, e as velhotas... As velhotas, mesmo inesperientes, acabam ficando pra tras, e eu comecei a olha -lo e ele começou a corresponder tambem e o meu pai pegou a gente se olhando e olhou tambem e eu nem sabia que o velho tava olhando e acabamos disfarçando e a Rosa tinha feito um bolo daquele que eu gostava recheado de amendoim, que realmente era tudo de bom... E como eu sempre gostei de doce, ela sabia fazer um bolo maravilhoso...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Isso porque o pessoal de la nao se da muito com o pessoal de ca, pois nos acham muito metidas, inclusive a minha mae, coitada, que leva fama à toa.

A minha mae sempre contou que a familia dessa minha tia sempre viveu na pintura e sempre essa minha tia mandava buscar comida em minha casa e a minha mae tinha somente para os meus irmaos, porque na epoca eu nao existia ainda e ela tinha que pegar as coisas fiado, pra dar pra minha tia, que vivia passando fome, e o meu pai descobriu e começou a brigar com ela e sempre quando os meus irmaos, porque na epoca eu nao existia ainda e sempre quando os meus primos vinham buscar comida e chorar as magoas porque nao tinham o que comer, a minha mae dizia que nao tinha e ta ai a fama de miseravel dela, e o meu pai ficou de boa na historia, como sempre, e os meus primos, junto com a minha tia, resolveram crucificar a minha mae, falando que ela era uma miseravel, por nao dar comida a vontade pra eles e ela ia ficar levando bronca do meu pai ate quando?

E o meu pai ficou de boa e de gostosao nessa historia, e a minha mae sempre foi discriminada por essa minha tia que nao ia com a cara dela nem a cassetada, so começou a ir antes um pouco dela morrer, ai sim, tudo acabou mudando e a minha mae sempre falando que a minha tia estava estranha e que ela acabaria passando dessa pra melhor e eu acabei nao querendo acreditar nesse papo e no final, foi o que aconteceu, a minha tia acabou passando dessa pra melhor...

E num sabado a noite, que tava meio frio, e eu tava sentada em minha cama, escrevendo alguma coisa e olhando algumas figuras e o meu pai entrou com a ideia de que ele queria ir na festa do casamento da filha do irmao Sebastiao, aquele irmao pretinho, que era bom demais, e eu perguntei pra ele, ainda, me fazendo de besta "Que filha do irmao Sebastiao?" e ele nem respondeu falando que era no proprio sabado friorento e fomos à festinha de casamento da menina, que tava cheio de gente, e nos ficamos sabendo que o irmao Sebastiao havia pedido pra filha dele nao tocar musicas e a festa foi totalmente chocha, e sem graça, festa de crente, onde so tem o que comer e nao tem como dançar, porque nao pode...

So os comes e bebes que sao uma delicia, e tambem tinha uma mina la, bonita, mas com cara de madura, morena dos cabelos negros, e um corpao de mulherao que chamava a atençao pra caramba, e trajava um vestido verde, e eu vi quando so tinha um fiozinho transparente que mostrava os peitos dela e eu achei que aquilo ali nao tinha nada demais, a moça era bonita, tinha um corpao de mulherao, assim mesmo chamava mais a atençao com aquele vestido acima do joelho, mas hoje eu tambem acharia bem indecente.

E depois da festinha, quando chegamos em casa, os meus pais começaram a criticar o vestido da mulher e eu ficava falando: "Ta vendo? Quer andar bem vestida, va pra outro lugar, nao pra uma festa de pobre..." e a minha mae ficava repetindo o que eu havia dito, com cara feia: "Andar bem vestida?" e ela falou pra mim que a mina nao tava bem vestida, ela tava era um escandalo com aquela roupa e eu, na epoca, achei que nao, eu ate queria poder ser um mulherao daquele tipo pra poder andar com aquele vestido, exibindo aqueles peitoes pra deixar qualquer homem louco, mas infelizmente eu nao era assim e nem sonhava em ser, pois jamais eu conseguiria ser daquele jeito...

E segundo o meu pai, so nao teve musica na festa da filha do irmao Sebastiao, porque ele pediu muito a ela e falou pra ela que iria convidar aos irmaos da igreja em peso, pois na casa dele tinha um bom espaço e foi decretado que nao haveria culto no sabado que seria a festa de casamento, so pra todo mundo ir la comer e se esbandar de tanto beber... Refrigerante, e claro...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

E esse desejo, a minha tia Edith nao conseguiu realizar, de me ver casada e com filhos, e ate hoje eu nao me casei e nem sei o que seria da minha vida, pois agora sim, eu me preocupo com a solidao.

Esses papos sempre rolavam, quando estavamos esperando o meu pai sair da igreja, ja dentro do carro e a minha mae sempre ficava sentada no banco da frente e eu e a minha tia Edith, sempre sentadas no banco de tras, no carona.

Depois que a minha tia Edith morreu, a familia ficou do mesmo jeito, as minhas primas, como ja eram casadas e bem mais velhas do que eu, ja tinham ate familia e ja eram casadas a muito tempo, entao eu nao tive prima do lado do meu pai, nesse negocio de ir na casa da prima e de se divertir com as primas, filhas das irmas do meu pai, pois eu fui a raspa do tacho, tinha mesmo amizade com algumas das filhas delas, que eram as primas segundas, com marido e filhos.

E de la eu nunca esperei nada, so ouvia da minha mae que elas adoravam confusao e a minha tia Edith tambem, pois ela sempre fez confusao comigo, e com a minha mae, ja declarando em alto e bom tom, que nao gostava da gente e falava que a gente era metida demais e que quem tinha que ir no carro quando iamos visitar os parentes do meu pai, era sempre ela e nao a gente, porque nos nao eramos da familia e ai o meu pai respondeu que a minha mae era da familia tambem, pois ela era casada com ele e a minha tia ate calou a boca, depois do que ele disse que respondeu pra ela.

Isso porque a familia da minha tia sempre morou proximo da minha casa, num bairro bem proximo, so que ninguem vem ate aqui pra saber do meu pai e em tempos modernos, o meu pai ja se encontra numa idade delicada e avançada, que qualquer problema que ele tiver de saude ou qualquer coisa que acontecer com ele, pode ser motivo pra ele morrer, e e dificil elas aparecerem aqui e quando vem so sao as duas que ainda falam que vem so pra ve - lo, esquecendo - se da minha mae e eu ate corrigi certa vez e depois a Rosa falou, sem graça, que a minha mae tambem, mas que o meu pai era o unico que ainda tava vivo.

A casa das minhas primas, ficam bem na subida e eu acho ruim de ir a pe ate la e nunca vou a pe, quando eu vou, porque e muito dificil mesmo.

domingo, 8 de maio de 2011

Passaram - se mais uns dias, e o dia tava ensolarado e a minha mae estendia roupas junto com a Cleia que ja estava bem mais conformada com a situaçao, em relaçao à morte do Dinho e eu senti um violento safanao no meu coraçao e me assustei e comecei a chorar de tao nervosa que eu fiquei e me sentei proximo ao jardim de casa, falando pra minha mae que eu tava passando mal e eu pensei que eu ate seria a proxima a morrer e a minha mae acabou falando que isso era uma ocorrencia de todos os nervosos que eu havia passado durante o mes e o meu pai, que tambem escutou o que tava acontecendo comigo, acabou falando que era assim mesmo, que foi porque eu havia passado muito nervoso com as duas mortes.

E esse dia estava ensolarado e quente, ja indo para o mes de setembro, e eu ainda estava preocupada com as duas mortes que tinham acontecido com a minha familia e eu fiquei com medo de perder a minha mae tambem, no meio dessas duas mortes que ocorreram em nosso meio.

O meu pai nao se dava muito bem com a minha tia Edith e nem nos tambem, pois ela era sistematica o bastante pra nao gostar da gente e sempre ia pras viagens nas costas dos parentes, quando iamos, ela pegava carona conosco e levava dois netos ou sempre a Erica ia de carona no colo dela, porque era a neta querida dela, nao sei se era a caçula, mas era a neta querida dela.

A minha tia Edith gostava de ir ali na igreja perto da casa dela, porque senao ela teria que pegar carona conosco pra ir at a igreja de Itaquera que sempre foi uma igreja grande e cheia.

Eu eu sempre gostei e igreja grande e cheia, pois era melhor do que uma igrejinha pequena e vazia e eu era obrigada a ir, porque o meu pai nao ia pra igreja de Itaquera, e eu acabei me adaptando a isso e aos costumes daqui de casa, nunca saia sozinha, devido aos costumes da familia, so saia pra ir pra escola e pra fazer trabalho.

E a minha tia sempre falava que eu precisava de me casar, pois eu tinha que viver e saber o que era a vida e ela sempre falava que eu tinha que me arrumar mais, nao so eu, como a minha mae tambem, porque tinha pessoas que tinham muito menos dinheiro do que nos, que se arrumavam bem melhor e a minha mae sempre falava pra ela que o meu pai nao se incomodava nao e nunca soltava grana pra gente, como e ate hoje.

Mas eu nunca quis me casar, devido ao sofrimento da minha mae com o meu pai e eu tinha muito medo de ter o mesmo azar que ela teve, e eu me repunava, ao falar em casamento e sempre quando essa minha tia falava, eu falava que nunca ia me casar e que talvez me casaria la pro ano dois mil e o ano dois mil nao tava muito longe nao, passou num abrir e piscar de olhos, porque tudo passa rapido, ainda mais quando passamos a ficar mais velhos.

sábado, 7 de maio de 2011

E nos nao tinhamos que ficar ligando pra esse tipo de coisas porque tinhamos que ligar para o que estava acontecendo entre nos.

E quando ficamos sabendo que a minha tia Edith morreu, a minha irma Adna ligou pra casa e falou que tinha tido um sonho que tinha um livro e esse livro se abria e ali uma voz falava pra ela, conforme as paginas que se abriam, que iam morrer tres pessoas na casa dela e eu estava olhando a minha mae ali, deitada na cama, e fiquei com medo e comecei a chorar e a chama - la e a passar a mao nos cabelos dela e a minha mae falou que eu tava ate pensando que o negocio era com ela, e que era ela quem ia morrer e ela falou pra eu deixar de ser boba e parar de ficar pensando nesse tipo de coisas e eu continuei chorando e a Adna ainda tava na linha e ela deve ter escutado tudo.

E sempre isso aconteceu, em minha familia, morre de tres em tres so que sempre tem um mais longe do que o outro, depois de dois proximos, e foi assim que a minha irma falou, que sempre iam dois proximos e depois um mais longe, parece ate um tipo de maldiçao que acontece na minha familia.

Eu ate acho isso esquisito.

Mas sempre acontece isso e agora eu estou mais acostumada, o baque e grande, mas depois eu acabo me conformando e me acostumando com a situaçao que parece mais uma praga que rogaram pra minha familia, sei la...

E a andreia acabou ficando totalmente impressionada com a morte do pai dela, que foi o primeiro baque que sofremos e ela olhava para o teto do quarto e falava que ali parecia mais uma perninha gordinha e que aquela perninha gordinha era a perninha gordinha do pai dela e eu acabei olhando e falando pra ela que com aquela perninha gordinha ali no estuque do quarto, ele tava falando pra ela que tava tudo bem com ele e ela ja tava chorando com a situaçao que estava ocorrendo e a minha mae ne chamou a atençao e eu fui ate ela e ela me falou que eu tava confundindo as coisas e eu fiquei ate quieta com tudo aquilo que tava acontecendo em casa e o que eu deveria responder pra menina que estava desesperada com a morte do pai dela e ainda estava chorando?

Nao sei... Talvez eu teria que responder que nao era nada e que nao era pra ela se preocupar e que aquilo ali era alguma coisa relacionada ao bolor que dava nas paredes de casa, e era isso mesmo, so pra nao tomar uma tremenda bronca da minha mae.

E eu nada respondi, acabei nao ficando muito perto da Andreia, pois se ela tivesse mais algo a perguntar, e eu mais algo tolo a responder, porque eu agia como se fosse uma adolescente sonhadore a bem imaginativa, tudo que eu imaginava, parecia ate ser uma realidade, imposta por mim, qualquer coisa, principalmente relacionadas a meus amores platonicos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

E depois disso tudo, o meu pai ja havia comunicado os outros irmaos, o meu tio Luis que morava la em Barrinhas, no interior de Sao Paulo, e a minha tia Maria que morava em Japeri, no estado do Rio de Janeiro e ficamos esperando - os chegar e quem demorou mais pra chegar foi o meu tio Luis que nao achou passagem e so veio ele, e a minha tia Carmem nao veio.

E enquanto esperavamos o meu tio Luis chegar, fomos ate o velorio na igrejinha do Jardim Coimbra e eu estava preocupada e com o coraçao apertado por tudo o que estava acontecendo e eu abracei a mulher do Lourival e falei bem manhosa pra ela, que tava acontecendo tanta coisa ruim em casa, e olhei para o corpo da minha tia, que tava ali, inerte, dentro daquele caixao, e ela tava ate branca, pois havia sumido todo o sangue do corpo dela, afinal de contas, ela estava morta.

E a mulher do Lourival ate me acudiu, abraçando - me e falando - me que era pra eu ter calma e mal eu sabia que aquilo tudo iria passar e que eu iria ter condiçoes de estar recordando tudo isso.

E quando o meu tio Luis chegou, o meu pai foi pega - lo na rodoviaria e foi direto pro cemiterio e eu me lembro que nem eu e nem a minha mae fomos ao cemiterio e o enterro foi la no cemiterio da Vila Formosa, onde o meu tio Joao foi enterrado dois anos depois da minha tia Edith e o meu pai veio contando que quando chegaram la, o corpo ja estava sendo sepultado e nem deu tempo do meu tio Luis ver o enterro e nem dele ir ao velorio, pois ele estava vindo pra ca e eu fiquei muito triste com a situaçao que estava ocorrendo.

O meu tio ficou em casa uns dias e logo depois acabou indo embora e o meu pai acabou combinando com ele, que ia la na casa da minha tia Maria em Japeri, com o meu tio Luis, passar o Natal e ficou combinado assim e foi o que acabou acontecendo.

E as minhas primas, que estavam indignadas com a morte da minha tia começaram a culpar o meu pai pela morte repentina dela, devido à noticia dada na igreja, e o meu pai sempre foi assim, ele sempre falou o que nao devia, entao ela assustou - se mas para a morte sempre ha uma desculpa, uma desculpa esfarrapada, se ela nao tivesse tropeçado naquela pedra, ela estaria viva ate hoje, e coisas do genero...

E a minha mae ate ficou chateada com as minhas primas, que estavam culpando o meu pai pela morte da mae delas, a minha tia Edith, e as minhas primas ate ficaram com raiva dele, nao vindo aqui por um bom tempo.

E eu fiquei pensando que era mais uma desculpa, porque todas elas eram maloqueiras, e so queriam brigar e sempre arrumavam uma desculpa pra isso.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

E a minha mae havia notado ja, por um bom tempo que a minha tia Edith tava totalmente esquisita, ela tava andando muito devagar e ate arrastava os pes, quando nos viamos andando muito devagar e ate arrastava os pes, quanso nos viamos andando em direçao à igreja, a minha mae ja me falava, dentro do carro, quando esperavamos abrir a igreja, que a minha tia nao tinha muito tempo de vida nao, porque ela estava muito esquisita conosco e que ela nao esperava que a minha tia fosse um dia nos tratar tao bem assim, mandar os outros nos servirem na festa de quinze anos da Erica, porque a gente nao podia ficar sem comer nada, e depois da festinha, a minha mae ainda comentou comigo, que ela nos abraçou quando chegamos na festinha da Erica.

E eu ate ficava com medo, quando a minha mae falava essas coisas, pois era dificil dela errar, ou melhor... Ela nunca errava nada, quando ela suspeitava das coisas que iam acontecer, e geralmente nao era de coisas boas que ela suspeitava, era mais de coisas ruins que ela suspeitava e isso ocorreu e eu sempre me repelia, so de pensar, e a minha mae falou sobre a suposta morte da minha tia, dentro do carro e eu comentei com ela que ate podia ser e nem gostava de comentar muito, ela sempre ficava sentada no banco da frente e eu, no banco de tras e foi assim que aconteceu, ela acabou morrendo e depois da historia toda, quando a minha mae se viu sozinha comigo ela perguntou pra mim bem seria, dizendo que ja tinha falado que a minha tia nao tinha muito tempo de vida, e eu ate fiquei assustada com a situaçao.

E enquanto eles falavam eu dava opinioes e a minha mae nao gostava muito que eu ficava me expressando, e eu me zanguei e falei pra ela que eu ja era maior e que eu podia agora falar tudo o que me dava vontade, falei um pouco chorosa, porque eu nao admitia mais que ninguem ficasse me interrompendo e me dando broncas nao, e a minha mae ficava sempre queimando o meu filme e me falando coisas tipo pra eu ficar quieta.

E eu me lembro que eu vestia uma jaquetinha de tecido mel curtinha que eu tinha e que eu gostava muito e que fazia par com um shorts que eu tinha comprado pra ir ao Nordeste quando eu fui no inicio do ano que os meus pais, quando fomos comprar la na Textil Abril e eu tinha achado bonitinho.

E eu me lembro que eu lavava a louça e estava com a barriga encostada na pia.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

E o meu pai entrou em casa, ja com a noticia de que a minha tia Edith havia morrido assim que chegou em casa, logo depois que esquentou a comida, pra todo mundo comer, e foi tomar banho, pelo menos ela morreu limpinha, começou a falar com o Haravena, que era um chileno mais ou menos bonito, que eu tambem pagava pau pra ele, mas ele acabou faturando um filho na sem vergonha da gorda da minha prima Cida, mas ele nao foi o meu grande amor, so foi um paga pau da minha parte e um pouquinho da parte dele tambem...

E o chileno tava sentado ali na mesa dela, porque esse ja tava era morando la na casa dela, afinal ele tava era de namorico com a sem vergonha da minha prima e eu fiquei surpresa ao saber tempos depois que a Cida tava esperando um filho dele, mas nada me abalou nao, so foi uma surpresa de sopetao, que eu tive, ao receber a noticia da gravidez dela.

E a minha tia ficou abalada com a noticia que ela recebeu da morte do meu cunhado, e ela havia dito pra mim que ele era muito novo ainda pra morrer e eu tambem achei, mas a morte nao escolhe idade e nem sexo, quando ela chega, ela leva mesmo quem tiver que levar...

E o Haravena falava com ela e respondia tudo o que ela perguntava pra ele, e ela tava dando conselhos pra ele arrumar a vida dele, ou voltar pro pais dele, pra familia dele, ou entao se arrumar mesmo aqui no Brasil e nao ficar perambulando pela casa de um e de outro, assim como ele tava fazendo.

E de repente, quando ele ia respondendo que ia sim arrumar a vida dele, ele escutou um tremendo baque do banheiro, como se fosse uma queda e logo chamou a Cida, falando que achava que a minha tia tinha caido no banheiro e ela foi logo correndo acudir, sorte que a minha prima nem precisou arrombar a porta, logo abriu e encontrou a minha tia caida, e a agua do chuveiro escorrendo por cima dela, e chamou alguem pra leva - la ao hospital, mas a minha tia nao aguentou e acabou morrendo antes de chegar ao hospital, e o Lourival, futuro pastor da igrejinha do Jardim Coimbra e o Haravena tambem estava junto com ele, e os dois sentaram - se na cadeira da mesa e ficaram ali conversando com o meu pai, que começou a meter o pau na minha tia, falou tudo o que tinha acontecido e tudo o que ela tinha feito de mal pra ele, durante toda a sua vida.

E o meu pai ate falou pra eles, que a minha tia foi a responsavel por ele ter deixado de ir pra igreja durante um bom tempo e a minha mae, que tava na cozinha esquentando a comida dele, ficou so observando as conversas dele e os irmaos ate queriam saber se ele tinha ficado nervoso depois da noticia ruim que eles foram levar a ele e o meu pai respondeu que nao e que ele tava era normal e começou a falar que a minha tia nao gostava da gente, e que ela vivia implicando com a minha mae, coisa que era verdade, mas que ele deveria era ter respeitado a memoria da morta e nao ter dito nada disso pra que ninguem tomasse conhecimento de tais coisas que ocorreram durante a vida dela e de tais coisas que ela havia feito pra nos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

E a minha irma usava uma saia que ficava bonita nela, com uma blusinha e ela estava chegando de algum lugar pra resolver os problemas referentes ao velorio do Dinho.

E os comentarios correram a solta na escola, devido à morte da minha tia e à morte do meu cunhado e o engraçado e que quase ninguem me associava ao Ricardo, por ele ser bonito demais, entao, a Luana tava comentando com algumas das meninas da sala que na sexta serie um menino tambem tinha perdido o pai e uma tia e ela ate falou que a bruxa tava solta, quando estavamos conversando na sala, todas reunidas ali e eu falei que era da minha familia, foi quando eu puxei o assunto que eu tinha perdido a minha tia e o meu cunhado e esse foi o motivo dos comentarios da Luana e as meninas ate sentiram pena de mim, coisa que era dificil e bem dificil...

E naquele sabado que estavamos desanimados pela morte do meu cunhado, recebemos o telefonema da casa do meu tio Joao, que tambem estava ruim de um cancer na garganta e provavelmente ele morreira tambem, e foi o que acabou acontecendo a dois anos a frente, porque o meu tio estava com vontade de ir pra igreja conosco, e o meu pai falou que ia passar la, pra irmos pra igreja todos juntos e quando chegamos na igreja do Jardim Coimbra, o meu pai teve oportunidade pra falar e a minha tia Edith tava sentada perto de nos, e como parte da palavra dele, ele acabou falando da morte do meu cunhado, e a minha tia Edith ficou surpresa e me olhou assustada e amarelenta, ate sumiu a cor dela, e ela ficou boba porque o meu cunhado era tao novo, e ficou me perguntando se era aquele homem branco e alto, o marido da Cleia e eu confirmei, e eu fiquei com medo da minha tia ter um treco, mas nao teve nao, pelo menos naquela hora, depois e que o negocio ficou feio pro lado dela...

Porque ela veio ter o treco assim que chegou em casa e foi tomar banho, e o meu coraçao continuava apertado, mas eu achava que era por causa do baque da repentina morte do meu cunhado, e fomos levar o meu tio Joao na casa dele, que tava com aqueles canos todos pela cara, indo ate a garganta, por conta do tratamento contra o cancer que ele estava fazendo.

E quando estavamos chegando em casa, vimos um motoqueiro cair e quase bateu com a cabeça na guia da calçada, ali na Avenida dos Continentes, e eu fiquei chateada e ainda olhei pra tras e vi o motoqueiro la, so que nao foi por nossa causa nao, foi por que ele se desequilibrou e levantou - se normal e eu acabei achando que era so isso que ia acontecer e chegamos sossegados em casa, eu ja estava lavando a louça, quando a campainha tocou e eram os irmaos da igreja do Jardim Coimbra, e o meu pai foi pra fora atender e veio com a noticia de que a minha tia Edith tinha acabado de morrer, e nos assustamos e eu lembrei do que eu e a minha mae ainda comentamos no carro, que ela tinha ficado muito assustada e totalmente sem cor e eu ainda falei que tava com medo dela ter um treco ali mesmo, de tao assustada que ela ficou, e o meu pai ate comentou com os irmaos da igreja, do jeito que a minha tia havia ficado e era o Haravena e o futuro pastor da igrejinha.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

E eu acabei me ajeitando e os meus pais quase nao falavam, pois estavam muito chateados e amargurados pelo que havia acontecido com a Cleia e no que eles pensavam no momento, era so em ajuda - la, porque ela estava sofrendo muito junto com seus filhos e nem pensavam em deixa - la ir pra casa dela sozinha junto com as suas duas crianças.

E eles nao a desampararam, mas depois acabaram se arrependendo do que fizeram, devido ao que acabou acontecendo.

E no dia seguinte, eu voltei pro meu quarto, pois ja haviam montado o beliche em meu quarto, com a ajuda do Miguel, que ouvia as lamentaçoes da Cleia e das crianças dela.

E eu voltei a dormir com eles, e eu vi quando estava passando o Jornal Nacional, a morte de um politico famoso e a Andreia, bem inocente, olhou pra minha irma e perguntou se nao iam comentar sobre a morte do pai dela e a Cleia olhou pra ela e falou que nao, porque o pai dela nao era famoso como aquele politico que havia morrido na mesma data que ele e eu me lembro que ja estavamos deitados e a Andreia tava deitada encima dela, bem depois que nos acabamos de tomar banho e ali eu fiquei, dormindo no mesmo quarto com eles todos, mais de um ano, porque so depois de um ano e meio que eles sairam daqui de casa, de volta pra casa da sogra dela, que tinha uma casinha ali, que os meus pais ajudaram a construir pra ela morar, logo que ela se casou com o Dinho.

E a minha mae tinha agora, dois problemas em casa... Um deles era o Miguel e agora, recentemente, era a Cleia, e os dois eram geniosos o bastante pra nao se debicarem, e acabaram deixando - a totalmente nervosa com situaçoes desagradaveis de discussoes entre os dois, que ate fazia medo.

E logo que o Dinho morreu, a poucos dias, ainda estava recente o caso, quando eu e a Alessandra estavamos no ponto, esperando o onibus, e ela viu a minha irma, vinda da avenida que ia pra casa da minha tia Helena, e ela estava toda amarelenta, e com cara de sofredora e ela era bem magrinha, mais magrinha do que eu, na epoca, e a Alessandra ficou reparando, e quando ela passou bem na nossa frente e me cumprimentou, a Alessandra olhou e perguntou se era ela a minha irma que tinha ficado viuva, logo apos eu ter contado o caso pra ela, justificando as minhas faltas, e eu respondi que era ela mesma e ela me olhou e me falou que ela tava bastante abatida.

domingo, 1 de maio de 2011

E ninguem tava nem ai com ninguem...

E ate hoje, eu, infelizmente, sou assim com a minha mae, nao gosto que ela saia de casa sozinha, pois eu morro de medo de acontecer o mesmo e de nos ficarmos que nem loucos procurando por ela de acontecer o mesmo, entao, por isso eu cuido dela sempre...

Mas ela sempre reclama pras pessoas, que ela encontra que eu pego no pe dela, mas foi devido a esse motivo que ocorreu a muitos anos atras, que eu acabei ficando assim, com tanto medo dela sair sozinha.

E voltando à doença da minha mae, fazia pouco tempo que ela tinha descoberto sobre a gastrite dela e eu ja estava mais tranquila ao saber que era somente tratar a bendita da gastrite, assim que o medico me explicou, eu fiquei bem mais tranquila com a situaçao que estava ocorrendo com ela.

Mas tudo me preocupava, pois o Dinho havia morrido de infarto fulminante, nem deu tempo de socorrer, isso e, se os medicos quisessem socorrer, nao e?

E estavamos nos recuperando do que havia acontecido com o Dinho, e a minha mae la, sentada na cadeira e apoiada na mesa, com uma blusa bonita, que ela tinha, amarelo queimado, de tranças que eu sempre admirei nela, e ela nao tava nada bem, ate abaixou a cabeça e debruçou - se e apoiou seus braços cruzados e a Cleia ja ficou aqui dentro de casa e nao voltou mais pra casa dela, como deveria de ser, porque os meus pais nao quiseram que ela voltasse, e eu nao gostei muito da ideia mas nao podia fazer nada, porque quem mandava na casa ate entao, eram os meus pais, e eu, como nao ajudava em nada, nao podia fazer nada e nem falar nada...

E eu fiquei ali, do meu quarto, olhando pra minha mae, aquela situaçao que ela estava passando eu acho que ela deve ter ficado ainda mais nervosa devido ao que estavamos passando com a morte do Dinho.

E eu me lembro, logo depois que o enterraram, que eu fiquei nervosa e falando que ele tinha sido uma boa pessoa e a minha mae ficou ali, naquela terra marrom escura, me olhando e me falou que eu tinha que ir pra la, onde estavam os outros e eu, chorosa, fui pra onde estavam os outros.

E voltando ao que eu estava falando... A Cleia ja se enfiou em meu quarto, com os dois filhos dela, todos tristes e desanimados com a morte do pai e eu tinha do, mas eu queria mesmo era a minha privacidade, afinal de contas, nao fazia muito tempo que eu tinha aquela privacidade de ter o meu proprio quarto, apesar de ser medrosa.

A minha mae acabou me arrumando um sofa pra dormir la no quarto com eles, novamente, eu me lembro que rapidinho ela estendeu as cobertas, e ja tava muito quente, aquele ano quase nao esfriou e eu me lembro que ali eu me instalei, enquanto a Cleia e seus filhos estavam la no meu quarto, lamentando a morte do pai deles e do marido dela.