domingo, 17 de julho de 2011

Teve uma sensação desagradável no fundo dos olhos.

Apertou os joelhos com força para evitar as lágrimas.

Princesas não choram, não demonstram emoção em público.

Mas o rosto da filha surgiu diante de seus olhos, o rosto doce e pálido, os cabelos loiros.

Cobriu o rosto com as mãos e esfregou os olhos, secando as lágrimas antes que caíssem.

Não podia perder o controle.

O comandante não havia feito nenhum pronunciamento.

Os comissários de bordo estavam afivelados em seus assentos, mas pareciam tranquilos e profissionais.

O jatinho estremeceu e inclinou - se muito para a esquerda, Chantal espiou pela janela novamente.

- Não consigo ver nada. - disse, enquanto o jatinho parecia retomar um padrão mais normal de vôo.

- Está escuro lá fora. - respondeu ele calmamente.

- Será que os pilotos conseguem exergar?

- Eles voam por meio de equipamentos.

"Mas e se os esquipamentos estivessem com defeito", quis perguntar.

Em vez disso, voltou a pensar na vida, nas escolhas feitas, nas oportunidades perdidas.

- Momentos como este são ótimos para uma auto - análise.

Nada como encarar a si mesmo.

- Arrependimentos?

- Vários.

- Diga um.

- São muitos. Não consigo pensar em apenas um, mas em todos eles, toda a experiência de vida, as esperanças e sonhos...

- A vida nunca é o que se acha que será, não é mesmo?

Ele parecia tão grande, tão imponente e ainda projetava força.

Calma.

- Não.

- O que acabou sendo diferente para você?

Ela balançou a cabeça.

Não podia falar sobre isso.

Sobre nada.

De repente, relembraram o fim de semana em Nova York.

Tinha sido a convidada de honra da semana anual de moda, e a direção do evento havia lhe reservado a suíte real do Le Meridien, um hotel luxuoso, com uma forte influência francesa.

Supôs que eles tivessem imaginado que ela ficaria mais confortável com o sotaque francês, mas não fora até lá para encontrar a França, ou Melio, nem mesmo La Croix.

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