Teve uma sensação desagradável no fundo dos olhos.
Apertou os joelhos com força para evitar as lágrimas.
Princesas não choram, não demonstram emoção em público.
Mas o rosto da filha surgiu diante de seus olhos, o rosto doce e pálido, os cabelos loiros.
Cobriu o rosto com as mãos e esfregou os olhos, secando as lágrimas antes que caíssem.
Não podia perder o controle.
O comandante não havia feito nenhum pronunciamento.
Os comissários de bordo estavam afivelados em seus assentos, mas pareciam tranquilos e profissionais.
O jatinho estremeceu e inclinou - se muito para a esquerda, Chantal espiou pela janela novamente.
- Não consigo ver nada. - disse, enquanto o jatinho parecia retomar um padrão mais normal de vôo.
- Está escuro lá fora. - respondeu ele calmamente.
- Será que os pilotos conseguem exergar?
- Eles voam por meio de equipamentos.
"Mas e se os esquipamentos estivessem com defeito", quis perguntar.
Em vez disso, voltou a pensar na vida, nas escolhas feitas, nas oportunidades perdidas.
- Momentos como este são ótimos para uma auto - análise.
Nada como encarar a si mesmo.
- Arrependimentos?
- Vários.
- Diga um.
- São muitos. Não consigo pensar em apenas um, mas em todos eles, toda a experiência de vida, as esperanças e sonhos...
- A vida nunca é o que se acha que será, não é mesmo?
Ele parecia tão grande, tão imponente e ainda projetava força.
Calma.
- Não.
- O que acabou sendo diferente para você?
Ela balançou a cabeça.
Não podia falar sobre isso.
Sobre nada.
De repente, relembraram o fim de semana em Nova York.
Tinha sido a convidada de honra da semana anual de moda, e a direção do evento havia lhe reservado a suíte real do Le Meridien, um hotel luxuoso, com uma forte influência francesa.
Supôs que eles tivessem imaginado que ela ficaria mais confortável com o sotaque francês, mas não fora até lá para encontrar a França, ou Melio, nem mesmo La Croix.
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