- E o quê?
- A paz. Paz. Não fechou os olhos, mas por dentro sentiu - se tão estranha e vazia que teria fechado se ele não a tivesse vendo tão de perto. Mas ele não conhece você, lembrou - se a si mesma. E mesmo que sobreviva a este vôo maluco, algo que parece remoto neste momento, nunca nos veremos novamente. Havia tanto mal assim em se abrir? Ser honesta? Falar com o coração?
Sua vida inteira fora ditada pelo dever, pelo país, pela economia. Como a mais velha das três netas do rei Remi Ducasse, Chantal estava destinada a ser a futura rainha e monarca de Melio. Sabia desde a adolescencia que era seu dever ter um bom casamento, proporcionar herdeiros, assegurar a estabilidade financeira e garantir a independência em relação a seus poderosos vizinhos Espanha, França e Itália.
Falar com o coração. Viver de acordo com o coração. Não eram escolhas possíveis. Seu coração a tempos fora dominado pela cabeça, e sua lealdade e desejo inatos para fazer o certo há muito haviam ofuscado o impulso e o sentimentalismo. Havia o certo e havia o que precisava ser feito, e sabia que se casaria com alguém à altura, um parceiro arranjado pelo seu avô e seus conselheiros. Ela traria prosperidade e estabilidade ao reino novamente.
Esse era seu trabalho. Era o que faria.
E tinha sido o trabalho que fizera. Tragicamente, no momento em que se casara com Armand, Chantal soube que havia cometido o pior erro de sua vida e ter Lilly só o piorara.
Mas apenas pensar em sua filhinha a fazia sorrir por dentro . Lilly era tudo. A maior e mais pura alegria que a vida poderia lhe conceder. Um presente.
De repente, o avião gemeu de novo, sussurrando como se agonizasse .
O que aconteceria a Lilly?
Sabia que seu cunhado, o rei Malik Nuri, sultão de Baraka, estava tentando libertar Lilly, tentando encontrar uma maneira de fugir das leis arcaicas de La Croix, mas até agora nada havia adiantado, o que significava que, se o avião caísse, Lilly ficaria presa para sempre com os Thibaudet em La Croix.
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