sábado, 30 de abril de 2011

Achei estranho mas ate ai eu comecei a pensar que era porque ela era filha e os laços sao mais fortes.

Me lembro uma vez que fomos la na casa da Cleia e essa tava trabalhando e ele tava la na banquetinha dele, fazendo joias e a minha mae e eu vimos a Andreia tomar umas chineladas dele e a minha mae interveio, falando que nao era pra ele fazer aquilo com a menina e ele olhou bem bravo pra minha mae e falou... "Que nada, dona Cacilda, a senhora nao conhece essa pestinha!" e a minha mae ficou quieta e logo ficou conhecendo a pestinha que era a Andreia, e conhecemos a Andreia bem no fundo e vimos que ele tinha razao em bater nela e em chama - la de pestinha, porque realmente ela era uma pestinha.

E nessa mesma tarde, em que estavamos la, era numa quinta, eu acho, e ele reclamou pra minha mae, que tinha descoberto aquela epoca que tinha gastrite erosiva, que ele estava sentindo umas dores no estomago e uma coisa subindo e queimando e a minha mae falou pra ele ir ao medico, porque ela tinha descoberto aqueles dias que tinha gastrite erosiva e os sintomas eram iguais aos dele, e ele falou que na segunda feira ele iria ao medico, pois nao deu nem tempo, morreu antes, morreu numa sexta, nao deu tempo dele ir ao medico, porque a morte havia chegado primeiro e naquela epoca ele tinha trinta e dois anos, menino de tudo ainda...

E depois a mae dele quetou - se e o Ricardo que tinha doze anos, estava conversando com uns coleguinhas dele que citaram o exemplo de um outro garoto que estudava na sala deles e que tambem havia perdido o pai com a mesma idade do Ricardo e ainda se recuperava da morte do pai e o Ricardo escutava tudo calado, quinze anos depois ele tambem se foi, vitima de um cancer no cerebro.

Lembro - me que ele estava com aquela jaqueta jeans delave que ficava tao bonita nele e ele estava muito triste com a ideia de perder o pai.

Enterramos o Dinho e viemos embora pra casa e eu falei pra minha mae que havia feito um dia bonito pra ele, era dois de agosto de hum mil e novecentos e noventa, a ultima decada, pra depois chegarmos aos anos dois mil.

A nossa casa ficou um velorio, lembro - me que todo mundo ficou vendo teve na cozinha e ninguem comentou mais nada sobre o assunto ocorrido, ainda estavamos reformando a casa, porque os sofas antigos que tinha na sala, estavam na cozinha, e a minha mae nao estava muito bem de saude mesmo, e naquela epoca ela nao andava muito bem, com muitas dores pelo estomago e pelo corpo, como o de sempre, e eu ate pensei que ela estivesse com os mesmos problemas do Dinho, pois passavamos muito nervoso naquela epoca.

E com isso tudo que aconteceu com o Dinho, eu fiquei com medo de acontecer o mesmo com a minha mae, pois antes eu achava que as pessoas avisavam umas às outras, e principalmente às familias, quando acontecia algo de errado com a pessoa que saia sozinha, pois ai eu descobri que infelizmente nao era bem assim...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dai eu falei pra minha mae que eles so prestavam pra isso mesmo, e nem pra ir atras de bandidos serviam, porque tinham medo deles e a minha mae nada disse, eu fiquei revoltada porque eu achei que eles deveriam ser mais honestos e deixar as coisas do cara la, ja que ele havia morrido mesmo, a familia viria atras mais cedo ou mais tarde, nao sao todos os policiais, e claro, mas esses ai pisaram na bola e deram muita mancada...

E o Cicero, no dia seguinte, ajudou e fez tudo o que pode e naquele tempo eu ainda achava o Cicero legal, e ele foi com o Marcos e com o meu pai, nao sabendo que a exatamente oito anos seria a vez do Marcos sofrer com a morte da Maria.

E o corpo do Dinho foi levado pra fazer otopcia e mais tarde descobrimos que ele havia morrido de infarto fulminante, que nao deu nem tempo dele pensar o que estava acontecendo com ele.

E a familia dele foi avisada e quando chegamos no velorio, la no Cemiterio do Carmo, pois eles tinham uma campa la, assim como nos temos hoje, e ele foi enterrado la no mesmo.

E quando eu cheguei la, vi o Dinho no caixao e nem o conheci, pois ele estava ate mais novo, nao estava inchado e nem tampouco com olheiras, como muitos mortos costumam ficar, ele nao... Ele tava era bonito, com barba feita, coisa que ele nem pensava em fazer, deram um trato no homem que hoje nem existe nem poeira dele mais.

E o caixao dele tava ate lacrado, coisa que eu achei estranho demais, afinal de contas eu nunca havia um caixao lacrado na vida e fiquei sabendo depois que eles haviam confundido com um homem doente, que havia morrido de uma doença perigosa que passava pra todos os que respirassem o mesmo ar do defunto, entao resolveram lacrar de repente, assim quando eu me afastei do caixao do Dinho, a mae dele apareceu depois, so que ela tava que nem uma louca, batendo no caixao dele e gritando totalmente apavorada e arrependida do que ela havia feito pra ele e colerica... "Meu filho!!! Os seus filhos agora serao meus!!! Eu vou ajuda - los em tudo o que for preciso!!!" e continuou batendo no caixao do homem, totalmente colerica e nervosa, dava ate medo dela derrubar o defunto, ate que uma das filhas dela a pegou e a levou dali e a promessa dela nem foi cumprida, so falou na hora da surpresa e do baque que ela teve, porque depois... Depois tudo voltou ao normal.

E a Andreia ainda era pequena e eu pude ver que ela tava tendo o mesmo aviso que eu de que o Dinho estava morto.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

E a Cleia confirmou tudo e contou toda a historia pra ele e agora o que tinha que acontecer era uma uniao ali, porque um tinha que ajudar ao outro, nao importando as diferenças e o meu pai tinha ido junto com eles pra dar um apoio moral, dai ele contou que ela foi logo dando os documentos pra moça que ela falou no telefone e a moça foi logo confirmando, sem ao menos perguntar pra Cleia o que ela era dele e a Cleia ao ouvir a confirmaçao do que eu ja sabia, a muito tempo, pois o meu coraçao ja havia me avisado, acabou desmaiando de supetao, causando assim euforia e surpresa em quem estava acompanhando - a na noticia dada pela moça que depois ficou triste ao saber que a Cleia havia desmaiado porque havia perdido o marido e ela estava chorando muito e um pouco desesperada, pois ia ficar sozinha.

A Cleia contou tambem que o Dinho tinha passado mal na Praça da Se e havia pedido socorro pra uma viatura policial que estava estacionada ali e os filhos da puta dos policiais nao quiseram prestar socorro a ele, negaram o socorro e ele ficou andando mais um pouco, ja passando mal e foi de encontro a uma viatura da policia municipal, os GCM'S como sao chamados agora, e eles sim, o levaram para o hospital e chegaram la no hospital Vegueiro, os medicos acabaram tambem negando socorro a ele, porque estavam em greve e os policiais municipais so tinham que leva - lo para um hospital municipal, e ai ele acabou nao suportando e morrendo ali mesmo na maca do hospital, sozinho e sem socorro algum, por causa dos filhos das putas dos medicos que estavam em greve.

E o final da vida dele, foi muito ruim, muito dificil, pois morreu sem ver a cara de ninguem da familia e a Cleia contou chorosa, que ele havia falado pra ela abraça - lo bem forte, antes de se levantarem, e aquele abraço foi como se fosse uma despedida entre os dois, pois ele estava mesmo era se despedindo da vida, se despedindo dela, e ele ja havia ido la buscar as joias, segundo as pesquisas que a Cleia fez depois mas so que mais nada se encontrava com ele, pois os outros filhos das putas dos policiais que f0ram levar o corpo dele no microterio so deixaram la alguns pertences deles e acabaram pegando o relogio e deixando algumas das joias la, ate a grana que ele tinha recebido e tava no bolso dele tinha ido tudo pra eles comerem coxinha, que so para o que eles prestam, pra comer coxinha!!!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mas... Infelizmente nao foi assim, pois a minha cabeça nao ousava em pensar em outra coisa e às vezes o meu pensamento era desviado pra outros lados, menos pro lado de que ele estava morto ali, jogado no microterio, como se fosse um pedaço de carne no açougue.

E passamos por onde e a nosa igreja agora e o Marcos viu uns caras caminhando uns caras caminhando rapidinho, todos de tenis e calças jeans e ele olhou e ja começou a julga - los, como e do feitio dele mesmo, falando que eles nao eram boa coisa mesmo e que eram bandidos e eu olhei ate com medo dos caras que andavam apressados pela rua e ele acelerou o carro, pois ali estava bem escuro e jamais o Dinho passaria por ali, porque eu acho que ele nem conhecia aquele local e fomos embora para casa, depois de andarmos tanto atras de informaçoes sobre o Dinho e ai o Cicero, que tambem estava preocupado com o Dinho, acabou ligando pra nossa casa, assim que chegamos e perguntando se tinhamos achado o Dinho e o meu pai respondeu que nao haviamos achado o Dinho, e ele acabou dando a ideia da qual eu queria tanto falar, pois aquela vozinha sempre me falava, e que eu queria tanto falar, e essa vozinha sempre me repetia que era pra irmos ao microterio, pois o corpo dele estava la e depois que o Cicero falou pra procurar nos microterios, de la de perto do centro, ai sim que a Cleia acabou pegando o telefone de uma lista que tinhamos em casa e acabou ligando, e recebendo uma meia noticia, dando a entender que o corpo dele estava la, porque ela deu o nome inteiro dele, perguntando, sem jeito e sem vontade de perguntar, pois essa era a ultima coisa que ela queria saber, e a moça, do outro lado da linha, que era pra ela trazer os documentos todos dele, somente pra confirmar, e eu havia entendido tudo o que a moça quis dizer pra ela, assim que ela nos contou, e a minha mae recomendou que eu fosse dormir, ja que eu nao iria mesmo com eles, procurar o Dinho, porque no dia seguinte, eu teria que ir pra escola.

E eu acabei obedecendo a minha mae, e fui dormir, num quarto um tanto quanto bagunçado, cheio de roupas em uma cadeira e eu sempre dormi com a luz acesa ou com alguma luz acesa, pois eu nunca gostei de escuro e eu via como se fosse um monstro naquela imagem das roupas refletindo na luz fraca que estava acesa e ai eu dormi um sono meio estranho e leve, com um grande aperto no meu coraçao e bastante preocupaçao, pois eu nem sabia o que estava por vir, naquele presente momento e so imaginava...

E nao demorou muito, ao cair da madrugada, la pra umas quatro e pouco da manha, eu acordei com a luz da cozinha acesa e escutei um choro abafado e a minha mae falando com calma e com bastante paciencia com a Cleia que estava chorando um choro abafado, e eu me levantei assustada... Pois o que eu temia havia acontecido... Ja era a morte do Dinho!!! O Dinho havia morrido e eu levantei assustada e fui logo perguntando pra minha mae, se havia acontecido o que eu estava pressentindo a muito tempo e a minha mae confirmou e logo a Cleia foi procurar o Miguel que dormia ali na lojinha, numa caminha totalmente fora e desprezado de casa, e nunca junto com a gente e ele tava sentado ali na escadinha antiga que ainda temos no fundo do quintal, dando pra lojinhe e triste e falou que tinha acabado de sonhar que tinha acontecido coisa ruim com o Dinho e a Cleia foi chama - lo do quarto do meu pai que tava tambem de pe e contou pra ele e ai sim, ele falou que tinha sonhado a pouco tempo...

terça-feira, 26 de abril de 2011

E ficamos preocupados e a Cleia ouviu a afirmaçao da Maria que foi buscar a Andreia na escola e ouviu tambem que a Maria havia ligado pra casa preocupada com o Dinho, pois ele havia saido de manha, logo atras da Cleia e nao havia voltado ate aquela hora que ela ligou e o meu coraçao estava doendo, estranho e eu com medo de ter acontecido alguma coisa com ele, e foi o que aconteceu mesmo...

A Cleia acabou falando que no minimo ele estava passando mal e ficou internado, num hospital ou entao ele deveria de ter sido assaltado e alguem ter atacado ele, porque ele levava as joias prontas e acabava trazendo mais pra ele terminar.

E passamos a acreditar nessa hipotese dele ter sido assaltado e atacado por bandidos por causa das benditas das joias que ele tinha com ele, embrulhadas num jornal para que ninguem jamais desconfiasse que ali ele levava joias, aneis e brincos tambem...

E saimos pra procurar o Dinho, mais tarde, foi eu, a Cleia e o Marcos que dirigia o carro e ficamos procurando em todas as delegacias que o Marcos conhecia e em minha mente, bem la no meu intimo, a voz que me segue mandava ir ao microterio porque ali estava o corpo dele e eu, pra nao impressionar e nem tampouco alarmar os demais, nao quis falar nada e tambem jamais eu poderia abrir a minha boca, pois se eu abrisse a minha boca, levaria um tremendo berro do Marcos, entao... Jamais eu ousaria fazer esse tipo de coisa...

E em cada local que iamos procurar, sempre ficava em minha cabeça a ideia de que o corpo do Dinho deveria de estar em microterios, eu sabia, a vozinha la no meu intimo falava que na verdade ele ja tava morto, mas so que iamos procurar em delegacias, e eu me lembro que fomos em uma delegacia que tinha um bebado la dormindo no chao, e os policiais nao estavam nem ai com ele, e um deles, que nem estava fardado ficava so na maquina de escrever, e naquele tempo era bom, porque eles nao podiam fugir da raia como hoje em dia que tem a internet e eles podem navegar em sites sociais e tudo o que tem direito e mais um pouco, ali no trabalho deles mesmo...

E eu fiquei observando aquele homem la, deitado naquele chao sujo, e eles falavam que quando passasse a bebedeira o cara iria sair dali e eu fiquei esperando a resposta de que ele poderia estar ali, so que o Marcos nao foi nas delegacias do centro, ele foi ali perto da casa dele mesmo, nas imediaçoes e em minha cabeça ainda tava a vozinha... "Procura nos microterios, ele esta la..." E eu nao podia jamais abrir a minha boca, e o meu coraçao tava totalmente apertado com a ideia de que ele poderia era estar morto mesmo e nao vivo e por ai, como eu ate cheguei a pensar, e a falar pra minha mae, quando ainda estavamos em casa, que o Dinho poderia ate estar com outra mulher, coisa que ele nunca havia feito na vida, e que ele nao era capaz, mas... Sempre tem a primeira vez, nao e?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

E eu voltei pra casa e quando eu cheguei, a minha mae estava lavando a louça preocupada e eu perguntei o que era que tinha acontecido, ja imaginando que poderia ser ate briga entre o Miguel e eles e ela acabou respondendo que a Maria tinha ligado pra casa preocupada, falando que o Dinho tinha saido bem cedo e tinha deixado as crianças la na casa dela, falando pra ela coloca - las na escola e ate aquela hora ele ainda nao tinha chegado e ele nunca foi de fazer isso e eu acabei comentando com a minha mae, que no minimo ele deveria estar na casa de um amigo e nao tinha comentado nada com ninguem e a minha mae falou que nao, e que no minimo tinha acontecido alguma coisa ruim com ele e eu nao estava querendo acreditar no que era bem provavel e no que acabou acontecendo.

E mais tarde, eu ja tinha ate tomado banho e estava pronta pra me deitar, quando o meu pai perguntou pro Marcos, se ele estava sabendo de alguma noticia do Dinho, e o Marcos respondeu que nao e que tinha ligado pra Maria e o Dinho ainda nao tinha aparecido.

E finalmente fomos pra casa do Marcos, totalmente preocupados e as crianças da Cleia estavam la com a Maria, preocupados com o pai e tambem tristes pela situaçao que havia surgido, e a Andreia ate chegou a falar, quando eu estava na sala da casa do Marcos, que ela ate via o pai dela deitado no chao e que ele tava era morto.

E eu acudi rapidinho, falando que nao era isso e que isso jamais iria acontecer, ai ela começou a chorar, aquele choro duplo dela, e a falar que nao e que ela via o pai dela morto e o pior e que a historia foi mais ou menos assim, parecia que a menina via as coisas por telepatia mesmo e que ela tava vendo tudo num telao, que depois so foi representado, porque nos ficamos sabendo de toda a historia.

E ela chorava copiosamente e a minha mae tentou agrada - la e o Ricardo so ficava cabisbaixo, tambem querendo chorar, ao ver a irma chorar demais e a minha mae, pra acalma - los, mas ja pressentindo alguma coisa ruim, falou que ele estava com a Cleia e quando a Cleia chegasse, o Dinho estaria la com ela.

E nao demorou muito, la pras nove da noite, a Cleia apareceu normal, de calça jeans meio delave e um sapatinho que ela tinha, da mesma cor da calça jeans dela e ela achou estranho todo mundo la na casa do Marcos, aguardando ela na cozinha e os meninos na sala preocupados e a minha mae acabou perguntando, a pergunta que nao queria calar, como quem nao queria nada, se o Dinho estava la com ela e ela olhou pra minha mae e respondeu que ele nao tava nao, e a minha mae continuou falando que o Dinho tinha deixado as crianças na casa do Marcos e pedido pra Maria deixa - las na escola, so que ninguem ainda tinha ido buscar a Andreia, entao a escola resolveu ligar pra casa do Marcos, e pedir para que pegassem a menina que ficou ate mais tarde na escola, esperando o pai dela busca - la, como era de costume, e a Maria foi la na escola e pegou a Andreia de volta, e acabou deixando - a la na casa dela, porque na casa deles, eles nao podiam ficar, porque a Cleia nao havia chegado ainda, e o Dinho nao estava la, como sempre, porque era ele que ficava com as crianças ate a Cleia voltar da Federaçao Espirita, onde ela trabalhava na epoca.

domingo, 24 de abril de 2011

Ate entao o ano de 1990 estava ocorrendo bem, sem contar com duas surpresas que ocorreram e nos deixaram muito chateados e nervosos, e como todo mundo sabe, em nossas vidas, sempre temos coisas ruins e coisas boas que acontecem e para os pessimistas e talvez um tanto realistas, ha mais coisas ruins que ocorrem em nossas vidas, do que coisas boas...

E as duas mortes foram muito estranhas em nossas vidas, pois era pela primeira vez, depois de inumeras que aconteceram, que perdiamos dois ante queridos assim, quase que de uma so vez, por diferença de poucos dias, apenas dois dias...

A minha irma do meio casou - se com o Dinho, contra a vontade da minha mae, mas como o meu pai era quase todo certinho, acabou praticamente obrigando - os a se casar, so porque a minha irma engravidou...

E desse casamento gerou - se dois filhos, um casal de filhos e a minha irma vivia uma vida quase que tranquila, saindo para trabalhar todos os dias, pra sustentar o cara, que so trabalhava de ourives, fazendo belas joias para os cunhados e nao sendo valorizado por seu belo trabalho e a minha mae tinha avisado mas... Talvez, com medo do que poderia ate acontecer com ela, se ela nao se casasse, entao, ela resolveu se casar, ou ate mesmo por medo das confusoes que ocorriam em casa, bem na hora do almoço ou bem quando reuniamos a familia um pouquinho so, ela resolveu sair de casa.

E pra sair de casa, ela tinha que se casar, pois esperava um filho... E a vida toda ela ficou sustentando aquele homem, que ate trabalhava, mas... Ele vivia desanimado da vida, ja em vida parecia ate que ele tava morto.

E nesse dia, bem no mes de agosto, bem no inicio do mes, eu amanheci com um tremendo peso no coraçao nao sabia o que era, mas parecia que ia acontecer algo de ruim e naquele dia eu me arrumei e fui pra escola, como o de sempre, pois todas as tardes eu tinha que ir pra escola, afinal de contas, o meu curso era a tarde e eu era obrigada a ir, se eu nao quisesse logicamente eu perderia aula e ficaria com falta.

E quando a tarde caiu, eu cheguei da escola, o meu sobrinho Ricardo tambem estudava na mesma escola do que eu e no mesmo periodo, onde eu fazia o curso de Magisterio e ele foi tambem pra escola, de la da casa dele, ja que a minha irma nunca permitiu que seus filhos estudassem nas escolas estaduais perto da casa dela, entao, os meninos tinham que estudar nas escolas mais longe, como as escolas da Penha, por exemplo, Itaquera, menos la perto da casa dela, porque ela achava essas escolas cheias de bandidos e de gente ruim...

sábado, 23 de abril de 2011

Tinha vezes que a minha mae ia se deitar um pouco, devido às dores no corpo e falava pra dona Lourdes fazer um favor de ficar um pouquinho comigo na lojinha e ela concordava e ficava la, fazendo trico e sentada ali comigo, enquanto a minha mae ia descansar um pouquinho.

E teve uma vez que eu tava muito nervosa, porque todo mundo sempre me falava que o Sandro so gostava de minas que usava calças apertadas, roupas de marca e de cabelao ate a bunda.

E eu falei pra dona Lourdes que na faculdade tinha um rapaz feinho que usava uma camiseta da Artmanha e eu nao tinha nenhuma, ja chega o dinheiro que eu joguei fora, dando uma camiseta linda da Artmanha para o Sandro e que eu fiquei sabendo que o Sandro tinha dado pra mae dele.

Ah, isso me magoou muito...

Me magoou tanto que eu na epoca ate emudeci, nao chegava a chorar, mas a minha mae sempre me ensinou, que tudo o que a gente ganha, mesmo a gente nao gostando, usa - se pelo menos uma vez, na frente da pessoa pra pessoa que deu, ficar satisfeita, e depois da - se o fim...

Como o Sandro so gostava de roupas de marcas caras e eu so tinha grana pra roupas de marcas mais baratas, entao eu dei o que eu podia dar, nao o que ele queria ganhar...

Quando gostamos de uma pessoa, damos o que podemos, e a pessoa que gosta da gente, aceita de bom grado...

Mesmo nao gostando...

Ai eu ja comecei a pensar, que o que eu sentia em relaçao ao Sandro gostar de mim, podia ser apenas uma impressao que eu tava sentindo, pelo fato de eu gostar assim... Tanto... Tanto... Mais tando dele...

E infelizmente, o Sandro nunca se lembrou de mim, de pelo menos falar comigo pra me dar um fora!!!

De pelo menos falar que nem os outros... Oh, sai fora!!! Voce e muito feia!!! Muito ridicula... Se toca!!! Sai de mim jacare...

Mas nao... Ele me judiou mais, muito mais...

Mais do que os outros que sempre usaram de uma sinceridade que sempre me magoava...

Uma sinceridade que me machucava, me dilacerava, me fazia acreditar...

Acreditar e ficar timida e com medo de tentar...

De tentar novamente e levar outro fora...

Mas infelizmente o medo se transformava em coragem...

E la ia a tonta tentar novamente...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

E eu acho que o Sandro nem se lembrava que eu existia, so na hora que ele passava aqui, sozinho, me olhando ou entao abraçadinho com as outras garotas...


Somente para saber se eu gostava dele ou nao, era uma especie de teste, teste pra ver se eu aguentava ou nao, ser maltratada, foi isso que eu fiquei sabendo agora, nao que o Sandro disse que me testou pra me maltratar, mas so que eu concluo assim, oras...


Depois de tanto que o Sandro me fez, tem um senhor que sempre me fala sobre as coisas que acontecem na casa dele, as brigas com a mulher dele e eu somente ouvindo...

Como as minhas colegas sempre falam... Eu sempre ouvindo...

E uma vez a Juliana me alertou, falando que era pra eu parar de passar la na rua do Sandro, porque senao a historinha ia começar tudo de novo... E dito e feito!!!

Parece ate que ela tava advinhando...

Que tudo ia acontecer de novo...

Pois e...

So que agora a coisa ta pior...

Pior porque ele ta casado, quer e nao pode...

E eu, solteira, nao sei se quero e posso, mas o maior problema e ele, como sempre...

E eu sempre esperando...

Cada vez mais esperando...

Quando eu for ver, eu ja to pra morrer e ainda esperando uma pessoa que talvez ate tenha morrido tambem...

Mas eu sempre na confiança, triste, pois o noivado tinha mesmo acontecido, e eu tava arrasada com aquela historia maldita, o Sandro no exercito e eu aqui na minha casa, esperando por ele...

E na epoca vinha muitos caras do exercito, parece que e uma coisa...

Quando o Sandro tem carro preto, eu vejo um monte de carro preto, quando o Sandro tava com uma loira, eu via varios caras com minas loiras pensando sempre que fosse o Sandro...

E a dona Lourdes sempre ficava conosco na lojinha, na epoca que ela ainda morava aqui, ficou pouco tempo, pois teve que voltar pra Sao Carlos, porque o marido dela adoeceu, mais ou menos pro meio do ano corrente, e veio a falecer um pouco antes do final do ano.

E ela sabia do caso de eu gostar demais do Sandro e sempre me falava que eu merecia coisa melhor do que o Sandro, e que o Sandro nao era pra mim, e um dia eu comecei a chorar e falei que merecia um cara mais simples mesmo, igual a mim...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Embora eu fale pra todo mundo que ja comeram o meu doce, mas ninguem comeu nao, quando ele comer o meu doce eu coloco aqui, ok?

Ainda na faculdade, la nao tinha muito cara bonito nao, tinha algumas moças que andavam muito bem vestidas, todas elas eram metidas, dos cabeloes compridos, cheirosas e no minimo, trabalhavam o dia todo, passavam em casa so pra tomar um banho e ir pra faculdade.

La no intervalo que era de meia hora ou mais, todas comiam lanches naturais, nada de cachorro quente, assim como eu e a Rose e mais algumas que nao se incomodavam.

A Rose ja se encontrava comigo e perguntava: "Vamos comer um cachorro quente?" Opa... E pra ja... E a durona aqui, como o de sempre, ia, ela pagava sempre, foi a unica amiga que eu tive, ate naquelas epocas, que nunca zuou de mim, que sempre dava risada das coisas que eu falava e que fumava que nem uma poca veia... Mas, tinha que ter sempre um defeitinho mesmo...

Fumava, fumava, fumava...

Que eu acho que quem vai ter cancer de pulmao vai ser eu, porque ela nao...

Se safa logo... Morre de outra coisa...

E eu continuava andando com ela, a unica que me fazia feliz, porque ela ria das minhas piadas, nunca me criticava, so me dava conselhos bons em relaçao ao Sandro, e eu sempre perguntava o que sera que o Sandro queria comigo e ela falava: " Se sabe de uma coisa... Eu acho que ele quer e falar com voce..."

E passaram - se tantos anos, que e agora que ele quer falar comigo, nao naquela epoca...

Contava tudo pra ela, as vezes que o Sandro passava aqui, as roupas maravilhosas com as quais o Sandro passava vestido, o cheiro do perfume delicioso, quantas vezes o Sandro me olhava, o dia que o Sandro passava sem me olhar...

E ela sempre me ouvindo, nao sei como nao cansava, porque as minhas colegas aqui da rua, cansavam e falavam que tavam cansadas de me ouvir...

Sempre Sandro, Sandro, Sandro...

Isso Cansa!!!

Agora eu sei que cansa...

Mas antes o meu maior prazer era falar nele...

Mas ninguem aguentava nao, e eu nao tava nem ai, chegava e chegava falando sobre o Sandro e acabou...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

E o restante migrou tudo pra Historia, meninas legais mais meio tapadas, eu nao era muito critica mesmo, em casa a critica nao era tao aberta assim, ninguem aceitava criticas e nem tampouco sugestoes, tinha que ser do jeito com o que meu pai pensava e exigia...

Conhecemos a professora de Filosofia, que era baixinha, bem magrela e moreninha, metida a rica, pelo jeito devia ganhar bem e morar num apartamento desses chiques da zona sul de Sao Paulo, perto de todas aquelas patricinhas ricas e metidas de la...

E tinha uma professora que era uma senhorinha, de rostinho cheio chamada Eunice, bem ajeitadinha, cabelinho curtinho e liso, tingido de preto, pele alva e tinha tres delicadas e belas filhas, cada uma tinha um namorado, uma estudava pra ser dentista, que uma vez eu fui com o meu dente do siso la na faculdade e a professora me perguntou se eu nao queria vender o meu dente, porque a filha dela comprava dente pra estudar, ja que ele ja tava cariado mesmo, segundo a professora.

E todas as tres filhas dela estavam fazendo faculdade la na FZL, e uma delas fazia Fisioterapia e a outra eu nao me lembro qual o curso que ela fazia, que como ela era a mais velha, ela tava ja se formando.

E todas as tres filhas dela curtiam a noite paulistana e eu pensando assim... "Quem dera eu poder curtir a noite paulistana, sair e nao ficar trancada dentro de casa, quem sabe assim eu poderia encontra - lo, em qualquer balada por ai, ja que no minimo, o Sandro devia sair pras baladas e claro...

E todas as tres filhas dela tinham a pele morena clara, delicadas como a mae, de cabelos negros, longos e encaracolados nas pontas.

Baixinhas como a mae, deveriam de ser legais, mas se o Sandro as visse, era bem capaz dele querer ficar logo com as tres.

Ja que o Sandro era tao mulherengo assim, com a Luciana ele nao era, depois tornou - se, so de desmanchar o noivado com ela, começou com a mulherice...

Acho que ele se revoltou, ou alguma coisa do genero...

No minimo ele devia ter na cabeça dele, na epoca, que foi por minha culpa que ele virou todo o jogo e acabou saindo fora dela, pensando que ele chifrava ela comigo, acabou chifrando o Sandro com outro cara, no minimo, dai a vingança...

Ele se vingou legal, ao inves de ficar comigo logo, me judiou o tempo todo...

Como me judia ate hoje...

E eu aceito numa boa, pois infelizmente ele e o unico cara que eu gostei e que eu nao consigo nunca tira - lo da minha cabeça.

E nem ele consegue me tirar da cabeça dele, duvido que algum dia ele vai me esquecer, ja que ele fez tudo isso, agora, no minimo, ele deve estar louco para ficar comigo, so pra experimentar a surpresa que eu tenho guardada pra ele ate hoje, nessa minha idade, que eu tenho, ate hoje ninguem comeu o meu doce, estou guardando o meu doce somente para o Sandro comer...

terça-feira, 19 de abril de 2011

E tambem na faculdade, eu arrumei uma amiga inseparavel, que era a Rosemeire, bem gordona, a unica que podia rir comigo, que podia andar comigo e que concordava com tudo o que eu falava, se vestia pior do que eu, entao ninguem tinha o que falar de mim, mas o pior e que falavam...

E o primeiro dia de aula foi legal, sem trote, e sem aquela barbaridade toda, dei graças a Deus...

Conheci alguns professores novos e ate que legais, tinha o professor Silvio de Sociologia que era um senhorzinho que nao morava aqui em Sao Paulo, morava la em Caçapava, ma vinha todas as noites aqui pra Sao Paulo pra dar aulas na FZL, na epoca era FZL.

E tudo o que ele falava, eu anotava, embora as aulas dele davam muito sono, porque o homem falava manso demais e ate nos hipnotizava com aquela voz mansa...

E na minha turma, tinham seis alunos, se nao me falha a memoria, os alunos eram eu, o Avelar, um sujeito nordestino, enrugado e bem estranho que pagou ate um guarana pra mim, pensando que eu ia querer alguma coisa com ele, tinha o Rodolfo que era um brancao bonitao, embora baixinho, de olhos e cabelos escuros, bem feitao de corpo e andava mais ou menos bem vestido, sujeito critico, meio serio, advogado formado e exercia a profissao, tinha a Sandra, uma moça gorduchinha de olhos cor de mel que mais faltava do que vinha, que me contou varias historias da familia dela, que com o tempo eu conto aqui, a Jo, uma senhora bem magrela, que se vestia muito bem, baixinha e moreninha, queria a todo custo ser nordestina e ela sempre falava que a mulher nordestina menstruava muito, e no final das contas, descobriu que tinha um enorme mioma no utero, por isso sentia tanta dor e ai parou ate de menstruar, depois que tirou o mioma e o sexto era um rapaz que dizia que tinha vinte e oito anos com corpinho de vinte e sete anos e cabecinha de vinte e seis, o nome dele era Ze, Jose Luis, ele era engraçado, brancao, com bigodinho, fortinho e altao.

Gostava de cantar as menininhas, qualquer coisa chamava a gente de "Meu amor" e eu como nao havia recebido nenhum tratamento assim, de homem nenhum, entao eu me derretia toda, pensando ate que ele me queria, que louca...

So assim eu poderia largar do Sandro...

Mas... Que nada!!!

Aquele Ze gostava de uma loira que o pessoal apelidou - a de "loira do Ze" e ela nem ligava pra ele, metida, magrela e baixinha, na epoca eu a achava bonita, loira tingida e fresca, sempre andando com roupas de pele de antilope e aquelas sainhas curtissimas, revelando as belas pernas.

Eu achava tao bonito, que eu, caipirona, perguntava pra ela, todas as vezes que ela vinha com aquelas roupas, que tipo de tecido era aquele e ela sempre respondia que era de "antilope", ainda tinha a paciencia de me responder sem ficar nervosa e nem nada e sem tambem me criticar...

Sempre educada, acho que me achando muito louca, todos os dias perguntando o tipo de tecido da roupa dela.

E isso enche o saco de qualquer um, ela tinha uma amizade singela com o Ze, sempre abraçando e beijando no rosto dele e eu tenho certeza que o idiota do Ze, se iludia com tudo isso, mas com aquela barriguinha sexy de quase seus trinta anos, ele tentava ostentar uma amizade com as garotas da faculdade, tentando ser um cara popular, coisa que ele nao o era, mas tentava ser...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

E na faculdade, eu sonhava acordada, havia passado em Geografia que sempre foi o que eu sempre quis, desde pequena, ser professora de Geografia do estado e da prefeitura, mas so que agora, eu me arrependo, devido a muitas circunstancias que vem ocorrendo para a nossa classe falida e desunida, onde todos reclamam, mas chega na hora do "vamos ver", ninguem quer ir à luta...

Ninguem faz greve, poucas pessoas vao às ruas lutar pelos nossos direitos.

Bem que os meus professores na epoca do magisterio, falavam que os ultimos que iamos ver lutando pela classe, eram eles, que lutavam pelos nossos direitos e isso e verdade mesmo...

Agora o pessoal e muito mais acomodado.

E na epoca o presidente era o Fernando Collor de Mello, o bonitinho.

E o pior que o cara era bonito mesmo, so que um incompetente, ladrao da conta dos outros, dizem que era o famoso caçador de maraja, maraja eram o povao que guardava uma graninha minima na poupança, que vendia as suas casas, pra viver de juros, porque naquela epoca o dinheiro rendia muitos juros, entao as pessoas se matavam, porque viam o seu dinheiro no banco criando asas, o dinheiro que eles iam guardavam pra ter uma velhice melhor, na epoca que o Brasil era melhor...

Porque hoje em dia e uma bosta, o salario nao sobe, mas as coisas sobem e so sobe o salario minimo, e o salario dos politicos, o resto nao sobe...

E no inicio da faculdade, nao houve o famoso trote, coisa que eu sempre tive medo, dos outros me pegarem e me zuarem ainda mais do que me zuavam...

E as noites eram bem frescas e eu nao tinha muita roupa boa pra ir à faculdade, a minha mae costurava pra mim, daqueles tecidos lindos que compramos nas lojas Esplanada, la do Nordeste, que no minimo, hoje nem existem mais...

E o meu negocio era usar as roupas de marca, e ter os cabelos ate a bunda, bem cuidados, so para conquistar o amor da minha vida...

Depois eu vi que nao era nada disso, era que o Sandro nunca quis ficar comigo mesmo e isso era so uma desculpa que os outros me davam pra nao dizer que ele nao ficava comigo porque eu nao tinha nada a ver... Baixinha, feinha, esquisita, mal vestida e alem disso todo mundo me zuava...

E depois eu tive provas disso tudo, porque ele passava com cada menina que dava ate arrepio de medo e so comigo que ele nao queria sair...

Nao sei se era porque eu era presa demais, so que mais tarde eu descobri que tambem nao era por causa disso nao... Porque o Sandro tambem saiu com uma crente e ficava de maos dadas na sala com ela, isso tambem nao...

E que o Sandro nunca me quis e nao me quer ate hoje, nao sei porque ele fica falando... Eu tiro a conclusao seguinte de que o Sandro nao quer que eu deixe de gostar dele e que sempre fique na dele, e por isso que ele tem a coragem de falar que ainda gostava de mim...

domingo, 17 de abril de 2011

E essa parte da Luciana fazer alguma coisa contra mim, em relaçao ao termino do noivado dela com o Sandro, eu nao descobri, mas juro que se eu descobrir, eu coloco aqui, imediatamente...

E os dois passaram felizes, abraçadinhos um ao outro, parecia que tinha um amor daqueles inabalaveis e eles bateram as maos umas nas outras, mas eu nao havia entendido sequer, que aquele maldito gesto bobo e singelo, aquele gesto que me feriu mais um pouquinho, afinal de contas, ele nunca me deu esperança de boca, ele sempre me deu esperança com o olhar...

Olhar que ate hoje eu nao me esqueço, olhar marcante, que nunca me esquecerei...

E a Luciana?

Eu acho que eu devo ter marcado a vida dela, afinal de contas, fui eu quem dei um empurraozinho pro noivado deles acabar.

Se nao foi direta, pelo menos foi indiretamente.

E eu fiquei triste, me desmanchei em lagrimas, lagrimas de sangue e de desilusao...

Lagrimas que eu choro ate hoje, foi quando a Juliana me falou pra eu acordar porque eles estavam mostrando as alianças de noivado, e isso me cortou, me machucou, me desiludiu... Me dilacerou...

Dilacerada, destruida eu to ate hoje, pois nao foi somente isso que o Sandro me fez...

E eu ainda sou idiota de dizer que eu o perdoo, talvez seja pra limpar de vez as magoas do meu coraçao...

Ela trajava blusa jeans delave e calça jeans tambem delave, toda bonitinha, com a blusa por dentro da calça, moda na epoca.

E a vida passa rapido, e so de pensar que isso aconteceu a dezenove anos atras, tempo que eu ainda tinha os meus vinte e poucos anos...

Eu era nova ainda, cheia de ilusoes e suspirava mais e mais pelo Sandro...

Ja hoje em dia eu tenho medo de acreditar no que o Sandro diz, se ele gosta de mim, eu tenho duvidas, mas tudo bem...

Vamos esperar, ja que a minha vida sempre foi e sempre sera feita de esperanças...

A esperança e a ultima que morre, entao a minha vai morrer somente quando eu morrer... O pior vai ser se o Sandro morrer primeiro ai eu morro sem esperança alguma... Pois a minha esperança vai de baixo de sete palmos junto com ele...

E eu chorei... E ate a Juliana chorou muito, junto comigo, me abraçando pra me consolar e falando que um dia eu ficaria com o Sandro, e isso ate que seria bom, nao sei... Se as palavras que ela me disse naquele dia, ha exatamente dezenove anos atras, fossem proferidas como verdadeiras num futuro proximo... E bem proximo...

sábado, 16 de abril de 2011

Mas... Infelizmente o Jehan era bem magrinho mesmo, podia mesmo apanhar de uma gorda que nem ela...

E eu fiquei esperando - o ansiosamente, ele bater em meu portao, eu sair e ele perguntar bem pertinho do meu ouvido... "Voce quer namorar comigo?", esperava e sonhava com aquilo, nossos labios se encontrarem e assim por diante...

E as minhas colegas, turminha bem mais nova do que eu, que eu curtia e ficavam do lado de fora comigo e eu varava alguns dias na casa da Juliana, sempre me incentivavam, sempre torciam pra ficarmos e elas sempre me falavam que nao tava querendo dar o braço a torcer...

E sempre quando eu me sentia triste, eu falava com o espirito que me falou uma vez que ele tava la num shopping em Brasilia, junto com uma loira de cabelos encaracolados, ja era outra...

Antes ate dele acabar com a Luciana, e eu os imaginei abraçadinhos e a moça deveria de ser de la de Brasilia mesmo ou deveria de ser alguma libertina que viajou daqui somente pra cair nos braços dele...

A Luciana sentia muito odio de mim, assim como a Silvia hoje e algumas meninas que nao gostavam de mim, na epoca que ele as renegava falando que gostava de mim...

Palavras eram muitas, que voavam contra o vento, historias que talvez inventavam dele, e eu, caia que nem um patinho.

Eu ficava muito iludida com aquele olhar... O engraçado que os olhos dele nao sao olhos claros, do jeitinho que eu gosto, azuis, cor de mel, cinzentos...

Nao... Castanhos, castanhos bem mais escuros do que os meus olhos...

Talvez sejam olhos traiçoeiros, olhos que dizem tudo no olhar mas em palavras nao dizem nada...

E a Ligia me disse uma vez que o Sandro nao tava querendo dar o braço a torcer mas que ele gostava de mim, ele gostava...

E eu caia que nem patinho...

O povo podia me dizer o que quisesse que eu caia que nem patinho e o meu pai, nem pensar em sair de casa pra ir à festas, aniversarios ou danceterias, eu tinha que ficar mofando dentro de casa e se tivesse com vontade de sair, teria que dormir bem mais cedo do que uma criança, mas eu dormia tarde, pois fazia faculdade e chegava mais tarde, nao muito tarde e o pior de tudo...

A minha mae ia me buscar no ponto, olha so que bonitinho...

A donzelinha de vinte e tres anos de idade, sempre contava com a presença da mae no ponto de onibus pra leva - la ate a sua casa...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mas... Infelizmente nao foram...

So esperanças... Esperanças... Espera que ele vem mesmo falar com voce, olha... Nao faça isso, nao fale com ele primeiro, nao corra atras dele, que ele vem mesmo falar com voce...

Agora eu pergunto...

Sera?

Sera que ele nao vai fazer o mesmo que ele fez sempre comigo?

Agora ele ja tem um filho, e casado a mais de dez anos, briga que nem nao sei o que com a mulher que ele arrumou...

Sera?

Apoio das pessoas agora eu tenho, o problema e ele vir falar comigo, so isso...

E eu ali sozinha, acabei sentando - me pra acreditar que aquilo tudo era verdade, pra acreditar que aquilo nao era apenas uma farça, passei a acreditar mesmo, quando eu falei com o irmao dele, o Jehan, que era o unico que mantinha uma conversa mais sincera comigo, fui logo perguntando se era verdade ou nao, e ele, muito prestimoso, confirmou que sim...

E o pior...

O pior de tudo e que o boato corria a solta, de que ele, o Jehan, gostava mesmo de mim, e eu fiquei sabendo, pelo meu informante de sempre, que o Jehan brigava com o Sandro, no quarto deles, porque eles dormiam juntos, e discutiam feio, e o pau comia solto, logo depois que ele desmanchou com a Luciana, ate me deu mais uma esperança, nem com o irmao dele, que tambem gostava de mim, eu tive sorte de namorar...

Mas... Espera ai... Sorte ou asar?

Nao sei...

Na epoca eu pensava que era sorte, hoje poderia ser ate um tremendo e um asar... Nao sei...

So sei que eu, novamente fiquei pra tras...

Ele nao queria que o Jehan ficasse comigo e o Jehan queria ficar, uma coisa assim, ninguem materialmente me informou, quem me falava essas coisas era o espirito...

Fiquei na minha, sem coragem de perguntar, apenas notando a diferença do Jehan de um ano pra outro e os meninos cochichavam entre eles e cutucavam o Jehan... "Olha ai cara, a sua mina, ele vem vindo... Olha ele ai..."

Sempre cochichando e fazendo piadinhas sobre o assunto e eu via no olhar dele que algo de belo ele sentia por mim, apesar dele ter namorado a Valeria, a filha do sapateiro que me contou que bateu nele e a mae dele veio reclamando com ela que ela tinha batido no filho dela, e eu achava graça e ela ria depois que me contava...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Que pena que esse meu conceito do Sandro terminar com a Luciana e ser meu, foi todo errado e dado como perdido, e que ate hoje eu nao sei o que foi que eu fiz, porque eu nao tive o Sandro ate agora pra mim...

No minimo, foi praga da Luciana ou de outras pessoas, como a Iris e compania limitada...

E ate mesmo quem se fazia de amigo, como as meninas que iam la na lojinha conversar comigo, muitas iam mesmo pra tirar barato comigo, ficar zuando, comentando de mim, falando mal de mim e etc...

Depois que eu fiquei sabendo que a Luciana e o Sandro tinham terminado, a minha esperança ficou depositado novamente em meu coraçao, so que eu mal sabia o que viria pela frente, se viria coisa boa ou nao...

Os pais dele, acho que nao iam muito com a minha cara, pois eu acho que eles queriam mesmo era a Luciana que afinal de contas, era a nora deles a mais tempo e eu era simplesmente, uma candidata a nora...

Pelo menos ate aqui, nao sei bem do meu futuro...

Mas eu ainda nao contei quando eles ficaram noivos, naquele dia meio frio do mes de junho, eu acho, eu tava na lojinha, como sempre, com a Juliana, acho que e por isso que ate hoje a Juliana nao quer nem ouvir falar do Sandro, de tanta raiva que ela tem dele e de suas açoes...

E o Sandro e a Luciana iam em direçao à casa dele, passando abraçadinhos na rua, como eu disse, é claro, pra ele me torturar mais, ele gostava que eu visse de camarote, e no final de tudo, tudo isso caiu por terra... Ele acabou terminando com ela...

E as alianças ate brilharam ao reluzir das luzes da noite e nem assim eu me toquei, que eles tinham ficado noivos.

Fiquei sabendo pelo irmao dele, o Jehan, que eles tinham terminado o noivado e que ela queria voltar, e que ela tinha vindo la da Vila Re, pra nao passar por aqui, no minimo, mas ele nao queria mais ela...

E nesse ponto eu fiquei feliz, muito feliz...

Os dois passaram e ficaram fazendo hora, como camera lenta, passando e passando e o meu coraçao ferindo, ferindo e ele me torturando, torturando... Como o de sempre...

E foram em direçao a casa do Sandro, e eu fiquei esperando o Jehan passar e falei com ele, perguntando do noivado, se eles deram uma festa pelo menos, coisa de praxe e o Jehan falou que nao, e que eles tinham ficado noivos ali mesmo, na casa deles, num sabado...

Noivado que nao durou muito, acho que nem tres meses, pra ele descobrir algo de grave que ela fez, nao sei se foi galho que ela meteu na cabeça dele ou se foi alguma coisa que ela queria fazer em ralaçao a mim...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Existiam diferenças entre a Galinha Preta e a Bigode, a ultima, se trajava sensual, era bem mais magrinha e bem mais apresentavel e sabia muito bem como provocar um cara, deixava os caras loucos, qualquer um que ele colocasse os olhos, ficava louco por ela...

Ja a Galinha Preta, se trajava normal, sempre com jeans e camiseta, nao tinha nenhuma sensualidade, na verdade, eu nao sei o que os caras viam nela, a outra pelo menos era bem cheirosinha, e aquela nao... Fedia a oleo de comida, o que ela passava nos cabelos dela, se os cabelos dela fediam assim, imagine so as partes baixas dela, credo...

Acho que era por isso que ela atraia mais caras do que a Bigodinho, assim como a Juliana a chamava, quando estava com raiva.

Ate um velho a Bigodinho conquistou, e ela ficava falando pra mim... "- Ja pensou, Miriam, eu casada com esse velho?" e eu nao respondia nada, apenas sorria, simplesmente eu ficava quieta pra nao arrumar confusao pra mim, ficava olhando pra ela, pois nem valia a pena responder, porque senao eu ate perderia o meu tempo e fora que depois a mae dela viria correndo na defesa dela.

O velho vinha almoçar na lanchonete, descia do carro dele e ja ficava olhando encantado pra ela, e eu ficava dando risada, vendo que nem valia a pena.

E certa vez, ela me disse que tinha uma simpatia infalivel pra eu conseguir coquistar o Sandro logo, e bem de vez pra mim, e eu pedi e ate hoje ela nao me deu, disse que uma colega dela fez e conquistou o cara que nem gostava dela, e ja que o Sandro sentia alguma coisa por mim... Entao... Seria bem mais facil...

Ela so me falou que ia banana e mel na simpatia e que tinha que deixar debaixo de uma arvore de um dia pro outro, mas nunca me deu a receita...

Ha pessoas que nao gostam de ajudar as demais a serem felizes... E quem disse que eu seria feliz com o Sandro? Mas... Na epoca eu pensava que sim...

E epoca que eu vivi, nos anos noventa, era boa, graças a Deus, tirando o povo que me zuava, o resto era bom e eu me lembro que eu ficava na lojinha, com o meu radinho, ouvindo as minhas musicas legais... Que agora, em tempos atuais, chamamos de Flash House, e eu sempre gostei de House, agora eu tenho todas as musicas da epoca, no meu computador, todas elas salvas...

Antigamente nao... Antigamente eu as tinha todas em fitas, que nem da mais pra serem ouvidas...

E na epoca, o meu pai saia e sempre deixava a minha mae sozinha, como o de sempre, e a minha mae ficava em casa, enquanto eu ia pra faculdade, e a sorte e que o Miguel tava sempre com ela, entao eu ia pra faculdade e fazia as minhas provas, lembro - me que so carreguei depe em Filosofia, com aquela nojenta daquela magrela da Salete, que tinha os cabelos curtos e de fogo, cor que eu sempre quis passar em meus cabelos e que um ano depois eu acabei passando e que agora eu nao consigo mais deixar...

A Salete falava coisas que ninguem mais entendia e alem disso, eu nao gostava de assistir às aulas de Filosofia, entao, quase toda segunda feira, eu e a Rose ficavamos cabulando, sem ninguem saber disso, é claro...

Nos divertiamos e iamos embora ate que mais cedo pras nossas casas e eu sonhava em dar aulas a noite na prefeitura e de manha no estado e ficar tranquila a tarde e o meu salario seria muito bom, na minha concepçao, nao o salario do estado, é claro...

terça-feira, 12 de abril de 2011

E eu e a minha mae ficavamos sem teve nenhuma pra assistir, mas pelo menos a minha mae tinha alguem pra conversar quando eu nao tava, tinha alguem pra cuidar dos gatos e do loro, quando iamos fazer uma pequena ou uma grande viagem, como sempre faziamos...

E agora que nao tem? E agora a gente sai com medo dos gatos ficarem sozinhos os dias em que estavamos fora?

Voltando naquele carinha, o falso gordinho, que falou que viu um cara morrer, porque havia tomado um tiro em frente à lanchonete, e ele mostrou que quando ele chegou, de madrugada, ele falou que viu o cara deitado e mostrou o poste... "- Bem ali, olha, em frente ao poste." E ele tava querendo ficar com a Bigode que fazia charme pra ele e ficava dando risada quando ele passava em frente à casa dela, e eu nao sei como ela nao deu em cima do Sandro? Ou sera que dava e eu nao percebia? Ou sera que ele a pegou sem eu saber?

Ah... Que horror!!!

O cara era pedofilo, se fosse nos dias de hoje, ele ia ser processado...

E como ia...

Porque o Sandro so gostava de meninas mais novas do que ele, ja o Reynaldo eram mulheres...

Mulheres mais velhas e sofisticadas, estudadas, que tinham sempre alguma coisa ou uma coisa a mais...

E para o Sandro, tinham que ser patricinhas, que usavam roupas de marcas e tinham corpinhos caprichados, bem bonitinhos e o fundamental eram os cabeloes que tinham que ter...

Ah... E isso nao podia faltar... Cabelos bem compridos, pra ele poder exibir e pra todo mundo falar que ele so saia com mulherao, em certo ponto ate que era verdade, mas tambem tinha hora que as mulheres com as quais ele saia, fazia vergonha... As meninas eram bem piores do que eu, e eu começava a comprovar que a unica que ele nao queria era eu...

E o carinha que falava que era guardinha, um dia veio com um papo sinistro, falando que tava a fim da Simone, a vulgo Bigode, e ele ainda veio falando que tava afins de uma amiguinha minha e acabou falando o nome dela e as caracteristicas dela e tudo.

E a minha mae falou que ela nao era coleguinha minha coisa nenhuma e que ela ia na lojinha mas nao era minha colega e ele ficou quieto e todo mundo aparecia falando que tava afins da Simone, ela se jogava, se mostrava pros caras e ficava dando gargalhadas, com aquele jeito de perua dela, sainhas curtinhas, coisa que a Galinha Preta nao fazia, ela nao tinha charme igual à Simone que falava que com mulher de Bigode nem o diabo pode.

E isso ate podia ser verdade, uma verdade verdadeira...

E nem com mulher que se mostrava como uma vagabunda, a Galinha Preta, se falasse que ela era galinha, ninguem nem acreditava, e um dia eu tava falando da Galinha Preta com a minha mae, la na lojinha e ela escutou e perguntou quem era a Galinha Preta, ela devia, no minimo estar pensando que o negocio era com ela, e que era dela que a gente tava falando, mas nao era, eu falei que era a Iris ai ela acabou ficando quieta e saiu mais aliviada.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

E conversando com o meu primo, la em Taubate, eu acabei falando que o Sandro nao tinha saido do exercito e ele falou que era impossivel, e que todo mundo tinha saido, e so o Sandro tinha ficado la sozinho de castigo e eu dei risada e fiquei sonhando o tempo todo em ve - lo passar...

Que bom seria se fosse aquele dia que o Sandro passasse com aquela baixinha dos cabelos vermelhos e eu nao o visse, so ficasse sabendo... Que bom seria... Assim eu podia ate nao acreditar...

Assim, o que os olhos nao vêem, o coraçao nao sente...

E a minha mae ficou bastante tempo la, matando as saudades da minha tia...

Ficaram conversando bastante, dando gargalhadas, e como sempre a minha tia Clara falava que quando a minha tia Helena ia la com o meu tio Antonio, eles ficavam la, mais de uma semana e o meu tio, todas as vezes que eles chegavam de um passeio, ele perguntava o que tinha pra comer, e o que era que tinha no cardapio, para o presente dia e isso enchia a minha tia Clara, e mal ela sabia que teria que ficar com a minha tia Helena de herança do meu tio Antonio.

E eu ficava conversando com o meu primo a respeito do Sandro e ele me falou que nao via a hora de chegar a vez dele servir o exercito...

E chegou... Ele serviu e nao gostou...

Depois daquela epoca, é dificil eu ver um carinha de verde, passando com a farda do exercito, mas logo, quando eu vejo, eu passo a me lembrar do Sandro... Passando todo altivo com a farda do exercito...

Era o que ele mais gostava de fazer... Passar com a farda do exercito, porque assim ele era bem mais notado e as minhas colegas podiam falar que o viram...

E ansiosa eu fiquei esperando...

O ano era olimpico, ano das olimpiadas de Barcelona, e eu nem vi nada, como eu costumo ver, porque eu so tinha uma preocupaçao... O Sandro...

E o meu irmao tava assistindo a abertura das olimpiadas, e eu vi todas aquelas coisas esquisitas bem tradicionais da Espanha, e acabei nao gostando, so gostei do principe, que era lindo... Embora a beleza do principe nem chegava aos pes da beleza do Sandro e o Reynaldo, primo da Ligia, em segundo lugar...

E eu nem vi, tava meio frio, fui andar um pouco por ai, la pro centro do Nordeste pra ver se tinha mais revistinha do Matt Dillon, la pela noitinha e ja fui comprar o fumo do meu irmao, e eu ainda tava muito chateada com o assunto daquela baixinha maldita e da irma dela passar bem em frente à minha lojinha e bem coladinha mesmo, so pra me provocar, a tal da Aninha.

E ela queria era que eu puxasse briga com a irma dela, pra ela vir com graça pra cima de mim, tipo querendo me bater, isso, no minimo, a tal da Lili deve ter falado pra ela, e as duas estavam combinadas, logicamente.

Entao... Como eu nao podia fazer nada, eu nao falei nada... So as vi passar, respondi aos cumprimentos e continuei na minha...

E depois que eu voltei eu vi que ainda continuava a abertura das olimpiadas, e o Miguel continuava na cozinha assistindo, ja que na sala quem assistia à teve era o meu pai que tomou posse, e eu quase nao assistia televisao, como hoje, mas, antigamente era porque eu so tinha o Sandro na minha cabeça, por isso e que eu nao me importava com mais nada...

domingo, 10 de abril de 2011

E o meu pai ficou horrorizado com o que eu vi naquela escola e quando eu entrei em casa, no sabado, o Miguel tava assistindo uma cirurgia de pulmao, no canal dois, teve cultura, cujo qual o medico tirava o pulmao do cara que tava todo aberto e começava a espreme - lo e eu fiquei com nojo e ate senti pavor do negocio que ele tava vendo, e eu falei pra ele que ja tinha acabado de ver essas coisas feias e ele me mandou sair bem estupido.

E eu ate sai de perto pra nao ter confusao, nenhum tipo de confusao, senao ja viu, ia sobrar pra mim, como sempre...

Eu me lembro que eu falei que ia colocar o Cofox no meu livro que eu ia fazer da nossa historia que nunca aconteceu, somente pra substituir o Jehan e que o Cofox poderia ser no maximo um primo bem chegado, nada de parente proximo que dormia na casa, e eu fiquei pensando sobre isso o tempo todo, mesmo que a Iris tinha criticado e nao tinha aceitado o assunto, e nem a minha ideia.

E eu tava cagando e andando pra ela, afinal de contas, a unica coisa que ela recebeu em homenagem, foi um capitulo da minha historia de vida no ano de 1992, Galinha Preta, que eu fiz somente pra ela e ta bom demais...

Quem sabe eu ainda a coloco como uma vilã de um proximo livro meu?

E nem a Valeria, melhor amiga dela, recebeu essa homenagem ainda, pode ate receber do ano anterior, nao sei... Vou pensar...

Ah... E ainda tinha uma sala la, que eles tavam fazendo palestra sobre a Aids e eu entrei junto com as meninas e o pessoal tava ensinando na banana nanica, como era que se colocava uma camisinha e eu so olhando, eu so sei que eu nao peguei nenhuma camisinha, porque eu nao tinha nem como usar e nem com quem usar, e a Juliana saiu falando que gostou muito da tal palestra nos descemos a vielinha e de la dava pra ver a casa do Sandro e hoje em dia nao da mais, devido a algumas construçoes, que acabam cobrindo a casa do Sandro...

E falaram bastante de doenças sexualmente transmissiveis que vem se falando a anos desse tema e as pessoas nao estao nem ai pra hora do Brasil e eu fiquei sentindo aquele fedo de formol da vielinha, desde quando eu sai de la daquela escola, e depois disso eu nunca mais pisei naquela escola, a nao ser pra fazer as inscriçoes pra dar aulas e pra votar, porque o meu colegio eleitoral é lá e fora isso... Eu nao vou mais la.

E aqui perto de casa, tem um carinha bem mentiroso pro meu gosto, hoje em dia, ele ta bastante madurinho, gorduchinho e bem feinho, ele mentiu pra mim, falando que o Sandro limpava as vidraças do escritorio parlamentar em Brasilia, onde ficavam os politicos e que ele quase caiu de lá de cima, o cara mentiu muito e o pior que eu quase acreditei...

Fui perguntar pro Jehan e ele me disse que o Sandro passou uma vez na televisao, foi guardar a casa da Dinda, e que ele estava la entre os carinhas do exercito, todo serio e imponente, como sempre, e eu fiquei pensando que eu deveria ter visto o Sandro uma vez na televisao, e no metro eu via um montao de caras, com as fardas do exercito, uns eram as policias do exercito, outros deveriam ser guardas costas.

E a historia ficou sendo que eu vi um monte de caras do exercito la proximo à casa da Dinda e eu comentei com o Jehan se um deles nao era o Sandro nao, e ele falou que todos, nessa hora, eram iguais.

Mas ele so ficou sabendo que era o Sandro mesmo, porque ele ligou, falando que havia aparecido na televisao e perguntou se eles haviam visto e falou que ele apareceu bem no dia que estavam guardando a casa da Dinda, bem na epoca em que o Collor era o presidente.

E uma vez a minha mae tava querendo ir na casa da minha tia Clara e o meu pai falou que ia levar e fomos no feriado do dia do trabalho, em maio e eu fiquei deduzindo que ele nao ia vir esse final de semana prolongado e no fim eu descobri que o Sandro tinha vindo pra ca, e que eu nao o vi passando, porque eu tinha ido pra casa da minha tia Clara la em Taubate.

sábado, 9 de abril de 2011

E fomos naquele sabado, dia frio e eu nao vi ninguem da familia do Sandro, e eu nem sei porque eu fui la naquela maldita feira de ciencias, acho que eu fui so pra ficar imprecionada, e a Iris falava muito de um tal de Cofox que era muito parecido com o Jehan e ela falava que esse Cofox era um cara legal e que ele era muito simpatico e eu acabei achando que deveria de ser um maloqueiro que nem ela...

E naquele dia estavamos na fila de uma sala e a Juliana tava na frente e me mostrou o tal do Cofox que a Iris tanto falava e eu o vi na fila da outra sala e realmente o menino paracia mesmo com o Jehan, o microfone da Xuxa como a Valeria falava... E tinha um olhar bastante estranho que me deu ate medo, e os cabelos um pouco mais claros do que os cabelos do Jehan.

Cada sala tinha uma coisa do nosso corpo e aquele cheiro de formol danado que eu nao tava mais aguentando, mais mesmo assim eu entrei nas salas e dava ate nojo...

E todas as partes do nosso corpo em cima de panos de prato e eu morrendo de nojo e medo, terror daqueles negocios...

Eu sempre tive pavor a isso, às partes do nosso corpo, tanto e que quando tinha aulas de ciencias, eu escondia com a mao ou com um papel as partes do nosso corpo que eram desenhadas no livro de ciencias, so lia a explicaçao...

Naquela sala que eu entrei tinha um tumulto, e eu fui ver, era uma carinha que todo mundo tava vendo os avessos da nossa cara, como era dentro.

E a Juliana mais curiosa do que eu fui ver e falou que segundo informaçoes era uma neguinha que morreu de tiro e depois falaram que nao, que era uma branquinha, mais por causa do formol, a carinha tava preta, e eu fiquei com vontade de sair dali correndo.

E eu nem consegui ver o restante, so passei perto de uma sala que tinha um olho castanho num pratinho de sobremesa com um liquido branco, bem pouquinho, no meio pra conservar o olho e eu tambem tive nojo e pavor, e ate falaram que tinha um cerebro em algumas das salas e estavam cortando - o ao meio.

Numa outra sala que eu entrei, tinha uma menina de avental comprido verde, cortando um braço humano pra mostrar pra gente como era e eu morrendo de nojo...

Legal? Que legal nada...

Eu tava era passando mal...

Numa outra sala tinha a evoluçao do feto, so que dessa vez, tavam guardados dentro de uns vidros, conforme o tamanho do feto, era o tamanho do vidro, acho que nao tinha formol naquilo la, parecia mais aquelas bonequinhas que eu tinha quando eu era pequena.

E eu fiquei impressionada, passando mal e quando eu cheguei em casa, eu contei tudo pra minha mae, que ficou horrorizada e eu fiquei tambem e quando eu fui pra lojinha, tava a dona Lourdes la, e tinha um pano meio marrom no chao que tava fedendo a formol e eu falei pra minha mae que o pano tinha o cheiro do formol, e eu o mostrei, e o dia ainda tava chuvoso.

E o meu sonho a noite foi a respeito desses fetos, que eu entrava numa sala grande que tinha esses fetos ai, e eu acordei de manha assustada e fiquei esperando - os sair do cafe e a minha mae tava contando que eu fui nessa exposiçao naquela escola e tinham uns fetos, e ela contou do jeitinho que eu contei.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

E realmente eu ouvi as vozes e ate pude dizer que eram bem parecidas, vozes franzinas, de garotos mesmo e a Juliana desconfiou que o Sandro nao tinha vinte e dois anos nao, ela desconfiou que ele era bem mais novo do que se pensava, que poderia ter uns dezenove anos, por isso que ele tava no exercito.

E eu continuei teimando que nao, entao por que na epoca foram busca - lo na porta da casa dele e todo mundo la ficou chorando, segundo o que eu fiquei sabendo da Elsa que é sobrinha do seu Vicente, na epoca em que o Sandro foi pro exercito.

E ate eu chorei daqui, sem precisao, claro... Porque quem tinha que chorar por ele, na epoca era a Luciana que ainda tava com ele, quando ele foi convocado pra ir ao exercito.

E na Rua Quixeramobim, onde o Waguininho morava? Eles eram muito amigos, andavam pra la e pra ca juntos e o Waguininho sonhava em fazer faculdade e sempre falava que queria trabalhar pra ter grana pra pagar a facul dele e a Juliana achava bonitinho o jeito dele falar "facul" sem terminar de falar.

E eu tava ansiosa, esperando o Sandro passar e fui andando pro centro do bairro pra fazer alguma coisa la, ou entao pra ve - lo em algum lugar, e quando eu tava quase perto da Rua Quixeramobim, onde o Waguininho morava quando solteiro e eu vi o Sandro, todo de verde, andando como se fosse um principe, todo lindo, de verde e o apelido dele entre a gente era "verdinho", a dona Lourdes o chamava de verdinho e eu olhei e vi o Sandro lindo como um Deus e ele me olhou e continuou andando com os colegas dele e o Waguininho junto, conversando e dentre aqueles meninos ele era o mais lindo de todos, nao sei quem eram os outros caras, so sei que nao eram tao lindos quanto o Sandro, e eles tagaleravam que nem papagaios...

E eu ficava cada vez mais ansiosa, com o meu coraçao aos pulos, quando eu via o Sandro passar perto de mim ou ate de longe.

E foi o que aconteceu... Pois era o que ele devia perceber e ficar vermelho tambem...

E eu tive que inventar um cara que eu tava gostando, falei com as meninas que eu iria falar e a Bigode ate falou que ia ajudar e no fim... Acabou ajudando mesmo, o Kadu, meu paquera imaginario era lindo, loiro de olhos azuis, lindo... Lindo de morrer!!! Surfista e tava estudando pra advogado, e a Bigode tava com as meninas em frente à casa dela e de repente quando ela viu o Sandro passando com uma prancha de surf na mao, ela falou do Kadu que tinha umas pernas do tamanho de nao sei o que, e depois ela me contou que o Sandro ficou olhando com uma cara de nao sei o que, pra ela como quem nao tava nem ai e eu tava na calçada da dona Lourdes com as meninas, quando o Sandro passou com um carinha la e a prancha de surf e eu perguntei pra Juliana se existia praia em Brasilia, e se ela nao ia surfar la tambem, nas praias de Brasilia...

E esse tal Kadu, inventado por mim, era so pra fazer ciumes pra ele, ne?

E no fim nao adiantou nada, ele nunca veio falar comigo...

E eu fazia de tudo pra ficar com 0 Sandro e nada... Ele teve muitas oportunidades de vir falar comigo mas nunca veio...

Sempre ficava com outras meninas.

E eu fui convidada pra ir na feira de ciencias do Padre Antonio Vieira, isso ja era la pro mes de novembro, quase no final do ano, e eu fiquei perguntando pra Juliana se era legal mesmo eu ir e ela falou que era bom, pois eu nao tinha nada o que fazer mesmo e nem saia de casa, entao que eu fosse pra tal feira de ciencias daquela escola municipal.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Mas so foi uma vez que o Sandro entregou o pacotinho pro Reynaldo e nao demorou muito, tavam os dois la passando em frente à minha lojinha, conversando baixinho, so que ele nem olhou pra mim e eu pude compara - lo com o Reynaldo.

O Sandro era um pouco mais alto, embora os dois pareciam ser do mesmo tamanho, mas so que o Reynaldo era mais corcunda, parecendo que tinha um calombo nas costas e o Sandro nao, ele era mais reto, com mais massa muscular, enquanto que o Reynaldo era mais franzininho.

Mas a maior diferença fisica de um pro outro, estava na cor dos olhos, o Sandro de profundos olhos castanhos escuros e o Reynaldo com belissimos olhos azuis acinzentados.

O rosto do Sandro era perfeito, sem nenhuma mancha e o nariz lindo de morrer, bem afilado, ja o nariz do Reynaldo era levemente encavalado.

Cor dos cabelos? Os dois tinham os cabelos castanhos escuros, embora os cabelos do Sandro eram mais pro avermelhado, conforme a luz do sol, ja os cabelos do Reynaldo eram mais pro preto mesmo.

O jeito de andar do Sandro, parecia de um principe rico, que saia decima de um cavalo branco com os cabelos aloirados...

E o do Reynaldo era mais despojado, mais largado, mais malandrao...

Ha gosto pra tudo, ne? Os dois eram lindos, porem de uma beleza bem extrema e diferente, tinham o mesmo dom... O dom de mulherengo, e o Sandro deveria de estar descobrindo esse dom naquela epoca, e o dom de mulherengo, o Reynaldo tinha a muito tempo e sabia lhe dar muito bem com esse dom...

Tanto é que as mulheres que saiam com o Reynaldo eram diferentes das meninas que saiam com o Sandro...

As mulheres que saiam com o Reynaldo eram mulheres mais experientes, pareciam ser mais velhas e as meninas que saiam com o Sandro, tinham mais ar de meninas metidas, mais ar de riquinhas, de patricinhas...

E era por isso que ele nao queria... Porque eu nao tinha ar de menina metida e nem de riquinha, eu tinha um ar normal, ele ate podia gostar do meu jeito, mas so que eu nao era o padrao que ele queria pra estar de braços dados na rua com ele, ou ate mesmo de maos dadas, abraçada a ele e etc...

Por isso que caia naquela que ele tinha vergonha de mim, vergonha do meu jeito, vergonha do que eu era...

Todo mundo me falava que ele tinha vergonha de mim porque os outros zuavam comigo, no minimo ele tinha vergonha mesmo e falou pra alguem e essa pessoa passou isso pra alguem e esse alguem passou pra pessoa que me passou que o Sandro tinha vergonha de mim...

E teve uma outra tarde, que a Juliana viu o Sandro conversando com o Reynaldo numa moto, perto da lanchonete da dona Matilde, e me falou que eles tinham a mesma vozinha de moleque e ela falou que era pra eu reprar bem...

E uma outra tarde, eu vi o Sandro, junto com aquele Sandro da moto, o loiro, e a moto era do irmao daquele outro Sandro, o loirao, que tambem era bonitao, mas o cara era bonito demais...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Passei pelo Sandro e fui tirar a xerox, e o Sandro sempre teve oportunidades de vir falar comigo, porque eu sempre procurava a provocar e a criar alguma oportunidade da gente ficar juntos uns dias pelo menos, ou ao menos uma vez so, mas o Sandro nunca soube aproveitar as oportunidades que eu sempre dei, agora que eu nao tenho mais como dar oportunidades e chances a ele, ele agora viu o que perdeu e quer vir falar comigo... Como?

Depois que eu voltei da xerox, o Sandro ainda estava la conversando com os Pipocas, no mesmo local, sentado ali, as minhas idas e vindas... Quando eu estava apaixonada por ele e ficava ansiosa por ele vir logo falar comigo, mas infelizmente eu nao o consegui... Queria mas nao o consegui...

O que outras meninas nao quiseram, nao ansiavam, elas conseguiram, e eu que queria, nunca consegui, mas a vida é assim mesmo... Agora eu estou um pouco conformada com a ideia de quere - lo, mas nao te - lo... Porque nao adianta mesmo... Nao adianta a gente se esguelar, porque tem mais coisas graves que podem acontecer em nossas vidas, e termos que aceitar e suporta - las... do que perder um amor e ficar com mais uma ferida no coraçao...

Promessas? Promessas eu tenho... Promessas de que o Sandro ainda vem falar comigo, promessas de que um dia a gente pode ate ficar juntos...

So que promessas sao promessas... Podem ser dificeis de serem cumpridas, e a gente, com essa possibilidade de nao dar certo, ficamos muito trites...

Depois desses dias, outros ficaram em minha memoria, e uma vez que eu fui la pra Vila Re fazer alguma coisa por la, e passei na rua do Sandro somente para ve - lo e eu nem sabia que o veria, porque pra mim... Ele estava la no exercito, como era de costume.

E o Sandro estava ali, sentado com aqueles loiros lindos que moravam ali na rua de baixo, que hoje em dia é a avenida, e eu estava vestida com aquela calça jeans grossa de sete, sete, cinco que eu tinha e uma blusinha que eu gostava muito, de cotton de fundo rosa com florzinhas e mangas compridas, meio curta, mostrando a barriga e eu vi que o Sandro ao me ver, ficou me olhando, sentado ali, com os carinhas lindos como ele...

Passei com tudo, sem olhar, tudo isso eu fazia pra ver se ele se tocava e vinha falar comigo, porque nao adiantava nada eu me desmanchar em sorrisos e cumprimenta - lo, sendo que eu nao ia conseguir nada com isso, sendo que ele ia se sentir mais e nao viria mais falar comigo, como o que acabou acontecendo, de qualquer jeito, e sempre o sera...

E uma outra vez, eu vi o Sandro passando por mim, ali na calçada da lojinha e ele seguiu reto, me olhou, com a roupa do exercito, que ele nunca tirava e nunca deveria de ter tirado, pois ele ficava lindo... O desgraçado... Parecia ate que ele adorava a roupa e pelo jeito deveria de adora - la mesmo... E no minimo alguem deve ter falado pra ele que eu adorava homem de farda, e que ele ficava lindo assim...

Realmente homem de farda e de terno e gravata fica um sonho, nao?

E foi la na casa do Reynaldo com um pacotinho embrulhadinho na mao e eu fiquei perguntando pras meninas e elas me falaram que o Sandro ficou chamando o Reynaldo de Pestinha e depois entregou - lhe um pacotinho embrulhadinho pra ele, num papel bege, parecia ate um presentinho que ele deveria de ter trazido pro cara la de Brasilia, ou entao... Alguma encomenda....

E eu fiquei perguntando o que seria que ele tinha levado pro Reynaldo dentro de um papel embrulhado, se o Reynaldo mexia com coisas ilicitas, sera que ele tava mexendo tambem?

Ou sera que... Ele tava de gaiato, como aviaozinho, sem saber o que o cara tava aprontando pra cima dele?

terça-feira, 5 de abril de 2011

"- Olha Jehan, vem aqui que eu quero te mostrar um negocio!" - ela se aproximou do menino que tava em frente à casa dele e me puxando junto com ela, eu, que tava com a revista na mao e o Jehan olhou surpreso pra minha mao, como quem querendo saber o que eu estava segurando.

"- Esse cara aqui, olha..." - ela mostrou a foto do Matt Dillon, o poster que ainda estava na minha mao e abrimos bem o poster pra ele ver.

"- Nossa!!!" - admirou - se, olhando a foto.

"- Entao... O que voce acha? Parece ou nao parece o seu irmao?" - ela perguntou, um pouco insistente.

"- Parece mesmo, né?" - concordou e nós, sorridentes que nem bestas.

Ela so nao mostrou o outro cara que parecia com ele, porque ela nao quis e voltamos pra nossas casas felizes, por ele tambem achar o Matt Dillon parecidissimo com o Sandro.

Depois disso as meninas me encontraram um monte de fotos de caras parecidissimos com o Sandro, so que nao era o Matt Dillon, e a Paula falou pra mim que o Tom Cruise se parecia muito com o Sandro tambem, e que lembrava muito o jeitinho do Sandro e em algumas fotos, realmente o Tom Cruise se parecia mesmo com o Sandro.

E eu peguei o meu caderno de capa dura e comecei a colar as fotos, passei papel contact e sempre ia pra faculdade com as fotos na capa que parecia com o Sandro e sempre ficava olhando e suspirando quando dava, é claro...

E até hoje eu tenho essas fotos guardadas comigo bonitinhas, la trancadas dentro do meu guarda roupas bagunçado, e tem varias, ele escovando os dentes e etc...

Se colocassem os dois juntos, na epoca, realmente, quem visse nao ia saber qual era qual, mas deveria de haver alguma diferença, mas so que os dois nunca ficaram juntos mesmo, entao nao tinha como comparar e nem como saber a diferença, de um para o outro.

E os dias foram se passando... E eu sempre esperando... Como sempre... Ele vir falar comigo, pra gente expor logo as nossas ideias e lovo ver se o que queriamos daria pra ser feito, mas... Infelizmente isso nunca aconteceu e eu acho dificil de acontecer... O que eu espero é que ele se resolva, que ele venha falar comigo pra ver se a gente consegue conversar melhor ou entao nao... Ele me dar o fora logo, ja que ele ta mais adulto, mais velho... Eu acho que ele deveria de se decidir, nao pra ficar comigo, que era o que eu sempre quis na epoca, e hoje, na verdade, eu nem sei se é o que eu quero mesmo...

Eu só quero é ser feliz e que ele fique na dele ou entao que vamos ser felizes juntos...

E uma vez que a minha irma Cleia comprou uma revista, isso, antes dele terminar com a Luciana, que a menina da revista parecia com ela, muito bonita a menina, e eu vi aquela revista e logo falei que a blusa era linda so pra minha mae mandar eu xerocar a foto e a minha mae tambem achou - a linda e marcou para que eu fosse tirar xerox e eu tinha visto o Sandro passar, me olhar e seguir rapidinho, parou em frente à casa dos pipocas, era num dia de semana e eu queria muito que ele visse a revista, fui na pagina bem marcada, pedia a grana pra minha mae, e ela tava sentada e sentada ficou e mandou - me pegar a grana na gaveta e eu, mais que depressa peguei a grana e fui la na pracinha, no mesmo lugar de sempre, tirar a xerox da bendita da revista.

E eu passei bem pertinho, e o Sandro tava sentado na calçada falando com os pipocas e quando eu passei ele ficou vermelho, como sempre ele fica.

So que eu nao sei se ele viu o que eu tava querendo mostrar, mas eu era louca mesmo, ainda querendo que ele visse a menina que parecia a Luciana na foto da revista, louca demais...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Realmente, nao dava nem pra saber qual era o ator Matt Dillon ou qual era o Sandro... Na epoca, quem via as fotos nao sabia qual que era qual, e foi o que o Jehan, irmao dele, falou na epoca, falou que ele era muito parecido com o Sandro, quando a Valeria que subiu la comigo, justamente pra mostrar o poster, mostrou o poster pra ele, eu acho que eu devo ter o poster ate hoje, mas, pela bagunça que esta eu nem sei onde esta o bendito do poster.

Eu estava na lojinha com as meninas, quando a Paula, que tava na casa da dona Maria Biquinho trabalhando com ela, veio correndo me avisar que ela tinha visto na banca de la do outro lado da pracinha, uma revista com as fotos do Matt Dillon e que tinha um poster bem grandao e a minha mae tava la na lojinha e eu nem percebi, fiquei encantada no meio da rodinha das meninas, pois a Valeria que me falou que nos Estados Unidos tinha um ator que era a cara do Sandro...

E eu passei pra todas as meninas que tinha um cara que fazia filmes nos Estados Unidos que se chamava Matt Dillon e era a cara do Sandro e as meninas começaram a ficar mais atentas pra poder falar pra mim.

E eu sem querer falei bem alto e feliz... "- Ta legal... O Sandro ta me esperando la na banca, vou buscar um poster dele..." E quando eu olhei, vi a minha mae la, disfarcei e fui la dentro de casa, pegar a grana que eu tinha guardada, pra buscar o bendito do poster.

Fui la na pracinha com uma das meninas la na banca, e dei desculpas de que eu iria la na banca buscar uma revista que tinha chegado e fomos ate la busca - la, e na capa da revista tava assim... "- Uau!" e a foto do Sandro na capa... Quer dizer... Do Matt Dillon, parecendo o Sandro quando tava meio serio, agora o Matt Dillon ja nao tem mais nada a ver com o Sandro, esse ultimo continua bonitao, com a cara de mais madurao e o Matt Dillon ta com uma cara de bunda, meio gorda.

E eu peguei a revista doidinha e ficamos olhando depois que eu comprei, é claro, e era dificil de comprar as coisas la naquela banca, eu era acostumada a comprar revistas ou qualquer outra coisa do genero, na banca de la do centro do Nordeste, pertinho do ponto final do onibus.

E a Valeria tinha uma revista que tinha uma nota do Matt Dillon e ela me mostrou, falando que era a cara do Sandro e o irmao do Matt Dillon a cara do Jehan, nao tinha nenhum que era parecido com o Chris nao e ela leu na nota abaixo do cara que parecia o Jehan que o avô dele tinha feito o filme Flash Gordon, antes dos anos oitenta e eu me lembro que o meu falecido cunhado Dinho, marido da Cleia sempre falava nesse filme Flash Gordon e nos achamos interessante e a Valeria perguntou sorridente, como quem nao queria nada... "- Sera que esse cara é o avô do Jehan tambem?" e demos risada, se fosse assim entao, eles nem morariam aqui pertinho da gente.

E eu vim com a revista na mao, toda feliz, louca pra encontrar com ele e depois eu mostrei pra Valeria e ela deu a ideia de irmos ate a rua do Sandro pra mostrarmos pro Jehan, pra ele ver e estavamos na lojinha, igual naquele dia que estavamos olhando a outra revista, que ela leu aquela nota do cara que parecia o Jehan.

E fomos, como quem nao queria nada, mostrar por Jehan e demos a sorte dele estar la no meio da rua, como sempre ele ficava conversando com os moleques e naquela epoca, tinha muitos moleques na rua dele e alguns deles ainda me zuavam.