segunda-feira, 29 de novembro de 2010

E ainda a minha mae ficou falando um monte pra mim, que a Alessandra tava sendo injusta comigo, na volta pra casa, dentro do carro do Marcos, e no final eu nao fiquei pra assistir nenhuma aula, e eu acho que ninguem da sala ficou tambem, todo mundo foi embora indignados com o que tava acontecendo...
Ate que eu nao aguentei mais, e dei uns gritos com ela, que ela acabou ficando ate quieta e as meninas deram risadas e depois ate me aplaudiram, fazendo a Alessandra ficar quieta e totalmente sem graça, por causa das respostas que eu dei pra ela, quando ela falou que nao tinha culpa de eu levar gandulas pra me ajudar, ainda usando sempre palavras dificeis, pra mostrar que ela era culta demais, e que todo mundo perto dela era burro...
E ela ate cortou a fala da Luana que tava indignada e começou a falar que ela tinha que dividir o trabalho, nao escrever a peça e dar tudo pra eu fazer e ela cortou a Luana bem nervosa mesmo e foi ai que eu dei meus gritos finos, respondendo coisas que eu nem me lembro mais, so que o que eu falava a deixava totalmente sem graça e eu nem sabia que eu tinha poder pra isso...
Poder pra deixar uma bruxa daquele porte calada e sem resposta pra se defender...
Tanto e que ela nem foi na nossa formatura, deveria estar num quarto, trancada, fazendo bruxarias...
E eu fui pra casa e comentei com a minha mae e com a dona Lourdes, que estavam na lojinha e a dona Lourdes falou que no final a verdade sempre prevalecia e a minha mae falou que aquela Alessandra me perseguia muito e que ela ja nao tava aguentando mais isso...
E a dona Lourdes sempre falou pra gente ter bastante calma, porque tudo nessa vida passava e a gente so iria lembrar mais tarde e foi o que aconteceu... Passou e agora eu so estou relatando com satisfaçao, porque, com tudo, com tudo... Eu venci!!!
E tiveram outras peças semelhantes ou mais ou menos semelhantes a essa que ela fez, fizemos uma que tinha que retratar como eram as crenças e o folclore no Brasil e era bem no mes de agosto mesmo, epoca do Folclore, que em todo o Brasil, comemoramos com bastante exposiçoes, isso e, nao e uma festa tao importante assim... E mais comemorada em instituiçoes de ensino, do que por todas as pessoas assim como o natal e o ano novo...
E essa peça, eu me lembro que eu ia fazer o gaucho, entao eu fui com aquele meu conjunto ferrugem de calça e blusa que eu tinha ate a pouco tempo e dei fora, porque ja havia passado da moda a muito tempo e a calça parecia do jeito daquelas calças gauchas que sao usadas com bombachas por cima.
E eu me lembro que na peça, que tambem foi apresentada em sala de aula, eu falava... Sou gaucho tche... E todo mundo dava risada do jeito que eu tava falando...
E nessa a minha mae nao tinha ido, pois nao precisei levar muitas coisas, mas eu acabei levando os bordados das nossas viagens ao nordeste, como os caminhos de mesa que sempre compravamos pra vender na lojinha e a minha mae acabou deixando - me levar as coisas, com alguma insistencia minha, ela acabou falando pra eu tomar muito cuidado, pois eram mercadorias que ela tinha comprado pra vendermos na lojinha, mas se eu achasse de vender, ela ate me deu os preços de algumas coisas que eu acabei anotando tudo...

domingo, 28 de novembro de 2010

E ninguem me ajudou a levar nada nao... Quem levou tudo foi a minha mae, pelos corredores da escola, as pessoas so olhavam, e eu... Com aquele monte de coisas na mao... E ninguem me perguntava se eu queria ajuda e todo mundo fazia de conta que tava vendo um fantasma, ou melhor... Dois fantasmas, eu e a minha mae, carregando todas aquelas coisas...
E quando chegamos na sala, eu montei tudo, sob os olhares das meninas e depois o professor chegou e logo começamos a nossa apresentaçao, enquanto que a Alessandra narrava a historia eu simplesmente fazia a peça idiota que ela mesma havia escrito, e logo eu tava com o meu belo vestido de formatura da oitava serie que ela viu e falou pra eu leva - lo porque era ideal pra fazer aquela peça, olha... Que filha da puta, ela tava falando que o meu vestido parecia coisas de macumba...
Um vestido tao lindo que a minha mae viu na vitrine e logo comprou pra mim e todo mundo me elogiou em pleno salao da formatura, falando que eu parecia mesmo era uma debutante dos tempos mais antigos...
E ela falando que o meu vestido tava parecendo de uma sessao de macumba ou entao daquelas mulheres do candomble que ficavam pedindo pipocas por ai, para os santos...
E logo jogaram uns papeizinhos vermelhos encima de mim, nao me lembro quem foi, mas fazia parte da peça e ai sim que o professor curvou - se pra minha mae e perguntou se ela havia gostado e a minha mae respondeu simplesmente que nao gostou e que nao gostava de coisas de macumba, que falasse desse tema, olhando bem pra cara da Alessandra e depois fomos embora pra casa... E essa peça causou uma grande euforia nas meninas da sala como a Nathalia, a Luana, a Luciana, que nao gostaram e no outro dia, quando eu cheguei na sala, elas começaram a forjar como se fosse uma discussao com a Alessandra e logo me colocaram no meio e as metidas, aproveitando a situaçao começaram a discutir tambem, tipo me pondo contra a parede, mas eu acho que elas nao combinaram nada nao, so foram as mais belas e mais algumas meninas mais quietinhas como a Rita, que tambem falou... Olha, ate que enfim a Rita falou...
Todas indignadas com a peça que o professor elogiou, dando meritos pra Alessandra que saiu da sala com um sorriso vitorioso, porque ela nao quis nem a minha peça e nem a peça da outra menina, tinha que ser somente a dela e se a gente nao concordasse, todas nos ficariamos com nota vermelha ou ela, se as demais tivessem se rebelado contra ela, naquela tarde mesmo em que ela impos pra gente que seria a peça dela, era melhor a gente ter tirado ela do grupo, igual o pessoal fez, tirando - a da comissao de formatura, falando que ela tava fazendo cagada.
E todo mundo querendo fazer a gente brigar e a Alessandra tambem tava contra a parede, tava ate se sentindo mal, pois aquelas meninas estavam com vontade de mata - la, principalmente as mais belas, a Nathalia, a Nathalia quase nao falava, mas naquela tarde, apos o teatro, ela resolveu falar, porque ela tava vendo que a Alessandra tava sendo totalmente injusta comigo, alias, todas viam, ate quem ficou quieta via o que estava acontecendo...

sábado, 27 de novembro de 2010

E teve fim... Tanto e que eu estou me recordando agora, mas so que sao lembranças boas e ruins, tudo que eu vou falando sao as minhas lembranças, sao tudo o que eu vivi, aqui nao tem coisa inventada nao, e que eu nunca vivi, tem coisas que eu vivi...
E naquela tarde, bastante nublada, la estava eu, em casa, cheinha de coisas pra levar pra escola, afinal de contas, iriamos apresentar o teatro, e eu, era a unica que levaria as coisas pra escola, porque a dona Alessandra havia determinado junto com as outras meninas que eu levaria tudo pra fazer o teatro, ja que eu nao fazia nada mesmo, nem em casa e nem em sala de aula...
E segundo a Alessandra dizia pra todas as meninas, eu nao fazia nada nem em casa e nem na sala de aula...
E eu havia falado pra minha mae que eu ia pegar onibus e ela havia me falado que nao, e que ela falaria com o Marcos e ele levaria a gente, ja que o meu pai nao tava em casa mesmo, nao sei onde ele tinha ido na epoca...
E eu continuei falando pra ela nao se preocupar que eu iria de onibus mesmo assim, com um monte de coisas na mao, e ela continuou insistindo, falando que falaria com o Marcos, que iria mesmo nos levar...
E eu nunca gostei de incomodar... Pois em casa, tava todo mundo trabalhando, menos o Miguel, e claro, que fazia vez por outra uns bicos na marcenaria, mas logo saia, alegando que nao suportava as implicancias...
Que implicavam com ele, implicavam... Nao vou falar que nao, pois eu estaria sendo hipocrita com todo mundo que conhece a historia da minha familia...
E a minha mae, foi falar com o Marcos, e logo ele tava pronto pra me levar naquela Belina Velha, azul clarianha, que o meu pai, havia dado pra ele, quando havia trocado de carro...
E fomos rumo à escola, e eu nao podia chegar atrasada, ainda tinha essa tambem...
E o meu irmao corria muito, parecia ate que nele tava incorporado o Ayrton Senna, veloz na formula um, e ele era veloz mesmo nas rodovias, e pistas comuns, ja que nao podia ser veloz na formula um, como era o sosia dele...
E me ajudaram a levar as coisas e a minha mae falou que ia junto comigo, fiquei um pouco encabulada, pois eu tinha certeza que ela nao gostaria da apresentaçao e me falaria um monte depois, mas nao foi isso que aconteceu, porque eu acabei colocando toda a culpa na Alessandra e a minha mae nao falou nada comigo, pois era a Alessandra mesmo que tinha culpa no cartorio de tudo...
E eu fui pra escola, estudava a tarde, horario ruim, mas, bom por outro lado... Devido ao transito, ficava um pouco mais facil de se estudar a tarde, o mais dificil era na hora de voltar pra casa, ai sim... O bicho pegava...
E o meu irmao dirigiu rapidinho e aquele carro fazia o maior barulhao de carroça velha, parecia mais um carroçao... E ele ficou possesso quando viu o tanto de coisas que eu teria que levar e perguntou - me se esse trabalho todo dependia so de mim e eu respondi que sim e ele continuou possesso, achei ate que ele falaria com a bruxa da Alessandra, mas ele nem desceu do carro, ficou la dentro, esperando a gente, e eu terminar o trabalho e a minha mae que estava me acompanhando...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

E como estavamos fazendo o curso de magisterio, teriamos que ser bem desenvolvidas para nos expressarmos, para falarmos, nos comunicarmos, entao... Por isso e que sempre tinhamos que elaborar peças de teatro, para poder apresentarmos para todas as meninas da sala.
E quem passava mais esse negocio de teatro, era o professor Almerio que era de Metodologia da Lingua Portuguesa, e nos eramos obrigadas a fazer para termos nota, se quisessemos notas, a elaborarmos e a apresentarmos esses tais teatros...
Alem de termos que fazer as benditas das provas do professora Almerio que eram muito bem elaboradas, e sempre tinha gente que tirava nota vermelha, assim como eu...
E tivemos que fazer varias apresentaçoes teatrais, varias apresentaçoes musicais, varias brincadeiras durante o ano de 1991, que, afinal de contas, seria o ultimo ano nosso, o ano que todo mundo iria sair fora da escola, nos despediriamos de todo mundo e nunca mais veriamos ninguem, a nao ser se as amizades fossem longas e otimas, coisa que eu nao tinha naquela epoca...
Entao... Eu era uma que nao veria mais ninguem, so se fosse por coincidencia, que ja aconteceu durante esses anos todos da minha vida...
Lembro - me que teve uma apresentaçao que fizemos, alias toda a sala, so que eu nao me lembro das demais apresentaçoes, lembro - me apenas da nossa apresentaçao, ou seja... A apresentaçao do nosso grupo, que nao foi la muito grande coisa, pois eu fiquei com vergonha porque a minha mae estava la e no final o professor Almerio perguntou pra minha mae, que tava sentada la na cadeira, se ela havia gostado ou nao e a minha mae respondeu bem sincera, dizendo que nao havia gostado da apresentaçao que tinha macumba no meio e bem pudera... Adivinha de quem foi a ideia de apresentar coisas de candomble? Da Alessandra, e claro... E o apelido dela em casa era Bruxa...
E quando o meu falecido irmao falava dela, ele morria de dar risada, perguntando sempre... "E a bruxa?" sempre às gargalhadas.
E eu tambem ria, tambem... Ela fazia cada coisa do arco da velha, e tambem fazia todo mundo odia - la, pelo seu comportamento e pelas coisas que ela sempre acreditava e falava em alto e bom tom que ela acreditava nessas coisas e mexia mesmo com esse tipo de coisa e as demais nao gostavam mesmo dela, porque tudo ajudava, as atitudes, as crenças, e aquelas meninas ja eram metidas demais, nao eram todas, mas as que comandavam a sala, as que levavam a sala ao topo, eram as mais metidas, as mais influentes da sala...
E quando as mais influentes falavam ou olhavam feio pra uma menina, a maioria passava a acreditar no que elas falavam sobre a menina, e mesmo que a pessoa nao fosse o que elas falavam, mesmo assim acreditavam que era e no final, a verdade sempre prevalecia...
Pois nao valia a pena ficar com a cabeça cheia, pois tudo tem um fim, como a minha mae sempre disse e continua dizendo... Tudo tem um fim...
E dito e feito!!! Tudo teve fim...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

E a minha mae tambem me falou que a Alessandra nao era nada confiavel, do jeito que ela era, bruta, estúpida, parecendo ate homem, ela nao arrumaria nada na vida nao...
Mas, no fim das contas, ela ate se arranjou com um vagabundo la, e acabou mandando - o cair fora da casa dela, porque ela tava ate sustentando o cara, e eu fiquei dando risada quando eu fiquei sabendo que ela sustentava o cara horroroso que eu a vi passando em frente ao posto de gasolina e a Andreia dando risada e falando pra mim... "Olha la a tua amiga, casada com aquele tipo la..." e eu ate olhei e dei risada, e ela toda frescona se sentindo com um bicho feio do lado dela, toda de maos dadas... Credo... Isso ocorreu ha muitos anos depois, la pros anos dois mil, hoje ela ta de novo sozinha, chorando pelos seus amores platonicos... E bom... Isso mostra que ela, mesmo sendo rejeitada, ela nao desiste, assim como eu ja desisti...
E uma vez que saiu ate briga por causa de um outro teatro la que a gente apresentou, e a mae dela ligou querendo tirar satisfaçao comigo por causa da maldita da Alessandra, bem na defesa mesmo e a minha mae tirou o telefone da orelha e escutou a mae dela dizendo do outro lado da linha... "- Olha ela ate deixou o telefone fora do gancho, so pra nao escutar o que eu to falando..." E a minha mae acabou desligando o telefone, falando que nao queria mais saber de briga nao, que ja tava de saco cheio daquela mulher burra e desgastada pelo casamento mal sucedido, porque havia perdido o marido pra uma mais novinha e gostosinha, e mais bonita, e claro, agora fica ai, defendendo a filha errada e grosseira, prejudicando aos outros que estao ajudando nos trabalhos cansativos que tinhamos que fazer...
E teve uma outra vez, que ela começou a chorar e a fazer baderna por causa da apresentaçao de um outro trabalho em forma de teatro, que tinhamos que fazer e o trabalho era justo do professor Almerio, como sempre, do livro que ele mandou a gente ler e eu ate comprei o bendito do livro do Gigante de Botas e nos lemos, resumimos, entregamos para o professor o resumo do livro para obtermos a nossa nota e logo nos tinhamos que apresentar o trabalho sobre o livro em forma de desenho que tinhamos que ter um videocassete e eu nao tinha ainda esse aparelho em minha casa, vim ter tres anos depois, em 1994, so pra gravar a copa do mundo, que foi esse o motivo pelo qual eu comprei o bendito do videocassete, pra gravar o Brasil sendo tetracampeao...
E nem ela, que era tao metida, tinha um orgao em casa, estudava musica e tudo mais, tinha um aparelho desse, nos nao achavamos isso essencial, achavamos outras coisas essenciais do que ter um videocassete em casa, afinal de contas nem televisao eu assistia, eu tinha a minha tv em meu quarto, mas nao assistia quase televisao...
O meu tempo era so pro Sandro, Sandro, Sandro... Foi a pessoa que eu mais me fissurei, em toda a minha vida, nunca fui fissurada por mais ninguem, a nao ser por ele... Somente por ele...
E ela deu um tremendo escandalo chorando la na casa dela, falando que ia ate dar o cu pra conseguir um videocassete e na epoca eu nao ri nao, mas depois eu dei risada e fiquei perguntando quem era que queria comer o cu dela...
Ninguem ne... Porque a bicha e feia demais!!! Meu Deus do ceu...
Nao foi Deus quem fabricou, foi o diabo, com o proprio rascunho do capeta...

domingo, 21 de novembro de 2010

Tinha uma outra moreninha tambem, que andava com uma blusa linda, daquela que havia saido numa revista de costura que a minha mae tinha em casa e da mesma cor e a minha mae falou pra eu estudar pro concurso que eu passaria e iria dar aulas ai na prefeitura e iria com uma blusa assim, porque depois que eu passasse, ela faria uma blusa dessa pra mim, pra eu ir pra escola...
Uhn, que chique...
E quando eu voltei pra casa, eu comentei pra minha mae da comida que eu fiquei com vontade de comer e ela ficou perguntando o "porque" de eu nao ter comido e eu falei que ela sabia que eu sou nojenta e que eu nao comia em nada que os alunos comiam, e ela deu risada e a Alessandra veio mais tarde pra casa e ficou na lojinha e o meu pai veio dizendo, como quem nao queria nada, que eu dizia que nao tinha nenhuma amiguinha e que agora eu tinha uma e a Alessandra, por sua vez, deu risada e eu falei pra ela do estagio no Padre Antonio Vieira e a minha mae nao falou nada mais me olhou feio e bem feio...
E o Sandro passou aqui com o Vaguininho em frente à lojinha, sentido casa dele, e estavamos bem na porta e eu queria tanto que a Alessandra visse o Sandro e fiquei feliz por tudo ter dado certo e quando eles passaram sentido ponto e eu fiquei olhando e falei baixinho pra Alessandra que o Sandro era o que tava do lado da rua e o Vaguininho o do lado da lojinha e ela viu e reparou bem, e acabou comparando - os, falando que achava o Vaguininho, filho da dona Celia, mais bonito do que o Sandro, se todas as meninas achavam o Sandro bem mais bonito do que qualquer outro cara do bairro, era o Sandro e o Reynaldo, primo da Ligia, os dois mais belos da redondeza, nao tinha outro, na epoca, pra quem gostava de caras brancos, e claro...
Porque tambem tinha as meninas que gostava dos negroes e que nao ligavam para os caras brancos...
E eu, tontolina, ainda perguntava pra Alessandra, o "porque" dela ter achado o Vaguininho mais bonito do que o Sandro... Olha como eu era bobona mesmo, vai ver que foi por isso que nao deu certo...
E depois que a Alessandra saiu, começou a cair uma chuvinha, quase que de final de ano, aquela chuvinha que sempre caia e dava aquele cheirinho delicioso de terra molhada, que nem uma musica que gravaram ha muito tempo depois, la pros anos dois mil...
E o meu pai ficou falando um monte, que nao era pra eu ficar falando as coisas pra Alessandra, porque senao ela iria la na escola e ela, do jeito que ela era, ela era bem capaz de passar na frente do meu estagio e eu ficar sem estagio la, e dai era eu que tinha que sair da escola e fazer estagio em outro lugar...
Mas... Graças a Deus, nao aconteceu isso nao, eu acho que ela deve ter arrumado coisa melhor, ou no minimo ela deve ter arrumado quem trabalhava na prefeitura e assinasse o estagio pra ela, porque do jeito que ela era, era bem capaz... Ate arrumar quem cedesse o carimbo da escola e tudo... Tipo forjando e a professora la, acreditando piamente no trabalho forjado da menina... Do jeito que sao as coisas...

sábado, 20 de novembro de 2010

E é o que realmente acontece com todos os professores, greves para reivindicarmos aumento, melhores condiçoes de trabalho e etc.
E quando eu comecei na escola municipal, eu acabei achando engraçado e comentando com a minha mae, que la tinha um professor dando aulas pras criancinhas e ele me recebeu bem simpatico mesmo e la as criancinhas eram tao boas, quanto as criancinhas la da Penha, eram criancinhas mais humildes, negras e filhotes de molecotes mesmo, infelizmente e assim, fazer o que...
As criancinhas vestiam camisetas brancas, e shortinhos vermelhos, tipo aquele que eu vestia quando eu fazia ginasio no Galileu Menon, e eram so os shortinhos vermelhos com nada por baixo, todos, tantos os meninos como as meninas, nao vestiam sainhas nao... Como na minha epoca...
E eu os via entrando na sala e eu ficava la observando a aula do professor e anotando, tudo, ali sentada, e todos eram mais comportadinhos do que os da Penha e o professor jamais saiu da sala pra abusar de mim, como a professora abusadora de estagiarias fez... Nao tinham crianças claras ou loiras, eram mais crianças negras ou morenas, e cor nao influencia no comportamento do ser humano e nem tampouco na conduta... Estou apenas fazendo uma observaçao que pode ate ser, ao ver de alguns, uma observaçao racista... Mas nao e...
Pois ha tanto branco porco e relaxado e tanto negro limpo e integro...
E o professor tinha tanta paciencia em lidar com aquelas criancinhas que fazia ate gosto... E no minimo ele tava era ganhando muito bem, pra ter tanta paciencia assim... Ou vai ver ate ele gostava mesmo da coisa... Pois se ele nao tivesse ganhando muito bem, assim como um professor da prefeitura ganha hoje, ele nao estaria ali... Estaria ate fazendo outra coisa... Como nos dias de hoje, ha poucos professores do sexo masculino, se ha poucos professores do sexo masculino, no minimo eles tem outro emprego pra complementar seu salario minimo, ou quase minimo, que e um salario de professor, pelo menos ate agora, nao e...
Eu ate ouvi hoje que o nosso governador vai dar um aumento explendido para quem nao faltar no serviço... Balela!!!
E eu fico extremamente grata, se nao for merda de bonus...
Eu fiz amizades com as mulheres que ficavam la no patio da escola, vendendo coxinhas, afinal de contas, nao tinha cantina nas escolas da prefeitura, como nao tem ate hoje, tinha uma merenda, que por sinal era uma merenda muito boa, teve uma vez que eu tava ate com vontade de comer uma merenda muito boa, porque era frango, arroz e polenta e o frango tava muito lindo mesmo, mas como eu sou extremamente nojenta, e todo mundo sabe disso, eu nem comi porque tava servindo era nos pratos dos alunos, e as talheres tambem eram as talheres que os alunos comiam, entao... Se era pra comer, eu tinha que trazer as coisas de casa, porque senao... Eu nao comia nao, e eu fiquei la na sala dos professores, um pouco encabulada, mas as professoras chiquetosas, e no minimo elas ganhavam muito bem e muito bem mesmo... Porque tinha uma professora la que vinha ate de motoca, com o capacete na mao, e uma enorme mochilona, dando uma de molecona, e ela era morena do rosto cheio, ja trabalhou comigo no estado, tempos depois... Muito bacana ela, parecia sapata, andava com conjuntos de moletom, deveria de ter varios conjuntos iguais aquele, de diferentes cores, afinal de contas... Se elas ganhavam muito bem, tinham...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

E o meu pai, como sempre, queria consertar o Miguel mas nao conseguia nao, nunca conseguiu conserta - lo, a unica pessoa que conseguiu conserta - lo foi a dona Morte... Que o levou...
Mas antes da dona Morte leva - lo, ele ainda deu muito trabalho pra gente, com as suas aventuras totalmente erradas, cujas quais ele as julgava certas...
Depois daquele estagio maluco, que eu nunca mais fui, pois a enjoada da professora, aproveitadora de estagiarias, acabou assinando o restante pra mim, eu ainda me lembro que eu cheguei la, sem saber que ia ter festinha na sala, em certa manha, e entrei e fiquei totalmente a vontade, e logo vieram as maes dos aluninhos, trazendo os pratinhos com os comes, eu sei que eu entrei de gaiato e comi ate dizer chega, naquele dia e eu fiquei falando do Sandro novamente pra empregada da professora e tinha um menininho tao lindinho la que eu falei que eu fazia tudo por ele e tudo o que ele queria quando ele falou que era pra eu levantar dali e o outro, que era meio feinho me dedou pra professora, falando que eu o chamei de lindinho e que eu fazia tudo o que ele quisesse e o molequinho lindinho ficou me olhando serio com aqueles olhos verdes lindos que ele tinha...
E a professora me olhou incredula pelas palavras que eu proferi para o garotinho, no minimo o menino nem sabia a que eu me referia... Ou sabia?
E eu nem me importei, continuei falando do Sandro pra moça, enquanto a professora dava atençao pras maes dos garotinhos e garotinhas que vinham com os pratinhos pra festinha e o papo rolando a solta, afinal de contas, era ela quem era a dona da sala, entao ela tinha que se virar, nao era?
E eu comia, bebia la no meio daquelas criancinhas e sorria pra elas, ao passo que o papo rolava a solta, ate falei da Luciana, a entao namorada do Sandro e a mulher falou que quem sabe um dia eles terminassem o namoro, eu podia ate ficar com ele e eu sempre fiquei nesse... Quem sabe... Mas nunca ninguem ficou sabendo de nada... Se eles terminaram ou nao...
Depois de disso tudo, eu fui na escola municipal, no Padre Antonio Vieira, fazer os estagios das escolas municipais e fui la, falei com a diretora e ela permitiu que eu fizesse os estagios la, o que faltava, e era o mesmo tanto das escolas estaduais que tinham que ser feitos, pra depois lermos os caderninhos tanto do estado quanto da prefeitura e fazermos uma comparaçao escrita de como funcionava o sistema tanto no estado como na prefeitura...
E a exigencia da professora Eunice era demais mesmo...
E nao era a toda que todo mundo reclamava dela...
E eu comecei ir la todas as tardes, pra aproveitar a greve dos professores que falaram que todos nos tinhamos que apoia - los, afinal de contas, daqui a alguns anos estariamos nos la, fazendo greve tambem...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mas ate agora eu nao consegui descobrir...
E depois eu cheguei em casa, debaixo daquele sol escaldante daquela manha e eu estava totalmente transtornada e nervosa pelo que havia acontecido entre eu e a professora e encontrei todo mundo nervoso tambem e eu ate fiquei quieta quando eu entrei na cozinha e todo mundo tava quieto e a minha mae nem tampouco teve coragem de me falar, entao a Andreia acabou tomando a frente e me contando o que havia acontecido... "Miriam, o vo queria chamar a policia pro Miguel e a vo nao deixou... E eles ate discutiram aqui e eu fiquei morrendo de medo e a vo no meio pra apartar a discussao dos dois..." Ah!!! Denovo nao... Todas as vezes era a mesma coisa, a minha mae sempre no meio de todas as discussoes entre os dois, e uma hora dessas ela poderia ate morrer ou alguem se invocar, e ela pra proteger o Miguel, poderia ate morrer no lugar dele, alguma coisa assim, ou ele no lugar dela... Ai eu ja nao sei... E eu contei pra ela, que tava calada, lavando louça em frente à pia, que a professora havia brigado comigo por causa dos alunos dela, falando que eu nao sabia nem tomar conta de uma sala e ela falou pra eu ter paciencia que tudo tinha fim e e verdade mesmo, esse papo de tudo ter fim...
Eu vejo e estou relatando agora, com saudades e muitas saudades...
E depois disso eu descansei um pouco, e acabei indo novamente pra escola, ja que nao adiantava fazer nada nao, em relaçao aos dois, ao meu pai e ao Miguel...
O Miguel, como sempre, nao queria fazer nada nao...

domingo, 14 de novembro de 2010

Mas ate ai eu nem comentei nada pra nao ser chamada de idiota pelas pessoas que estudavam comigo na epoca, porque se eu falasse que tinha obtido a ajuda de Deus ou de um anjo enviado por ele, no minimo iam rir da minha cara e ficar falando que eu era uma idiota e sonhadora, que acreditava em coisas que nao existem...
Entao, eu calei a minha boquinha e nem comentei nada em casa, e fiquei sossegada, mas eu sempre tinha que comparecer nos malditos dos estagios, pois eu precisava de acabar logo aquele tremendo sufoco que era completar aqueles estagios idiotas...
Somente para ter o meu diploma que nao ia me servir de nada, so me serviria como conclusao do segundo grau pra eu fazer a minha faculdade, porque exercer eu nao queria nao, ao contrario de algumas colegas minhas que vez por outra eu as encontro nas atribuiçoes da vida...
E teve uma outra vez que eu me levantei cedo pra ir ao maldito estagio, eu tava um pouco chateada, nao tava a fim de ir mesmo, mas... Mesmo assim eu acabei indo, e chegando la a professora fez uma media la e nao demorou muito, os colocou no patio e falou pra eu olha - los e ficar ali sem sair, porque ela voltava logo e aquela mulher demorou... Demorou... E eu ali com aquelas crianças que de inicio ficaram todas quietas e dali a pouco do nada, começaram a correr patio a fora, nao era bem no patio, era naquela quadra menorzinha que ficava proxima às salas das crianças mesmo, e o sol estava escaldante, e eu que podia estar em casa, na lojinha, ajudando a minha mae, estava la, vendo o tempo passar... E tinha que ficar la, com aquelas crianças, fazendo aquele maldito estagio que parecia que nao acabava nunca...
E pra tirar um barato, zuar um pouco com aquelas crincinhas malditas, eu, do nada, como ja estava de saco cheio daqueles malditos estagios, e daquela maldita daquela professora horroroza, abusando de mim, todas as vezes que eu ia la, comecei a zuar com eles... comecei por falar pra todos eles zuarem um menininho que tava quietinho la, e tinha maior bicao, quando ficava emburrado, o menino ate que era bonitinho, e olha o juizo de galinha que eu tinha... Meu cerebro era menor do que o cerebro da galinha... Mas... Eu ja tava totalmente cansada de tudo aquilo e precisava de dar um ponto final em tudo... E eu, com esse juizo de escroto, juizo de camarao, cabeça de aquario, daquelas pessoas que vem do nordeste pra tomar os empregos dos outros aqui, que comem camarao e bebem agua de coco e a cabeça acaba ficando um aquario...
E com a minha ordem, todos começarama a chama - lo de Bico de Pato e ate que era legal manda - los, zuar a cara do coleguinha, que fez novamente aquele bico de pato que o tornava mais lindinho ainda, e o menino começou a querer chorar... E logo mandei todo mundo parar de zua - lo e o legal e que todos obedeciam e paravam... E eu temi que a professora chegasse eu eu tivesse que me ver com ela depois... O menino fazia bico e fazia som de quem tava reclamando tambem... So que eles começaram denovo, nao adiantando nada eu mandar parar de zuar a cara do menininho que tava começando a chorar pra valer... E se eu tivesse mantido aquelas crianças quietinhas? Do jeito que teria que ser e nao tivesse mandado eles zuarem o coleguinha, e ficarem bem quietinhos, talvez eu nao tivesse visto aquela bagunça tremenda que virou, e nem tampouco teria levado um tremendo esporro daquela professora aproveitadora de estagiarias, e ai eu consegui o que eu queria... Que ela assinasse a todos os meus estagios, para que eu nunca mais voltasse ali e foi o que acabou acontecendo... E o bom foi que ela assinou a todos os meus estagios, sem observar as horas e nem nada... E com isso tudo eu acabei ganhando... So o menininho... So o menininho que deve ter ficado com complexo pelo resto da vida dele... Ou nao... E começou aquela tremenda bagunça... Criança correndo pra la, criança correndo pra ca... E todo mundo gritando, ai que medo de um empurrar ao outro e acontecer alguma coisa, e foi ai que eu nao consegui mais controlar ninguem...
Pois e... Foi por minha culpa, dessa vez foi por minha culpa, e eu no meio, querendo controlar, mas... Sem ao menos conseguir... E de repente, do nada... A mulher apareceu, dando aquele tremendo gritao, e todas as crianças ficaram paradas e estaticas, olhando pro lado da porta de ferro, como quem... "Ih! A professora chegou e a bagunça acabou..." "- Nao sabe cuidar de criança, nao?" começou a gritar comigo feito louca, e eu assustada sai da quadra, sem nem ter o que responder, pois a culpada da bagunça era eu mesma, por isso ter acontecido e fui pra sala de aula e ela controlou a sala, do jeito que tinha que ser e nao me falou mais nada nao e eu ja tava com a minha ficha de estagio na mao, e ela acabou pegando - a com tudo da minha mao, com toda a brutalidade do mundo, assinou logo tudo e me dispensou mais cedo e eu fui embora pra casa debaixo daquele sol escandante e nao passei nem pela rua do Sandro, e foi a ultima vez que eu fui la, porque ela tinha assinado tudo mesmo, e eu acho que foi a gota d'água o que ocorreu na quadra, eu acho que as crianças deviam ter comentado com ela do ocorrido no banheiro, naquele dia em que elas haviam ficado trancadas ali comigo e Deus mandou um anjo pra me salvar... Pois ela deveria de estar somente esperando mais alguma coisa acontecer, pra ela me espirrar fora de la e reclamar com a professora Eunice, e com a diretora, mas ninguem me chamou a atençao nao, no minimo devem ter ficado sabendo, mas acabaram deixando pra la, viam que nao adiantava mesmo falar comigo, pois o negocio ficaria por isso mesmo, porque eu nem sabia argumentar nada, nem ao menos sabia me defender, nem se eu estivesse certa, ou errada, nao sabia mostrar que tava certa e admitir que tava errada, nao sabia culpar ninguem pra me ver fora da situaçao... Eu era uma tontolina mesmo, como um coordenador pedagogico me falou certa vez, que eu sou tontolina e se eu nao sou eu acabo exercendo o papel do mesmo, e nao e porque os outros me fazem de tontolina, e porque eu sou mesmo, e de nascença... E eu queria saber pra quem foi que eu puxei, pra ser tao tontolina desse jeito!!!

sábado, 13 de novembro de 2010

E todo mundo tava pronto, em fila e eu fui abrir a porta, quem disse que eu conseguia?Estavamos trancados ali e bem que a professora tinha razao...
A porta emperrava, nao abria e tambem era dificil de abrir, como ela me falou e eu comecei a ficar muito nervosa, pois eu nao podia ficar ali com aquelas crianças e nem fazer alarme para os coitadinhos, porque senao eles iam se assustar, começar a chorar e a gritar e eu nao ia conseguir controla - los depois, iam começar a empurrar uns aos outros, a bater uns nos outros e a se sujar novamente e ia acabar prejudicando a professora que depois ia me prejudicar tambem...
E como se fosse uma cadeia, entende como e?
A diretora da escola e prejudicada, prejudica a professora que por sua vez me prejudica tambem e eu?
Quem eu prejudico?
Ninguem...
Ah... Essa ideia idiota de ser professora...
E tentei mais uma vez... E nada!!! E agora? E agora meu Deus do ceu? Como e que eu vou fazer pra sair daqui? Comecei a pensar assustada e morrendo de medo de alarmar e todos eles esperando eu abrir a porta, talvez achassem que eu tivesse brincando com eles, alguma coisa assim, porque ninguem abriu a boca... Nem pra falar contra e nem a favor, todos eles ficaram olhando atentos e ansiosos por sairem dali do banheiro...
E agora? E se a porta nao abrisse? E se a professora chegasse e ficasse me chingando de burra depois? E se ela começasse a falar que eu nao presto a atençao em nada, e que bem que ela falou que era pra eu tomar cuidado com a porta, porque ela empenava? E se... E ai...?
E ai, que mais uma vez eu tentei abrir a maldita porta e uma força estranha, veio de la de fora... Sei la de onde... Acho que foi um anjo que Deus enviou dos ceus... Sei la, eu acredito que tenha sido, porque essa força estranha me fez abrir a porta e todas as crianças sairam felizes, mas sem dar alarme algum e entraram na sala e sentaram para continuarem as suas pinturas e eu fiquei tranquila, ainda estava mole, mas... Calma e serena...
E fiquei pensando nisso tudo mais tarde, e toda vez a professora assinava uma linha so do estagio e ficava observando quantas horas eu tinha colocado, acho que se eu colocasse mais horas, tipo pra engambelar logo, eu acho que ela poderia ate falar com a Eunice, que eu tava querendo era matar horas de estagio, o que nao deixava de ser verdade, pois era o que eu queria mesmo, mas nao podia fazer e nem tentava...
Depois desse transtorno todo eu continuei indo la fazer esses estagios que so me davam dor de cabeça e a professora, como sempre, adorava abusar, ela me deixava la na sala e ia cuidar dos particulares dela e eu... Que ficasse com as crianças dela e que me ferrasse depois com ela...
Porque ela iria brigar mesmo comigo, no minimo me falaria um monte, se acontecesse algo com aquelas crianças, porque depois ela teria que se ver com os pais e com a diretora da escola e eu, so me veria com ela, com a diretora e com a minha professora de estagio que era terrivelmente chata...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

E eu so ficava observando, ela passava desenhos para as crianças pintarem e depois ficava falando naquele telefonao com a empregada dela, como e que tava a casa dela, os filhos e etc., e no minimo ela era professora efetiva, porque, pra ficar assim, naquela tranquilidade, naquela harmonia, so podia ser...
E pra mim... Tudo aquilo era um paraiso...
E eu ia la, fazer os meus estagios e depois almoçava nos self services da vida, que tinha muitos la na Penha, e era ate que gostoso...
Uma vez eu me lembro que a empregada da professora, uma moça morena e magrinha, pediu licença e entrou na sala e ficou falando o tempo todo com a professora, enquanto eu prestava a atençao na sala pra eles nao bagunçarem, mas os alunos eram tao quietinhos que fazia gosto, ninguem mexia com ninguem, todo mundo pintando seus desenhos e emprestando material um pro outro, uma gracinha e as duas la papeando e a professora ate se ausentou um pouco, acho que pra ir ao banheiro e eu fiquei conversando com a empregada que me falou bastante coisas das quais eu nem me lembro mais e eu fiquei falando do Sandro, que eu gostava dele e que eu achava que ele tambem gostava de mim, e ela ficou falando pra eu ter paciencia e esperar... Pois e... Paciencia eu tive e tenho de sobra... So nao sei se tem mais espaço pra paciencia, pois ja estou cansada...
E quando a professora voltou eu e a empregada dela disfarçamos e cada uma sentou no seu canto e ela ficou falando novamente com a professora...
Aquela professora confiava muito em mim, uma outra vez, ela se ausentou novamente da sala e ficou um bom tempo fora e eu fiquei sossegada ali com eles, achando que dava conta dos alunos e teve o intervalo e eu nem sai dali, porque, afinal de contas eu nao era a titular da sala e se acontecesse alguma coisa com aquelas crianças eu teria que dar conta depois, entao eu nem sai fiquei la mesmo, pelo intervalo.
E eu tinha que leva - los ao banheiro, porque eles todos tinham que lavar as maozinhas, usar seus sabonetinhos e aprender a sua higiene pessoal, coisa que a escola tem por obrigaçao ensinar aos pequeninos pra eles nao irem pra aula fedorentos como os alunos da primeira a quarta serie...
E fomos ao banheiro e eu fiquei conversando com todos eles, uns iam fazer xixi e outros lavavam as maozinhas e depois iam ao banheiro pra depois ter que lavar as maozinhas de novo, eles gostavam disso, criança gosta de agua mesmo, eu me lembro quando eu era pequena, era agua e terra, eu adorava...
E quando todos estavam posicionados, em fila, ja todos limpinhos e bonitinhos, eu fiquei obsrvando - os antes de abrir a porta do banheiro e falei que nao ia abrir a porta enquanto eles nao se arrumassem e a professora ja havia me alertado quanto à porta do banheiro que sempre emperrava e que eu tinha que tomar cuidado pra nao ficar trancada, senao dava o que fazer pra abrir e eu, como sempre, nem dei ouvidos...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

E eu sempre ia pra cumprir essas malditas horas e para as professoras assinarem eu tinha que comparecer e me fazer presente ali, observando as aulas delas e a criançada como se comportava e relatando tudo naquele maldito caderninho e com letra pedagogica, hein? Era o que aquela professora Eunice sempre falava em sala de aula, olhando pra minha cara. aquela mulher insuportavel...
Algumas das meninas trabalhavam pra comprar roupas de marca e pra ir pra balada, segundo o que elas sempre diziam, e essas conseguiam alguem que assinasse os estagios pra elas e eu ja que nao fazia nada, so ficava la na lojinha com aquele bando de meninas e nao ia pra balada porque eu nao podia e nao usava roupas de marca porque eu nao trabalhava e nao tinha dinheiro, e ser inserida na sociedade dos bundoes...
Entao eu tinha que ir para os famosos estagios e eu me lembro que a Eunice queria um pouco de horas em prezinhos no estado e no Padre Antao tinha, que era onde eu estudava, entao pra mim, ja era uma mao na roda, eu ja tava em casa mesmo, podia fazer o estagio ali, entao eu ja fazia, e no Padre Antonio Vieira, aqui perto de casa, tambem tinham salas de prezinhos, e eu tambem me senti em casa, quando eu fui falar com a diretora da escola e ela me aceitou de bom coraçao pra fazer esses malditos estagios...
Comecei primeiro no Padre Antao, ao passo que muitas meninas primeiro começaram em escolas municipais e à tarde eu tinha que ficar na escola...
E a professora nao era muito legal nao, era uma mulher secona, beirando seus quarenta anos de idade, de cabelos curtos e aloirados, um pouco cheinha e olhos esverdeados e ela era chatinha como os alunos, parecia que nao tinha nenhum pouco de paciencia com a sala...
E a sala era uma gracinha, tudo era pequenininho, ao começar das criancinhas que eram bem pequenininhas e engraçadinhas, apoiando seus materiais nas mesinhas que dava pra quatro crianças, parecia mesmo um mini refeitorio e aquelas crianças ali eram mais ou menos de vida, nao eram como as crianças de primeira a quarta serie que ja eram mais pobrezinhas, mais sujinhas...
Tinha um menininho lindo de fazer gosto, pele branca e olhos claros, verdes, azuis, lindos... E eu, como sempre, me encantava com pessoas de olhos claros e de cabelos claros tanto loiros como ruivos...
E as menininhas eram umas gracinhas... Lindissimas, e era la naquela sala que a gente ia apresentar os nossos famosos teatros que as crianças gostavam e aplaudiam a gente...
Fazendo chuva ou fazendo sol, eu tinha que estar la pra me apresentar pra professora, e naquela epoca nao tinha celular, mas a professora tinha um telefone grandao e pretao, que ela falava com a empregada dela, na sala de aula, no minimo ela morava ali perto e aquele telefonao alcançava ate a casa dela, e eu achava chique demais aquele negocio, imagine eu, naquela epoca vendo alguem com um celular, o que eu nao ia pensar da pessoa, e eu pensava que a professora era rica, ou muito bem de vida mesmo, porque ela tinha um negocio daquele que eu nunca tinha visto em toda a minha vida...

domingo, 7 de novembro de 2010

Como todo mundo sabe, e eu ja disse em outro capitulo, que o curso de magisterio era um curso muito trabalhoso e que so fazia quem gostava, quem era obrigado ou que nao gostava de matematica, e esse era o meu caso...
Alem dos trabalhos que eram destinados pra fazermos, tambem eram destinados longos estagios de mais de trezentas horas por ano, praticamente, entao, se eu fiz quatro anos de magisterio, façam as contas de quanto tempo eu tive que fazer esse tal estagio...
E fora os estagios e os trabalhos, tinhamos que preencher tambem as famosas fichas de estagio com letra pedagogica, redondinha, pra quem nao sabe o que e letra pedagogica, e eu que nao tinha letra pedagogica e nem nunca tive e nem nunca terei, tinha que me esforçar ao maximo pra ter essa bendita letra pedagogica.
E fora essa bendita ficha de estagio, eu tinha que relatar tudo em folhas separadas pra entregar pra professora e ainda com a tal letra pedagogica que a Eunice exigia da gente, porque se nao tinhamos que fazer todo o estagio de novo.
Mas, graças a Deus deu tudo certo na epoca e eu acabei me livrando desses tais estagios, mas alem de tudo, nao eramos remuneradas, ou seja: voce ia la, passava por tudo o que eu passei e que eu vou relatar aqui nesse capitulo, e nao ganhava grana nenhuma e quem ainda trabalhava fazia algumas gambiarras pra conseguir quem assinasse e do jeito que eu era bobona, era capaz de nao encontrar ninguem que me ajudasse nos estagios e que iam falar pra eu me virar, se eu quisesse alguma coisa na vida, porque sempre foi assim...
As pessoas, na maioria, conseguiam as coisas mais facil e eu tinha que derramar lagrimas e fazer teatrinhos pras pessoas se compadecerem de mim e me deixar passar em qualquer coisa que eu queria, sempre foi assim... Conseguia tudo atraves de lagrimas e muitas lagrimas, essa sempre foi a minha arma, so nao consegui uma coisa, e nem atraves de lagrimas... Foi o Sandro, ele foi o unico que nem derramando lagrimas de sangue, ou de ouro, nunca quis ficar comigo e agora, depois de tantos anos, casado e com um filho, diz que gosta de mim... Fico na duvida, sera?
Indo para os estagios, depois que eu falo um pouco do Sandro, eu amanhecia os dias na escola, quando nao era pra ensaiar pro teatro, pra fazer aquelas peças absurdas e nojentas, eu ia para os estagios e a minha mae sempre se desdobrou, devo muito a ela, para eu fazer esses estagios sem passar fome, sem depender da merenda da escola, porque eu sempre fui enjoada e a minha mae sempre soube disso...
Nao comia em qualquer lugar e nem qualquer coisa, entao, era complicado, como sempre fui, uma pessoa lidar comigo...

sábado, 6 de novembro de 2010

E fomos embora e eu nem vi mais a baixinha que eu tava conversando e nem tampouco aquela moça mais alta que ficou com bronca de mim, porque eu falei que eu ganhava tudo no choro...
E quando nos fomos embora, nos pegamos o metro lotadissimo...
E tinha um moço sentado, e muito simpatico, que começou a falar comigo e ele falou que tava construindo uma casa, ele e a familia dele, porque eles moravam pra la de Guaianazes, no jardim Sao Paulo, isso porque eu perguntei se ele ia descer logo, mais nao foi por delicadeza nao, foi porque eu tava louca pra sentar e ele falou que nao e me passou essa informaçao, pra minha tristeza...
E eu continuei falando com ele, enquanto a Cleia somente ouvia e depois que nos saimos, ela me falou novamente que eu tinha mesmo era que sair, assim quem sabe eu conhecia alguem diferente, e eu nunca pude fazer isso mesmo... Entao, eu tinha mesmo era que ficar iludida pelo Sandro e ele me fazendo de gato e sapato... Como sempre...
E eu fui ver os resultados do vestibular, sozinha, la na FZL, e quando eu cheguei la, eu percebi que todo mundo que gritava que tinha passado, levava um balde de agua suja e tomava aquele banho, ou era alguma representaçao deles... Sei la...
Eu fui la no painel que eles tinham colocado e direto na listagem de Geografia e vi que tinha passado so que nao dei alarme nenhum, pois deveria ter algum olheiro, porque eu so via apontar e logo alguem saia correndo e deveria ser uma enorme cadeia, um avisando ao outro e o tonto ou a tonta gritando que havia passado e um balde era jogado sobre o cara ou a mina que ficavam todos molhados...
E eu passei cabisbaixa e na minha e depois eu fui conferir novamente, quem sabe ate eu me enganei e era mentira!!! Antes fosse... E vi que eu havia passado no numero quarenta e sete de toda a faculdade, nao so do curso de Geografia e aqueles que ficaram por ultimo, logicamente nao conseguiram nenhuma vaga ou entao teriam que esperar pela segunda chamada, assim como a Jo, que nao tinha passado na primeira e eu tive muita sorte... Muita sorte mesmo e quando eu cheguei em casa, radiante, passei pela rua dele com um trunfo nas maos, mas nem me importei em olhar a casa dele...
E quando eu cheguei em casa, quem me deu parabens, so foi a minha mae, e mais ninguem e quando eu liguei pra Adna, porque ela havia mandado, eu so recebi um... "Ve se toma juizo, hein? E ve se toma vergonha..." E eu nao entendi, pois eu nunca dei trabalho pra ninguem e nem pra minha mae e nem tampouco pro meu pai, pra levar isso dela e fiquei muito chateada, tanto e que eu nem terminei de falar com ela, logo desliguei o telefone, ela deve ter terminado o restante, com o telefone no gancho, acho que sem ela perceber...
E eu contei tudo isso pra minha mae, que tambem ficou muito chateada...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

E ela sempre me falava isso, e que eu nunca pude seguir os seus conselhos porque senao tinha briga em casa, porque o meu pai nunca aceitou esse negocio de ir a baladas noturnas...
E eu entrei naquela faculdade chique... Naquela sexta a noite, e fui prestar o vestibular pra Direito, porque a minha mae tinha me falado pra eu ser advogada, e realmente se eu fosse uma advogada, talvez eu nao seria uma boa advogada... Portanto... Eu nao quis, mas mesmo assim, eu fui prestar e sentei - me na carteira proxima de uma loirinha da voz irritante, bem baixinha, magrinha, dos cabelos curtos, lisos e aloirados e eu fiquei conversando com ela, enquanto nao vinha o aplicador da prova.
E papo vai, papo vem, eu falei que ia ser professora e falei que ia prestar em dezembro na FZL e ela me perguntou um pouco sorridente... "De que?" e eu falei que era de Geografia e ela me falou que queria mesmo era ser advogada e que nao abria mao disso nao e que era pra eu deixar de ser boba e prestar pra direito tambem... Mas so que tem tanto advogado desempregado e incompetente no caminho que da ate do e eu nao quis ser mais uma delas...
E ai eu fiz a prova e essa foi a prova mais demorada que eu fiz, foi bem mais demorada do que a prova que eu fiz na FZL, que mais tarde viraria UNICID, Universidade Cidade de Sao Paulo, que poderia entao, ser confundida com a USP...
E depois que nos terminamos a prova, ou melhor... Quem terminava ia saindo e eu sai e a Cleia nao tava mais no lugar que nos combinamos e eu fiquei apavorada, eles tinham trancado o pessoal que tava esperando em outro lugar e... E agora?
Eu via gente entrando nos carros e indo embora dali e eu ali... Sem ninguem... Como eu nao tava acostumada a andar a noite, e eu fiquei apavorada, pois eu nao sabia o que fazer... Eu tinha que esperar ou ir embora? E foi ai que uma moça de cabelos lisos, longos e pretos, rostinho cheio e bem alta, que falou que tava apavorada e que nao tinha como fazer, pois ela tava esperando a mae dela no local que ela combinou e eu falei que ia falar com um dos guardas que estavam de preto ali e todos de cara fechada e eu fui ate la e falei com o guarda que falou que nao sabia de nada e eu e a moça ficamos esperando la e cansadas ai foi quando eu fiz cara de choro e falei que ia chorar, pois ninguem tava mesmo ligando pra gente...
E ela ficou mais nervosa ainda e falou... "Ah, nao... Menininha, pelo amor de Deus..." e ela tava ate que um pouco invocada e foi ai que eu falei que eu sempre ganhava as coisas no choro... So nao consegui ganhar o Sandro... Esse... Esse nem no choro...
E ela nada respondeu e o guarda começou a anunciar e aquele local que estavamos, bem do lado de fora, estava totalmente lotado de gente que tinha prestado o vestibular e tava la esperando a pessoa com quem vieram e logo assim, do nada, me apareceu a Cleia, falando que se eu passasse la, eu tava feita, pois tinha ate restaurante, e realmente eu vi de la de baixo o restaurante deles, e ela começou a falar que ate cinema tinha e que o negocio era bom... Muito bom mesmo, se tinha ate cinema, quem queria matar aula, podia matar aula a vontade, namorar a vontade...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

E hoje ela ganha relativamente bem... Mais faz miserias com a grana que ela ganha... E acaba colocando na conta bancaria do novo namorado dela...
Ela me criticou, porque eu queria prestar uma faculdade particular e nao queria nem passar na porta da Usp, pois eu ja sabia que la eu nao ia entrar... E ficar lutando pra entrar la, porque eu nao queria ficar a vida inteira lutando pra entrar numa faculdade que eu nao queria... E que so sabia que tinha nome e nem tudo que tem nome, tem qualidade...
Assim disse sempre a minha mae, e eu fiquei assustada com a ideia, e a minha mae ficava quieta escutando sempre o que a Adna me falava, que era pra eu tentar sim e eu falei que nao, e que eu queria era prestar ali mesmo, que era bem mais perto de casa e se eu passasse eu ia fazer a minha faculdade ali mesmo...
E naquele domingo de manha eu fui sozinha pra faculdade, prestar o meu vestibular e chegando la... Chegando la, a sala tava lotada de gente... Gente de todas as idades e tinha um loiro tao lindo la, que ficou me olhando o tempo todo, desde quando eu entrei ate a hora que ele saiu, pois ele terminou a prova primeiro do que eu, e quando eu cheguei, eu vi que era lugar marcado, e eu fiquei procurando o meu lugar e fizemos a prova toda a manha daquele domingo, e foi ai, que ao chegar no ponto de onibus, pronta pra pegar o onibus pra ir pro metro, quando eu vi o Jehan e mais uma turma de amigos dele chegando da danceteria, eu acho que eles deveriam ter ido pra Toco, alguma coisa assim, e eu tava com a mesma blusa e a mesma calça daquele dia do trote, aquela calça que a Juliana me falou uma vez que eu nao deveria ter dado, pois ela me deixava linda, com o corpo lindo e na verdade, na epoca eu era bem mais magrinha mesmo, bem mais bem feitinha de corpo... Do que hoje... Hoje eu to bem gordinha mesmo, mas... Fazer o que... E a idade, ne?
E eu falei pro Jehan bem depois que ele me perguntou onde eu ia, eu falei que ia na FZL prestar a minha faculdade...
E ele se foi, com seus colegas...
E pra prestar na Sao Judas, a Cleia ate foi comigo, porque eles fizeram o vestibular a noite, e eu nao gostava de andar a noite sozinha, ja que eu nunca fui acostumada a isso, e ela ainda morava aqui conosco, entao eu combinei com ela e ela falou que ia e o meu pai ia nos buscar na porta da faculdade, como foi o combinado, e foi o que acabou nao acontecendo, pois resolvemos de ultima hora que iamos e voltariamos de metro e o metro tava totalmente lotado, tanto na ida quanto na volta, cheinho de gente que ia prestar o vestibular em diversas faculdades...
E na ida eu conheci uma moça que era amiga da Cleia e ela me perguntou depois que a moça desceu numa estaçao antes da nossa, se eu a achava bonita e eu falei que achava e ela falou que nao a achava bonita e que ela ia se casar, entao nao tinha nada disso de ser feia ou bonita nao... Que eu tinha era que sair pra encontrar outra pessoa, ela sabia... E claro que ela sabia que eu gostava do Sandro e ela devia perceber o quanto eu sofria so de pensar que ele nao gostava de mim, ou pelo menos fazia de conta que nao gostava...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Um desses tres cursos, sei la o que... Eu fiquei com tanta raiva que nao pude responder, porque eu nunca tinha resposta pra nada e eu tinha medo de briga e de apanhar numa dessas...
E depois eu fui fazer a minha matricula e quando nos fomos embora, os individuos ja nao se encontravam mais ali sentados...
Eles acabaram tirando suas cadeiras de la e saindo fora... E no minimo eles devem ter tomado uma bronca feia por ter feito esse tipo de coisas comigo... E eu vi na faculdade, nao seria tao diferente quanto no colegio, mas foi... Foi bem melhor do que no colegio...
E eu fui la fazer a minha inscriçao pro vestibular e esqueci de colocar o idioma que eu queria fazer e quando eu cheguei, e mal eu tinha chegado, o telefone de casa tocou e o meu irmao falou que a faculdade tinha ligado e perguntado qual lingua que eu queria prestar e realmente, eu havia lido a questao do idioma, mais eu acabei me esquecendo de colocar qual era e o meu irmao Marcos falou que falou pra eles que eu queria fazer a prova de ingles e ele ainda me explicou que era porque eu tive mais ingles do que Frances e espanhol no colegial...
E eu acabei agradecendo e concordando com ele, e ai eu fiquei esperando chegarem as datas...
A data do vestibular da Unicid, onde eu fiz a minha faculdade de Geografia, a qual eu sou formada hoje, foi num domingo cedo, que eu sai bem cedinho, final de ano e tudo... Eu ja tinha vinte e tres anos completos e deixei os meus pais dormindo e fui fazer a minha prova que eu achava que nao ia conseguir passar mesmo e enquanto passavam as reportagens sobre vestibulares eu falava que ia prestar la no Nordeste porque la eu passava e o meu irmao Miguel que ainda morava conosco e estava preso dentro de casa, sem poder sair pra nada, ele dava risada e falava pra mim que ia ser uma viagem e tanto... E eu achava que aqui eu nao passava, porque eu fiquei sabendo de uma moça que prestou tres vezes pra faculdade particular e nao conseguiu entrar, entao eu fiquei com medo e a minha irma mais velha, quando vinha em casa, ela me dava conselhos pra eu entrar na Usp, e eu nunca quis Usp, porque eu sei das minhas capacidades, e eu tinha certeza que na Usp eu ia ficar prestando varios anos ate entrar na faculdade... E nunca ia poder trabalhar... Nunca ia poder exercer a minha profissao... E eu ate chorei, falando que nao queria dar o passo maior do que a perna, porque eu tinha medo de me arrebentar... E a minha sobrinha, a Patricia, ficou prestando durante tres anos, e mesmo fazendo cursinhos carissimos, nao conseguia entrar, ate que ela entrou e acabou mudando de curso, pois eu acho que ela nao tava nem conseguindo passar pra entrar na faculdade...
E a filha mais nova dela, antes do Dudu, a Luciana, anos depois, acabou entrando na mesma faculdade que eu fiz... So que fez um curso relacionado à informatica...