quarta-feira, 27 de julho de 2011

A voz tranquila de Demetrius a fez querer gritar. Ele estava tao firme enquanto ela estava nauseada pelo medo. Se não fosse por Lilly, ela poderia ir, poderia aceitar que tivera sua chance, vivera sua vida, mas Lilly precisava dela.
Deus, me dê dezesseis anos, rezou Chantal. Mais dezesseis anos de aniversários e abraços e conversas até tarde da noite sobre tudo que Lilly queira conversar.
Não pedirei a ela que viva por mim. Só quero estar por perto. Quero abrir portas para ela, colocá - la na cama tarde da noite, sabendo que ela está a salvo.
- Se eu não conseguir, chegar em casa...
- Você vai conseguir.
- Mas se nã conseguir, me prometa que vai dizer à minha filha...
- Chantal.
A voz dura dele, como uma placa talhada de mármore, arrastou o olhar dela, subindo pelo peito dele até o colarinho aberto, o queixo, as mandíbulas e a boca. Quando os olhos se encontraram, ela se sentiu um emaranhado de nervos vivos.
- Você não me chama de Sua Alteza.
- Mas você não é minha alteza. Você é Chantal Thibauldet...
- Odeio esse nome. Não sou uma Thibaudet. Esse era o nome do meu marido.
- E ele morreu.
- E ele morreu.
- E você não vai morrer.
- Não.
- Esta é a primeira resposta positiva que ouvi de você.
- E este é o primeiro sorriso que vi em você.
- Não gosto de sorrir.
Ela riu. Por um instante, ela se esqueceu do avião que sacudia, dos mergulhos e estocadas no espaço, da náusea que invadia cada órgão.
- Você não gosta de sorrir?
- Os tolos sorriem.
- Você deve estar brincando.

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