segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

E eu falei tudo e so nao contei que me ofereci pra ir ao churrasco na casa da Adna, e o Miguel começou a falar que se fosse a gente, ele nao iria nao, porque ela ainda ia ver se os pais dela iam deixar a gente ir ao churrasco na casa dela, entao a gente nao era bem vindo la, porque pra fazer um churrasco sem avisar pelo menos pros pais dela, e isso nao era certo...
E ate hoje e assim...
E eu nem liguei para o que ele falava, as palavras dele logo iam ao vento pra mim, na epoca, mas hoje nao, porque da maior saudade de quem se foi...
E logo em seguida o telefone tocou, atendi... Era a Luciana... "Miriam, os meus pais falaram que voces podem vir sim pro churrasco, ta?" E eu perguntei as horas que ia começar e ela logo me falou: " - La pras oito, ta?"
E eu transmiti o recado pra minha mae e o Miguel falou que era bem assim, e que nao era pra gente nem pensar em ir, e eu comecei a me arrumar e logo que o meu pai chegou eu transmiti o recado, falando que a Adna tinha falado que era pra gente ir e fomos, mesmo o Miguel falando que nao era bom a gente ir, que isso era uma tremenda desfeita e que nao sei o que, nao sei o que la... E quando ele pegava pra falar, parecia ate uma matraca.
E chegamos la no churrasco, e eu pensei que o Suplicy ia estar la, qual nada... Ele nem foi... Devia ate ter sido convidado, mas sabe como e, sao colegas de partido, no minimo ele o chamou...
E tinha tao pouca gente, que mais pareceia as nossas reunioes de familia dos presentes momentos do que as reunioes dos anos anteriores.
E eu ali no churrasco uma carninha ali, outra carninha aqui, outra carninha a co la, ja que eu nao sou fa mesmo de carne, rolava umas liguicinhas ali, outras linguicinhas aqui e eu ficava la sentada feito boba mastigando um churrasquinho que eu nao tinha sido nem convidada oficialmente e que tinha insistido praticamente para se - lo...
E nem sequer passou pela minha cabeça o que sera que o Sandro estava fazendo no presente momento, ja que era um sabado meio gelado, deveria estar com a baixinha dos cabelos vermelhos, porque com a Luciana ele ja nao estava ha alguns meses.
E quando chegamos em casa, eu procurei me deitar com a minha cama na sala mesmo, afinal de contas, eu ja tinha me acostumado a dormir na sala, desde quando a minha irma havia se mudado daqui de casa, e eu ja estava acostumada a dormir no meu quarto com todo mundo junto, ela mais os meninos dela, e dormir sozinha no meu quarto ja nao dava mais...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

E logo a festa do impeachment começou, ficou passando maior tempao na televisao, a Rede Globo era uma das patrocinadoras do evento e la todo mundo pedindo pro Collor sair com a liderança de varios artistas e politicos da epoca, muita musica e discursos, assim que deveriam ser os showmicios das diretas ja, na epoca do saudoso Tancredo Neves...
E eu participei dessa historia, tenho orgulho de falar sobre isso sempre, eu fui cara pintada, embora eu nao pintei a cara coisa nenhuma, mas eu estive la...
Logo que acabou, voltamos pras nossas casas com os metros lotados e no dia seguinte o Collor deixou a presidencia, mais ou menos isso, ou devem ter passados dias, nao sei, nao me lembro mais, so sei que conseguimos...
Conseguimos entre aspas, porque o cara ja devia estar querendo sair mesmo, ele so deixou o movimento rolar, pra tirar uma com a cara do povo besta e quem ficou no lugar dele foi o vice dele, o Itamar Franco, que era outro pau mandado.
Eu tinha ate um gato que eu coloquei o nome dele no ano seguinte, depois eu chego la...
E o meu irmao, o Miguel, me falou tempos depois que teve ate o baile do impeachment e perguntou se eu nao tinha ouvido comentarios e anuncios e eu disse que nao tinha prestado a atençao, porque eu nao ouvi mesmo, tinha sempre umas peruas passando ai, anunciando varios bailes tematicos que tinham na epoca, nos saloes do bairro, coisa que aqui nao tem mais e salao de baile.
Dai eu fiquei imaginando o Sandro ir naquele baile, com aquela baixinha dos cabelos vermelhos, a tal da Lili, marca de farinha de trigo.
Mas logo me lembrei que o Sandro era muito garganta e metido, entao ele nao entrava em qualquer salao, ainda mais com aquela baixinha, que podiam pensar que ela era uma criança e poderiam coloca - lo pra fora do baile com ela.
E eu ia dar muita risada, se eu ficasse sabendo que isso podia ter acontecido com ele, ou algo semelhante a isso...
Mas, eu nao fiquei sabendo de nada nao, e as coisas iam do jeito que iam, sempre ele folgava do exercito e dava ate pra confundir o tanto de rapazes que serviam o exercito na epoca mas so um... Era inconfundivel... O Sandro, sempre vinha com aquela pose que so ele tinha, alto, lindo e bem branquinho...
E a Meire ate ficou falando que o meu gato ciames era lindo e ela ficava chamando - o de Sandro e o gato, que tava do lado de fora olhava pra ela e eu falava que era pra ela parar de chama - lo assim, um tanto quanto sem graça, e ela me perguntava se eu gostaria se tivesse uma galinha aqui muito bonita e ela a chamasse de Sandro e eu disse que nao, e ela falou que tava chamando - o de gato e que o meu gato parecia mesmo com ele, so que tinha os olhos azuis, e depois eu fiquei pensando... Pode chamar de galinha que e o que ele e mesmo, eu nao ligo nao, e era a tarde aquele dia de semana, dai ela me contou que sonhou com o Sandro, e que ele vinha com aquela roupa verde e linda do exercito e ela perguntou se ele deixava ela andar do lado dele e ele perguntou o "porque" , com aquele sorriso lindo e ela falou que nao era por nada nao e que ela tinha so o prazer de estar ao lado dele...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Agora eu nao sei como e que esta o pé de amizade, fiquei sabendo que o Sandro brigou com os dois, so porque zuaram a Silvia, se zuaram, zuaram com razao, ele nao tinha nada que brigar nao.
Os Pipocas estavam sentados na calçada e continuaram sentados sem dizer nada e eu fui pra faculdade, e chegando la, tava aquela bagunça toda, nao teria aula porque todo mundo iria diretamente pro impeachment, fui pra sala e la estavam a Rose e uma tal de Simone que fez historia, aquela Simone ali era uma nojentinha, ela fazia de conta que nao ouvia quando a gente tava falando com ela.
Ela ignorava a gente, ate que a gente saia fora dela, e a deixava sozinha, afinal de contas era isso mesmo que ela queria... Ficar sozinha!!! Entao, a gente deixava, ne?
E naquela noite a Rose ate ficou com bronca, falamos, falamos com ela e a Rose ate gritou: "- Ai, Simone, credo!!! Como voce é?" e ela deu um sorrisinho e falou: "- Mas nao é pra la que a gente vai, e pra outra manifestaçao!" Ai sim, ela resolveu falar e a Rose olhou bem pra cara dela enquanto ela falava e falou: "- E pra la sim, menina, voce nao veio ontem pra faculdade? E voce nao sabe que vamos dar uma força pro impeachment do Collor? As meninas nao foram la na sala falar?" a Rose continuou falando um pouco alterada, enquanto a Simone olhava pro nada, como que se ninguem estivesse falando com ela.
Ela era muito esquisita, bonitinha, mas esquisitinha, moreninha, baixinha, magrinha, de rosto meio comprido e delicado, cabelos e olhos negros, bem antipatica pro meu gosto, vai ver era ela quem pagava a faculdade dela, porque la na faculdade, as unicas que os pais pagavam era eu e a Rose, as duas bem mal vestidas, cujos pais pagavam a faculdade.
E deixamos a chatinha e esquisita da Simone de lado e fomos para o impeachment do Collor no Vale do Anhangabau.
E pegamos o metro e vimos algumas meninas com as caras pintadas, outras de bocas pintadas de preto e eu achei legal, so eu e a Rose que nao passamos nada nao, tambem nem precisava, ne? Nos duas faziamos um par perfeito e nem deveriamos mesmo nos pintar.
Chegamos la no Vale do Anhangabau, e ja tava super lotado... Nossa!!! Parecia ate um sambao, que eu ia mais na frente da historia, que ficava lotado e todo mundo esperando os caras tocar.
E eu vi o Francisco Cuoco e falei pra Rose que olhou, mais eu acho que ela nem notou, o que tava acontecendo e ele ficou me olhando.
Nossa!!! Ele era tao magrinho, tao lindo, uma pele de pessego, rosada e perfeita, com um bigode muito bem tratado e aqueles cabelos bem grisalhos, quase que bem branquinhos, todo de terno e gravata cinza, olhou e eu nem sei se era ele mesmo, mas ele era muito lindo, um cara bem grisalho e muito bem cuidado, deveria ser muito bem perfumado...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

E eram jogadas diversas caixas de remedios vencidos, diversas caixas de dinheiro fora...
La na loja, a gente vendia ate que bem, porque na epoca eu tirava o dinheiro pra minha conduçao do mes e pra tirar algumas xerox de qualquer coisa que eu precisava pra estudar e eu adorava ouvir as musicas, as musicas que tocavam na epoca do meu sonho dourado com o Sandro...
Os lanches era a Rose que pagava toda noite um cachorro quente no pao frances e um refrigerante, e foi ai que eu comecei a tomar gosto pela coisa e hoje eu nao largo nem a cacetada de comer um bom cachorro quente de preferencia no pao frances e um delicioso refrigerante, podendo ser coca cola, guarana, fanta uva, fanta laranja, sprite e etc...
Ela pagava mais nao tinha nenhuma obrigaçao de pagar, mas como eu sempre tava com ela e era amiga dela, talvez ate a unica, ela me pagava e eu gostava disso, no começo eu tinha vergonha mais depois passei a nao ter mais, passei a ter a maior cara de pau possivel pra ir la na perua da tia e comer...
E na noite do impeachment do Collor, todo mundo ficou botando fogo, dizendo que a faculdade em peso estaria na no Vale do Anhangabau no centro da cidade, pra irmos botar peso pro Collor sair do poder, foi ate entregue uma poesia pra nos xerocada pelo povo do segundo ano de geografia, e uma das meninas ate discursava, falando que nao valia a pena a gente ficar parada ali, sentada, enquanto o Collor terminava de golpear a nossa rica poupança.
E todo mundo se mobilizou e na noite seguinte eu tava pronta de bandeirola na mao indo pra faculdade e encontrei a Juliana que tava falando com o Eduardo, que era meu amigo por vez e nao era meu amigo tambem.
E eu falei pra ela que eu ia à manifestaçao do impeachment porque ela achou estranho eu estar sem as coisas da faculdade.
E eu comecei a falar que eu ia entrar na Puc e que eu iria provar pra ele que eu posso, de tanta raiva que eu tava do fato dele ter passado com aquela baixinha dos cabelos vermelhos quase que abraçadinhos no meio da rua e beijar pra eu ver aquela cena de criancice, nao quer nao fica iludindo com olhares e fala logo que nao quer, nao e?
E o Eduardo ficou falando com voz de criança, tipo tirando um baratinho comigo, mas dessa vez era de brincadeirinha... "Eu vou pra Puc" bem bravo que nem eu comecei a falar...
E eu fui pro impeachment e passei perto dos Pipocas, os gemeos do seu Laudir que ate a epoca eram amigos do Sandro.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

E depois que eu fiquei la na sala conversando um pouco e escutando a galinhada ali na vielinha falando alto e dando gargalhadas, e todo mundo tinha amizade com aquela Galinha Preta, acho que todo mundo deveria me detestar naquela epoca.
Porque adulavam tanto ela, ate demais da conta, ate gente que gostava de mim, ficava na compania dela e gostava...
E a minha mae sempre me dizia que isso um dia ia acabar e que uma galinha so nao fazia verao e eu duvidava falando que a tia dela, a Diva tinha casa propria, e que aquela galinha ia ficar ali por muitos e muitos anos, batendo as asas pra la e pra ca, e a minha mae tava era certa, e bem certa mesmo, a Galinha Preta bateu asas e voou, voou pra nunca mais voltar e agora so restam apenas as dolorosas e desagradaveis recordaçoes do tempo no qual ela reinava aqui na rua de casa e me enchia o saco, e a minha paciencia nao era muita, mas eu nao podia fazer nada, pois eu nao tinha ninguem a meu favor...
E hoje em dia, eu estou aqui, nessa noite de fevereiro, dia vinte e quatro, quente pra caramba, em frente ao meu computador, redordando epocas e pessoas que se foram e que nunca mais voltaram nem pra dizer Alo...
E durante o churrasco na casa da Adna, o meu pai reclamou que nao tava passando bem e que tava adoentado, como o de sempre, falando que a pressao dele deveria de estar um pouco alta, mas e claro, bebia e ia ao medico e depois tomava remedios...
Era e sempre foi assim... O meu pai bebia e tomava remedio e quando o Miguel cismava de fazer as limpezas nas gavetas de remedios daqui de casa, bem quando o meu pai saia e demorava, naquelas famosas saidas de deixar a gente sozinha mesmo, o Miguel arrumava e ficava so falando que o meu pai jogava muito dinheiro fora com remedios, e continuava bebendo e tomando remedios e que isso fazia um mal tremendo para a saude dele.
E tomava os remedios, e quando enjoava, os deixava la, porque nao sarava de nada, e nao suportava nenhum tipo de conselhos de ninguem, entao a gente sempre deixava como sempre deixou ele cuidar da saude e da vida dele.
E a minha mae sempre falava que quando ele morresse, o cemiterio, bem encima da cova dele ia ter uma poeira de nuvem branca devido aos remedios que ele tomava sempre e misturava com as bebidas que ele tanto gostava de beber e depois ainda ia pra igreja forçar a gente e fazer aquele tremendo teatrinho la na frente falando de Deus, e quem o visse fazendo o que ele fazia, jamais queria voltar e nunca mais passava na porta de nenhuma igreja evangelica, nem pra pedir "bençao" pro pastor.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

E eu fiquei triste porque ele precisou sofrer acidente pra perder um braço e ainda por cima perdeu a namorada dele, que talvez poderia ser ate o grande amor da vida dele...
Ainda se fosse de nascença eu ficaria chateada, mas nao tanto como eu fiquei em saber disso e tantas pessoas por ai com os dois braços fazendo mal pra muita gente, matando, roubando, maquinando o mau...
Eu acho que essas pessoas sim, deveriam ser marcadas pelo destino, mas nao...
Ha coisas que nos revoltam, mas Deus sabe de tudo o que faz, essas pessoas que sao marcadas pelo destino, sao pessoas quetem liçoes de vida pra nos mostrar, ja as pessoas que so aprontam, se passassem por isso, talvez nem teriam como falar as suas dores, as suas experiencias e nem teriam como se manter vivas, pois elas acabam se definhando logo ou se matando logo de uma vez pra nao sofrer, porque o que eles nao querem e sofrer, mas fazer os outros sofrerem, ai sim...
E o meu cunhado nao ganhou nem os votos pra chegar quase la na camara dos vereadores de Sao Paulo, entao, infelizmente, ele nao conseguiu nada, depois que as urnas foram abertas, so obteve mais votos aqui mesmo na nossa zona leste.
Mas, antes das eleiçoes, teve um showmicio aqui no Jardim Nordeste, cujo qual eu fui e se apresentaram la varios politicos do PT, dentre eles, o entao senador Eduardo Suplicy, ex marido da ex prefeita Marta Suplicy, do mesmo estado.
Nossa... Eu vi como o Suplicy era alto e forte, ate me assutei quando eu peguei na mao dele e ele foi de maos dadas comigo ate uma certa parte do caminho, ali perto daquela rua que vai pro Jardim Coimbra, ali no centro do bairro ainda, onde foi montado um palanque, onde todos os candidatos proximos do bairro e o Suplicy falaram e quando chegou a vez do meu cunhado, ali eu pude ver que ele nao levava mesmo jeito pra coisa, ele falava tao lento e tao baixo, tao sem firmeza e tao sem força no pulmao que dali eu vi que ele nao ia conseguir ganhar nem pra entrar na porta da camara, quanto fara pra entrar la dentro e sentar - se na cadeira de vereador.
E eu fiquei la, um pouco no meio da pracinha do bairro, proxima ao ponto final, escutando coversas, como o de sempre e uma das amiguinhas da Luciana perguntou se ia ou nao ter churrasco la na casa dela e a Luciana falou que nao sabia, e que qualquer coisa ela chamava as colegas dela e eu, escutando aquilo, como nunca tinha lugar pra ir, so ia na igreja e mais nada, logo fui me levantando e perguntando: " - Vai ter mesmo, Luciana?" e ela olhou pra mim e respondeu que "nao sabia ainda" e eu fui logo me oferecendo: " - Se tiver, me chama?" e ela respondeu mais que depressa: " - Ta, se tiver, eu pesso pra mae e pro pai deixar voces irem, se eles deixarem, eu chamo voces, ta?" ela me respondeu bem assim... Deixar? Sera que os pais dela tinham que deixar a gente ir ao churrasco na casa dela?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

E ele falou que era pra eu deixar a lixa com o calendario perto do medidor da caixa de agua que mais tarde a mae dele pegaria.
E eu fiquei feliz e deixe la e fiquei falando pra todo mundo que tinha conquistado a sogra com uma lixa de unha que eu deixei la...
Sem pensar que depois de anos a fim, apareceria outra que daria presentes caros e finissimos pra ela, e claro que ela iria preferir a garota dos presentes caros e finos do que a garota que deu uma lixa peba pra ela, com um calendario junto, ela iria preferir os presentes caros e finos ate o momento que ela conhecesse na verdade quem era a Silvia, ai depois ela ficaria pedindo a Deus que ele tivesse escolhido a garota da lixa de unha mesmo, pois o presente era pobre mais era com sinceridade e de coraçao.
Mas, infelizmente ele preferiu a Silvia que foi a garota que deu um filho pra ele, acho que a primeira que engravidasse ele ficava, porque foi assim que se sucedeu o assunto na epoca do suposto casamento dele.
E voltando ao ano dos cara pintada, eu fazia a campanha politica pro meu cunhado e aqui em casa as coisas, iam mais ou menos bem, sempre com confusao por causa do Miguel, segundo o meu pai, as confusoes eram sempre por causa do Miguel e nao por causa das atitudes dele.
E sempre tinham showmissios, e o Cicero veio me chamar pra ir num la na Paulista e como eu nunca saia de casa, me arrumei toda e fomos, eu, o Cicero, a Adna, a Cleia, a Patricia, a Luciana e o Dudu, e os meus pais ficaram em casa, prometendo que iam no proximo, e eu fiquei la naquele meio e tinha muitos maconheiros, gente esquisita ali e um deles ja começou a zuar comigo, me zuando e eu falei umas coisas ali pra Patricia revidando e vi que o fedor da maconha tava demais e acabamos saindo de la, pra nao ter mais briga e nem discussao, tinha umas barraquinhas la, ate que uns tempos desses ai, tinha ainda umas fotos do shouwmissio, onde o Dudu ainda era pequenininho, acho que ele deveria de ter uns dois aninhos, sei la, porque agora ele ta um homem...
E fomos embora pra casa e sempre tinha alguma novidade pra poder contar dos finais de semana, e os meus sempre eram de ir na igreja.
E a minha irma ficou querendo saber do Warley, sem bracinho, que tava la no dia da Avenida Paulista e eu contei pra ela a historia que ele sofreu acidente de moto com a namorada dele que acabou morrendo na hora.
E eu fiquei imaginando o tanto que ele sofreu e o tanto que ele sofria ao contar pras pessoas o porque dele nao ter braço e eu fiquei me lembrando no primeiro dia que ele conseguiu contar pra todos nós na faculdade.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mas ainda bem que eu nao fiz mais nenhuma formatura, nem sequer da faculdade.
Os dias foram se passando e eu fui distribuindo todos os panfletos que saiam, na faculdade para os meus colegas, teve um dia que eu fui classe a fora, quando a sala de geografia tava junto com a sala de historia.
Distribui falando pra todo mundo ter consciencia e votar no candidato certo que iria fazer alguma coisa pela nossa regiao, e todo mundo pegou os panfletos de bom grado, ate mesmo o Warley, um moço sem bracinho, que eu fiquei sabendo que ele bateu a moto num carro e a namorada dele morreu na hora e ele saiu ileso, sem um braço, que ele nao tinha vergonha de mostrar pra todo mundo.
Era militante do PT, gostava muito de politica, talvez fosse por isso que ele gostasse tanto de historia porque ele sabia na epoca, que tudo que se passa no presente momento nao é historia, mas que depois, passa a ser historia, quando vira passado.
Ele gostava de falar muito do Collor, que o governo dele nao prestava e etc, e era verdade, tanto é que ele foi deposto, num impeachment que a gente foi, a faculdade toda, com as caras pintadas, no Vale do Anhangabau, aqui no centro de Sao Paulo.
Mas isso depois eu chego la...
Voltando a esse fato politico, todo mundo sabe que ano politico é ano de festa, nao é?
Pois é... Um ano historico, como esse que foi, o ano de 1992, o ano em que os caras pintadas sairam nas ruas para pedir o impeachment do Collor e eu tava la, isso eu posso dizer, fui uma cara pintada e o jovem de hoje é muito acomodado com as coisas que estao acontecendo no pais, pensei que fosse voltar os anos dourados, epoca dos anos sessenta, onde tinham os subversivos, gente que acreditava em outro ideal politico, sempre penso que se eu existisse naquela epoca, com certeza eu seria subversiva, sempre acreditando e sonhando com novos e futuros ideais politicos.
Entreguei ate panfletinhos com santinhos na casa do Sandro, fui la com uma lixa de unha, bem a noitinha e mais um calendario do ano que ja tava quase pelo meio, antes das eleiçoes acontecerem e chamei o Jehan que desceu as escadas, mastigando carne e falei que tinha uma coisa pra entregar pra mae dele e ele me olhou, querendo se aparecer so porque tava comendo carne, depois eu contei pras minhas colegas e elas deram risada, falando que elas comiam carne todos os dias e que ele, talvez comesse uma vez por semana e demos risada.
E ele mascava a carne como se fosse chiclete e dava pra ver, porque conforme ele mastigava, aparecia a carne amarelinha, que parecia mais bosta do que carne.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Quem nunca teve um parente que foi candidato a um cargo politico? Ou amigo?
Pois é... Antes eu nao tinha nao, ate o presente momento, quando o meu cunhado resolveu se candidatar a vereador pelo PT, partido da entao atual presidenta Dilma.
E nós, resolvemos ajudar, inclusive eu, que fiquei pedindo votos um a um pra ele, pra ganhar o que? Um lanche com presunto e queijo e olha so... Ate um cara me mostrou um distintivo de nao sei o que e eu nem dei tanta importancia assim, quando a Patricia viu, ela falou pra eu dar a bandeira, pra mim, nao tinha nenhuma importancia naquele distintivo sujo da policia federal que o nojentao me mostrava pra me coagir, porque recebemos ordens do Cicero e dos demais, que nao poderiamos dar bandeiras pra ninguem entao eu fiquei recusando, ate que a Patricia, assustada falou pra eu dar a bandeira pro cara e eu acabei dando, protestando que recebemos ordens pra nao entregar bandeiras e eu, como era bobona na epoca, nem falei que tava obedecendo ordens, la na porta do Carvalho Senne, onde fomos fazer boca de urna que hoje em dia e proibido esse negocio de boca de urna.
E eu devia era ter falado pro cara jogar aquele distintivo sujo da policia na privada e dar descarga, assim ele coagia a merda que ele cagava.
A perua nos levou ate la, antes a Patricia ficou falando as escolas que ela queria ficar e no fim a Adna falou que era melhor la na porta do Carvalho Senne e eu ate pensei em ficar na porta da escola que o Sandro vota, o Adalgisa, assim quem sabe eu daria um panfletinho pra ele votar no meu cunhado.
Em fim... Acabamos ficando la mesmo, e o tempo tava bastante feio e fechado, pra um final de ano eleitoral carregado.
E o PT na epoca, era um partido mais fraco que nao tinha ainda ganhado grandes eleiçoes em nenhum local como prefeito, governador e ate mesmo a presidencia que foi disputada duas vezes pelo ex presidente Lula e ate aqui, na presente epoca cuja qual estou narrando, nao tinha ganhado nenhuma eleiçao, se tinha em municipios e capitais, eram muito poucas, nao tinha força total e corrupçao como nos dias de hoje.
Mas o meu cunhado, como sempre, era simpatizante do partido indo em todas as reunioes, ate que ele veio nos comunicando que era candidato a vereador, que tinha sido aprovado pelos demais companheiros de partido à sua candidatura.
E meus pais o cumprimentaram felizes, ate entao, ele ainda nao nos tinha dado nenhum desgosto, entao ainda dava prazer de conversarmos com ele, sem contar o episodio da formatura, que ele fez cara feia e saiu logo do baile, que a minha mae falou pra eu chamar qualquer outro pra ser o meu padrinho, se eu fosse fazera alguma eventual formatura, como era de costume.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

E como o Miguel tava escondido da policia aqui em casa, justamente pra nao ir preso, o que acabou acontecendo a seis anos depois, ela foi la na rua gritar que ele tava aqui.
E a minha mae ficou ouvindo o que ele contava, quase chorando de pena dele e de pena dela tambem.
A minha mae tinha dó do Miguel, da situaçao que ele vivia, apesar que essa situaçao foi ele quem piorou mais, hoje eu sei que ela so tinha dó da situaçao dele, porque eu passei por uma situaçao de dividas em que ela falou pra mim, que emprestava grana pra ele comer, mentira, porque ele pegava a grana dela pra comprar bebidas e drogas...
E lá vinha encrenca, quando se tratava do Miguel, encrenca no meio...
A minha mae sempre o apoiava, e na verdade eu tambem tinha que apoiar porque eu sempre fui muito grudada com ela, nao tinha amigos e amigas, nao podia sair, nao podia fazer nada, entao eu tinha que so estudar e que aguentar as ranhetices do meu pai em relaçao à minha vida, como ate hoje, so que hoje ele culpa a minha mae por eu ser assim tao fechada e ter amizades so no trabalho...
Alias, amigos e amigas era muito dificil, porque sempre zombavam e escarneciam de mim, eu nao podia colocar uma roupa mais diferente, que todo mundo zuava, me colocando apelidos, acho que é por isso que eu sou meio louca...
E o Sandro sempre saia do exercito quando podia, finais de semana, feriados prolongados e quando ele tava um pouco doente, ele tambem saia.
E naquela tarde eu tava na lojinha, logo no começo de tudo, quando a lojinha vendia bem e a gente sempre ia na vinte e cinco de março comprar as mercadorias pra vendermos e sempre vinha o povo da rua dele comprar na nossa lojinha, ate os pais dele andaram entrando umas vezes la na nossa lojinha que hoje encontra - se fechada devido a muitos problemas que tivemos...
E eu tava la sozinha, como sempre, as vezes as meninas que falavam comigo iam la na lojinha, quando eu vi o Sandro passando todo serio, lindo como sempre, com aquela farda verde do exercito, sempre vinha com um modelo diferente, tinha vez que ele vinha ate de macacao, e outras vezes, parecia ate um terninho, sempre vaidoso, o garoto gostoso...
E eu observei que ele havia trazido toda a mudança da casa da Luciana e fiquei sabendo tempos depois que eles haviam terminado e eu fiquei feliz da vida, pois eu seria a proxima namorada dele...
Coisa que nunca aconteceu...
E eu vi que o Sandro me olhou e bufou nervoso e depois eu nao o vi mais.
Eu vi caixas de sapatos, sacolas de roupas, tudo que ele trouxe da casa dela, dos tempos que ele ia dormir la, eu acho que os dois saiam pra curtir a noite juntos e ele ja ficava por la mesmo, fazia da casa dela a sua...
E ela de vez em quanto vinha dormir na casa dele, eu ate achava que ela com aquela magreza toda, ja era a mulher dele, afinal de contas, os anos noventa foram os anos da liberdade sexual, onde moças e rapazes curtiam mesmo um ao outro, desde as epocas dos finais dos anos oitenta mais ou menos, porque antes... Antes as moças eram bem mais recatadas...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

E chegou o dia da partida...
Ai, graças a Deus...
So iria pra la no ano seguinte, como sempre, todo ano...
E a mulher se despediu da gente desejando sucesso pra todos nos e a minha mae falou que ficou mais caro do que o hotel e o meu pai falou que nunca mais ele faria isso...
E fomos de taxi rumo ao aeroporto, alias era assim mesmo que ele fazia, a gente andava de onibus o tempo todo, de taxi so pro aeroporto.
E fomos embora pra Sao Paulo, onde eu poderia ve - lo, morrendo de saudades...
O voo foi tranquilo e chegamos ao aeroporto e tava todo mundo nos esperando...
Chegamos e o clima tava bem ameno, tinha ate chovido, o meu pai sempre trazia peixe de la pra fazermos o almoço do dia seguinte pra comemorarmos a nossa chegada, como sempre...
E eu tava louca pra saber do Sandro... Se ele ja tinha se casado ou se ja tinha desmanchado da Luciana pra vir namorar logo comigo e nos casarmos logo...
Afinal de contas, fora nenhum ele nunca me deu, se tivesse me dado, talvez eu nao estaria na situaçao idiota pela qual eu me encontro hoje...
Aquele papo de que ele estava no exercito, eu tinha logo que abrir a lojinha pra ve - lo passar, todo de verde, sem ou com a Luciana...
E mesmo assim eu suspirava, com a Luciana e tudo, ele sempre que tava com ela, evitava passar na minha calçada, e passava na rua, acho que pra me torturar melhor...
Porque ficava mais legal ele me observar sofrer, passando com ela ou com outra, na rua, do que na minha calçada, o angulo do sofrimento ficava bem melhor...
Mas eu adorava sofrer mesmo, por causa dele, de outro nao, porque ele era bonito que dava gosto, sempre bem arrumado, cheiroso, com tenis e roupa de marca...
Uhn... Hoje ele diz que vai beijar meus pes, tipo pedindo perdao por ele ter me feito sofrer, ter me passado pra tras e ter me... Testado, como eu ouvi o seu Vicente dizer.
E as novidades eram as mesmas, o meu irmao continuava aqui em casa, ficamos sabendo ainda no aeroporto que a Cleia, que tambem tava la em casa, cuidando da casa, e claro, discutiu com o Miguel porque ele foi mexer na caixinha de ferramentas do Dinho que tava la na lojinha e ela pegou - o mexendo na caixinha do Dinho e disse que nao era pra ele mexer ali porque era a memoria do Reinaldo e o Miguel, mais que depressa falou que a memoria do Dinho era lixo.
E a minha irma se defendeu, como sempre, que ela nao gostava mesmo que mexiam com os seus e começou a falar um monte.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

E eu fiquei horrorizada e foi daquela mocinha linda, bem novinha que ele falou, no minimo ela se ofereceu pra ele, porque sabe que o velho tem grana e ela tava de biquini bem provocante, parecia ate uma menina comportada de familia, embora o biquini provocante, que acontecia no meio das familias quase boas, de cabelos castanhos claros, olhos castanhos escuros e rosto cheio, nao era muito do tipo das meninas que saiam com o Sandro, mas era capaz dele encarar, ja que ele encarava ate as ratas do bueiro, menos a mim...
O cafe da manha da banqueteira era tipo o nosso, a gente levantou, ele disse bom dia e ficou conversando um pouco conosco, e o meu pai falou que ele era marceneiro, embora ja tava aposentado e a minha mae dona de casa e eu na epoca, era professora primaria que tinha passado na faculdade.
Eu me lembro que eu fiquei encostada ali na parede do quarto na cama de parede, ainda massageando a barriga que me doia e falando com a minha mae, ficavamos fechadas la no quarto e o meu pai disse que nao tinha conseguido remarcar a passagem.
E a moça falou pra gente voltar la na agencia e mais tarde fomos pra agencia de viagens, eu gemendo e a barriga inchada e a moça muito simpatica, falou com muita pena que eu tava mesmo era querendo voltar pra casa e olhando a minha barriga com dó.
E eu nem esquentava com isso e tivemos que aguentar mais dois dias la esperando o dia de embarcar pra casa e no dia de embarcar pra casa, eu me encontrei bem melhor, so tomar remedios pra peidar que eu melhoro.
Sempre foi assim...
Porque agora, tinha mudado tudo, ja tava começando a ficar uma grande porcaria pra estar a maior porcaria dos dias de hoje, agora tinha que pagar mais uma taxa e como o meu pai tava reclamando que tava sem grana, entao melhor seria nao pagar a tal taxa que tinha que ser paga, entao ela falou pra aguentarmos mais uns dias.
E a mulher que tava alugando o quarto pra gente, tinha uma empregada bem novinha de no minimo uns quinze anos, de pele encardida, cabelinho curto e duro, colorido de loiro, ou queimado de loiro, que era uma verdadeira galinha, que ficava la na beira da praia andando a noite sendo confundida com as putinhas de la, alias ela deveria ser mesmo uma delas, rostinho cheio, olhos escuros, cheinha e bem baixinha, com as pernas grossas.
O meu pai sempre julgava aos outros, assim como hoje, e ele que contou essa historia, que a mulher tava querendo manda - la embora, essa eu acho que tambem o Sandro deveria encarar.
E eu fiquei sentada la no sofa numa certa tarde e conheci a netinha da mulher, uma menina que nem deu confiança pra gente, moreninha e sem graça, cabelinhos lisos, parecia ter mais ou menos uns nove anos e ela mandou a menina falar com a gente e a menina mal falou e ela ja falou que a menina falava diferente pois ela era de Sergipe, morava num apartamento na beira da praia de Aracaju, capital do estado.
E eu achei estranho vir de la decima e o lugar que se fala mais arrastado é em Alagoas.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Depois ele conheceu um velhinho magrelo que tava montando uma pousadinha como o nome de Shangrila...
E o meu pai começou a cogitar a vontade que ele sempre teve de voltar pra terra dele sempre falando em montar uma pousadinha e eu detestando a ideia, garanto que a minha mae tambem, pois a gente nao gostava muito do calor, e o calor la era demais...
E a minha mae falou que o homem deu bastante conselhos mais pousadinhas nao, ele nao queria que ninguem concorresse com a pousadinha dele.
Ai ele descreveu como era a pousadinha que o velhinho tava construindo, que as camas eram no cimento e era tudo bem pequenininho e o velhinho era aposentado mais ja tava de saco cheio de viver de aposentadoria.
E foi ai que ele indicou a mulher que fomos hospedar, num predio onde tinha gente mais ou menos de vida, nao eram ricaços, mais de situaçao tipo a nossa e a mulher era uma gorda banqueteira e simpatica que tava precisando de grana e veio nos cumprimentando quando chegamos ao apartamento dela que nao era tao grande assim e eu com a barriga bem grande, querendo logo ir embora pra casa, pois o clima sempre mais fresco, e la as comidas sempre com coco e oleos fortes que iam ao tempero deles.
Eu ate comentei com a minha mae que a vi fazendo uns folheados de camarao na beirada tipo aqueles do livro de culinaria Uniao.
E eu vi mesmo, tavam todos os folheados encima da mesa e ela nem deu um pra experimentar pra ver se era bom mesmo...
Vou ficar so na vontade...
Logo quando chegamos, ela nos colocou no nosso quartinho, ou melhor... Na nossa caixinha de fosforo e saiu mais caro do que os dias que restavam no hotel e o meu pai falou que ia marcar a passagem pra voltarmos, afinal de contas ja faziam quase trinta dias que estavamos ali.
E ele deve ter pensado que eu adoeci de cansaço de estar tanto tempo fora de casa.
E eu fiquei na minha, sentindo a barriga dar aqueles nós loucos que eu sempre sentia na epoca do verao.
E as passagens seriam remarcadas para antes do dia de voltarmos...
E o negocio era sair do local que estavamos isso sim...
E no caminho, quando estavamos procurando hotel, o meu pai mandou eu andar um pouco mais pra tras e ele começou a contar a historia das meninas que vendem a parte da frente pra pagar a faculdade, ele pensa que eu nao tava prestando a atençao e a minha mae dava ouvidos pra depois ficar falando que o velho e safado demais...
Tambem se ela nao desse ouvidos, o pau comia e depois que ele se afastou um pouco, nos estavamos no ponto de onibus pra pegarmos o onibus que passava ali perto de um local arborizado, e engradado, eu quis saber o que era que ele tava falando, e a minha mae comentou o que eu disse acima e eu ja tinha prestado a atençao em tudo, so era pra confirmar se o que eu tinha entendido era mesmo o que ele tinha falado...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nao tinha nada a ver, homens que nao faziam o meu tipo, pele morena e ja bastante enrugados, acho que saiam com as mulheres por dinheiro...
Prostitutos de praia, fazer o que?
Eram, eu acho que continuam sendo, mesmo depois de mais velhos...
E eu sempre, quando ia dormir sonhava com o Sandro, sem saber o que ele estava aprontando por aqui, talvez com a mesma de sempre... A Luciana...
Comemos um frango requentado com um tal de arroz primavera, eu ate que gostei, nao vi nada de requentado no frango e a minha mae, falando da historia da codorninha que eu chorei ao ver a tal codorninha e o homem da barraquinha da praia ate deu risada do meu comportamento e o meu pai tambem deu risada.
Tomei o meu refrigerante pra ver se descia a comida mais rapido e depois fomos pro hotel, alias, viajavamos pra ficarmos trancadas no hotel, quando muito iamos ao shopping nas lojas brasileiras que tinha ali no centro de Maceio, quase beirando à praia e o resto do dia era praia e o hotel, era dificil fazer alguma passeio.
O passeio maior era na Praia dos Franceses, uma das mais belas e mais famosas de la, porque as praias do centro, tinham bosta no meio das ondas.
E algumas vezes eu tava no meio da praia e sentia tipo um peixe assim esbarrando em mim, quando eu via era pura merda e quando eu falava pra minha mae, urgentemente ela saia d'água junto comigo, morrendo de nojo.
Eu tava muito ansiosa pra começar a vida nova que eu ia começar, a faculdade, tava doida pra ver como era uma faculdade...
Sera que na faculdade todo mundo ia deixar de zuar comigo?
Ficamos mais alguns dias la, e eu sofri de constipaçao intestinal, como algumas vezes ou em anos da frequentemente, acho que devido à minha cirurgia que eu fiz quando eu era menor.
E o meu pai começou a reclamar que nao tinha mais grana pra ficarmos la ate o final da viagem, como ele havia programado, e naquela epoca as coisas eram bem melhores, tinha a inflaçao mas havia tambem a reposiçao salarial, nao e como hoje, que tem inflaçao e o salario continua a mesma merda...
E nos começamos a procurar outro hotel, pousadinhas, e claro que com o incentivo do meu pai, pois eu nao tava com vontade de sair do Parque Hotel, e garanto que nem a minha mae tava com vontade de sair do mesmo, mas ele queria sair porque nao tava dando, segundo o que ele dizia, nao sabia do bolso dele naquela epoca, so sei que o meu pai sempre teve grana e nunca teve dificuldade financeira alguma...
Fomos numa pousadinha a beira mar que tavam terminando de servir o cafe da manha e eu vi aquelas vasilhas de cafe da manha bem pobres que dava ate do, os sucos todos tomados nas garrafas vazias e nao ficamos ali, eu achei muito estranho, mas como a gente nao mandava nada, o meu pai saiu de la, prometendo que iamos voltar...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um restaurante tradicional que servia uma comidinha caseira e gostosa, escuro por dentro e clarinho por fora, parecia mais um bar noturno, mas a gente gostava de comer Frango à Cabidela num outro restaurante menor que tinha la, um pouco mais retirado, perto das empresas aereas.
Tambem servia comida caseira e todas as vezes eu e minha mae iamos la, minha mae ainda tava nova, so que sempre sentindo dores pelo corpo, a diferença e que ela ainda tinha uma vitalidade maior, coisa que ela nao tem agora, o cansaço chegou e apoderou - se de seu corpo.
Afinal de contas, agora minha mae ja tem oitenta anos...
Iamos às praias de la, teve uma vez que esperavamos o meu pai que saiu pra nao sei aonde, ele chegou tarde, os restaurantes que costumavamos almoçar, fechavam mais cedo, ai so tinham os restaurantes da praia, e nao eram tao bons assim, as comidas podiam ser requentadas, e foi o que acabou acontecendo...
Fomos a uma barraquinha e o cara falou que o prato principal era Codorninha e eu, quando vi aquele mini frango, comecei a chorar de dó do coitadinho que morreu tao novinho, ou melhor... Mataram o franguinho tao novinho pra comercializar.
E eu fiquei falando pro cara tirar o franguinho da minha frente, porque eu nao sabia como era que o povo tinha coragem de matar uma coisinha tao novinha assim pra comer depois...
E o cara achou muita graça do meu jeito, eu acho que ele ficou pensando que eu nao tive infancia, e realmente eu quase nao tive infancia mesmo, por isso explica - se as minha atitudes e criancices de antigamente...
Infelizmente ali naquela cidade, nao tinha nada pra comer e nem pra ser comido, procuramos um lugar que servia pizza e nada...
Olhamos pra uma lanchonete e ate que deu vontade de comer, mas o problema ali era a minha mae, que sempre foi enjoada, entao voltamos e ficamos andando pelos restaurantes da praia e ai encontramos o meu pai que vinha do nada e a minha mae falou que tava com o estomago nas costas de tanta fome e o meu pai falou que iamos comer num restaurante ali perto, agora a minha mae ficava perguntando aonde o véio tinha ido e porque ele havia demorado tanto e ele ficou falando que ficou conversando com os filhos do Elvio na beira da praia, a hora passou e quando ele deu por si ja tava tarde...
E a minha mae sempre falando que ele nunca se preocupava com a gente, so fazia dizer que tava gastando muito...
E enquanto la fazia sol, em Sao Paulo chovia...
Aqueles dois filhos do primo dele eram uns verdadeiros galinhas, homens velhos que ficavam na beira da praia pegando menininhas novas ou velhas bem saradas...
O passa tempo predileto deles era futebol, mulher e cerveja...
Passa tempo da maioria dos homens de cidades praianas e de cidades grandes tambem, nao sei os do interior... Mas deve ser tudo igual...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

E esse pessoal vinha sempre pra encontrar com a gente, ate mesmo pra jantarmos fora ou entao ficarmos la no hotel.
E naquela noite fomos jantar fora e eu me lembro que a comida tava gostosa e o local era repleto de arbustos enormes onde dava uma fresca ao local quente e belo.
E o restaurante era de uma simplicidade total...
Lembro - me que a mulher falou que o garfo tava velho e trocou com o do lado que era o do marido dela e eu perguntei se ele nao ia se incomodar e ela disse que nao tava nem ai pra ele e que ela merecia era o garfo novo.
Achei estranho o comportamento da mulher, no minimo nao era boa coisa, pro marido aceitar esse tipo de coisa, porque se a minha mae tomasse o garfo do meu pai e falasse que nao tava nem ai pra ele, como a mulher falou, no minimo o pau comia...
E o meu pai ficou brincando depois do jantar enquanto a mesa estava cheinha de gente e eu so olhando - o sair de mansinho, o amigo dele queria era pagar o jantar e o meu pai falou que ia ali e levantou - se e o homem viu que ele vinha sorridente e perguntou bem humorado se ele tinha pago o jantar e ele disse que sim e gargalhou hem humorado mesmo.
E eu so observando a cena, sempre pensando no Sandro...
Como seria que ele estava com a Luciana, se eles tinham brigado ou nao...
Sei la eu...
Às vezes nao, às vezes eles deveriam de estar no bem bom ou entao ele nao devia nem dado as caras pra ela, deveria de estar era com outra mina.
Estavamos perto de chegar em casa, afinal de contas, muito tempo fora, loja fechada, muito tempo sem ve - lo passando perto de mim...
E depois voamos para Maceio, capital do estado onde o meu pai nasceu...
E os avioes que operavam ali so voavam de quinze a vinte minutos e eu ficava louca da vida quando nao ofereciam nada...
La em Maceio, sempre ficavamos no Parque Hotel, um hotel grande e nao era cinco estrelas nao, era um hotel de duas estrelas, no maximo, que parecia mais meia estrela do que duas estrelas...
Mais ou menos confortavel, de quartos grandes, banheiros grandes, e eu dormia numa caminha proxima ao banheiro, que o povo do hotel colocava uma cama a mais, porque o quarto era so pra casal, e nao tinha esse negocio de quarto triplo nao.
E a cama onde os meus pais dormiam, era as duas de solteiro com colchoes grandes e espaçosos, ja a minha era a mais simplesinha, parecia ate que era de armar.
Mas tava muito bom, ao lado do hotel tinha um salao de barbeiro que sempre era bem frequentado por muita gente, afinal de contas estavamos perto do restaurante O Toca.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ficavamos em um hotelzinho bacaninha, que tinha um cafe da manha gostosinho e que nos atendia muito bem.
Era uma posadinha chiquinha e gostosinha, nada de hoteis cinco estrelas.
Porque o dinheiro nao dava, ne?
Ou ate daria, mas o meu pai nao queria gastar e a gente tambem nao tinha cara e nem jeito de gente rica.
E eu nao fazia muitas amizades, assim como eu faço hoje.
Hoje em dia eu sou o Sandro de ontem, sou carismatica e tenho mais amigos, converso com todo mundo, trabalhar e fazer faculdade me abriu os horizontes e me fez enxergar o mundo de outra forma.
Podia nao ter me aberto as postas para o dinheiro, mais para ter amigos e para ser querida por todos, abriu e muito...
E agora eu sou mais feliz do que nessa epoca que eu estou relatando aqui.
Eu nem paquerava ninguem, afinal de contas eu era fiel ao Sandro, so que ele nao era fiel aos meus sentimentos, mas tudo bem...
Ele nunca me deu o fora, era assim que eu sonhava e pedia a Deus, um homem que nem se nao falasse nada, mas nao me desse o fora, sabendo que eu gostava dele, ele nem me falava nada...
Mas so que o pedido que eu fiz, foi errado.
Pois eu deveria de ter pedido uma pessoa que me amasse, que nao fosse comprometido e que me levasse a serio.
Mais na verdade, eu sempre tive medo de casamento, vai ver que era pelo que eu passava na minha casa.
Entao eu morria de medo de me casar, e passar pela mesma situaçao que a minha mae sempre passou e eu sempre junto com ela, passando pelas mesmas coisas, pois nos duas sempre fomos grudadas uma na outra.
Ficamos la em Recife, passeando pelas praias de la, praias que eu ja via a dois anos seguidos e eu ja tava ficando meio enjoada, eu e minha mae.
E as melhores praias ficavem bem distantes da cidade de Recife.
E as piores mais pelo centro, entao realmente as praias mais gostosas e as mais legais que eram ate cantadas por cantores famosos, conhecidos internacionalmente, assim como o Tim Maia e de outros cantores tambem que agora eu nao me lembro o nome, como a musica O Descobridor dos Sete Mares, eram as mais distantes e as mais belas do local.
Recife era uma bela cidade, o meu pai conhecia uma familia de la que nem parente dele eram, pois eram so amigos, somente amigos, ou sei la o que...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ate agora nao...
Ainda agora eu ate penso, so que nos tempos de hoje...
Coisa que eu duvido muito que venha acontecer, mas se acontecer, eu nao vou desperdiçar nenhum momento e juro que eu coloco aqui.
E eu ate me arrepiava toda, feito uma gata selvagem que ve um lobo enorme, o lobo das neves, sabe?
Aquela coisa maravilhosa, cheiroso, gostoso, tudo de bom...
Ele se parecia muito com o Matt Dillon, aquele ator de Drugstore Cowboy, e de outros filmes maravilhosos...
Meu Deus, o Sandro é aquele cara, ou aquele cara é ele?
Nao sei...
Só sei que se pareciam muito...
Aquele pensamento da mae dele chamando ele foi mera ilustraçao pois na hora do ocorrido eu nem sequer pensei nisso...
O que eu pensei na verdade, é que ele pegou o cartao com a maior raiva da mao da mae dele, ler, picar e jogar fora, bem pequenininho pra Luciana nao ver.
Porque afinal de contas, a Luciana era a futura esposa dele e jamais podia magoa - la com garotas futeis e esquisitas assim como eu...
Entao eu pensei nessa hipotese, mas mesmo assim eu resolvi mandar o cartao com a descriçao de que eu estava na praia da Boa Viagem e que a cidade era linda, e que era tao linda quanto Sao Paulo, so que com praia e eu nao me lembro se eu coloquei alguma coisa como: "Eu te amo!".
Mas eu devo ter colocado sim, agora que eu mandei um beijo pra ele, eu mandei...
Mas nao sei por que eu estou me lembrando desse cartao, afinal de contas, se e que ele sentia algo por mim e guardou e a Luciana leu e tudo isso foi a causa que os levou a terminar tudo, ou ele jogou fora logo em seguida ou entao guardou o cartao e agora a Silvia deve ter pegado, rasgado e jogado fora.
O cartao?
Daquele cartao que eu mandei, nem poeira existe mais...
Se ele nao jogou, no minimo a Luciana ou a Silvia se encarregaram disso...
E talvez ele nao deve nem saber disso.
Coloquei o cartao no correio, logo apos ter selado, toda feliz e fomos rumo ao hotel.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Recife é a maior cidade da regiao nordeste do Brasil e tambem a mais desenvolvida, tambem muito fedorenta.
O mercadao municipal de la dava ate nojo, pois fedia muito, devido à sujeira.
Mas os dias que passamos la, foram maravilhosos!!!
Ate comprei um cartao pra enviar ao Sandro, afinal de contas eu sabia o endereço dele, de cor e salteado, poi seria ali, naquele endereço que iriamos morar depois que casassemos, coisa que nunca aconteceu e nem nunca acontecera... Porque e mais facil eu ganhar na loteria do que me casar com o Sandro, talvez ate depois de eu ganhar na loteria, ai sim, eu me caso, isso se ele me quiser ainda...
Que foi sempre o que eu quis, me casar com ele...
E enfrentamos uma fila enorme, no shopping center Recife, que era o maior shopping da Regiao Nordeste, naquela epoca, segundo o que falavam e o que estava escrito naquela plaquetinha bem onde entravamos.
E eu adorava passear la.
Mas antes de eu colocar o cartao postal que eu havia comprado no correio para o Sandro, fomos comer naquela loja que tinha aquele bolo bonito, e eu sempre comendo com os olhos...
So que o bolo era ruim demais!!!
Mas era muito bonito e eu comi um pedaço e bebi uma Sprite e a minha mae pegou a dela, so que na Sprite dela tinha uma mosca dentro e ela reclamou e o rapaz trocou e depois ela me falou que nao tomava nunca mais Sprite, que ia dar um tempo, e ficou um bom tempo sem tomar da bebida, veio tomar a poucos tempos atras...
Eu achei muito estranho esse negocio de ter mosca dentro do refrigerante, no minimo eles nao o taparam direito e deve ter sido das fabricas de la mesmo.
E fomos pra fila, mas valia a pena o sacrificio, ou pelo menos eu pensava que valia, e eu acabei colocando o endereço no cartao e acabei falando pra minha mae que iamos aguardar na tremenda fila pois eu tinha que mandar o cartao pra um colega meu, e nao falei que era para o Sandro, afinal de contas ela so iria saber dele quando estivessemos namorando serio, que era o que eu mais sonhei e mais queria em toda a minha vida.
Ficamos na fila e eu enderecei o cartao postal e colocamos no correio e fiquei imaginando a mae dele chamando - o assim que ele chegasse da folga do exercito e ele ia ate ela e ela falava: "Olha so o que o seu amor mandou pra voce, meu filho, nao mostre isso nunca pra Luciana, pelo amor de Deus..."
E ele pegava e lia, com aquele lindo sorriso nos labios...
Lindo demais... Ja pensou aquela coisa gostosa me fazendo carinhos no rosto e me falando que me ama?
É...
Mas isso nunca aconteceu... Eu nunca consegui da parte dele!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

E eu fiquei com medo de falar alguma coisa, mais ele nao falou nao e se falou a minha mae achou por bem nem falar nada, porque nao tava adiantando mesmo, a minha mae deve ter falado que isso passava, como passou mesmo...
E quando eu fui levar o meu album de formatura pro Jehan ver eu passei perto da casa da Kelly e ela me pediu o album falando que ela queria ver e mais que depressa eu fui dando pra ela e falando que tava feio, ja dando a entender que eu nao aceitava criticas nenhuma e ela que tava falando com umas colegas dela ali em frente à casa dela, olhou as fotos, e quando chegou na foto que tavam as tres beldades da sala juntas, a Natalia, a Luana e a Luciana Zorzato, todas as tres sorridentes, ela falou mais ou menos baixo, pra eu escutar e nao entender... "Tingida" e eu perguntei quem era que ela tinha falado e ela me mostrou um pouco encabulada por eu ter escutado o que ela disse e eu falei que era aquela ali, a Luciana, que a gente chamava de Baratha, so pra falar que a Baratha nao era a ex namorada do Sandro.
E ela deveria de saber, porque a Valeria falou pra Iris que por sua vez deve ter falado com o Chris, que por sua vez deve ter falado pro Sandro, que pode ter falado pra ela ou nao...
Porque se ele tivesse falado pra ela, com certeza ela iria tirar satisfaçao comigo, e eu ficaria totalmente sem graça e levaria a pior...
Ou entao, ele falou e nao a deixou vir falar comigo e ate hoje ela nunca veio falar comigo, assim como ele que prometeu vir desde o inicio do ano de 2009 e nunca veio falar comigo, deve estar no bem bom com a Silvia a essa hora da tarde...
E quando estavamos saindo da Ilha Bela, naquela manha que saimos cedo, depois do meu pai conversar com o dono da casa e a minha mae ir falando o caminho inteiro, insatifeita com a casa da mulher, com o tratamento que a mulher havia dado pra ela, vimos a cozinheira dela ir em direçao à casa da mulher e o meu pai chamou - nos a atençao em relaçao à mulher que tava indo pra la fazer o cafe da manha pra suposta familia.
E a mulher ja tinha ate os cabelos brancos e gordinha, parecia ser bem mais velha do que a minha mae.
Meses depois o meu pai veio falando que a mulher mandou esvaziar a piscina so porque ela ficou sabendo que na ausencia dela a mulher do caseiro junto com seus filhos, e com o proprio caseiro, foram tomar banho de piscina e ela falou que nao admitia pobre tomando banho na piscina dela e isso ate implicou que eles acabaram mandando o caseiro embora e a minha mae falou, no meio da conversa que rico nao tinha socio nao, que rico tinha as coisas sozinho e o meu pai falou que tinha que ter socio sim, pra ele poder fazer as coisas dele meio estupido com a minha mae e ela ficou quieta...
Em uma tarde eu ia indo pra faculdade e eu nem me toquei e foi depois que o metro vinha saindo que eu vi a Luana toda feliz acenando pra mim, no minimo ela vinha do cursinho ou do serviço que ela devia de ter arrumado.
E ela tava toda bonita, magrinha, de calça delave apertada, como ela sempre acostumava a usar.
E nesse mesmo dia eu tava tao distraida e tao feliz por ela ter me visto e me acenado toda feliz e sorridente, que eu ate coloquei o meu pe no banco do metro e nao percebi os urubus que ficam la e um deles me fez sinal e eu, mais que depressa tirei o pe do banco do metro e depois acabei ficando totalmente sem graça.
Teve a inauguraçao do shopping Aricanduva, que hoje tem titulo de gigante, e a Valeria falava que o Jehan havia comprado um monte de camisetas baratissimas da Chevalier e em outras lojas de marca que haviam la, na epoca...
E eu havia comprado, bem no inicio do ano, uma agenda da Rebel que usei pra descrever as vezes que o Sandro passava na rua e pra anotar algumas coisas da faculdade e mais coisas sobre o Sandro... Pra me lembrar pro resto da minha vida, que sao coisas que a gente nunca esquece, o nosso grande amor... Uma comida gostosa, um animal bonito que a gente ve, alguma coisa que a gente passa e se lembra sempre, daquele dia legal e gostoso que a gente teve, de um amigo ou amiga legais, um momento agradavel que a gente passou e assim vai indo... Sao as pessoas que a gente nunca se esquece, vidas... O passado... Coisas maravilhosas... Coisas boas que eu sempre procuro nunca me esquecer e sempre vou relata - las pra guarda - las aqui...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

E minha mae deixou assando duas tortas deliciosas, daquelas bem recheadas que so ela sabe fazer, mas nao faz ultimamente porque engordamos muito e naquela epoca nao, naquela epoca ainda podiamos comer uma bela torta... E foi tomar banho, ao passo que eu e a Patricia fomos la e a Patricia o cumprimentou, depois que eu os apresentei, desejando - lhe um Feliz Ano Novo e eu tambem entrei no embalo dela, e a Kelly nem apareceu no presente momento e no minimo ela tava dando risada da minha cara e falando... "Olha a trouxona ai, vindo cumprimentar o amor da vida dela e eu to so nos beijos com ele..." Deve ter me mostrado uma banana com o braço, igual o Collor fazia e fomos embora e a Patricia perguntou se ele nao parecia com os filhos do Duilio e eu nem lembrava mais quem era o tal do Duilio e eu acabei me lembrando que era um ricao que tinha uma casa linda, que fomos la uma vez, colega do pai dela, e realmente eu me lembrei das faces dos tres filhos dele e percebi mesmo que todos eles eram adolescentes mas muito bem parecidos com o Sandro e o homem era bonitao mais nao tinha nada a ver com o pai do Sandro, 0 seu Alencar.
E eu voltei pra casa feliz, junto com a Patricia, e claro, so pelo fato de eu ter pegado na mao dele e nem me importei se a Kelly tava ou nao aos beijos com ele...
E eu tava percebendo mesmo coisa errada entre ele e a Kelly, que ele ate chegava do exercito e ia direto se enfiar la na casa da Kelly todo de farda e tudo era o que todo mundo me falava e eu so ouvia quieta e desiludida...
Pois ele queria todo mundo, menos eu... O que sera que eu tinha de errado, meu Deus do ceu, pra ele nao me querer, largar a noiva pra ficar sozinho, olhando pra mim, me demonstrando amor e ficando com as outras, assim nao dava nao...
Mas... Eu logo me conformava...
E naquele ano corrente, na mesma epoca da viagem que eles fizeram à Ilha Bela bem depois do Natal, quando eu e a Valeria estavamos brigadas porque ela era muito criançola, apenas quinze aninhos e eu vinte e tres aninhos, uma enorme diferença, e eu sempre falava que ia ser falsa quando a Renata vinha me falar que a Valeria queria voltar a amizade comigo, e era logico que a Valeria mandava a Renata falar que queria voltar a amizade comigo, e eu comecei a falar que se ela quisesse voltar, ela voltava mais que eu ia ser falsa eu ia, nao ia mais contar mais nada das minhas coisas, das minhas particularidades pra ela nao, porque ela nao merecia ouvir nenhuma das minhas confidencias porque eu nao iria mais ficar falando, ela nao tinha mais nada a ver com a minha vida, falei em frente às meninas, a Juliana, a Ligia, a Paula estavam todas aqui na lojinha... Ouvindo - me falar sobre o assunto e o Miguel, que sempre ficava xeretando o que estavamos falando ali atras do balcao maior onde as mercadorias ficavam em destaques e quando eu desci a minha mae começou a falar que nao era pra eu ficar falando essas coisas nao, porque senao ia dar mais confusao ainda e eu fiquei olhando bem pra cara do dedo duro do Miguel e ele olhando pra minha cara tambem... Me deu uma raiva, uma tremenda raiva... Porque ele tinha que falar, porque ele tinha que cuidar tanto assim da minha vida quando ele nem sequer conseguia cuidar da dele, se e que ele tinha mesmo vida, preso dentro de casa, acusado de ter tirado a vida de alguem com uma arma de fogo...
E outra vez que eu tirei um sonho de um filme que eu vi e comecei a contar pra Juliana e pra Simone que ja tavam de saco cheio de me ouvir falar do Sandro e elas ficaram escutando que eu sonhei que eu tinha um arem de homens bonitos, cheinho de homens bonitos, tudo mentira, e claro, so pra falar no Sandro eu inventei esse sonho e algumas outras coisinhas a mais que eu andei inventando somente pra pretesto pra falar nele, como quem nao quer nada, e eu me esqueci que o Miguel tava la dormindo, dormia ate sabe la Deus que horas, acordava tinha vez que eram tres horas da tarde ele ainda tava dormindo...
E eu falei que eu dava uvas pros outros e o Sandro ficava so olhando pra minha cara, como quem ele tambem queria as uvas das minhas maos mais eu nao as dava pra ele e os outros ficaram me abanando por causa do calorao que tava fazendo...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Pedrinho, aquele gato ciames que eu falei que tinha pedra nos rins, morreu no ano corrente, quando fomos ao Rio, na casa da minha tia e a dona Lourdes ficou la na lojinha pra gente e eu ainda olhei pra tras e fiquei olhando a lojinha aberta, o meu pai decidiu que ia pro Rio de ultima hora, como o de sempre e a minha mae perguntou pra dona Lourdes se ela ficava la pra ela e essa disse: "fico" bem baixinho e nos fomos... E quando chegamos em casa, recebemos a noticia de que o gato tinha morrido bem no colo do Miguel, tentamos o veterinario e de nada adiantou, trocamos a raçao do gato, mas o gato estourou de tanto fazer chichi, o rim do gato estourou... E o Marcos o viu chorar e tirou o gato da mao dele e enterrou - o no jardim e choramos quando chegamos em casa, por causa do gato... Coitado, tao lindo...
E naquele mesmo ano o seu Afonso, marido da dona Lourdes, morreu de cancer generalizado nos orgaos digestivos, o meu pai sempre o ajudava e sempre tirava o carro da garagem pra leva - lo no medico e o levou ao medio la no hospital do Tatuape, quando ele tava passando mal e o medico cutucou o figado dele e perguntou se ele bebia e ele disse que sim e que era desde os quinze anos de idade que ele bebia e o medico examinava e ficava quieto... Ate que um dia a dona Lourdes chamou todos os parentes, porque o seu Afonso nao queria ir pra Sao Carlos, ele queria era morrer ali mesmo e conseguiu com que as irmas dele fossem na casa da dona Lourdes e eu as vi, quando eu fui com a minha mae, visita - lo, ele tava com a barriga enorme e os bracinhos finissimos, ate que falamos com ele e eles acabaram mudando daqui e levaram ele de carro, direto pro hospital de la de Sao Carlos, e nao deu dois meses, ele morreu... E a dona Lourdes ligou contando que ele pedia pra cheirar o alcool e quando o Mauricio perguntou a senha do banco, ele falou bem baixinho do numero um ao seis e o Mauricio deu muita risada da senha do banco dele e o jeito dele falar... E eu tinha falado com o espirito que me disse que ele ia morrer em novembro do ano corrente e eu comentei com o Miguel bem alto que eu sabia quando o seu Afonso ia morrer e ele perguntou quando e eu falei que ele morreria em novembro e no final das contas, ele morreu um pouco antes e o Miguel nao gostou quando eu falei isso.
E quase no final do ano a Meire veio me falando que o Sandro tava querendo ficar com a Kelly e eu nem acreditei, pois se eles ja tinham namorado, pra que eles iam ficar de novo? Ele tinha que ficar com uma menina nova... E no caso dessa menina nova, teria que ser eu, ne?
Qual nada... Mas nao foi bem assim... Eles acabaram ficando mesmo, porque eu fui la cumprimenta - lo com a Patricia, porque eu tava apavorada e tinha mesmo que passar na rua dele e a Patricia foi comigo, afinal de contas a Adna tinha ido pro Parana e a Patricia nao quis ir e eu a chamei pra passar o ano novo com a gente, e ela acabou aceitando, pois nao ia passar o ano novo sozinha la na casa dela. E eu combinei com a Patricia e ela falou que beleza, que ela fazia isso por mim e eu fiquei toda feliz pelo fato dela ir comigo la na casa dele, mas nem precisou, porque em meio a varios fogos eu tava virando a rua dele, quando eu escutei: "Ta na Kelly." Uma voz de garoto falou e eu nem sei quem era, voltei junto com ela e fomos la e eu chamei e ai ele apareceu so de bermuda preta, credo... Ele tava passando o ano de bermuda preta e sem camisa... Mostrando aquele corpinho lindo que ele tinha... Nao sei se tem ainda, ne?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

E eu pressenti coisa ruim, tava com o coraçao apertado, nao sei se era o fato do Sandro estar querendo ficar com a Kelly no final do ano ou se era pelo fato de ter alguma briga aqui em casa, bem nessa epoca de final de ano... E eu dormi no quarto do meu pai sozinha, enquanto que a minha mae foi dormir no meu quarto, la na minha cama e eu sonhei que eu tava sentindo cheiro de cebola e via um cara bem branquinho caido no chao, desmaiado ou morto e parecia ate ser o Sandro e esse tava reclamando assim... "Ai meu pe." Tinha sofrido um acidente de moto e tinha machucado o pe, mas o Sandro nao tinha moto e andava so nas motos dos colegas dele, anos depois ele sofreu um acidente de moto la em Guarulhos, terra da atual mulher dele, e machucou o pe e deu ponto e tudo e foi tratar la no hospital do Tatuape, que os colegas dele o levaram e ele teve que fazer o tratamento la...
E a Valeria tava brigada comigo e querendo voltar a amizade e eu falando pra Juliana que eu ia agir com falsidade e o Miguel escutou e foi falar pra minha mae e quando eu desci em casa a minha mae me falou um monte e eu levei uma tremenda bronca por ter falado aquilo.
E o Miguel sempre dava dessas, certa vez ele escutou uma conversa minha e quando eu entrei em casa, ele me deu um negocio de ferro com a letra S e ficou falando Sango Lango e dando risadinhas e eu fiquei um pouco mais esperta com o que ele tava falando e evitei de falar coisas perto dele ou que ele percebesse...
E ainda a Valeria ficava falando que a pele dela era melhor do que a minha e que ela nao sabia o que eu ficava falando dela e a Juliana falou que as viu rindo do meu vestido novo que a minha mae tinha me feito e eu adorava aquele vestido e o achava lindo, mas como todo mundo pegava no meu pe, em relaçao às minhas roupas, entao... Eu ficava chateada com tudo aquilo e a Valeria tava falando com a Renata e eu ate escutei, porque eu nao me lembro o que eu falei em relaçao à ela e à pele dela.
O vestido era compridao, de estampas de flores e fundo azul escuro e a minha mae fez uma porçao de vestidinhos pra mim, desse tipo que eu adorava usa - los... Tinha um que era de listras largas e de amarrar nas costas, outro tambem de estampas indigenas e franzidinho na barriga, tinha varios que ela me fez e eu sempre desfilava com eles, uma vez o Sandro passou aqui com a turma da Kelly e perto dela, a mae dela junto e todo mundo me olhando, e ele tava com o filho da vizinha dele que chamava Elsa no colo e me falaram que ele adorava criança, e ele tava segurando o moleque grande de mal jeito porque o moleque nao cabia nem no colo dele.
E eu fiquei sempre olhando a Kelly voltar pra casa toda feliz com um monte de presentes na mao, falando que tinha ganhado dos colegas dela e eu imaginei o tanto de amigos e amigas que ela deveria de ter mesmo e que ela era bem popular e que por isso e que ele gostava mesmo dela...
E ela passando na rua toda sorridente e feliz e ja era bem final de ano mesmo e eu so ficava observando, tanto e que ela fez de tudo pra eu saber que eles estavam ficando no final do ano e a unica coisa que ela fez de bom, foi nao passar aqui em frente agarrada a ele e fazendo de tudo pra eu ver, graças a Deus ela nao fez isso, porque senao ia me machucar muito e muito mais...
A Celia me cumprimentou bem naquela tarde meio chuvosa cujo sol estava saindo, e eu fiquei feliz e a cumprimentei tambem e eu tava era provando os vestidos que a minha mae tava me fazendo pra eu passar o final de ano...
E eu sonhei com algo de errado e realmento foi o que aconteceu, porque eles tavam demorando demais pra chegar em casa e quando chegaram o clima pesou, a Andreia tava aqui conosco, so eu, a minha mae e a Andreia, que veio la do Guarani sozinha pra ficar aqui conosco, ou a Cleia tava ai na sogra dela e trouxe a Andreia, que queria ficar aqui e ficou mesmo e estavamos prontas pra sair quando o caminhao chegou, o meu pai desceu tenso, o Marcos desceu tenso e o homem nem falou nada e o Miguel saltou de tras do bau do caminhao e ai começou a discussao e o Miguel falando bem alto e começou a falar pro meu pai falar o que foi que ele falou da mae, falou que ela era arrombada, que ele tava la, falando com o caseiro da casa, e que começaram a discutir negando comida pra ele porque ele tava morrendo de fome e eles começaram a falar um monte pra ele e o meu pai falando que nao sabia que ele tava armado, e que quando eles tavam chegando aqui ele obrigou o caminhoneiro a parar numa farmacia e falou que queria remedio e fez o meu irmao descer do caminhao pra comprar as coisas pra ele, tudo isso porque ele tava armado e que ele nao sabia que o Miguel da situaçao pela qual o Miguel se encontrava, e que quase ele matou todo mundo que era o que ele falava o tempo inteiro, que ia matar todo mundo se ninguem fizesse o que ele mandasse e o Miguel mostrou a arma cinza dele e eu fiquei gelada, pensando que naquela hora, se ele quisesse, ele mataria todo mundo... Mas graças a Deus ele nao quis... E ele entrou em casa ameaçando e o meu pai pegou no telefone e ele apontou a arma pra todo mundo falando... "Se ele ligar pra policia, eu acabo com ele..." E o meu pai começou a falar com outra pessoa e eu e a Andreia ficamos aterrorizadas e ele falou que nao era pra nos preocuparmos nao, porque aquela arma que tava ali com ele era pra proteger a todos nos e o Marcos foi embora pra casa dele e quando o Miguel desceu com uma garrafa de conhaque na mao dele, tinha bebido o tempo todo e tinha falado muita besteira e o Marcos tava tentando defender o meu pai, e claro. Mas o meu pai tinha chingado a minha mae, ele chingou, disse eu tenho certeza, porque eu ja peguei varias vezes ele levantando calunias e ele falou e jurou de pes juntos que nao falou nada e o Miguel falando que eles o ameaçaram com as madeiras apontadas pra ele e eram grossas e pesadas, iam acabar com ele, iam tacar as madeiras com tudo na cabeça dele, bem na beira da piscina e que o caseiro que estava bem ali, nao deixou isso acontecer, senao era pra ele ou alguns deles estarem mortos naquela hora que ele tava falando, e eu fiquei com muito medo, so de pensar nessa possibilidade de acontecer isso... Mas, no final, ele saiu com muita raiva de casa, e nos escutamos um tiro e a minha mae ainda ficou lutando com ele, pra ele nao sair armado de casa e eu com medo daquela arma disparar, e ele conseguiu escapar da minha mae e se foi, rua à fora e o meu irmao Marcos ainda escutou um tiro e falou... " Ih... Esse ai ja era!!!" E eu fiquei com medo e entramos e a minha mae nao dirigiu nenhuma palavra ao meu pai e a Andreia ate foi embora, eu acho que foi o Marcos que acabou levando a menina pra casa dela e depois ela contou tudo pra Cleia e essa ficou horrorizada com a situaçao...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eles ficaram brincando naquela piscina maravilhosa e o menino ficava chamando a Nana toda hora e ela nao tava nem ai com ele, so queria saber da Andreia...
Depois todo mundo saiu da piscina pra almoçar em plena cinco horas da tarde... E eu fiquei sentada em frente à mesa e de repente as comidas começaram a vir e a mulher falou em alto e bom tom, que tinha picanha, tipo gente que nunca viu picanha ou ela pensou que nunca tinhamos visto esse tipo de carne... "Olha, tem picanha..." E vieram duas travessas com a carne estendida, so a carne, nada de batatas coradas pra decorar a carne e fazer a refeiçao descer melhor... E o feijao? O feijao era horrivel... Muito ruim mesmo... Com toucinho no meio, nao gostei do tempero da mulher...
A mulher mandou alguns dos empregados que estavam la, sentarem à mesa e enquanto a gente se servia ela olhou pro prato da minha mae e começou a falar: "Nana, nao e pra voce comer que nem peao, voce tem que comer pouquinho, nao fica lotando o prato que nem peao nao, senao nao da..." E a minha mae sentiu que aquilo foi pra ela, porque depois ela me falou e eu dei risada e falei que era pros caras que estavam la, a mulher do caseiro e mais nao sei quem que tavam com seus pratos cheios e o pior que estavam mesmo, mas quando a mulher falou, eles deram risada e continuaram comendo...
E a minha mae reclamou da comida bem baixinho pro meu pai e falou pra ele apressar logo as coisas, porque ela nao tava querendo dormir la e toda vez que o meu pai ia falar com o homem, ele falava que ja ia resolver sobre o serviço logo e ficava fazendo hora, falando com o meu pai e com os amigos dele e a piscina foi acesa, com aquelas luzes lindas, que deveriam ser a prova d'água no minimo e eu vendo tudo dali e falei pra minha mae que tava anoitecendo e que infelizmente teriamos que dormir ali.
E o meu pai acabou entrando e fomos alojados num quartinho bonitinho que tinha ali e os filhos dela ficaram jogando comigo e era um jogo de perguntas e respostas e eu respondi sem muita certeza e o meu pai reparou nisso e falou que eu nao tava com certeza de que eu sabia mesmo a resposta, e a minha mae ali fazendo croche, enquanto ele tava deitado observando a nossa brincadeira.
E depois disso eu fui pra sala e a mulher tava la sentada e eu perguntei pra ela se ela votava em Sao Paulo e ela disse que nao, porque ela ja tinha colocado o titulo de eleitor dela pra votar la na ilha mesmo, porque em epoca de ferias e feriados ela ia pra la, e ficava direto com o marido e as crianças... E ela tava um pouco cansada, toda esticadona no sofa dela, e eu via a Andreia brincando com a menina e toda vez elas comiam um pedaço da torta que a minha mae fez e me pegaram comendo a torta numa hora que eu tava com fome, eu e a minha mae e foram todos la, nao so a Andreia, que sempre foi fominha, como tambem os meninos da mulher... E tivemos que dar um pedaço pra cada um, mas a torta ficou no carro pra gente comer depois que batesse aquela fome, mas a Andreia foi la e pegou a chave do carro com o meu pai e pegou a torta porque os meninos da mulher estavam encima e a mulher nem comeu a torta que a minha mae fez e eu acho que foi porque ela ficou sabendo que foi a minha mae que fez e se ela nao tivesse sabendo, se ela soubesse que era eu que tinha feito, talvez ate ela tivesse comido um pedaço ou a torta inteira, porque ela podia estar pensando que tinha pedaços de letras da faculdade... Porque ela se orgulhava de falar pra todo mundo que eu era filha do marceneiro e que eu tava fazendo faculdade, como se eu fosse uma rainha, uma princesa, ou uma cinderela, e a Andreia brincando de Barman com a menina que servia sempre um pedaço pra ela e ela comia de bom gosto e eu morrendo de fome e sede, la na casa da rica...
E reclamei pra minha mae que tava morrendo de sede e depois a minha mae falou que tambem tava e o homem tava falando com o meu pai e falou pra mulher dele que iamos dormir la e que era pra ela preparar as coisas e a mulher perguntando de la, com o maior pouco caso: "Por que? Ela nao trouxe?" E depois ela foi la no quarto, de cara feia e falou pra minha mae, com a maior mal criaçao, que outra vez quando a minha mae saisse de casa, que saisse prevenida e a minha mae ficou ate sem graça, e ela nos deu as coisas, ou melhor dizendo: Ela deu tudo na mao da minha mae, assim... Com a mao estendida com um pouco de nojo se a minha mae fosse encostar nela... E a minha mae pegou as coisas, estendeu as roupas de cama pro meu pai, reclamando que ele podia ter falado com o homem, pra ela nao passar essa vergonha que ela tava passando e eu fiquei so escutando, estendi a minha cama e acabei dormindo, na verdade, eu nao tinha nem levado roupa de cama, nem roupa de banho, mas algum jeito eu dei...
E saimos quase cedo, o homem falou que depois telefonava pra acertar todas as medidas numa conversa rapida que tava tendo com o meu pai e a minha mae foi reclamando do lugar que era feio a viagem inteira, realmente a cidade era bonitinha, com um monte de barquinhos parados ali na praia que parecia ser meio funda e chegamos em casa exaustos... Depois era so eles trabalharem a valer no serviço da mulher...
E bem proximo ao Natal, eles ja estavam com o serviço pronto e o Miguel que ajudou a fazer o serviço, falou que ia ajudar a montar e a minha mae concordou, falando pra ele tomar cuidado e ter paciencia com eles.
E acabaram indo logo depois do Natal e iam voltar antes do Ano Novo, passando bem uns tres dias la, e voltando la pro dia trinta de dezembro mais ou menos e os dias estavam bem quentes e ia ficar eu e a minha mae aqui em casa, so nos duas, enquanto eles desceram pra la pra Ilha Bela pra montar o serviço do homem que fomos la na casa dele e eu contei o fato aqui, queria que tudo ficasse pronto antes do Ano Novo...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O camarao tava uma delicia, foi isso que nos sustentou aquela tarde e fomos um pouco à praia mais nem entramos e o meu pai nos deixou ali embaixo de umas arvores e falou que ia andar um pouco e depois voltava e nos ficamos ali, ele voltou e a minha mae viu um monte de borrachudos nas costas dele e falou pra mim, chamou - o e começou a bater nas costas dele pra tirar os borrachudos e falando pra ele colocar a camisa, porque as costas dele estava cheia de borrachudos e resolvemos ir embora de la, pois tava começando a esquentar muito e quando chegamos, a festa com os canapes e bebidas, rolava a solta, enquanto estavamos com a barriguinha quase cheia, ficamos bem mais tranquilas e aquela gente toda tava la ainda, gente chegando e gente saindo e os que estavam saindo, era bem capaz de estarem saindo pra almoçarem um bom almoço...
E nos tinhamos chegado de um almoço mais ou menos bom... E a minha mae reclamando que era pouco e falando que a Andreia tava sofrendo ali, com fome e o pior que ela tava mesmo...
Depois que chegamos, ainda ficamos ali e eu via a Andreia na piscina com os filhos da mulher e eu fiquei com vontade de entrar e no fim o menininho do meio falou pra eu entrar e eu acabei entrando.
Aquele menininho do meio ficou falando que la eles tinham sauna e ficou perguntando se eu ja tinha ido numa e se eu sabia o que era uma sauna e eu falei pra ele que eu nunca tinha ido numa mas que eu sabia o que era uma sauna e eu falei pra ele que eu numa mas que eu sabia sim o que era uma sauna...
E ele pediu pra eu explicar, so pra me testar, pra ver se eu sabia mesmo... E eu expliquei tudo pra ele, como era uma sauna e ele aceitou a minha resposta.
O menino mais velho me convidou pra passar o ano novo la, primeiro ele me perguntou onde eu ia passar o ano novo e eu respondi que nao tinha planos de viajar, que eu gostava de passar na minha rua, porque tinha bastante queimas de fogo e eu passava o ano na casa das minhas amigas e ele falou novamente pra eu passar la, pois la tinha a melhor queima de fogos da regiao e que era o pai dele que fazia e que no ano novo a casa la ficava cheinha de gente, muitos convidados de fora, ate mesmo gente do exterior...
E eu fiquei ate sonhando, ja pensou eu la, e aquelas taças lindas de champanhe, mesa farta e a mulher falando pra eu comer e ficar a vontade la, e me apresentando pra toda aquela ricada que tava la e falando que eu tava fazendo faculdade e era a filha do marceneiro, sera que ela achava que filha de marceneiro nao fazia faculdade? Porque nao tinha grana pra pagar?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

E a magrela de pele branca, rosto comprido, olhos e cabelos negros, continuou me olhando feio e eu peguei na mao de cada um, educadamente, e eu comecei a perceber que ela tava me olhando feio por cauda do veio dela, um homem muito mais velho do que ela, que tava sempre do lado dela e de maos dadas com ela...
E eu nem liguei, pois eu nunca gostei de velho mesmo, se ela soubesse que o cara que eu gostava nao tinha grana mais era dono de uma beleza... Um perfume... Se vestia muito bem... Nao andava com qualquer camiseta que nem aquele velho esquisito e grisalho que tava do lado dela, nada a ver... Eu tenho gosto e ela so quer grana... Podia ate gostar de velho, mas o que comandava ali era a grana...
Trouxa, trouxa, e o pior e que o trouxa devia saber disso... Que qualquer bonitao pobre que estralasse os dedos pra ela, ela iria, inclusive o Sandro, se ela tivesse conhecido, ela era bonita, porem deveria ter uns trinta e poucos anos...
A mulher continuou falando com as outras e falou que a Lili depois iria meditar junto com o marido dela, e eu fiquei imaginando os dois quietos, sentados de gueixa, la de olhos fechados, pensando em nada... No minimo ela ficava assim nas meditaçoes... "Ai sera que ele vai me dar grana pra eu ir la no Ibirapuera comprar aquela blusinha e aquela calça da M Officer?"
Enfim... Enquanto ele meditava serio, ela deveria meditar pensando no que iria fazer com a grana dele, o que ela iria poder comprar, e claro...
E nao demorou muito a mulher me levou dali e ficamos sentadas ali conversando na varanda da casa dela e vendo o marzao lindo e ela me perguntava um monte de coisas como se fosse uma amiga confidente minha e eu falava normal, so que com a minha mae ela nem queria conversa... Nem queria saber dela...
So queria mesmo era fazer sala pra mim e ficar me exibindo pra todos e eu fiquei do lado de fora, comendo canapes com a mulher, o garçom vinha e trazia e ela ficava falando: "Quer canape Miriam?" e eu, morrendo de fome, aceitava um, enquanto que almoço, nem pensar...
E tinha uma velhinha la, que era bem magrinha, deveria de ter sido uma moça muito bonita, que tava com um maio estampado e eu comentei com a minha mae que o corpo dela era muito feio e a minha mae falou que era corpo de velha...
Tinha muita gente com maio e biquini pra entrar na piscina da mulher, e eu tava vendo que ali eles iam tomar um bom banho de piscina e o meu pai nos chamou de cantinho e acabamos deixando a Andreia la com a menina, pois ela tava era se interando muito bem, arrumou uma otima amizade, sempre nas brincadeiras dela...
Antes disso, nos estavamos sentadas ainda dentro da casa, quando a mulher chamou a empregada, que era uma senhora de cabelo branco e meio baixinha e gordinha e falou pra ela fazer picanha, toda metida, e claro e aquele feijao que so ela sabia fazer...
E eu pensei que o feijao deveria de ser muito grosso, ate mais gostoso do que o feijao da minha mae...
E saimos pra procurar restaurante pra almoçar e achamos um bem pequenininho, que serviu um camarao empanado delicioso, mais so eram tres camaroes empanados que estavam num espeto, era um pra cada um, arroz, salada de maionese e mais um pure de batata, mas o arroz era branco e eu sempre detestei arroz branco...
E antes do almoço vir, meu pai pediu como aperitivo, um copao de uma bebida chamada Campari que tinha cravo e canela, bem gelada e eu bebi um pouco e depois que ele me ofereceu eu falei pra minha mae, que ele tava me levando pro mau caminho e ele falou que nao, que eu tava ali com ele e que nao fazia mal eu beber, mas so ali com ele...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tivemos que pegar balsa pra irmos ate la, e o meu pai sempre falando que la era bonito e que eu ia gostar, e chegamos ao local e fomos diretamente pra casa do cliente do meu pai, e nem sabiamos o que nos encontraria la naquela casa, e pra se prevenir a minha mae fez uma deliciosa torta salgada, de sardinha, bem grandona mesmo e a Andreia foi conosco, nao sei se era na epoca em que a Cleia ainda morava com a gente...
E tivemos que passar por ruas de curvas e de barro, ali parecia que quando chovia, o negocio ficava feio, com enormes buracos que nem caminhao passava.
E conseguimos passar pelos caminhos tortuosos ate chegarmos à belissima mansao do homem e esse nos recebeu muito bem mesmo, o problema so era a metida da mulher dele, esse nos comprimentou muito educado, um homem alto, gorduchinho, de cabelos e olhos castanhos escuros e carinha cheia, tinha mesmo era cara de pobre, nao de rico.
E a mulher nos cumprimentou com simpatia no inicio, sempre maquiada e alta, bem magra mesmo e tinha tres filhos, a menina era apelidada de Nana, mais um molequinho nojentinho, e feinho, de pele morena com umas manchas brancas de bicha na pele...
E mais um outro mais velho, pouca coisa mais velho do que o nojentinho...
E a piscina era belissima, e eu fiquei logo com vontade de entrar na piscina, naquela agua gostosa, ja que o meu forte era e sempre foi por piscinas e nao por praias...
E eu ja estava com o estomago vazio, pois saimos cedo de casa e nem tomamos cafe direito, afinal de contas o meu pai avisou - nos que nao precisavamos nos preocupar porque iriamos logo pra nossa casa, nao dormiriamos la e fomos todos sossegados e naquele tempo eramos so nos tres que andavamos juntos, nao era como hoje, que o Marcos ta sempre junto com a gente...
E a mulher nos convidou pra tomarmos um cafe e a tal da Nana estava tomando leite com cereal de chocolate, toda mentida.
A menina era uma gracinha, bem magrinha, tambem de pele morena, cabelos lisos e meio claros olhos tambem escuros, do rostinho cheio, toda delicadinha...
E tomamos o cafe, logo depois a mulher foi receber seus convidados e o meu pai queria falar com o homem, sobre o serviço, e ele mandou - nos ficarmos a vontade na casa dele e a mulher fez questao de nos mostrar a casa dela, de inicio ela tava falando comigo e com a minha mae, mas o mal que a minha mae fez foi ter reclamado de borrachudos, pois nos sempre fomos alergicos a isso e os bichos estavam todos encima da perna dela e o homem se ofereceu gentilmente pra passar o repelente na perna da minha mae, dai por diante, tudo o que a minha mae perguntava, ela respondia estupido e com mal criaçao, tenho certeza que ela sentiu ciumes da minha mae, uma senhora de sessenta e dois anos na epoca, e a minha mae nunca demonstrou interesse por homem nenhum, quanto fara pelo marido das outras... Com o tempo, conversa vai e conversa vem, a mulher me perguntou o que eu fazia da vida e eu acabei falando que fazia faculdade e dai por diante a mulher começou a demonstrar mais interesse ainda por mim, me cobrindo de atençoes ela ate me apresentava pro pessoal rico, falando que eu era a filha do marceneiro, mas que tava fazendo faculdade, e ela ate falou pra eu usar o banheiro do quarto dela e ficar bem a vontade e foi o que eu fiz, mais que depressa fui usar aquele banheiro enorme e chique que ela tinha, tinha um banheiro que era feito numa pedra que tinha la na casa e eu fui naquele tambem...
E quando eu desci as escadas ela me viu descendo e falou pra uma magrela, que começou a me olher feio: "Lili, essa e a Miriam, a filha do marceneiro, ela faz faculdade..." continuou falando, ate entao eu achei que a mulher tava louca e que ela nunca tinha visto alguem que tava fazendo faculdade, ou o sonho dela era esse, ou entao ela chegou a entrar na faculdade mas nao conseguiu terminar pra dar uma de madame... De rica... Ate eu... Se tivesse um ricao...