- Entre outras coisas.
Eles estavam realmente vivos?
Parecia impossível. Impossível.
Cautelosamente, levantou a mão para tocar a testa, que latejava. Sentir dor ao erguer o braço. Examinou um pouco e sentiu algo viscoso, ainda quente e pegajoso. Sangue.
Deve ter colidido com algo muito duro. Não se lembrava de ter atingido nada, mas quando o avião estava caindo, tudo parecia voar na direção dela - uma bolsa de couro, um salto alto, um livro. Era como se estivessem no espaço: astronautas em gravidade zero.
- Você chegou a perder a consciência?
- Não.
- E não está ferido?
- Não.
Podia vê - los no jatinho, sentir o terror, a fumaça, o sangue e o medo, e ainda assim estavam aqui, em uma ilha remota da costa de onde? No meio do Atlântico?
- Onde estamos?
- Perto da costa da África, acho.´
- É impossível. Não havia terra...
- Nossa excelente tripulação encontrou.
- Onde está o avião?
- Lá. Todos estão do outro lado das árvores.
- Estamos assim tão perto da água?
- Paramos muito próximo da praia.
- Temos sorte de estar aqui.
- Muita.
Ela olhou ao longe, vendo a interminável linha de água escura, sentindo a umidade pesada no ar.
Ela não conseguiu assimilar isso tudo.
O perigo ainda era tão recente, tão real, não podia acreditar que sobreviveram relativamente incólumes.
Seu coração se apertou. E os outros? Tinha de saber sobre sua equipe. A maioria das mulheres que trabalhava para ela ainda não era casada, mas ainda era a filha, a irmã, a namorada de alguém. Tinha de vê - las. Tinha de saber os fatos.
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