sábado, 6 de agosto de 2011

- Entre outras coisas.

Eles estavam realmente vivos?

Parecia impossível. Impossível.

Cautelosamente, levantou a mão para tocar a testa, que latejava. Sentir dor ao erguer o braço. Examinou um pouco e sentiu algo viscoso, ainda quente e pegajoso. Sangue.

Deve ter colidido com algo muito duro. Não se lembrava de ter atingido nada, mas quando o avião estava caindo, tudo parecia voar na direção dela - uma bolsa de couro, um salto alto, um livro. Era como se estivessem no espaço: astronautas em gravidade zero.

- Você chegou a perder a consciência?

- Não.

- E não está ferido?

- Não.

Podia vê - los no jatinho, sentir o terror, a fumaça, o sangue e o medo, e ainda assim estavam aqui, em uma ilha remota da costa de onde? No meio do Atlântico?

- Onde estamos?

- Perto da costa da África, acho.´

- É impossível. Não havia terra...

- Nossa excelente tripulação encontrou.

- Onde está o avião?

- Lá. Todos estão do outro lado das árvores.

- Estamos assim tão perto da água?

- Paramos muito próximo da praia.

- Temos sorte de estar aqui.

- Muita.

Ela olhou ao longe, vendo a interminável linha de água escura, sentindo a umidade pesada no ar.

Ela não conseguiu assimilar isso tudo.

O perigo ainda era tão recente, tão real, não podia acreditar que sobreviveram relativamente incólumes.

Seu coração se apertou. E os outros? Tinha de saber sobre sua equipe. A maioria das mulheres que trabalhava para ela ainda não era casada, mas ainda era a filha, a irmã, a namorada de alguém. Tinha de vê - las. Tinha de saber os fatos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário