quarta-feira, 30 de setembro de 2009

E o salao ja tava pra fechar, quando nos fomos embora, so tavam la a vo da Cris que ajudou a festa inteira, juntamente com a tia dela, todas felizes, porque a neta dela tava completando quinze anos e nos fomos embora, deixando a familia la, nao me lembro como, so sei que quando chegamos aqui, bem proximo à nossa casa, a amiga da Meire, uma gorducha muito charmosa, que tinha acabado de se separar do marido, nos chamou pra irmoa a um tal barzinho e eu, como nunca havia ido nesses negocios, eu ate me assustei, estavamos perto de casa, os meus pais tavam dormindo e a Cleia tava recebendo um convite daqueles daquela mulher que ia ver se a Meire ligava pra nao sei quem nos levar de carro por suposto barzinho e quando amanhecesse o dia os meus pais iam perguntar a hora que chegamos e tinhamos que dar uma desculpa bem boa no cafe da manha, com a cara amassada de sono...
E logicamente que eles iriam desconfiar e eu fiquei torcendo para que a Cleia resolvesse nao ir, afinal de contas nos tinhamos a Andreia la e essa ainda era uma criança, nao muito pequena mais ainda era uma criança...
Ainda bem que o suposto barzinho nao deu certo, pois assim fomos pra nossa casa dormir e descansarmos bem para estarmos bens no domingao que viria ai...
A festa da Cris ainda deu o que falar por um bom tempo e todo mundo vinha na lojinha e a gente ficava conversando e dando risada, depois dessa suposta festa, eu nunca mais falei nem sequer do Jehan e nem falei mais no tal do Chris que eu tinha conhecido naquela festa...
E bom conhecermos sempre gente nova, nao e, mas gente que valha a pena pro nosso futuro, e claro... Mas a vida e assim mesmo, ate ai eu nem pensava e nem sabia o que ia acontecer dai por diante...
Simplesmente, naquela manha eu fui pra casa da Alessandra, falando pra minha mae que eu voltaria pra almoçar, pois eu morria de nojo das coisas que tinham na casa da Alessandra, porque la eles tinham gatos e cachorros e tudo la cheirava a cachorro, nao a gato, porque os cachorros ganhavam dos gatos dela, de tao fedorentos que eles eram...
E a minha mae falou que ia me fazer uma omelete deliciosa e eu fui embora pensando nessa tal omelete deliciosa que ela ia me fazer... E eu fui pra casa da Alessandra com um conjuntinho que eu tinha curto por sinal... Azul petroleo, com um minusculo shorts e uma blusinha que mostrava um pouco a barriga e fui la fazer o tal trabalho, que era um teatro que iamos apresentar, talvez ate aquele mesmo que deu aquela tremenda confusao, que ela fez, ela me colocou pra trazer todas as coisas do teatro, ja contei no capitulo anterior...
E eu fui pra la e a minha mae nem notou ou fez que nem notou ou entao ela nem se importou com a minha roupa, a roupa que eu tava, porque se ela tivesse notado, no minimo ela teria falado um monte pra mim, ate eu tirar, eu nao sei se aquela roupa me trouxe sorte ou se me trouxe azar em minha vida, so sei que me trouxe Ele...
E a mae da Alessandra ficou perguntando se aquela roupa que eu tava nao tava muito curta nao e se eu ia pra escola assim, daquele jeito e eu falei que nao ia assim, que eu ia passar em casa, ia trocar de roupa e almoçar e ela ficou me oferecendo almoço, falando que a comida ja tava quase toda pronta e eu sempre falando que nao e que a minha mae ja tinha ate encaminhado a omelete, tudo mentira, e claro... E que eu tinha nojo de comer la... Sabe quando voce tem nojo de comer na casa de uma pessoa e faz de tudo pra nao comer la? Na casa dela, nao dava nao... Porque fedia a cachorro como eu ja falei e eu sempre fui enjoada quanto a isso, como eu sou ate hoje, a receita do bolo que elas comeram em casa, e fizeram no aniversario da Alessandra, no ano anterior, jamais ficou igual à que a minha mae fez pro meu aniversario em 1990.
Jamais ficou igual... Aquele gosto de oleo acompanhava a tudo, ate mesmo a Alessandra, cheiro de oleo velho e ainda se sentia... Nao sei se elas jogaram oleo encima do bolo, nao sei o que foi, so sei que ficou ruim demais... E eu tive que ser falsa o suficiente pra rir e falar que tava igualzinho ao que a minha mae havia feito... Mentira deslavada... Que nojo!!!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Bigode tava sentada ali perto e a mae dela nem foi à festa e nao sei como ela a deixou ir à festa e dançar, porque ela nunca deixava a filha dela fazer nada... Ate parecia que ela era feita de vidro, a coitada... Qualquer coisa... Quebrava... Ela era uma das quinze meninas que dançaram de branco na festa e o Eduardo, o neto do Cabo Cruz e namorado dela, era o par dela na dança da festa de quinze anos da Chris.
E a Bigode sempre foi revoltadinha, era bonitinha, bem magrelinha, corpinho muito bem feitinho, e gostava de falar que tava tomando remedio pra engordar, enquanto a maioria sempre tomava remedio pra emagrecer, ela dizia que tomava era pra engordar e que tinha ido se pesar la na pracinha e tinha visto que havia engordado um quilo, dois quilos e ai vai... Mas so que agor ale nem consegue mais emagrecer, isso sim... De tanto que ela tomou remedio pra engordar, se tomou mesmo ne?
Eu nem tava sabendo do assunto e ela disse que se tivesse jogo de luz na festa, igual à danceteria, ela ia levantar pra dançar e ia tropeçar na Meire e eu nem estava entendendo o porque dela fazer isso e depois que eu entendi, porque a Juliana que estava la junto com a gente, ela me contou que a familia do Basilio, o povo da lanchonete, vizinho da gente, eram parentes dela, e que o pai dela era o Duarte, e a mae dela andou com o Duarte e teve ela e a minha mae ate hoje acha que ela nao e filha desse povo e a Juliana sempre falou que ela tinha dois sinais de ser parente deles, de ser mesmo a filha do Duarte, um deles era o nariz de portugues e a outra era os cabelos brancos, mal a menina tinha treze anos e ja tinha os cabelos brancos, e o maior charme dela era o Bigode e ela falava que mulher de Bigode nem o diabo pode...
E eu fazia que acreditava, disse que a mae dela saia com o Duarte, que estava em questao e a mulherada da epoca gostava de brigar por causa do Duarte, e eu achava graça disso tudo, pois o cara era feio e descuidado demais...
A minha mae sempre falou que ela nao tinha nada a ver com o povo da lanchonete e que isso ai era lorota e que o pai dela era outro e que a mae dela deve ter andado com ele, so que o outro nao quis assumir e por eles terem todo aquele predio, ela entao dizia pra filha que o Duarte era pai dela somente pra iludi - la e pra mostrar pra todo mundo que ela era e sempre foi capaz de sair com um deles..., Somente pra mostrar que ela podia...
E eu so fiquei escutando... E o final da festa? O final da festa, voce sabe como e ne?
Eu nem vi mais ninguem, mais nenhum daquele pessoal la que eu estava conversando, as pessoas novas que eu conheci e a minha irma estava muito feliz de ter ido à festa, afinal de contas, na minha casa ninguem podia sair pra se divertir, nao tinha isso... Diversao era coisa de gente que nao prestava, ainda mais se saisse à noite pra ir pra balada... Jamais...
Entao... Qualquer festinha que tinha ou que tem ate hoje, pode ser ate no quintal da vizinha com musica e um copo d'água, que pra gente e uma festa de arromba...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

E nem precisava de tomar banho, e claro, tendo aparencia era o que importava tanto para os meninos como para as meninas, quem viveu aquela epoca sabe do que eu estou falando ou vai achar exagero meu, pois usava roupas de marca, admirava quem usava, ou sei la eu...
Mas que era verdade, era verdade, e ate hoje eu sei de gente que ainda usa roupas de marcas, e ensina ao filho usar tambem, um caso desse e o Sandro... Que no minimo o filhinho dele usa roupas de marca, pois anda igualzinho...
E a musica começou dando enfase à festa, e os meninos que estavam dançando, cada um dava espaço ao outro, mostrando a sua desenvoltura ao rodar ao chao e deixando todo mundo boquiaberto, com suas performances e la foi o Chris, na vez dele, e claro, com o Nike Air nao sei das quantas que o pai dele tinha acabado de comprar pra ele, especialmente pra ele ir à festa, todo vermelho com branco e bem altao, com transparencia dos lados e eu achei o tenis a coisa mais linda do mundo, nao pra ir a uma festa de quinze anos, ne? Mas, fazer o que... E eu so fiquei admirando a desenvoltura do moleque magrelo que usava uma calça jeans que tambem era de marca, no minimo, e claro... E o Jehan, nao me lembro com qual tenis ele estava, so me lembro da roupa, que era bem clarinha em tons marrons, a calça bege clarinha e a camisa listradinha de bege mais pro tom marrom e eles estavam muito bem vestidos, mas so que todas as roupas eram caras e de marca... Fazendo - os estarem todos completamente inseridos à sociedade que so aceitava gente que andava com roupas de marca, nao uma pessoa humilde assim como eu...
Os meninos ja eram altos e bem magrelos, imagine com um tenis daquele porte...
E depois da musica, teve o bolo, que foi cortado rapidinho, mas eu acabei me separando daquele povo metido a rico e fui sentar com a minha irma que tava falando com gente mais velha, mais madura e mais experiente na vida, era com esse tipo de gente que eu tinha que andar, que eu tinha que me conectar, nao com um povinho que ia ser dificil de me entender e de me aceitar do jeito que eu sou, eu sempre percebi que as pessoas mais velhas sempre gostavam de mim e do meu jeito e que sempre me inseriam na sociedade deles e sempre me davam bons conselhos para que eu, antes de gostar de alguem, eu tinha que gostar de mim mesma, e eu nunca fiz isso, deixava eu pra ela e ficava gostando primeiro dos outros... Sempre gostei das pessoas sem antes gostar de mim mesma e deve ser por isso que nunca esse negocio deu certo...

domingo, 20 de setembro de 2009

Mas na epoca eu nem pensei nisso... E se eu conhecesse o Sandro, talvez eu achasse que os dois combinavam mesmo.
Mas se o Sandro fosse, no minimo ele levaria a Luciana a tira colo e e claro que eu nao ia poder olha - lo muito, ne?
A Kelly nao era nenhuma Miss Universo nao, mas era bontia, em vista das meninas que se encontravam na festa, ela era a mais bonita, a Risolene seria a segunda colocada e a Patricia ser a terceira, porque o resto... O resto nao tava com nada nao... Inclusive eu, que ficaria em ultimo lugar...
A Iris ainda ficou no assunto de eu ter me emocionado na hora que eles estavam dançando a valsa e ela ainda comentou com o Chris que deu um sorrisinho meio maroto e sem graça e logo formou - se uma grande roda cuja qual eu fiquei a distancia apenas para observar e as musicas que rolavam na epoca eram as musicas pump up e tinha as roupas tambem do mesmo estilo das musicas, so que todas elas eram de marca e claro, dificil uma falsie, como dizia naquela epoca, e naquela epoca quem nao usasse ropuas de marcas, nao conseguia amizades, nao conseguia namorados, nao conseguia nada, era totalmente excluido da sociedade, dessa sociedade falsa e podre, pobre tambem, pobre de espirito, quer a pior coisa do que ser pobre de dinheiro? E ser pobre de espirito...
Era isso que a sociedade e os costumes daquela epoca eram, podres e pobres de espirito...
Mas as pessoas se sentiam com essas pequenas e tolas coisas que a vida lhes apresentava no momento de suas vidas podres e pobres, qualquer um que tivesse dinheiro teria uma roupa de marca, so entregar o dinherio e o lojista embrulhar a mercadoria e pronto... Voce saia da loja com uma sacolinha da Pakalolo por exemplo e andava o shopping inteiro com aquela maldita sacolinha se sentindo o rei ou a rainha da cocada preta, nao importava o que tinha dentro... Podia ter ate uma agulha ou a goticula da saliva do dono da loja que voce ja era poderoso e ja tava inserido na sociedade, ja ia ter amigos e namorados...
O dinheiro? Nao importava se voce tinha roubado do seu pai, da sua mae ou de qualquer outra pessoa que tivesse passando pela rua, nao importava se voce tivesse assaltado um banco ou a uma farmacia, o que importava era que voce se apresentasse com a roupa da marca tal, como Pakalolo, Print Rip, Chevallier e qualquer marca que bombasse na epoca e as marcas mais fraquinhas nao tinham nem chance perto daquelas marcas grandes e poderosas... O importante era voce aparecer, nao sabia como, mais aparecer e todo mundo falar que viu no seu guarda roupas uma calça da M. Officer, por exemplo, voce era tido como rico ou filho de um rico, poderoso, cheio de amigos e mulheres e as meninas cheias de amigas e homens... Todos a seus pes, para os caras, o importante era ser cabeludo e usar essas roupas de marca, e para as meninas, os cabelos teriam que ser muito bem cuidados e compridos, de preferencia ate a bunda, podiam ser lisos, crespos, duros, ondulados, cacheados... Mas batendo na bunda tava bom demais e as roupas? Calça jeans bem apertadas, que a mina mal conseguia entrar e pra entrar... Pra entrar na roupa tinha que deitar na cama e fazer um grande exercicio pra poder caber, mesmo sendo magrela pra caramba... As blusinhas tinham que ser transadissimas que fossem de marca tambem... De preferencia, que fizessem propaganda da marca numa estampa um tanto quanto exagerada ou pras adeptas à fingir que nao usavam marca, como a Valeria sempre falava... A etiqueta tinha que ser bem pequenininha, quase nao aparecendo...

sábado, 19 de setembro de 2009

O Sandro...
O grande amor da vida da Miriam...
Coincidencia ou nao...
Voce conhece alguem que se parece com esse cara?

Personagens...

Personagens...
Parecidos ou nao...
Sao mera coincidencia...
Olhem so...

Personagens...

Personagens...

Parecidos ou nao...

Sao mera coincidencia...

Olhem so...
E eu falei, quase sem pensar que os dois eram muito bonitos, e claro, eu queria era agradar, porque bonitos eles nao eram nao e nem feios demais, assim tambem nao ne?
"É, precisa ver o irmao mais velho deles..." a Valeria comentou sorridente e feliz por eu acha - los bonitos, mas eu falei mais pra agrada - las, nao porque eles impressionavam...
"É?" eu perguntei ansiosa, mas pensando que o irmao deles nao era tudo aquilo nao, engano meu... Realmente nem parecia se filho da mesma mae e do mesmo pai... Nossa!!! Era de parar o transito...
Depois que eu vim descobrir que o pai deles era bonito assim, talvez ate mais bonito do que ele, a Iris falou uma certa epoca em que ela ia na lojinha e ainda falava comigo.
E eu ficava sonhando com o seu Alencar mais lindo ainda do que o Sandro, ja pensou? Ele passando em frente à dona Elsa e ela suspirando por ele assim como eu suspirei pelo filho deles...
E a Valeria veio pra perto de mim e apontou pra Kelly que estava toda sorridente, de camisa social branca, daquelas de golinha que era moda na epoca e falou, como quem nao queria nada... "Aquela ali e a Kelly, ex - namorada do irmao mais velho deles, ele nao quis vir..." ela continuou, comentando, ao passo que eu olhei pra Kelly e a vi sorridente olhando pro nosso lado e no minimo ela deve ter achado que eu era uma palhaça com aquela roupa toda florida, pra ela estar sorridente assim daquele jeito, era por isso... No minimo...
Talvez eu nao estivesse adequadamente vestida, mas era a unica roupa que eu tinha e que eu pensava que nao ia fazer vergonha na epoca, apesar de eu ter muitas roupas mas nenhuma ser tao adequada assim pra ocasiao, assim eu pensava na epoca.
E por falar em roupa... Por falar em roupa... Eu tive que emprestar uma camisa social que eu tinha, de manga longa, meio fresquinha, de fundo lilas pro avermelhado e de riscas de giz negras e o meu lenço quase que da mesma cor, quase florido, de penuginhos pretos nas pontas, pra Cleia e ela so colocou uma saia preta pra combinar e ficou um show...
De inicio eu a achei muito bonita, de cabelos avermelhados, tingidos, e claro... Estavam presos num rabinho de cavalo muito chique, e claro, baixinha mais bem magrinha e ela tava ali fazendo - se presente com mais algumas amiguinhas dela, olhos verdes e rosto cheio, nao era muito branquinha nao, mais era muito bonita, de pele bem limpinha e lisinha, que fazia ate gosto, bem novinha, nao era muita coisa mais nova do que eu nao, deveria ter uns dezessete anos, mais ou menos... Qual nada... Era sim... Seis anos mais nova do que eu, era muita coisa mesmo...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ate que eu respondi sorridente que sim e ela sorriu tambem, se nao fosse o capeta a Iris ate podia ser uma boa e simpatica menina, mas o problema e que ela tinha o capeta que tomava conta da vida dela...
E eu enxuguei as minhas lagrimas de emoçao e depois da valsa elas fizeram uma roda e o negocio foi tao chique que ate o DJ da festa ficava anunciando as pessoas que iriam cumprimentar a aniversariante que tava no meio da roda, toda de vestido rosa, parecendo mesmo era um bolo de noiva cercada por diversos bolos de noiva brancos, que eram as demais meninas.
Primeiro foi o pai dela que atravessou a roda exibindo um anel de ouro na mao, cujo qual a Cris ate colocou a mao no rosto, acho que surpresa com o presente ou fingindo surpresa e o pai dela colocou o anel no dedo dela que ainda ficou olhando supresa e admirada para o anel e eu ainda vi o Wilsinho entregando um outro presente pra ela que eu nao me lembro o que.
O que eu dei de presente? Lembro - me que tinhamos uns porta joias que a Edna, vizinha e amiga da Adna fazie e eu peguei um de leque rosa, sendo que eu nem sabia que o vestido dela era rosa, olha so... Coincidencias... E eu falei pra minha mae, ainda na lojinha e ela falou pra eu pegar aquele mesmo e dar, porque ele era muito bonitinho e ideal, e eu lembro - me que eu fui na casa da Cris deixar o presentinho e eu vi a van do buffet da festa que teria logo mais... Parado ali na porta da casa deles...
E eu me lembro, quando a Edna foi ate a lojinha, deixar os trabalhos dela pra gente vender, tinha ate uma gatinha verde e uns porta joias menores com uns sapatinhos encima... A coisa mais linda e a minha mae falou que ficava sim, pra tentar vender pra ela... Ate vendeu alguns e ela veio numa tarde...
Se eu ia perder? Imagine se eu ia perder?
Voltando às entregas de presentes, a Cris ficou surpresa de novo com o suposto presente que ela estava ganhando do irmao dela que a abraçou calorosamente.
E eu achei aquelas cenas emocionantes e maravilhosamente lindas... Ainda mais naquela epoca que eu era ainda mais sonhadora e romantica... E tudo pra mim era motivos de sonhos... Sonhos e mais sonhos...
E quem sonha muito sempre tem pesadelos, no final... E os pesadelos sao os piores... E os mais graves possiveis, pois o tombo sempre e maior...
Depois disso tudo, a festa continuou rolando e agora as meninas estavam sentadas para descansar um pouco, e a Valeria sentada no colo do Jehan e a Iris do mesmo jeito que a Valeria, as duas ate fizeram o favor de trocar de roupas, tiraram os belos vestidos brancos de debutantes que elas dançaram e ambos os meninos sentados em cadeiras e elas me chamaram e ficaram falando comigo, tanto a Iris como a Valeria e essa ultima falou que queria me apresentar o namorado dela e depois que ela nos apresentou, eu apenas esbocei um sorrisinho e a mesma coisa foi com o Chris, nao teve esse negocio de cumprimentar, pegar nas maos, nao, eu nao gostava muito disso nao... E nem eles... Nem eles gostavam de me cumprimentar assim... Sempre se esquivavam de mim... Como se eu fosse uma coisa asquerosa e com doença contagiosa...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mas, tambem ela era bonita de corpo, o corpo muito bem feito, baixinha, mas com o corpinho e tinha pra la de vinte e cinco anos, era ela quem ficava servindo os salgados e as bebidas da festa da Cris e eu fiquei olhando pra ela, era pouca coisa mais velha do que eu, so que nao pensava em estudar nao, pensando bem, ela tava mais que certa, acho que ela deveria trabalhar, ter serviço fixo, porque eu quase nao a via la, era irma da mae dela, hoje ela encontrou uma pessoa e no minimo deve de estar casada, nao sei se ela encontrou o que ela queria, mas encontrou...
Cabelos curtissimos, parece - me que alisados, pele negra, rosto cheio, muito bem arrumada, calça jeans com blusinha social, mas tava bem arrumada e o ambiente mesmo nao pedia uma boa arrumaçao...
Todas se organizaram com os seus pares pra dança de quinze anos tradicional, a popular valsa, em toda e qualquer festa que seja feita nos conformes e assim foi... A Valeria tava com o seu namoradinho, a Iris tambem, a Juliana parece - me que tava com o Carlinhos, fazendo par com ela, nao saindo com ela, a Risolene tava com outro rapaz e foi ai que eu comentei que eu tambem tinha um vestido brando da minha formatura da oitava serie e a Risolene falou que eles correram a rua pra perguntar quem tinha e quem nao tinha vestido... No minimo esqueceram de ir na minha casa ou me acharam velha demais pra dançar de parzinho na festa de quinze anos da Cris e depois quem eles iam encontrar de par pra mim? Sera que era um mongo horroroso ou talvez ate o Sandro?
E o Sandro sera que ele iria pra festa dançar com uma pessoa que ele nem sabia se era feia ou bonita?
Mas... Ninguem me chamou nao e a Risolene ainda falou simpatica, se ela soubesse que eu tinha o vestido, ela tinha ido la na minha casa, porque tava faltando par, pois uma menina nao pode comparecer, eu me lembro que antes de irmos eu olhei pra casa da Renata e a Patricia tavam entrando dentro de um fusquinha e falando bem alto, que ja tavam atrasados pra irem à festa e eu nem me toquei que ela tava indo tambem pra mesma festa que a gente.
Ela tambem tava la com o namoradinho dela, pra dançar, com aquele rapaz moreninho de cabelinho liso que ela namorava antes, a outra Patricia, a irma da Renata.
Todas as meninas de vestidos brancos e os rapazes de roupas sociais, calça social com camisa social e a valsa começou a rolar e e a tontolina aqui começou a chorar e eu nao tava nem entendendo o que a Iris tava perguntando, dançando no meio do salao com o seu parzinho e ela ficou me olhando e perguntando por tres vezes, ate que eu entendi, que ela tava perguntando se eu tava chorando e realmente eu tava... Tava chorando sim e triste porque eu nao tava la dançando com um gato que poderia ser meu, somente meu... De mais ninguem...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Eu quase nao conhecia ninguem da rua, e tinha grandes chances de nao ser convidada para a festa de quinze anos da Cris, a irma mais velha do Wilsinho, que era coleguinha do meu sobrinho Ricardo, e o unico que tinha mais chances de ser convidado para o aniversario de quinze anos da menina, era o meu sobrinho, a Cris, eu a conhecia pouco, afinal de contas ela era ainda uma menina, uma menina cheinha de sonhos a serem ainda realizados...
Enquanto eu, ja tinha vinte e dois anos, prestes a fazer vinte e tres anos de idade e a entrar na faculdade... Atrasada demais, mais tudo bem...
Os meus planos teriam que dar certo e totalmente certo, pois no ano seguinte eu ja queria estar cursando a minha faculdade... E trabalhando... Que era o fundamental, pra pagar a minha faculdade... Coisa que nunca aconteceu...
Mas, quando eu menos esperava, o convitinho veio nao so pro Ricardo, como pra mim tambem, um convite so no meu nome e pra levar a familia toda, olha so... Que legal!!! Ate falei com a Cleia e o Ricardo nem fazia questao de ir, tanto e que ele nem foi, lembro - me que no dia ele ajeitou a cama, daquele modo que ele sempre fazia, colocando o lençol e a colcha dentro do colchao e prendendo - os bem e falando que ia era dormir, enquanto todos iam se divertir e os meus pais tambem nao foram, lembro - me que fui eu, a Cleia e a Andreia, daqui de casa.
E nao foi dificil de encontrar - mos o salao, que era no Burgo Paulista na Avenida Arica Mirim, e o salao nao era la essas coisas, nao era chique nao, era coisa de pobre mesmo, um corredorzao e atras era o salao, que nao era muito grande nao e nem tinha reboque nenhum... Mas a festa foi maravilhosa, com muita coisa gostosa pra comer e pra beber... Adorei a festa...
Chegamos la e ficamos bem a vontade, afinal de contas a rua em peso tava la na festa e as meninas que eu tinha amizade com elas ha pouco tempo, tambem estavam la e muitas delas iam dançar fazendo os quinze pares da festa de quinze anos da Cris...
E eu me lembro que eu tava com um conjuntinho o qual eu gostava muito, todo de fundo azul, que na epoca era a minha cor preferida, e flores em azul mais fortes misturadas com roxo, a blusa era de manga longa, porem nao esquentava, mais ou menos apropriada para o tempo friozinho que tava fazendo no dia, e eu coloque uma cacharrel tambem roxinha por baixo, pra ver se esquentava mais um pouco e fiquei la na festa sentada e antes, a Cris tinha me falado da tia dela que era solteirona e que nao queria saber de se casar, com qualquer um nao, ela tava certa e mais que certa...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Em meus estagios, eu fiz amizade com uma menina pretinha do rostinho cheio e delicadinho e bem bonitinha mesmo, jovenzinha, uns doze anos no maximo, ela foi com a minha cara e eu a achei muito legal, ela era do Vieira e assim eu aproveitava pra perguntar da tal da Janinha pra ela, que todo mundo falava... E na casa dela estavam fazendo churrasco naquela tarde fria e nublada de domingo e ela morava na Juazeiro, rua de cima como sempre falavamos, nos fundos de uma casa azul que tem la ate hoje, so mudou a cor... So que ela me falou que nao conhecia nenhuma Janinha e que la nao tinha nenhuma menina de cabelao loira nao... E pra disfarçar... Pra disfarçar eu fiquei la falando um pouco com ela, e olhando a casa dele, porque de la da pra ver todo o movimento da casa dele... E quando eu cheguei em casa eu falei pra minha mae que eu fui na casa da menina e estavam fazendo churrasco la e eu nao comi nenhum pedacinho apesar dela ter me oferecido e eu nao aceitei, pois so tinha o cheiro das carnes, porque carne que e bom eu nao vi nada nao... E a minha mae achou graça e falou que eu ficava cheirando os churrascos dos outros... E eu tambem dei risada do comentario dela...
Uma outra vez, foi num dia de semana em que aquelas meninas me fizeram de boba novamente e depois me confessaram que nao conseguiram sair da casa da Alessandra, pois estavam vendo o orgao que ela tocava e isso me deixou ardendo de raiva... Pois elas so tratavam as coisas, e nao faziam nada, e depois eu que levava a fama de tudo... E o meu irmao sempre sentado na mesa da cozinha, falava que elas nao iam vir nao e que era bom eu nao me iludir, nem ficar pensando e me esquecer... E ele estava totalmente certo mesmo...
Chegou o aniversario da minha sobrinha Luciana e acabou sendo num sabado nublado tambem, apesar de ser mes de outubro, onde a minha mae tambem completava anos, e num sabado a tarde, a Luciana foi nos buscar pra irmos ao aniversario dela e a Valeria estava la na lojinha conosco e eu e a minha mae fechamos a lojinha pra irmos ao aniversario dela, que seria la na casa da minha irma mesmo que cantariamos os parabens pra ela e comemos o bolo de chocolate que a minha irma fez pra ela e so foi a gente mesmo, nao foi muita gente de fora, so alguns coleguinhas da escola dela e a minha irma falou um pouco conosco, cantamos, comemos o bolo e voltamos pra casa na boquinha da noite, eu e a minha mae sozinhas, como o de sempre, porque o meu pai nunca andava com a gente...
Eu e a Alessandra, ficamos procurando gente pra fazer a nossa formatura, porque a escola queria fazer pela Fercani, que era o grupo de formatura mais famoso e mais caro da epoca e quem se formava com a Fercani, tinha status, pois era muito chique mesmo, so o nome Fercani ja era chique demais... E a Alessandra comentou uma tarde la na sala que conhecia um cara que fazia a formatura e ate levou o cara la na escola pra mostrar algum material que ele tinha e ele foi e nos reunimos todas numa sala e vimos o que o cara tinha e as metidas la da Penha fizeram caretas e eu escutei a Claudia cochichar com a Patricia, que nao tinha gostado do jeito do cara e nem da apresentaçao dele e eu, mais que depressa fui falar pra Alessandra e ela nem se importou... E ficamos atras e eu ia com ela pelas vielinhas la da Penha, atras do cara da formatura, ate que ela acabou saindo numa discussao que as meninas da sala, principalmente a Claudia que liderava tudo, e todo mundo falava de uma vez so, menos eu, que fiquei quieta escutando o massacre da Alessandra, ela so escutava e depois retrucava e nao demorou muito a Claudia falou... "Eu acho melhor voce sair da comissao de formatura e deixar outra pessoa fazer, porque senao nao vai dar certo, ninguem gostou do cara que voce trouxe..." E a Alessandra mais que depressa falou... "Entao, ta bom..." e retirou - se da comissao da formatura, indo outra menina no lugar dela.
E eu me lembro que as vezes que eu fui com ela, ela falou que o cara era bonito, pele morena e olhos negros amendoados e que eu ia ver e ia gostar, mas so que ele era doente, casado, com uma filhinha pequena, ele tinha que sustentar a familia dele, e trabalhava com formaturas e festas de casamentos e quinze anos... E que ele tinha sido picado pelo bicho que da a doença do coraçao grande e que ele tinha essa doença e que quem tem essa doença, geralmente nao dura muito e eu fiquei com do do cara e fiquei ajudando - a e quando fomos la a primeira vez, o cara nao tava la, tinha ido ao medico.
E eu so o vi da segunda vez e nao o achei muito bonito nao, ele era muito arrumadinho e sabia falar muito bem e quem conhecia o cara era aquela prima da Alessandra a tal da Flora que morava ali na rua proxima ao metro Penha, que eu fui algumas vezes com ela, quando iamos para o metro, com o intuito de irmos pra casa...

domingo, 13 de setembro de 2009

E quando nao tinhamos aula, e estavamos de aula vaga, devido às faltas da professora Eunice de Didatica, ou a falta de qualquer outro professora, entao... Ou sempre eramos dispensadas, ou entao ficavamos aguardando no patio, em aulas improvisadas de Educaçao Fisica, quando nao tinha professor eventual pra cobrir as nossas aulas...
Ou quando aquele professor que faltava na primeira ou na terceira aula, menos nas ultimas aulas, a gente ficava la, e naquela tarde nos ficamos na quadra maior, aquela quadra proxima à quadra do prezinho, so que tinhamos que descer as escadas pra podermos ficar la, e as demais meninas ficavam jogando volei ou qualquer outro jogo, todas de calça jeans e camiseta e a Marcia trouxe umas cartas e falou que tinha aprendido um jogo com algumas pessoas la do centro onde ela frequentava e ela falou que queria jogar pra gente e chamou eu e a Alessandra e começou a jogar as cartas pra gente, e as mais belas tambem estavam la, menos a Natalia que era mais grudada com a Rita, porque ela tinha quase o mesmo comportamente da Rita, muito parada, nao se mexiam, so estudavam e pronto... Nao se ouvia comentarios de namoraados e paqueras na boca daquela meninas nem se a gente arrancasse delas, e se a gente falasse qualquer coisa, a Rita que era a mais nervosinha, ficava louca com a gente...
Era de dar risada, ja a Natalia, nao... A Natalia levava tudo na esportiva e nao se importava com nada que a gente dissesse dela... Ate arrumou um namoradinho o ano seguinte...
E ela começou a jogar comigo e eu comecei a fazer as perguntas logo sobre o Sandro e ela começou a responder, sempre dizendo que as cartas falavam...
E ela falou que o Sandro gostava mesmo de mim, mas so que ele nao queria dar o braço a torcer e que ele iria sim desmanchar com a namorada dele, so que demoraria pra gente ficar juntos, mas que era pra eu esperar com paciencia que eu o teria pra mim nessa vida mesmo, pois demoraria muito tempo...
E foram essas as palavras que fizeram a Alessandra ficar com raiva...
E quanto aos nossos trabalhos? A Silvana, a Sonia, a Luciana (Irma) e a Alessandra ficaram de ir em casa pra ensaiarmos para o suposto teatro que iamos fazer juntas, isso antes delas brigarem com a Alessandra, que sempre dava motivos para as brigas na sala de aula...
E eu, como sempre, fiquei esperando de boba, num domingo a tarde, nublado, em que a Cleia foi juntamente com os filhos dela pra uma exposiçao de automoveis e eu fiquei em casa choramingando, dizendo que se nao fosse aquelas porcarias daqueles trabalhos, eu teria ido, porque eu queria tanto ver era a Ferrari Vermelha que estaria la naquela exposiçao, encima de um tabloide vermelho e quando a Cleia chegou, ela contou que a Ferrari Vermelha estava sendo dispitadissima por todos os que estavam ali... E no fim... Nao apareceu ninguem em casa, fazendo - me ficar cada vez mais com raiva daqueles trabalhos maldito que a gente tinha que fazer... Acabei ficando na lojinha com a minha mae e a minha raiva ate passou, pois ate o vi passar e eu e a minha mae, ficamos falando do casamento da minha prima de Taubate, naquela tarde nublada de domingo onde quase ninguem veio na lojinha, somente eu e ela, e ele que passou na calçada me comendo com os olhos, bem na hora que falavamos do casamento da minha prima e no final das contas... Os meus tios estavam totalmente certos quanto ao casamento da minha prima, pois o cara nao vale nada mesmo... E eles nao queriam que ela se casasse, mas mesmo assim... Mesmo assim ela teimou e acabou se casando com ele... E eu estava comentando que o meu pai tinha dito que nao iria ter objeção nenhuma com o meu casamento e nem com quem eu fosse me casar e a minha mae falando que o meu pai tava mesmo certo, foi quando ele passou me comendo com os olhos e eu olhei e suspirei bem baixinho pra minha mae nao perceber do meu grande amor por ele...

sábado, 12 de setembro de 2009

E quando chegou o dia da apresentação dos trabalhos, cada uma levou o seu trabalho pronto, todos nas caixinhas de sapato, afinal de contas, todas tiveram a mesma ideia... Ate a pouco tempo eu tinha os pauzinhos de diversos formatos e tamanhos que o meu pai havia feito na epoca e eu havia pintado um joguinho de cada cor...
Tinhas uns mais bonitos, outros mais simples e o mais feinho... O mais feinho e o mais criativo era o meu...
Por isso e que eu mereci uma otima nota, e aquelas que pagaram alguem pra fazer o trabalho? As que pagaram, nao obtiveram mesmo uma nota que tinha que merecer, se fosse com a professora Eunice, que nao dava notas pela criatividade, mas sim, pela beleza do trabalho... Se a pessoa fizesse e ficasse feio, a pessoa nao obteria uma boa nota, agora se a pessoa trouxesse um trabalho esplendoroso ai sim... Ai a pessoa tinha uma otima nota e nem precisava de se preocupar em dar o endereço da pessoa a qual ela mandou fazer o trabalho...
Mas a professora Silvia era mai justa, como a minha caixinha, ela percebeu que fui eu mesma quem fiz e que nao tinha unha de gato, entao... Eu obtive a melhor nota para a admiraçao das demais que ficaram boquiabertas, olhando pra minha cara de satisfeita e feliz...
E depois ela elogiou a minha homenagem ao Brasil, feita em dois daqueles joguinhos e eu sempre gostei do tom verde - amarelo, pois representou sempre pra mim... A festa da copa do mundo, afinal de contas... Afinal de contas... Essa e a alegria de todo o povo brasileiro, seja dentro ou fora do pais...
Tirando um pouco os trabalhos, lembro - me que uma vez a mesma professora mandou a gente desenhar uma arvore e faze - la como a gente quisesse e como a gente imaginava e eu fiz a minha toda bonita e toda maravilhosa e bem frondosa, e depois eu fiquei pensando que ja iria ouvir criticas sobre a minha arvore que tava lindinha, algumas das meninas desenharam belas arvores frondosas e a minha nao era muito grande, mas o meu fruto era vermelho e tinha formato de coraçoezinhos e eu achei isso lindinho...
E a professora foi passando de carteira em carteira e admirando todas as arvores e ficava falando da personalidade de cada uma, de acordo com a arvore que cada uma fez, o comportamente e a pessoa de cada uma que a desenhou e quando chegou na minha ela falou que eu era muito infantil e muito sonhadora e que eu sempre sonhei com um grande amor, que tava muito dificil de chegar, mais que um dia chegaria e tudo o que ela falou era o que eu esperava, agora ser infantil, eu sempre fui mesmo... Afinal de contas... Eu quase nao tive infancia...
Mas, nunca me importei com isso mesmo, pois o importante e viver, sempre dando risadas e fazendo picadas e ate hoje eu sou assim, ainda mais agora que eu sou aceita pelos meus colegas de hoje e que nao tenho mais nenhum tipo de problema em relaçao à socializaçao com as pessoas, como eu tinha antes... Ou melhor... As pessoas que tinham comigo...
Entao... Agora que eu nao tenho mais nenhum problema de socializaçao com as pessoas, e que as pesoas me aceitam entre elas, entao eu sou alegre e bem pra frente, adoro dar risadas e fazer os outros rirem tambem... Tristeza jamais... Somente quando eu abro o meu holerith...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tiveram outros trabalhos, so que esse foi da professora Silvia, que a gente a chamava de Escolinha, porque ela sempre dizia pra gente estudar e montar uma escolinha porque era bem mais facil, na epoca...
E eu acho que quase ninguem seguiu os conselhos daquela professora, porque hoje em dia a situaçao ta tao dificil, que ser professora e dona de escolinha e padecer no paraiso... Pois tem gente que paga e tem gente que nao paga, entao fica ruim ate de administrar as contas e pagar a equipe que trabalha ali na escolinha.
Entao... Por isso que eu nao tenho escolinha...
Mas, ate que a gente pensava aqui, de montar uma escolinha bem onde e hoje, e a marcenaria do meu pai, mas os dois nao iam suportar o barulho dessa criançada de hoje, que sao todos sem educaçao e sem respeito com os mais velhos...
Entao, hoje eu so dou aula no estado, pelo menos por enquanto, espero conseguir alguma coisa na prefeitura e fazer um outro trabalho, porque o que esse governo paga nao da nem pra comprar um copo d'agua, se eu estiver com sede...
E a vida continuou seguindo no mesmo esquema... Trabalhos encima de trabalhos... E tinhamos que adiantar tudo, pois afinal de contas aquele era o ultimo ano e nunca mais veriamos mais ninguem e nem tampouco aquela escola e tudo... Tudo so ficaria nas saudades daqueles bons tempos que nao voltam mais... So na memoria...
Bons tempos nao... Porque pra mim, nao tem nada de bons tempos, mas e sempre bom recordar... Porque recordando a gente cresce mais e se sente bem melhor das coisas ruins que aconteceram no passado...
Eu ficava em frente à mesa da cozinha de casa, todas aquelas tardezinhas, quando eu nao ficava falando com a Valeria na lojinha, somenta falando sobre o Sandro, ficava la, fazendo os trabalhos de textura da professora Silvia, o meu pai fez ate umas madeirinhas que eu acabei pintando algumas de verde e amarelo, em homenagem à seleçao brasileira que teria que fazer bonito na copa de noventa e quatro, ja que na copa de noventa, foi uma tremenda negaçao...
E as outras madeirinhas daquelas eu pintei de vermelho e as coloquei numa caxinha de sapato encapada com papel crepom colorido, e encima de papel espelho prateado, coloquei vermelho dos lados e uns lacinhos lilas, bem lindinhos...
Adorei a minha caixinha... Fiz uns coraçoezinhos lindos, todos pintadinhos com o po do giz de cera e contornados com lapis mais escuros do que a cor pintada na carinha, os coraçoezinhos vinham de um porta joia meu vermelho cujo qual eu ganhei da minha tia Helena, irma da minha mae.
E com ele eu desenhei diversas cartolinas e ficaram lindinhos, todos eles com lacinhos conforme a cor que eles eram pintados, expressao de raiva, de medo, de admiraçao, felicidade e etc.
Ficaram lindinhos e como eu nao tinha coordenaçao motora, como a Claudia disse, uma vez em plena sala de aula em alto e bom tom pra todo mundo escutar, quando a Silvia deu um negocio la pra gente cortar e eu nao consegui, cortei um pouco torto, e eu achei estranho eu ser professora sem nenhuma coordanaçao motora, mas ate ai tudo bem... Se eu tinha dom ou talento, nao imprtava, isso so cabia a mim, somente a mim...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

E eu usei tintas de tecido de varias cores pra diferencia - las bem umas das outras, por mais que o meu trabalho nao ficou muito bonito, mas eu penso que eu merecia mais nota pois fui eu quem fiz e nao fui comprar as letras como as mais belas fizeram e quando a professora falou que elas mereciam nota A e que os trabalhos delas estavam melhores do que os trabalhos da sala toda, elas exibiram um enorme sorriso pra toda a sala e todas as meninas ficaram comentando depois que elas foram comprar as letras na vinte e cinco de março e ganharam a melhor nota e eu que tinha confeccionado manualmente, do jeitinho que a professora queria, apesar de nao ter saido muito bonito, obtive a nota C pro meu grupo, e isso foi motivo de comentarios e alguns outros grupos tambem compraram as letras, seguindo o mesmo exemplo das mais belas, mais so que o trabalho das mais belas estava mais bonito... Ou melhor... O que elas compraram... Compraram numa loja melhor, no minimo... Elas acharam as letras mais bonitas, por elas terem pesquisado mais e bem mais la na vinte e cinco de março, pra poder comprar e vindo com aquela enorme sacola de plastico branca com o alfabeto todo em espuma, pra e ja falando em dividir as despesas para aquela que saiu atras e comprou as letras mais bonitas da vinte e cinco de março e isso causou um enorme alvoroço e buchicho entre as que fizeram o trabalho manualmente, ou entao, pagaram alguem pra fazer, porque eu me lembro que eu fui a unica bobona la, que fez o trabalho e tinha gente com papo de pagar a costureira que tava costurando as letras pra elas...
E eu chegava na escola fungando de tanto passar mal da alergia e de tanto tossir e espirrar e ficava passando muito mal... Durante o dia coçava o nariz e durante a noite eu variava...
Quase nem dormia a noite, quase nao conseguia nem respirar, e ainda tirei uma nota C, o merito foi de quem nem se esforçou, somente comprou as letras na vinte e cinco de março e a professora cobriu de elogios fazendo - as esboçar um enorme sorriso la na frente e a professora mandou confeccionar, se ela fosse justa mesmo, ela tinha que dar a nota pra mim, que fez todas as letras juntamente com a minha mae e com bastante carinho pra agrada - la...
E a minha mae ainda me ajudou camelando la naquela maquina antiga de costura ali em frente à lojinha que era onde ficava a maquina de costura dela, porque ela gostava era de pegar o claro do dia, por isso e que ela colocava a maquina de costura ali quase do lado de fora...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

E eu consegui falar e ate pedi desculpas a ela e ela falou que eu nem devia de pedir desculpas, pois eu fiz o certo e que ela aprendeu muito com as palavras que eu escrevi e que ela me agradeceria muito num futuro proximo, pois agora ela iria mudar tanto, iria mudar a sua vida por conta do que eu escrevi pra ela e eu fiquei satisfeita pelas palavras que eu ouvi dela e vi que eu me preocupei a toa, entao... Ela deve ter ido me procurar em casa pra me dizer isso... Ou sera que pra brigar mesmo e depois ela colocou a cabeça no lugar e resolveu proferir essas palavras que tanto me emocionaram...
"Voce cresceu... Agora voce vai trilhar um novo caminho em sua vida... Voce vai ver... Nao adianta ser falsa, agradar aos outros como as suas colegas de sala tentaram fazer nessa redação... Voce nao... Voce foi autentica..." E todas aquelas meninas me olharam incredulas pelas palavras que ela proferia pra mim, acho que naquela hora ninguem acreditou... E todo mundo tava torcendo pelo contrario...
"Nossa, a Miriam ouvindo elogios?" aquelas metidas ali da frente deviam perguntar umas às outras...
E, eu ouvindo elogios sim... Tambem mereço, ne? Sou filha de Deus... Oras bolas...
Aquele dia foi um dos mais felizes da minha vida, pois pela minha sinceridade descrita naquela simples folha, eu consegui conquistar a amizade e a confiança daquela professora que parecia ate que tinha um muro entre ela e as alunas do quarto magisterio A, inclusive eu... A mais descriminada da sala...
E eu voltei feliz e ansiosa pra casa, falando pra minha mae, que a professora queria que a gente confeccionasse as letras pra podermos usar como recurso pra alfabetizaçao dos nossos futuros alunos e eu e a minha mae fomos atras dos tecidos do jeitinho que a professora queria la na vinte e cinco de março e fomos atras tambem das espumas para fazermos as letras e ela me ajudou costurando as letras do alfabeto la na lojinha que sempre ficava aberta e eu, passando mal, pois a minha alergia na epoca era bem mais forte e fiquei confeccionando juntamente com a minha mae essas benditas letras, fora os demais trabalhos que nos tinhamos que fazer pois era uma exigencia tremenda esse magisterio e um tremendo desanimo, pois eu ja estava cansada demais, se eu estava e as meninas que tambem cursavam o curso junto comigo tambem estavam...
Mas, uns dias depois, quando eu contei pra Alessandra que eu mesma estava confeccionando as letras para o nosso grupo, bem na fila da entrada, pois tinhamos que fazer fila igual aos alunos de primeira a quarta series, ela me disse que a turma da Luana, as mais belas, estavam combinando de comprar as letras e do jeito que a professora Eunice era, no minimo ela nao aceitaria e eu acabei duvidando do que a Alessandra estava me falando e depois eu, de tanto sofrer, com a loja aberta, pintar aquelas letras, corta - las e enche - las com a espuma, eu descobri, no dia da apresentaçao dos trabalhos, as mais belas, todas sorridentes com uma enorme sacola e depois estavam querendo combinar pra acertar a grana que uma delas gastou e se eu soubesse... Se eu soubesse talvez teria falado com a minha mae pra poupar a minha alergia e o meu esforço em fazer essas letras e quanto remedio eu acabei gastando por causa disso tudo e a minha nota nao foi tao boa nao, eu, que fiz sozinha e elas que so compraram as letras e era cada letra linda, redonda e todas cheias com bolinhas de isopor pequeninas e brancas e as letras eram de varias cores...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

E eu fiquei com aquele fantasma de medo...
Medo dela vir falar comigo e brigar comigo somente porque eu escrevi a verdade, somente a verdade sobre ela...
E as pessoas nao gostam de ouvir a verdade e a minha mae sempre me disse isso...
Se era ela que veio aqui eu nao sei... Nunca fiquei sabendo, porque eu nunca ousei em perguntar pra ela, pois nao tinhamos mesmo muita amizade, isso ate o dia que eu cheguei na escola, bem mais despreocupada com o ocorrido e fui ao banheiro la da sala dos professores, afinal de contas eu ja era quase uma professora e como eu sempre fui nojenta, eu nao usava o banheiro das alunas, pois eu tinho nojo, morria de nojo, so quando eu via que tava mais limpo e que eu entrava...
E quando eu entrei na sala dos professores, toda sorridente, la estava ela, fechando a barguilha da sua mesma calça rosa que o meu sobrinho descreveu e toda sorridente e quando ela me viu, sorriu mais calorosamente ainda e me cumprimentou com toda a simpatia do mundo... Acho que no minimo ela deve ter se esquecido do assunto, nao e?
E eu tambem correspondi ao sorriso dela, pois o mesmo sorriso ia se desfanecendo quando eu a vi mas logo eu voltei a sorrir novamente...
"Ola Miriam, como vai, tudo bem?" e eu respondi com a mesma calorosidade. "Tudo bem, professora, e com a senhora, como esta?" e ela disse que ia bem e eu nem usei o banheiro e voltei pra tras caladinha e sentei - me na minha carteirinha e fiquei ali mudinha, pois ela iria entrar em nossa sala nas aulas correntes e eu ate queria ir embora, pois ela me cumprimenteou com calorosidade, porque ela tava na frente dos demais professore, entao ela nem podia pensar em me zuar ali pois se ela me zuasse, ela ficaria falando feito louca e os colegas poderiam falar que se ela mandou eu obedeci, sendo mais sincera do que todas as meninas da sala que foram todas falsas com ela e entao, quem sairia perdendo seria ela mesmo, pois era ela quem ia dar uma de louca ali e eu ia ficar morrendo de medo, talvez ate eu morreria antes dela falar e eu so olhei pra Alessandra e falei que era agora, quando bateu o sinal e ela entrou na sala bem simpatica e eu morrendo de medo...
Começou a falar e logo ela falou das redaçoes que ela mandou escrever e deu enfase à minha redaçao, falando que a minha redaçao tinha sido a melhor da sala e que eu merecia A nos quatro bimestres por eu ter sido tao sincera e o restante da sala? O restante da sala ela chamou de falsas e discaradas, pois nao era aquilo que ela quria e que ela queria era o que eu fiz e que eu estava de parabens e o engraçado, o engraçado foi, quando ela começou a falar da minha redaçao, a sala toda parou de fazer burburinhos so pra ouvir ela meter o pau em mim, nao contei pra quase ninguem, somente pra quem eu confiava mesmo, mas quem eu confiava mesmo, deve ter espalhado pra sala inteira o meu feito prodigioso e devem ter falado mal de mim e ate falado que eu nao ia receber o meu diploma e dando graças a Deus e bem feito por eu nao receber o tao suado diploma...

domingo, 6 de setembro de 2009

E quando as meninas apresentavam os teatros, sempre colocavam o caso dela em questao e a bela Luana sempre a imitava, falando que tava doente e que ela nem conseguia falar e era assim mesmo que a Eunice se comportava na sala, falava que a sala tinha que ficar quieta porque ela estava doente e nao conseguia nem falar e todo mundo sentava, fazia os trabalhos de outras materias e ela pedia agua e as cupichas dela que sentavam la na frente iam buscar... So pra dar uma voltinha...
Acho que no minimo, aquelas nojentas cuspiam na agua dela, ne e? E ela confiava tanto que sempre mandava as cupichas dela, e eu acho ate que a agua ficava gostosa...
E ela ainda colocava a mao no gogo pra falar que tava ruim mesmo da voz... Ruim da voz? Mas como ruim da voz? Se ela nem abria a boca na aula dela? Eu acho que ela tinha era hemorroida, pois vivia sentada, entao, pra nao falar pra gente que ela tinha hemorroida, ela enganava a gente com a voz, falando que nao tava bem da voz e que por isso sumiu uns trinta dias da escola, no minimo, de tanto sentar, ela acabou adquirindo uma hemorroida grave, bem do terceiro estagio mesmo e operava, mais como vivia sentada ai operava de novo, deveria ser assim porque a voz eu garanto que ela nao usava igual ao traseiro...
E a vida dela era falar pra gente que tinha se formado na faculdade Sao Marcos e falava ainda do pai dela, quando ele era vivo, que ele pagou a faculdade de Pedagogia pra ela e que nao sei o que e que agora ela estava se arrumando pra morar sozinha e que tinha alugado um apartamento grande e que agora estava imobiliando e no dia da discussao ela ate falou pra mim que se eu nao falasse ela ate nao iria morar sozinha pra nao deixar a mae dela de plantao...
E quando a Luana imitava a gente morria de dar risada, ate mesmo àquela professora que se casou com o italiano e que morava aqui no Brasil agora, tambem morria de rir quando a Luana imitava nos teatrinhos que eram feitos em sala de aula... E bem na aula dela...
Essa Eunice ficou um bom tempo sem aparecer na escola e eu cheguei em casa, da vinte e cinco de março, numa certa tarde, junto com a minha mae, e iamos sempre, todas as semanas, pra buscarmos mercadorias pra vendermos na lojinha, pois vendiamos todas as semanas, entao tinhamos que repor os nossos estoques...
E assim que eu cheguei o Ricardo veio me falando que uma mulher baixinha de calça rosa e blusa branca veio me procurar e ficou toda sorridente no portal de casa e eu, que ainda nao tinha contado pro Ricardo, fiquei assustadissima, pois podia ser a Eunice que pegou o meu endereço na escola e veio aqui correndo pra falar comigo, pra falar que eu nem precisavam mais ir pra escola, porque eu ja tava fora e totalmente fora e que nem adiantava mais eu me matricular em outra escola, porque na minha ficha ia estar o porque deles nao ter que me aceitar em outra unidade escolar... Porque em tempos passados era assim... Hoje em dia, aluno mata professor, empurra o professor da escada pra ver se ele morre logo e enfim... E aceito imediatamente em outra unidade escolar...
Fiquei gelada e perguntei como ela era e falei algumas caracteristicas somente pra ajuda - lo a se lembrar e acabei concluindo que era ela e contei pra ele o segredo que eu escondi da familia toda ate entao... E ele falou que ela falou que voltaria depois, la pra outra semana e eu fiquei esperando feito doida, nevosa, toda preocupada e ele me falou, la no quarto, bem na semana que ela viria, que ela podia voltar mesmo, pois se ela queria mesmo brigar comigo fora da escola, entao ela voltaria...

sábado, 5 de setembro de 2009

E naquela tarde que ela mandou a gente escrever uma redaçao, falando o que a gente achava dela?
Prefiro nem comentar...
Ela falou que queria que a gente fosse sincera e falasse dela e eu peguei e com raiva dela e das suas atitudes em relaçao a mim, por ela pegar tanto no meu pe, escrevi um monte dela achando que ela nem iria ler, e na epoca passava a novela Dono do Mundo e ate disso eu a chamei, acabei chamando - a de Dona do Mundo...
E depois que eu entreguei a redaçao, ai que eu dei fe de tudo o que eu havia escrito dela e o pior... O pior de tudo e que eu nao deixei nenhuma prova pra mostrar pras meninas e pra quem eu reclamasse do que eu escrevi pra professora e dela mesmo e o pior e que ela era mesmo a Dona do Mundo, entao eu nem deixei de mentir...
E eu fiquei preocupada o tempo todo... Quando eu sai da escola e comentei com a Alessandra, bem no ponto de onibus e ela me falou que eu era louca, pois eu teria era que ter falado era bem dela, porque era isso que ela queria saber, se a gente gostava dela ou nao e eu escrevi que tambem nao gostava dela e ela falou que eu nao podia ter feito isso e que agora eu ia me ferrar com ela e nem o diploma eu iria receber e ai eu fiquei com mais medo ainda...
Caramba!!! Se nem o diploma eu iria receber e o esforço todo da minha mae em relaçao aos meus estudos?
O Diploma? Meu Deus do ceu... Eu agora me ferrei mesmo, depois de quatro enlouquecidos anos de estudo, porque eu havia reprovado o primeiro ano devido à hepatite e ainda iria jogar tudo no lixo...
Ai e a minha mae... Meu Deus do ceu... Com que cara eu olharia pra ela, falando que nao podia me formar porque a professora mandou eu escrever uma redaçao sobre ela e eu nao escrevi o que ela queria que eu escrevesse e que eu acabei escrevendo o que eu achava dela na verdade...
E eu imaginei so como a minha mae olharia pra mim... Isso se ela nao caisse dura, vitima de um infarto do miocardio...
Enfim... Eu pensei muitas coisas e depois essa professora sumiu do mapa por um bom tempo, como sempre e ate teve a greve... Ficamos um bom tempo em casa...
Contei pra Marcia que tambem me chamou de louca e ela e a Paulinha falaram que eu tinha me ferrado bonito, porque mexeu com a Eunice, mexeu com o capeta, agora eu teria que me retratar la na diretoria da escola e depois eles iam ver o que fariam comigo, isso quando o assunto chegasse a tona, logo apos a greve, ou entao... Se ela voltasse ne, porque depois que ela lesse a minha redaçao, ela nem iria querer mais dar aula, ja que vontade ela nao tinha mesmo...
Porque boa professora ela nao era mesmo e nunca foi...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

E apresentamos mesmo no corredor da escola, com todas sentadinhas nas cadeiras, porque nao tinha tomada na sala de aula, so tinha uma pelo corredor e graças a Deus, as outras salas nao tinham nada pra apresentar, senao estavamos ferradas e nao iriamos conseguir apresentar o nosso trabalho e dessa vez quem estava no grupo era somente eu e a Alessandra, pois ela havia brigado com as meninas que andavam com ela, como a Silvana, a Luciana, acho que ate a Cristina que era mais amigona dela, estava no rolo tambem, mas logo apos as duas, ela e a Cristina voltaram a amizade e a Luciana e a Silvana continuaram de cara virada pra ela, eu ate me lembro no dia em que a sala tava uma muvuca total, acho que na aula da Silvia eu so escutei uma discussao e elas chingando a Alessandra, nao sei por que foi, mas eu acho que elas se desentenderam por causa desses trabalhos malditos que sugavam o sangue da gente.
E depois disso a Alessandra se viu desarmada e sozinha e o jeito que ela tinha era o de se aproximar de mim e ficar conversando comigo somente pra nao ficar sozinha e acabou se aproximando da Marcia e da Paulinha que eram do meu grupo, pois eu nao me lembro de fazer trabalho com mais ninguem, somente com elas...
Varios trabalhos tinhamos que apresentar e a Alessandra sempre chefiando tudo e teve uma vez que a professora Eunice, aquela que a Paulinha a chamava de Londres e colocou no caderno dela e eu vi e dei risada e perguntei pra ela... "Aula da Londres? Quem e essa Londres?" e ela me falou que era a Eunice porque ela vinha com aquelas saias enormes e toda de roupa social e eu me lembro que no dia que ela ficou falando da greve, ela falou que o dinheiro de uma aula dava pra comprar um saquinho de pipoca...
Imagine... Se naquela epoca dava pra comprar um saquinho de pipoca, hoje da pra que?
E aquela professora Eunice ficava sempre doente, faltava sempre, mas quando Vinha... Quando vinha ela queria dar tudo o que ela nao deu porque faltou, dava trabalho encima de trabalho e sempre falava que nem tava podendo falar pois estava muito doente e que tinha ido ao medico e esse constatou que ela tinha problema na garganta e uma vez ela sentou - se perto da gente e quase rasgou a meia na cadeira, e ela ficou tao engraçada, com as pernas abertas na cadeira e falando... "Ai, a minha meia..." Varias vezes e eu so fiquei olhando e teve gente que deu risada...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Faltava pouco pra nos formarmos, entao, tinhamos que acelerar os nossos trabalhos e nao tinhamos nem tempo pra nos mesmas, pois os professores entrariam em greve, dai a aceleraçao de todos os trabalhos a serem feitos para serem entregues no prazo exato cujo quais todos os professores estipularam, logo apos a greve, que nao se sabia quando iria encerrar...
Entao, a Alessandra precisava urgentemente de entregar o videocassete pra entregar rapidinho o trabalho do resumo que fizemos sobre o livro que lemos, isso bem no final do ano ja, quando dava aquelas pancadinhas de chuva gostosa...
E depois de todas aquelas besteiras que ela falou na frente da mae dela, naquele dia que eu estava la, conseguimos, depois de ligarmos pra todo mundo, o videocassete nao sei de quem, meu que nao foi, pois eu nao tinha, da minha irma tambem nao, pois ela havia ido jantar fora, olha que chique...
Todo mundo que ligavamos, tanto da parte dela quanto da minha parte, nao podia emprestar ou porque estava quebrado ou porque estava ocupado ou a pessoa tinha saido como foi no caso da minha irma, que a Irene atendeu ao telefone informando que ela havia saido pra jantar fora...
E milagre dela nao ir jantar fora com eles, o que sera que foi que aconteceu? Ela que era a dondoca da familia nao ir jantar fora com eles?
Deve ter esquecido de se arruma ou alguma coisa assim, porque brigar com ela era totalmente dificil...
Era mais facil brigar comigo...
E depois que nos encontramos uma pessoa com o coraçao bom, com o coraçao de ouro, nos levamos o bendito pra escola e o pior e que conseguimos esse bendito vidiocassete pra fazermos a nossa apresentaçao, porque a Alessandra tinha arrumado o desenho nao sei onde e nao sei com quem e ela estava somente esperando o bendito do videocassete para apresentarmos.
E agora tinhamos que tomar o cuidado para nao quebrar o bendito do videocassete, afinal de contas, quem nos emprestou, emprestou porque confiou na gente, ou nela, nao me lembro mais...
E colocamos um monte de cadeira empilhadas para que todos vissem o desenho que nos lemos o livro do Gigante de Botas, fizemos o resumo para o professor e agora tinhamos que apresentar o bendito do trabalho.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

E eu somente olhando o moleque que estava agarrado no vestido dela, limpando o nariz catarrento e ela ajudando o filhinho a limpar o nariz e eu so ficava olhando pra ela que estava toda descabelada.
E no sonho da Valeria, ela falava da minha casa eu eu falava que era pra ela se esquecer aquilo ali, que era a minha casa que estava fechada e eu morava no jardins e ela falou o nome da rua, como quem eu ia morar la mesmo num futuro bem longinquo e que nos duas iamos ter um salao la, e eu namorava o Acacio no sonho dela...
E foi bem na hora que a minha mae entrou e falou pra mim... "Ae, voce vai falar assim da minha casa, ne? Da casa que eu tanto lutra pra construir..." ela veio falando em tom sorridente, de brincadeira e eu falei pra ela que ja ia fechar pra jantar... E ela vinha pra me mandar fechar mesmo e eu e a Valeria estavamos sentadas ali nas cadeirinha perto do balcao que estava ali e estava anoitecendo e assim que a minha mae saiu ela continuou a contar o sono que eu estava tao encantada com a presença dela ali que eu nem ligava pra quem entrava e se entrasse ladrao ou nao...
E numa outra noite em que eu estava na lojinha e a chamei e cantei uma musica que eu fiz pra Baratha e eu acho que ela ja deveria de estar bem de saco cheio de falar da familia Buscape como ela falava e ela falou que a musiquinha era legalzinha tipo fazendo um pouco de pouco caso, e estavamos na porta da lojinha e eu cantei a musica pra ela... "Toda meia noite as Baratinhas saem do bueiro pra assustar as pessoinhas... Chinqui Calacunoco..." e eu continuei cantando e era o tom daquela musica das caveirinha que toda a meia noite saia do cemiterio pra assustar ao pessoal que passava perto de la...
Uma tarde eu e a Valeria, parecendo duas loucas, fomos atras da Baratha, porque ela veio falando pra mim que a viu saindo toda feliz de uma casa do outro lado da radial leste e que ela morava do outro lado do metro Penha, e nao la daquele lado que a gente pensava e que ela tinha ido na casa de uma colega dela e passou perto da casa da Baratha e essa estava descendo as escada toda feliz e quando a viu ficou automaticamente sem graça e a mae da Baratha estava chamando ela pra fazer nao sei o que e ela se decepcionou ao ver a Valeria passando ali em frente à casa dela e eu e ela pegamos o metro feito duas loucas e fomos andando um pedaço da radial as duas loucas sozinhas, e eu nem imaginando que eu estava com uma menor, pra mim nos duas tinhamos a mesma idade...
E ela falava mal dela o caminho todo, ate parecia que era ela quem gostava do Sandro e nao eu, ou ela estava defendendo a tal da Janinha... E nao conseguimos achar a casa, passamos do outro lado do metro e ficamos ali andando, se fosse hoje, eu acho que pensaria duas vezes, ao passar por ali e ficar dando ouvidos a ela e às coisas que ela falava da familia dele...
Eles tinham um cachorro pastor alemao chamado Swaat e eu achava engraçado, todas as vezes que eu passava la, aquele cachorrao ficava li latindo, no portao fechado da casa deles e uma vez a Valeria contou que o Swaat havia sumido, a carrocinha pegou o cachorro e viram e contaram pra um deles, e os tres foram la na carrocinha busca - lo com o aval do seu Alencar que ficou aguentando a encheçao de saco do Jehan por causa do cachorro que tinha fugido da casa deles...
E parecia que o cachorro era do Jehan, e nao da familia toda, como parecia, quando eu passava la, mas eu acho que era somente do Jehan que era quem cuidava do bicho...