terça-feira, 19 de julho de 2011

Fora a Nova York para encontrar um pedaço de seu passado, pelo menos o passado de sua mãe, mas isso não aconteceu.
Como poderia encontrar a mãe, ou a si mesma, em um hotel fino com saguões de mármore e restaurantes de cerejeira?
A vida no Le Meridien de Nova York era de pretígio elevado, chique e barulhenta, e talvez assim fosse a cidade, afinal de contas.
E talvez esta fosse a razão por que Chantal sabia que sempre seria uma estranha ali.
Não era a ilha dela, o reino de seu marido, ou sua maneira refinada e elegante de viver a vida.
Mas talvez esta fosse a fascinação de Nova York.
Lembrou - se da vista da suíte real.
A cidade tinha a ver com mudança, escolha, poder e sacrifício, e enquanto a cidade pulsava em volta dela, soube que não possuía esse tipo de força.
Ou coragem.
- A vida é um quebra - cabeça.
- Pode ser.
Ou poderia ser bem simples.
Também fora bem simples para Chantal no passado.
Não mais.
Não desde seu casamento, o nascimento de Lilly, a morte de Armand.
Nada era claro.
Nem simples.
E pensar na falta da simplicidade a fez lembrar - se do garçom naquela manhã no restaurante do hotel.
Tinha sua própria mesa - seus assistentes sentavam - se em uma próxima - e o garçom desafiava a descrição.
Literalmente.
- Havia um garçom no restaurante do hotel - disse ela, imaginando o garçom alto, que devia ter pelo menos 1,85cm, cabelos longos, uma voz macia, ombros caídos, cintura delicada, quadris largos e, contudo, era um homem.
Pelo menos nascera homem.
- Ele não combinava com o corpo.
Não sei se estava tomando algo para ficar mais feminino, ou talvez apenas desejasse isso, mas...
- Mas o quê?
- Eu o admirei.
Por se recusar a passar a vida como alguém que não queria ser... por não querer passar o resto da vida em um corpo que não lhe era adequado, ou desempenhando um papel que não lhe era apropriado.
- Parece que o garçom tomou medidas drásticas.

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