quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O calor da mão dele parecia explosivo.
Chantal engoliu ar, a cabeça girando ao contato inesperado.
Havia tanto tempo que ninguém a tocava. Nos últimos anos, só Lilly. Os abraços de Lilly.
Oh, Deus, ter trinta anos e ser tão solidária...
Ser uma mulher e não se sentir uma mulher.
- Relaxe. Não vou machucá - la.
- Eu sei.
Com os olhos fechados, quase pôde imaginar uma vida que nunca tivera. Pôde se ver esposa de alguém com uma linda casa com cortinas azuis e vista para o mar. Entrou no devaneio e não pensou em mais nada.
- Desabotoe sua blusa, princesa.
A voz dele embalou seus sentidos. Ele esperava obediência.
Esperava que ela fizesse extamente o que dissera.
- Vamos, princesa. Ou eu desabotoarei.
Ela tremeu e levou as mãos ao primeiro botão. Não conseguia acreditar que estava realmente desabotoando a blusa. Onde estava sua cabeça? O que estava acontecendo? Como podia ter perdido o controle? E mesmo assim não parou.
Ele não se moveu. Não olhou para os seios dela.
Ela se agitou ao toque investigativo dele. A sensação era vigorosa, quente. Chantal sibilou.
- Isso dói?
- Está... sensível.
- Recostou - se. Estou preocupado com suas costelas.
Sentia arrepios. O toque dele era quente e a deixava em alerta.
O que estava acontecendo dentro dela, em volta dela, com o mundo? O céu escuro agitava - se, ouvia - se o estrondo de um trovão e um som mais profundo refletiu de uma extremidade a outra do céu.

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