- Sou da Grécia - retrucou ele, levantando - se.
Atravessou o estreito corredor e sentou - se na poltrona ao lado dela.
"Ah, grego", pensou ela.
- Sou a princesa Chantal Marie...
- Sei quem você é.
É claro que ele sabia.
Que idiota.
Ela se esforçou para parecer normal.
- Qual é seu nome?
- Demetrius Mantheakis.
- Difícil de pronunciar.
- Sim.
O jatinho gemeu alto e fez um movimento estranho.
Flexível.
Móvel.
- Isso não é mais turbulência, é?
- Não.
Foi o que pensou.
Expirou lentamente, tentando ignorar o medo.
- Como está seu cinto de segurança? - perguntou, mas não esperou a resposta.
Estendeu as mãos e verificou ele mesmo.
- Você não tem de fazer isso.
- Fazer o quê?
Achou que a voz dele era dura e que o sotaque não era como o dos gregos que conhecera.
O tom era mais duro.
A modulação, mais áspera.
- Divertir - me. Distrair - me. O que quer que esteja fazendo.
- Chamo isso de fazer companhia.
Ela tentou sorrir, mas não conseguiu.
Sentia - se descontrolada por dentro, o coração disparado.
Estavam sobrevoando o oceano Atlântico, voltando para a Europa.
Não havia nada debaixo deles, exceto água.
Mesmo que precisassem aterrissar, não poderiam.
Virou - se para a janela.
O trepidar do avião, as nuvens negras, a sensação de que a destruição estava a um passo de distância aguçava seus sentidos, o tempo se esticava infinitamente, de modo que o futuro parecia impossível.
"Lilly".
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