quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

E uma vez a Ligia me falou, quando conversavamos na lojinha, e a minha mae tava na porta disfarçadamente, olhando pra fora, mas ouvindo o que estavamos falando.
Ela me falou que ele gostava de mim, mas nao queria dar o braço a torcer, e tava eu e a Juliana, acho que a Simone junto, a popular Bigodinho, assim que a Juliana falava dela quando sentia raiva dela, pois as duas viviam juntas mesmo...
E eu nao acreditei, eu tava falando que eu ia logo falar com ele, pra perguntar o que era que ele queria comigo, ja que ele so me olhava e nao falava nada e a Ligia me falou isso e eu fiquei pensando e falando ao mesmo tempo, vai que ele gosta ne, e eu magoe ele e ai ja era...
E eu fui deixando, fui deixando, como eu continuo deixando ate hoje pra nao magoa - lo.
E ele sempre me magoando...
Pois e, mais e assim mesmo... Eu ate que sou feliz, embora cheia de magoas, com o coraçao partido, machucado, ferido, mal tratado, cheio de crateras, parecendo ate o solo lunar...
Chegava os finais de semana e eu ja aguardava, uma vez as meninas vieram me contando, meninas de sempre... Como a Juliana, a Marta, a Simone, a Fabiana que era a prima da Juliana, que estavam no onibus e ele subiu e de repente uma delas viu, nao sei qual delas que foi, que viu e cutucou a outra e elas começaram a falar alto e olharam pro espelho do onibus, um espelho redondo que tinha la no onibus, que o motorista visualizava quem entrava, disseram que ele entrou pela porta de tras, sem pagar, afinal de contas ele tava servindo ao governo entao ele tinha direitos e mais direitos...
E o motorista parou e ele entrou, e logo visualizaram e ele começou a raspar com a mao a porta do onibus pra elas olharem e uma delas so que viu, e elas estavam fazendo a brincadeira do Dunha, aquela... do tipo... Voce conhece o Dunha? A outra perguntava e a outra respondia: Dunha? Que Dunha? E a que perguntou, respondia... Aquele que coçou o cu ca unha... E davam altas gargalhadas.
E ele escutou todas aquelas besteiras, vai ver ate que tava morrendo de vontade de ir da palhaçada delas...
So que era dia de semana e tava tao dificil de acreditar que ele estava aqui em Sao Paulo, pra mim ele ainda estava la em Brasilia...
Mas nao estava em Brasilia, estava mesmo era aqui em Sao Paulo...
Em outro dia, elas o viram na porta do Banco Itau la da Vila Granada, conversando bem alto com um cara e gesticulando.
E no minimo ele recebia a grana por estar servindo o exercito, pelo banco Itau ou as vezes recebia do Banco do Brasil e colocava a grana no Banco Itau, ja que era so um salario minimo que ele ganhava mesmo pra prestar serviços pro governo.
E sempre as pessoas vinham com informaçoes quando eu nao o via pelos caminhos tortuosos pelos quais eu passava sempre, era pra eu nunca esquece - lo mesmo...
Eu estava muito feliz, por ele ter terminado o noivado com a Luciana e agora... Agora ele seria so meu, somente meu...
E tava demorando, hein?
Tava demorando muito pra ele vir falar comigo, porque, se ele gostava mesmo de mim, ele tinha mesmo e que vir logo falar comigo, pra gente começar a namorar, a noivar e ate a casar logo e se nao desse certo, se nao desse certo eu teria que esquecer, sofreria, sofreria, mais nao poderia fazer nada, o importante era eu entregar tudo ao destino e ser feliz, nao podia deixar de ser feliz, acima de tudo ser feliz...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Alias, ainda nao... Porque eu nao to tao vivida assim e nem tampouco tenho idade o suficiente para amadurecer, ainda to titubeando mais chegando la, nos meus quarenta anos de idade, conheço gente que tem menos juizos do que eu.
E voltando ainda à viagem... Quando eu e a minha mae, olhamos o recinto, e a minha mae sentou na cama e colocou a mao pra testar se o coxao era macio, olhamos os pes dela que estavam inchados, desde la do aeroporto que ela reclamou que seus pes estavam inchados e eu olhei preocupada.
E nos nao gostamos do local, imagine so...
Era sem estuque, eram as telhas puras que eram vistas pela gente.
Ai nao deu certo, nao sei como e que foi so sei que fomos parar na frente do Zen Hotel.
E o meu pai desculpou - se com o homem e ele nos levou de volta, ai eu acho que foi ai que passamos em frente ao Zen e ele nos levou.
O hotel ate que era bonitinho, as paredes eram todas rusticas, muito estranho mesmo.
Brancas e rusticas pareciam mais um labirinto do que em hotel e as janelas todas fechadas e so com ar condicionado, ligado, entrando no sonho da gente, mas dava pra dormir...
E as camas eram firmes mais bem melhores do que as de muitos hoteis ou pousadas que a gente ja foi.
Era ate que legal...
So que la tinha um defeito muito grande...
Servia ouvo direto no cafe da manha, um colesteral ferrado.
E como eu era novinha, eu ate que nao me preocupava com isso, mais agora... Agora sim e que eu tenho que me preocupar...
E eu sempre reclamava disso, e teve um dia que teve que colocar o que teria que melhorar no hotel e eu acabei escrevendo la que a melhoria seria se parassem de servir tanto colesterol na hora do cafe da manha.
Tudo bem que na minha casa era so leite com chocolate pra mim e pao com manteiga, mas quando a gente saia, a gente queria era novidade, afinal de contas, a gente tava pagando, nao era?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Velho e feio, so com grana...
Sem grana nao arruma nada comigo e nao com ninguem...
E voltando à viagem...
Nao achamos nenhum hotel, e tava tudo caro e cheio, epoca de ferias, temporada, calor e verao...
E o lugar muito concorrido, entao um homem se aproximou do meu pai falando que tinha um lugar pra hospedarmos e que era muito bom mesmo...
E eu e a minha mae fomos seguindo o homem que colocou as nossas malas no carro e eu fiquei dentro do carro, admirando a cidade, enquanto os dois conversavam.
E se fosse hoje em dia, eu nem sei o que o cara ia fazer com a gente...
Porque ta um tal de sumir com as pessoas, roubar, matar...
E o perigo ta correndo à solta...
Chegamos à casa do homem e eu pensando que era um hotel ou uma pousadinha pequenininha e bem confortavel, confiavel tambem, e claro...
Mas nao... Era a propria residencia do homem, onde ele nos levou la nos fundos da casa dele e ele tambem falava comigo como se eu fosse uma criança, alias pelo meu modo de agir, com vinte e tres anos na cara e no corpo, era como um modo de criança mesmo...
Entao, era por isso que a maioria das pessoas que nao me conheciam me tratavam assim...
Ai meu Deus, quando e que eu me tornaria uma mulher adulta, hein?
Demorou... Mas eu me tornei, ou quase me tornei...
Mas a vida e assim mesmo, se voce nao jogar de acordo com as castas que ela te da, voce nunca e bem visto e bem tratado.
Agora, ate que eu to aprendendo a viver, aprendendo a jogar de acordo com as cartas que a vida me da...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Isso que aquele povo idiota da rua dele e os que os cercavam queriam pra ele!!!
Nao queriam a Silvia nao, eles queriam era uma Gisele pra ele.
Talvez aqueles caras idiotas que andavam com ele, queriam esse tipo de mina pra ele, somente pra tirar uma casquinha da mina e ele sempre ficar na mao.
Bobao do jeito que ele sempre aparentou ser, e logico que a mina iria trai - lo deibaixo do nariz dele e ainda era capaz dele perguntar o que aquele cara tava fazendo encima dela.
E ela era capaz de responder que nao era nada nao, e que ela tava era com uma coceira na bunda e o cara nao tinha como coçar, entao ele deitou encima dela e os dois trançaram as pernas e... Ai ja viu, ne?
Antigamente, alem de bonito, eu o achava inteligente tambem, so o achava burro porque ele tava com a Luciana, a que chamavamos de Baratha, claro que eu fui a co - autora disso tudo, era a noiva dele...
Ficaram noivos e depois passaram bem na minha frente, batendo as maos com as alianças reluzentes e a tonta aqui nem percebeu isso, ne?
E depois eu me desmanchei em choro quando as minhas colegas me falaram que ele tava era mostrando a aliança pra mim.
Gozado, a vida e assim mesmo...
E naquela epoca, pra ser considerado gente, voce tinha que usar roupa de marca, nem que voce conseguisse esse tipo de coisa atraves de roubo.
E se voce usasse uma roupa de marca, a sua tendencia era de arrumar um namorado todo gostoso, cheiroso e bem apessoado, mesmo se ele nao trabalhasse.
Bastava ele ter essas tres qualidades, ser um cara de presença, era o que todo mundo queria ser...
E se voce nao usasse roupa de marca, voce nao era nem considerada, nao era uma mina descolada e a sua tendencia era muito forte para arrumar um namorado baianao, aqui no Brasil o baianao nao e aquele que mora no Nordeste do Brasil, sao aqueles que vieram do Nordeste, tentar a vida aqui e andam fedidos e mal vestidos.
Pois e, era bem por ai mesmo, eu sempre tive o dedinho podre, quando aponta e aquele ali olha... O cara tem de tudo pra ficar comigo e me fazer feliz, mas infelizmente ele nao me quer, ou entao me apontam... E aquela ali olha... O cara e um baianao, horroroso, nao tem emprego, ganha pouco, e alem de tudo, e fedido e mal vestido, nao tem nada a ver comigo e vai ser dificil de me conquistar...

domingo, 26 de dezembro de 2010

E, mas a vida e assim mesmo, a mulher que ele se casou nao e nada de fechar o comercio nao, assim como todos falavam, nao e uma Ivete Sangalo, mas e bem parecida, so nao e ela, e nem tampouco tem a grana que ela tem...
E a vida da tantas voltas que tudo o que ele me fez passar, agora ele passa em dobro, pois sempre quando me encontram, sempre dizem que o casamento dele e feito atraves de brigas e mais brigas e que eles chegam ate a brigar quase no meio da rua, aquela mesma baixaria de sempre, ne?
Mas nao tem aquele ditado de que quem ama sempre briga?
Entao...
Às vezes eles se amam, mas ate que ninguem tomou consciencia disso e o povo deve torcer para que o casamento deles acabe so pra eu ficar no lugar dela.
Mas nao e assim que funciona, ne?
Se fosse assim que funcionasse, era facil de se concertar todos os problemas de todos os casais casados e juntados de todo o mundo...
E voltando ao meu passado, ja que todo mundo queria saber que fim deu o Sandro, se ele ficou comigo ou nao, a resposta e Nao!!!
O cara era na epoca, muito galinha e muito Maria vai com as outras...
Atras das opinioes dos outros voce nao arruma nada, ne?
E ele era bem assim...
So ouvia a opiniao dos amigos dele, ou melhor... Daqueles que se diziam ser amigos dele.
O cara era daquele tipo popular, galinha, que saia com todas e so nao saia comigo e o pior era que ele provava isso pra mim, provava que era capaz ate de sair com todas as Bichanas do bairro e todas as Ratas que se encontram em todos os bueiros do mundo, menos sair comigo!
Talve ate ele tinha vergonha... Vergonha do meu jeito de ser, de me vestir, era isso que as pessoas que o cercavam queriam para a vida dele.
Queriam uma mina de parar o transito, uma Miss Universo pra ele, uma mina cheirosa, toda de roupa de marca, gostosa, peituda, bunduda, rica e com roupa de marca, que era o fundamental, e claro...
Era isso!!!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Afinal de contas a vida era totalmente sem graça sem pensar nele, sem ama - lo, e sem poder curtir o meu grande amor platonico...
Eu sei que eu nunca deixei transparecer para os meus pais pois era eu que sofria de um amor platonico, alem de ser platonico, nao era correspondido...
Ou pelo menos... Nao sei...
Porque ate hoje eu nao sei se ele sentia alguma coisa por mim, algum tipo de atraçao.
So sei que ele me olhava, tipo me convidando pra beija - lo.
Nao sei...
Era com carinho, nao com rejeiçao, assim como os meus outros amores platonicos.
Ele nunca me falou se gostava ou nao de mim, apesar de demonstrar que gostava de mim.
Eu so ouvia boatos, pessoas que conheciam o Sandro e que falavam por cima, e eu nao entendia direito, ou pelo menos fazia de conta que nao entendia...
Eu nao via a hora de retornar pra casa e ve - lo passar em frente à loja, afinal de contas foi ali que eu o vi pela primeira vez e ninguem quis me apresentar...
Ficou uma coisa um tanto quanto estranha, porque todos me falavam que ele nao ficava com qualquer uma...
Uhn... Me tiravam como qualquer uma...
Principalmente a Iris, que sempre falava que ele nao ficava com qualquer uma...
E as pessoas sempre se acham e se sentem as rainhas das cocadas pretas, e sem nenhuma grana no bolso...
Se eles tivessem grana entao, o que eles fariam comigo?
Era assim: "O Sandro nao fica com qualquer uma, ele so fica com mina de cabelo na bunda, liso e loiro, ou entao essas morenas que fecham o comercio!"
Imaginava eu, esse pobre ser esquisito, que se sentia mais esquisito ainda, tendo que suportar a soberba de quase todos os que me cercavam, ate mesmo gente que se fazia de amiga, e so se aproximava pra zuar comigo e pra me colocar cada vez mais pra baixo...
E quando ele passava perto de mim e me olhava e me perguntava: "Meu Deus do ceu, o que esse cara quer comigo? Se eu nao sou nenhuma loira do cabelo liso e comprido e nem tampouco uma morena de fechar o comercio?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mas era a raça do bicho, oras...
E ele riu na minha cara, nao acreditando.
E como sempre, a minha mae tinha dores pelo corpo, e ela havia se cansado da viagem e naquele calor... Ele pediu para eu aguarda - lo perto dela e foi o que eu fiz, olhando as coisas e esperando ali, junto a ela.
E depois, quando ele nao achou nada, me pediu pra ir com ele e ficamos procurando os telefones dos hoteis e enquanto eu ditava pra ele, compassadamente, ele ligava e falava com os donos dos hoteis ou os atendentes pra ver o preço dos quartos.
E naquele tempo, a situaçao era bem melhor pra gente, pois tinha inflaçao, juros exorbitantes, de acordo com a poupança e tudo ia muito bem, melhor do que nos dias de hoje...
Pois todo o dinheiro que o meu pai tinha, tava na poupança rendendo e so gastava os juros que corriam, sendo que nunca ficava sem grana pra poder sair.
Nao era como hoje em dia, esse caos economico...
Lembro - me que os fregueses da nossa lojinha, a maioria da rua do Sandro, pediam pra minha mae guardar as mercadorias de um dia para o outro no mesmo valor, pois no dia seguinte, podia contar que eu ja mudava as plaquinhas dos preços, pois era assim que ia a economia do Brasil...
Pois as coisas nunca paravam de subir...
E o presidente ainda era o Fernando Collor...
E o Brasil ainda nao tinha tomado jeito, como sempre...
So viajava quem tinha grana mesmo, pois muitos nao tinham condiçoes de andar nem de busao da casa deles ate a cidade...
Mas o desemprego nao era tanto...
As pessoas saiam e logo chegavam em casa empregados.
E assim a vida do brasileiro ia...
E eu, como sempre, cheia de sonhos...
Parecia ate que eu vivia dormindo, nao havia uma noite que eu me deitasse sem pensar no Sandro...
Afinal de contas, ele era o meu grande amor, e com ele eu sonhava em me casar e ter filhos, assim... Uma familia.
A familia que eu nunca tive...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Porque ele ate deu um sorrizinho, nao sei se ele gostou do fato de eu falar aquilo pra ele ou do fato de me achar ridicula.
Mas... Vamos ao que interessa, falar de 1992, porque estamos em 1992...
Pegamos o aviao, e naquela epoca era chique andar de aviao, ate almoço servia em voos domesticos e outra coisa...
Eu ainda era uma das pessoas que andavam de aviao e ficava quase um mes fora de casa, viajando...
Vivia uma vida de rainha, pois meu pai sempre me sustentou e eu nunca precisei trabalhar, pois em casa, era so ou estuda ou trabalha...
Entao, quem queria estudar, estudava, mas nao trabalhava, mas quem queria trabalhar, nao estudava...
E assim eu fui, fomos ate Fortaleza, e eu me lembro que a minha mae ate queria voltar do aviao mesmo, devido ao calor, e ela perguntou pra aeromoça se podia voltar dali mesmo, e ela disse que nao, porque esse era o destino dela e a minha mae insistiu de novo, perguntando onde ia o aviao e a moça respondeu que ia pra Sao Paulo.
E realmente o calor era totalmente insuportavel!!!
E nao estavamos acostumados ao calor daquele jeito, ia mais de quarenta graus e o meu pai como sempre começou a procurar hotel pra gente se hospedar, pois nao era feito isso em Sao Paulo, somente era feito quando se chegava la.
Em casa somente pesquisava - se os preços e la procurava - se os hoteis pra ficarmos.
Logo que chegamos la no aeroporto, o meu pai foi pesquisar la, ligando para os hoteis e eu vi um cachorro de lingua azul, daqueles grandoes, o meu forte era por gato, mas quando um cachorro chamava a atençao, eu achava bonito.
E depois que ele chegou, falando nervoso que tudo tava caro, eu falei desse cachorro e ele ainda repetiu em tom de pergunta: "lingua azul?" Onde se viu um cachorro com lingua azul?
Tinha e o pior que tinha...
E eu imagino que ele deve ter pensado que o dono deu um ki suco azul pro animal para leva - lo para o aeroporto somente para exibir.

sábado, 18 de dezembro de 2010

E o meu irmao ainda estava em casa, preso dentro de casa, pois ele tinha horror à cadeia, e ele sempre falava que se fosse pra ele ser preso, ele ia, mais ia se matar na prisao, porque ele nao era passaro pra vier em gaiola e nao foi o que aconteceu a seis anos depois...
É mas na hora de pintar e bordar ele nao pensou nisso, né?
E a minha irmã que tinha ficado viúva a dois anos atras, tambem estava morando conosco, ela e os meus dois sobrinhos.
Nao sei se foi muito boa a ideia que a minha mae teve de deixa - los morar conosco...
Pois quando a minha irmã chegou em casa, viuva e desgostosa, bastante abatida é claro, a familia aumentou mais e com isso, a despesa tambem aumentou...
E com isso a maior consequencia foi pra mim, porque eu havia perdido o meu banheiro e o meu quarto privativo.
Mas... Fazer o que, né?
Eu nao podia ir contra as ideias da minha mae, afinal de contas eu nao trabalhava e nem pensava em jamais sustentar a casa...
Sao coisas da vida...
E se a vida fosse somente isso, estava bom demais...
Mas nao era bem assim.
Fora isso, eu ainda tinha uma individua que me azuclinava o tempo todo, uma menia chamada Iris, bem mais nova do que eu e ainda colava na minha, sem ao menos me respeitar, por eu ser maior de idade...
Ela me chingava de nomes feios e baixos demais.
Ali estava ela!!! Sempre me chingando, me ofendendo e me desafiando...
E se eu fosse de briga, garanto que rolava com ela no chao.
Mas so que a minha mae nunca me ensinou isso, ela sempre me ensinava ao contrario.
So que tem hora que nao aguentamos, e eu sempre tive que aguentar esse tipo de perseguiçao, pois nao era so ela, eram varias pessoas que praticavam esse tipo de coisas comigo, e hoje em dia, isso e crime e tem nome, é Bulling pra adolescente e Atentado ao Pudor para maiores, e os pais sempre acabam respondendo pelos erros cometidos pelos filhos...
E fizemos a nossa viagem, como no ano anterior, mas so que agora eu estava com um novo amor... O Sandro!
O cara mais bonito e mais gostoso da redondeza, que tinha uma namorada e que ia se casar com ela, no proximo ano, assim como ele me falou no ano anterior, so que ainda faltavam dois anos pra eles se casarem, foi bem quando eu falei pra ele que gostava dele, a idiota aqui falou e no fim nao recebeu nada em troca... Que loucura!!!
No minimo, na epoca, ele deve ter me achado feia, monga e horrorosa!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Coisa que eu nao deveria ter feito nunca...
Pois eu nunca tive reconhecimento disso...
E eu imaginei nessa, que vinha com um cara com um carro preto e falava com ele, em tom de briga e ele era empurrado dentro do carro e forçado a servir o exercito.
E deve ter sido bem assim mesmo...
E no minimo a mae dele deve ter arrumado as malas dele sabendo que ele iria pro exercito.
E ele ainda tinha uma namorada aqui, chamada Luciana, a vulto Baratha, assim como eu a chamava, e as minha colegas iam na minha onda...
E relembrando todos esses fatos, tem hora que o meu coraçao fica bastante apertado...
Talvez fossem fatos que eu nem deveria tomar conhecimento em me lembrar...
Nao, se eu ja estivesse casada, e claro.
Mas eu fiquei solteira ate hoje, pois eu nao encontrei nenhum partido bom pra me casar, um partido bom mesmo e com grana, e claro, e que me afastasse dessas lembranças malditas...
Mas, como eu decidi falar sobre a minha vida, entao... Se esses fatos fizeram parte da minha vida, cabe a mim relembra - los...
E o engraçado e que no minimo ele deve achar que eu nao me casei somente para espera - lo, mas nao e bem assim, ou sera que eu estou esperando ele ate hoje?
Nao sei... Mas a desculpa desse fato nao ter ocorrido ate hoje, e que eu nao achei um bom partido...
Pode ser feio, velho, mas com o principal, coisa que e muito dificil...
Dinheiro!
E so isso que eu quero...
Porque pra ser feliz com uma pessoa que a gente nao gosta, basta ele ter grana pra me conquistar, e isso ai...
E assim estou vivendo...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

1992 enfim chegou, trazendo algumas novidades pra mim, alem do que, uma delas era entrar na faculdade e fazer o curso que eu sempre sonhei, Geografia, se fosse hoje em dia eu pensaria duas vezes antes de fazer essa faculdade...
Pois hoje em dia, um professor e muito humilhado e muito mal pago.
Mas enfim... Dentre todos os meus sonhos que eu sonhei em toda a minha vida, tinha um, que ate o presente momento, nao realizei...
Foi o meu grande amor platonico pelo Sandro, começando em 1991, como eu ja relatei aqui e terminando muitos anos depois...
Nao sei, pelo fato do meu amor platonico pelo Sandro, ser muito lindo e as unicas coisas que estragavam esse sentimento meu tao bonito por ele e que jamais fizeram nos realizarmos, eram as pessoas que estragavam a minha vida cheia de sonhos e ilusoes e que acabou sendo uma vida cheia de sonhos e desilusoes...
E muitas coisas ruins em relaçao a esse belo amor platonico, aconteceram...
Talvez ate por ele ser muito bonito e ser muita areia pro meu caminhaozinho...
Mas ao dizer isso, eu ate entro em contradiçao, pois ele sempre foi visto por mim, com meninas feias demais e ele fazia questao de passar com elas bem na minha frente, somente pra me mostrar que era somente comigo que ele nao queria sair...
E isso me magoava e me chateava muito, me feria por dentro e tambem por fora, fui me amarrando cada vez mais, parecia ate macumba...
Sempre marcava seus passos num diario que de raiva dele e desse maldito diario ate joguei fora, poderia ser de raiva tambem das pessoas que circulavam a vida dele, nao sei...
Ou poderia ser dele mesmo, vai saber...
As coisas andavam bem pra mim, tirando esse sentimento...
No inicio do ano, depois do ano novo, sempre iamos para o Nordeste Brasileiro, passar as ferias la...
E eu fui um pouco chateada, porque eu fiquei sabendo, pelo pessoal da rua dele, que um cara do exercito veio busca - lo praticamente forçando - o a servir o exercito e que ele teria que ir pra Brasilia, a capital federal, porque ele havia demorado muito pra se alistar e pra acertar seus documentos.
Entao... Ele tava indo muito tarde e que na casa dele tava uma choradeira tremenda e ate eu a mais idiota, fiquei chorando por ele...

domingo, 12 de dezembro de 2010

E quando fizeram a peça que a Silvana era uma gorda, que comia doces da doceria Modelo, la da Penha, isso eu sei por que eu fiquei insistindo tanto de onde ela tinha comprado aqueles doces maravilhosos que ela ria e falava pras meninas que eu tava querendo saber onde e que ela comprou aqueles doces divinos e maravilhosos e ela acabou falando que foi na Modelo e ela ficava toda hora falando e oferecendo o doce pra plateia que era a gente e as criancinhas que riam demais...
"- Quer?" ela ficava perguntando e eu ria demais, e ate queria um doce daquele, afinal de contas eu sempre fui louca por doces, depois da hepatite e claro...
Na Penha, antes do shopping que tem agora, abrir, tinha duas docerias la que disputavam a liderança e uma delas era a Modelo que era meio suja mais tinha cada doce ali que fazia gosto e sucesso e a outra era a Marcella que era mais chique e mais limpa e vira e mexe ela abria e depois fechava, ate que fechou de vez, no mesmo local, e claro, sempre reformava pra ficar mais chique ainda, ate uns tempos desses ai ainda tinha, mais fechou novamente e ate fechar de vez, e no lugar, tem outra lanchonete muito suja que eu nunca entrei la, tenho muito nojo, mais nojo ainda do que da Modelo, so que os doces que tinham na Modelo, me tentavam a entrar la...
E fizemos varias peças, sobre situaçoes diversas, teve uma situaçao muito engraçada que foi aquela que tinha uma sala de aula e a Luciana que fazia o papel de uma menina sem vergonha que queria os meninos, falou que ia pedir papel nogenico pra professora pra ir ao banheiro, virando - se pra tras e a gente ria muito, mais muito mesmo, essa peça nao saiu da nossa sala, ficou apenas entre nos, era a Luciana, a qual eu a chamava de Irma, a Sonia, a Silvana e mais algumas meninas.
E em outra apresentaçao, que tinhamos que fazer pro Almerio Almeida, ele exigiu que apresentassemos uma historinha que lemos num livro la, em uma televisaozinha, so que naquele tempo nao tinha multimidia ainda, entao o meu irmao fez o negocio de madeira mesmo e o Miguel ate fez o desenho e ja que ele tava ocioso mesmo em casa, ficou desenhando nas folhas que eu comprei e colou ali na televisaozinha de madeira que o Marcos havia feito depois do cavalo marron com cilios e sombrancelhas que eu ficava perguntando pro Miguel se cavalo tinha cilios e sobrancelhas e ele falou que sim e como eu nunca tinha visto um cavalo pessoalmente, acreditei que tinha cilios e sobrancelhas e depois que o negocio ficou pronto e que começamos a rodar a manivela na sala de aula para apresentarmos o tal trabalho, o professor Almerio mandou parar tudo e ficou zuando comigo, perguntando se cavalo tinha cilios e sobrancelhas e eu falei que nao sabia e que tinha sido o meu irmao quem tinha desenhado e pintado pra mim, ja que ele estava ocioso em casa.
Fiquei contando aquela historia besta e rodando a manivela da televisaozinha.
No magisterio nao era so eu quem trabalhava nao, a minha mae que ajudou a costurar aquelas letras que me fez espirrar ate, de tanta alergia que eu tinha, o meu irmao que pintou o cavalo e o Marcos meu outro irmao, que fez o desenho do cavalo.
A professora Silvia que chamavamos de Escolinha, nos mandou fazer um apoio de livros que o Marcos fez, segundo o modelo que eu trouxe e o pintou de preto e esse negocio foi parar no lixo a anos, levei o negocio no onibus, quase que atrapalhando todo mundo, eu ficava com medo de machucar alguem ali na conduçao e as coisas virem totalmente pra cima de mim, como era o de costume, ainda bem que nada demais aconteceu, mesmo a tarde que o onibus estava lotado!!! E eu tive que levar uma segunda vez, porque eu era a unica que tinha esse apoio de livros do jeito que ela queria e ela gostou e falou que o meu estava certo e me pediu delicadamente para que eu o levasse na aula seguinte e eu fiquei teimando com ela, que eu vinha de longe e ate que ela me chamou de Miriamzinha e eu acabei aceitando levar o negocio no outro dia, novamente naquele atropelo todo e eu acabei levando o barato dela, aquele peso denovo e depois ela me agradeceu muito, e quem ficou com o peso todo foi eu, ela me agradeceu toda sorridente e feliz, por eu ter levado o barato dela, e ela demonstrou pra todas as meninas, explicando como deveria ser feito, e as meninas prestaram a atençao e depois ficaram me olhando, com inveja por causa do meu trabalho que dava trabalho, e eu fiquei novamente satisfeita, por ter sido lembrada, por uma coisa que eu tenho...

sábado, 11 de dezembro de 2010

E uma vez que eu fiz todo mundo rir, ate mesmo as metidas, porque fizemos uma peça que era mais ou menos a vida da Elisangela, que tava pra se casar com aquele cara que eu acho que ela vive ate hoje, e na peça tava eu, a Marcia Rossi, a Marcia Gimenez, e eu era a mais pobre, olha so o que colocaram pra eu fazer... A mais pobre, pintaram os meus dentes de preto, como se eu fosse pra festa junina dançar na quadrilha e quando eu abria a boca, todo mundo da sala ria, e eu nao tava nem ai e nenhum pouco encabulada nao, eu queria era que acabasse logo tudo aquilo...
E o namorado da Elisangela era bem pobrezinho, segundo o que aquelas meninas diziam, e eles nem tinham fogao na casa deles, ao passo que a outra menina que havia feito alguns anos de magisterio conosco, e tava no Zalina Rolim de manha e ela tinha de tudo na casa dela, o cara que ela ia se casar, era melhor de situaçao, ao contrario do namorado da Elisangela, mas... Como as coisas se invertem e sempre mudam, talvez a situaçao agora seja diferente pra garota que casou com tudo que tinha direito em casa...
E foi escrita uma peça que foi mais ou menos a vida dela, segundo a Marcia Rossi havia dito.
E ela ate gostou da homenagem, embora ela tambem, na epoca estava no roll das chatas e ignorantes, que tambem me tratavam mal e nem queriam saber de papo comigo, hoje em dia ela ta ate no meu Orkut, e ela, a Alessandra que me chamou de cara de pau, quando eu a adicinei, a Paulinha, a Marcia Gimenez e a Zorzato, sem contar com a Treicy que era rival da Gimenez, tambem estao la no meu Orkut...
E a Elisangela, nessa epoca, tava gravida e tinha ate fugido de casa pra morar com um cara que nem fogao tinha, e depois que as meninas mais chegadas a ela, foram la na casa da mae dela e falaram com a mae dela e ai que a mae dela a aceitou de volta, nao com tanto carinho assim, mais aceitou, tambem depois do que ela aprontou, a mae dela nao aguentava mais ela, segundo o que era falado nas reunioes da escola...
E nos trabalhamos nessa peça, e ninguem deixou coisas em demasiado pra eu fazer, assim como a Alessandra sempre deixava, levamos roupas, pinturas e tudo o que foi mandado, e foi bom demais e engraçado demais, e essa a minha mae tinha que ter visto...
E teve outra que foi feita naquelas salinhas ali que estudavam as crianças do prezinho, que foi muito legal, foi uma peça de uma tribo indigena, escrita nao sei por quem la e eu me lembro que nesse grupinho tava eu, a Marcia G, a Alessandra que sempre falou que eu seria o indio e a Marcia G seria a india que eu iria escolher, e isso deve ter sido ideia dela, e claro, porque a peça tava bem puxada pra buxaria e pro sexo e entao e claro que era ideia da Alessandra...
E colocamos sainhas curtissimas brancas de shortinhos desses vermelhinhos, tipo shortinhos as crianças do prezinho mesmo e as roupinhas tambem eram assim, camiseta branca e tudo...
E eu tava um pouco envergonhada, pois eu nunca tinha feito papel masculino antes e eu falei que nem indio, perto das criancinhas e peguei a Marcia G que tava toda feliz e sorridente e saimos e todos aplaudiram a pecinha inocente da Alessandra, olha so...
E uma outra vez, foi uma peça baseada na vida de uma tia da Marcia G e o titulo da peça era assim olha... Quem casa quer casa... E foi a Marcia quem deu a ideia e nao sei qual menina que a pegou no colo, e ela tava toda vestida de noiva, de branco, imaculada que saia com todo mundo, com a Penha inteira, saltou sorridente do colo da menina, logo que elas entraram pela porta e a casa tinha um monte de primos, primas, gente deles mesmo, da familia tanto do lado do noivo como do lado da noiva, e foi muito engraçado, dessa peça participaram a Sonia, a Silvana, so a Alessandra que nao, pois vira e mexe ela tinha uma discussao com as meninas la do fundao, praticamente com todo mundo, quase ninguem gostava dela, com exceçao da Cristina que grudava nela e eu, que vez por outra dava uma atençao a mais pra ela e era enxotada, afinal de contas, eu quase nao tinha amigas...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E ela tava era certa, fazendo o curso so porque a mae dela queria, e ruim, hein?
E eu ja nem sentia mais nervoso em falar la na frente, pois eu conseguia numa boa e era uma beleza mesmo, pois eu ate gostava, naquela epoca as crianças respeitavam mesmo e o que a professora falava era lei...
Chegamos la na sala, que tava num silencio tremendo, enquanto a professora falava, nao me lembro, mas acho que deveria ser uma terceira serie, porque quarta serie os alunos eram bem maiores, ja pareciam mocinhos e mocinhas mesmo...
E a professora nos apresentou aos alunos e nos começamos a falar, a demonstrar pra eles, como se fazia a higiene bucal, como se arrumava e etc, e tinha uns porquinhos ali no meio que dava ate nojo...
E as crianças prestavam mesmo a atençao e ate perguntavam, nao era como hoje nao, que a gente ta falando e eles estao falando juntos com a gente...
Depois que acabamos a nossa regencia, respiramos mais aliviadas, as tres como se mais um trabalho cumprido em nossas vidas...
E eu nem sei onde eu fui almoçar, so sei que a Marcia e a Paulinha sumiram da minha vida, no minimo as duas foram almoçar na casa da outra, ou a Marcia foi almoçar na casa da Paulinha ou a Paulinha foi almoçar na casa da Marcia, nao sei...
E sempre quando eu fazia estagio, ensaiava pra teatro, apresentava teatro, ou entao ficava estudando na escola, minha mae me dava dinheiro pra almoçar fora, e eu sempre almoçava nos self services da vida, que eram bem mais baratos do que lanche, na epoca, enquanto que as demais iam almoçar em Mac Donald's, Bob's, que na epoca tinha um, bem no centro da Penha, e em qualquer outra lanchonete da vida, eu ia nos self services da vida mesmo, e hoje em dia nao da nem pra ir em self service, quanto fara em lanchonetes caras e comer lanches caros...
Antigamente, a vida era melhor, apesar da inflaçao, quem tinha comercio vendia mais, bem mais, hoje em dia o que tem de comercio fechado...
E continuando nos teatros, teve uma outra vez que a professora de Educaçao Fisica Infantil pediu pra gente fazer umas brincadeiras com cabos de vassoura e a professora mesmo se encarregou de trazer e nos fizemos inumeras brincadeiras la no patio entre nos mesmas e nos divertimos a valer...

domingo, 5 de dezembro de 2010

E faziamos tanto teatro, tanta festa, que ate enjoava, e ate que dava raiva, muita raiva, pois o curso de magisterio e muito mais trabalhoso do que a propria faculdade que eu fiz, e que nao tinha a metade dos trabalhos que tinha no magisterio...
E uma vez, tivemos, como em todos os anos, era a responsabilidade do magisterio, tivemos que fazer bolo pra toda aquela criançada pobre, comemorar o dia das crianças, pois nao tinha como satisfazer todas aquelas crianças pobres que tinham pelas imediaçoes da escola, que eram de familias desestruturadas e tudo mais...
E cada uma combinou de trazer os bolos de suas casas, cada uma fez um bolo, a minha mae fez o meu bolo e eu levei pra escola e chegando la, nos cobrimos e recheamos os bolos com os mingaus que tinham da merenda dos proprios de varios sabores, mas so usamos mesmo de chocolate pra cobertura e de morango pro recheio e todos os bolos eram brancos e simples, tipo pao de lo, de varias receitas, porque todas nos fizemos...
Eu nao sei o que as outras tres salas do magisterio fizeram, so sei que a nossa, no ultimo ano, fez o bolo pras crianças e nao sei qual sala trouxe os refrigerantes com os copinhos e todo mundo ajudou a servir, tanto os refrigerantes como os pedaços de bolo e aquelas crianças comeram com tanta gulodice, que dava ate do, e isso foi comentado pela metida da Claudia que sentava - se na primeira carteira pra puxar o saco dos demais professores.
E ela falava como se ja estivesse formada em curso superior a muito tempo, com todos os professores ela era assim, ela e aquela Patricia Ticotao que era mais nojenta ainda...
E nos faziamos de tudo pra tirarmos notas boas pra passarmos logo e sairmos daquela muvuca la...
E a Paulinha falava que nao queria estar ali, que ela queria fazer engenharia, que nao queria ser professora, mas como o pai dela era professor de geografia, entao, a mae dela achava bonito ser professor e a colocou no magisterio, tinha dias que ela nao vinha pra escola e depois falava, quando voltava, que tava cansada desse curso trabalhoso e que ela tava repensando a vida dela, mais depois a mae dela a mandava voltar...
E uma vez, que nos combinamos de fazer a regencia obrigatoria que tinha no estagio, regencia era dar uma aula, procuramos um tema de higiene pessoal e levamos pra escola, discutimos, era eu, a Marcia Gimenez e a Paulinha que nao desgrudava dela, e dessa vez, novamente, a Alessandra tava excluida do nosso trabalho, ela tava fazendo os trabalhos com a Cristina, a Sonia, a Silvana, a Luciana que eu chamava de Irma e todo mundo passou a chama - la tambem...
E eu e a Marcia chegamos cedo na escola e ficamos esperando a Paulinha na porta da escola e nada... E dai a Marcia resolveu ir ate a casa dela e eu falei que nao dava tempo e ela falou que dava tempo sim e que a apresentaçao nossa seria nas duas ultimas aulas, entao, daria tempo sim, porque ainda tava começando as aulas, e na verdade, seria a segunda aula, se fosse ao colegial ou no magisterio e eu acabei concordando e fomos ate a casa da Paulinha que era uma tremenda caminhada, ate chegar la e quando chegamos la, a Marcia viu tudo fechado e começou a chamar e ninguem atendia e ai ela me falou que tinha que chama - la bem pertinho do quarto dela, que tava fechado e dava na vielinha que tinha la e eu falei que nao, porque se ela tivesse dormindo ja era o nosso trabalho e a Marcia começou a chama - la com a maior cara de pau e sem me dar ouvidos, e eu acabei indo na onda dela, ja que nao tinha jeito mesmo, ate que a Paulinha acordou toda assustada e afoita, nervosa e acabou falando pra esperarmos, primeiro ela perguntou o que era e o que tinha acontecido e a Marcia falou que tinhamos que apresentar o nosso trabalho na sala de aula sobre higiene e que eu tava la tambem esperando e ela falou que ia se arrumar e ficamos esperando feito duas bobonas e dois de paus do lado de fora da casa dela, em plena manha de um dia meio frio e ruim e ai, nos fomos assim que ela se arrumou e tomou cafe e eu vi que a Paulinha nao ligava, era sossegada, e nao tinha compromisso com nada nao, ela nao tava nem ai mesmo, nem ai pro curso de magisterio, afinal de contas, ela nem seria professora mesmo...

sábado, 4 de dezembro de 2010

E elas iam sempre na Sound Factory, uma que tinha la na Penha, e que tinha uma caveirinha, era mais nas domingueiras que elas iam sempre e imaginem so, eu indo pra discoteca com aquelas duas meninas, uma mais feia do que a outra, e eu, eu que tambem nao ficava atras, e claro, segundo a concepçao dos meninos da epoca, eu era feia de doer... Ainda mais naquela epoca que eles iam falar que eu era a mais feia de todas...
E voltando à peça... Eu tava dando a ideia de fazer uma peça sobre um peixeiro com o nome de Quartemilson, que vendia peixe na feira e tinha uma familia muito louca e a Marcia Gimenez riu e falou que a ideia tava aceita e que eu ja podia ate escrever a peça que nos iamos trabalhar encima dela e eu falei logo que eu nao queria saber de ser esse tal peixeiro nao e ela falou sorridente que eu ia ser o peixeiro sim e continuou insistindo na ideia de que eu tinha que trabalhar encima daquela peça, pois tinhamos pouco tempo pra ensaiar, porque tinhamos que apresentar logo pra professora...
E a Sonia, que eu a chamava de Moranguinho, pois a cara dela era de formato de um morango bem grandao e ela dava risada e perguntava se ela tinha cara de morango e eu nao respondia nada, so ria da cara dela, ela começou a dar ideia e a falar que podia colocar que a mulher ou a mae dele tinha morrido de um soluço e caiu na gargalhada e eu disse que essa era boa e muito boa e eu iria colocar na peça...
E desta vez a Alessandra nao tava junto conosco nao, ela devia estar em outra turma e nos acabamos apresentando outra coisa, uma coisa relacionada com musica, porque a professora nao queria qualquer peça, ela queria alguma encenaçao com musica e no dia seguinte, quem tinha ursinho trouxe ursinho e eu, como nao tinha, na epoca, entao nao levei nada, mais a Marcia Gimenez tinha, a Paulinha tinha, e quase todas as meninas tinham e a professora nos levou pro patio e nos soltou la, pra nos termos as nossas ideias e termou um bom tempo pra desenvolvermos.
E tocamos a musica da Simony, aquela do Ursinho Pimpao, quando ela era bem pequenininha e eu fiquei falando pra Marcia fazer a encenaçao, ja que o ursinho dela era rosinha, o mais bonitinho de todos e tinha cara de Pimpao e ela disse que nao e falou que disso ela tinha vergonha...
E eu fiquei pensando com os meus botoes, sem dizer nada, apenas sorrindo... "So nao tem vergonha de dar, dar pra todo mundo..." Isso era o que ela falava pra toda a sala em alto e em bom tom, que ela saia com meio mundo, ate com a torcida do Corinthians e de outros times sendo times grandes ou pequenos, ela falava que saia, entao, a gente tinha um conceito meio estranho dela, achavamos que ela era putona e todo mundo falava dela na sala, so que sem ela perceber, e claro...
Ela falava muito, falava ate que tinha abortado e que os pais dela nao sabiam de nada, arrumava namorado e ninguem sabia que ela dava e ela contava cada coisa absurda, que fazia a gente ate querer deixar de ser virgem...
E quantas vezes eu chegava em casa, me trancava no meu banheiro e falava que queria tirar a minha virgindade com qualquer um e ficava pensando: "Ate o final do ano eu tiro... Nem se for com a boca da garrafa, eu tiro..." E nunca tirei... So ameaçava, pelos absurdos que ela falava, ate mexia com a minha cabeça, imagine as outras entao...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

E com a esperança de vender alguma peça, mas... Infelizmente eu nao vendi, pois ali era dificil... Porque a implicancia era tanta comigo, que quase todo mundo achava as minhas coisas ridiculas, sem cabimento, bregas e sem noçao, portanto... Ali jamais eu teria chances de vender alguma coisa...
E eu estendi todas as peças na mesa, porque eu nao sei qual das meninas ia fazer a parte do nordeste e precisava daqueles bordados estendidos ali na mesa da professora, somente pra mostrar que eram do nordeste entao tava certinho e todo mundo sabia que eu sempre ia pro nordeste, todos os anos naquela epoca nos sempre iamos pra la... Buscar o que eu nao sei...
Mas que iamos, iamos...
E dessa vez deu tudo certo, mas como o magisterio era um curso muito trabalhoso, entao... La ia eu... Sempre no meio dos trabalhos e desta vez, num grupo so...
Porque no ano anterior, cada trabalho eu tinha um grupo, e quando eu tinha que entregar eu nem sabia mais em qual grupo eu tava, entao a Silvana, uma das meninas que fez o magisterio comigo e que nao fez formatura, me falou que era melhor eu ficar em um grupo so, pois assim eu nao confundiria mais, e foi ai que eu escolhi um grupo so, e no fim, fiquei no grupo em que a Alessandra se encontrava, infelizmente, foi a pior burrada que eu fiz naquela epoca...
Aquela menina acho que nasceu dos avessos, porque alem de feia demais, ela era ruim demais, sua ruindade era equivalente à sua feiura, ou pior ainda do que a sua feiura... Deve ter sido feita dos avessos...
Passou na fila da feiura umas dez vezes e na fila da ruindade umas vinte vezes, ou seja... O dobro de ruindade do que de feiura...
Uma outra vez, tinhamos que fazer uma outra peça com outro grupo, era o grupo da Silvana, aquelas meninas bem do fundao mesmo, elas tinham brigado com a Alessandra, ou melhor... A Alessandra tinha brigado com elas, e a unica ali, daquele grupo que se dava melhor com elas, mas desde o inicio, desde quando ela chegou na escola, era a Cristina, magrela, feia e metida tambem, tipo aquelas meninas la da frente, so que um pouco menos, morava numa casa boa ali naquelas imediaçoes da Penha.
Ela era a unica que se dava com ela, conversava e dava muita risada...
E as duas iam ate pra danceteria juntas, e se divertiam muito e vinham falando no outro dia sobre o que tinha acontecido e me chamavam sempre pra ir, mas eu dava a desculpa de que dormia na discoteca e aquela Cristina falava pra eu ir porque tinha cada gatinho que dava gosto e se eu dormisse ali na mesa, ela me cutucava chamando, falando que tava chegando um gatinho e eu me imaginava dormindo debruçada na mesa e ela me cutucando e me chamando e eu olhava, era um carinha lindinho de cabelinhos jogadinhos e castanhos escuros e rostinho cheio, sempre sorridente, entrando com um copo de bebida na mao...