domingo, 31 de julho de 2011

Por um instante, nada aconteceu. Estava voando e, de repente, foram caindo.
O solo veio na direção deles. O jatinho colidiu contra a terra, Ricocheteou. Chocou - se novamente. Ricocheteou mais alto, metal explodindo, estourando, guinchando até Chantal ter certeza de que seriam consumidos pelo calor e pelo barulho metálico, o cheiro de borracha e combustível queimando.
Enquanto uma fumaça preta invadia a cabine, o jato derrapou para o lado, um avião descontrolado deslizando pela noite.
Algo brilhoso flamejou, cor, luz, calor. O avião estava pegando fogo.
Mas o jatinho ainda estava se movendo, deslizando, até que o corpo se despedaçou, o nariz se foi, a cauda caiu e a barriga se abriu.
Aturdida, Chantal viu o céu da noite no alto. Piscando, tentou focalizar no que deviam ser estrelas enquanto algo quente e molhado gotejava em cima dela. Fumaça e combustível queimavam seu nariz. Tinha de sair dali.
Uma mão agarrou sua cintura, procurando o cinto de segurança. Tentou se levantar, mas as pernas não a sustentaram.
Novamente tentou se erguer, mas o peito doía, as pernas tremiam. O corpo se recusava a cooperar enquanto a mente gritava: tenho de sair.
- Pegue minha mão - ordenou a voz. Demetrius, ela reconheceu. Mas não conseguia encontrar a mão dele. Olho para trás e percebeu que os outros haviam sumido, que a cauda do jatinho ficara em algum lugar lá atrás.
- Chantal.
Ele a ergueu e Chantal tentou se mover, mas as pernas estavam moles.
- Sinto o cheiro de fogo.

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