sábado, 31 de julho de 2010

Como o curso de Magisterio era um curso muito trabalhoso, cheio de mimos, cheio de coisinhas que a gente tinha que fazer para as criancinhas que futuramente dariamos aulas, eu nao... Quem gosta de crianças, ne?
Eu nao, eu sempre falava em casa e na escola que eu ia adiante, ia fazer pelo menos uma faculdade pra aprender a dar aulas pra colegial, nem queria de quinta a oitava serie, e olha que eles nao eram assim, como sao os de hoje...
Eram bem melhores, eram alunos que atendiam todas as espectativas do professor...
E eu fiquei olhando - o la falando na frente, ele ate comentou que iamos fazer teatros infantis e que os temas das peças era a gente que ia escolher e a gente ia se matar naquele ano, e eu ja tava ate vendo... Ultimo ano de magisterio, ultimo ano daquela afliçao que aquela escola tava me dando, ultimo ano que eu estudava com aquelas meninas...
So que eu nunca imaginei que isso um dia me deixaria saudades... Nao saudades daquelas meninas, mas sim... Sim... Da minha juventude... Ah, como eu queria ter a minha juventude de sonhos e espectativas de vida de volta...
Hoje, o unico sonho que eu tenho e de ganhar bem... Um salario digno... Mas infelizmente ta dificil, temos que ganhar salario de fome mesmo porque nos merecemos, afinal de contas o PSDB sempre e eleito...
Tinha uma professora engraçada demais que dava aulas de materias especificas do magisterio, materias que toda professora deveria saber...
Era muito estranha aquela professora, bem branquinha, cabelos negros e olhos negros e bem alta, magra... Muito magra mesmo, mas ela ate que era legal, embora as meninas falavam direto... "escolinha" imitando o jeito dela falar, quando as aulas dela estavam proximas...
Ela falava que tinhamos que estudar pra poder montarmos uma escolinha e falou bem fininho a palavra "escolinha", e dai entao isso para as meninas ficou como o bordao dela, e entao quando se falava a palavra "escolinha" a gente ja sabia que eram as aulas dela que tavam chegando ou entao, quando ela falava e as meninas ficavam falando quando o professor eventual entrava na nossa sala.
Talvez ate o professor eventual entrava em nossa aula, nos achava insuportaveis e era o que realmente eramos...
Eu falo no geral, mas sempre tinha umas que se destacavam bem mais, como a Claudia, como a Patricia Serra, amicissima dela, as duas chatas andavam sempre juntas, a Alessandra tambem nao ficava atras da chatice das demais... A Marcia Janko e mais algumas la que eu nao me lembro no presente momento...
Eu nao era a mais legal, era a mais marginalizada de todas, como sempre, ate aquela professora que a gente falava "escolinha" pra ela, reparou nisso e uma certa aula dela, acabou falando que sempre percebeu isso com o pessoal da sala em referencia à minha pessoa, e eu escutei isso calada, pois nao adiantava mesmo falar...
Eu nao podia fazer nada... Nem eu... Nem ela...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Como em todos os anos, as aulas iniciaram - se em fevereiro, bem proximas ao carnaval, era assim... Como e ate os dias de hoje... Tinha ano que eram so duas semanas de aula, depois uma semana sem aula, devido ao planejamento dos professores que sempre houve nas escolas...
E lembro - me que a semana era boa, pois ficavamos em casa de boa, todos felizes e num daqueles dias eu, minha mae e o Ricardo nos encontravamos felizes, conversando no quarto e eu estava ainda sentada no chao, assistindo televisao e nao abrimos a lojinha no carnaval daquele ano, como em todos os outros carnavais abrimos e nunca fomos viajar nessas epocas, porque o meu pai sempre falava que era perigoso e que so tinham loucos nas estradas.
A Claudia entrou toda feliz na sala, ja falando: "Ai que saudades do Almerio..." toda hora ela repetia isso e uma das meninas perguntando o "porque" dela estar falando isso e ela falou que ele nunca dava aulas para o quarto ano do magisterio, porque tinha uma professora que estava na frente dele, e que nunca ela deixava as aulas pra ele e estavamos todas felizes e muito felizes, porque nao teriamos mais aulas com o chato do professor Almerio, so que mau sabiamos nos que ele iria voltar... E que ele iria voltar com a corda toda...
Mas... Enquanto nao sabiamos, a felicidade reinava em nossa sala, principalmente porque ele perseguia muito a Claudia e com muita razao, e claro...
A Claudia era insuportavel mesmo e gorda... E claro que o professor tinha mesmo que persegui - la, devido à chatisse dela, ainda mais naquela epoca, que o professor podia mesmo perseguir o aluno e fazer o que quisesse com o sujeito, porque nao pegava nada pra ele mesmo... E nao era como nas epocas de hoje, que e ao contrario... O coitado do professor, alem de ganhar pouco, e perseguido pelo diretor, pais de alunos, funcionarios da escola e ate mesmo pelos proprios alunos e acima de tudo pelo governo... Baixos salarios, bombas encima e etc... Massacrado e bem massacrado, ate mesmo pelo seu holherith... Coitado...
Ate que em uma bela tarde, para a tristeza da Claudia, que depois ficou olhando com cara de bosta, entrou o Almerio na nossa sala, com aquele aventalzinho branco dele, todo impecavel, meio curto, entrou todo sorridente, nao sendo bem vindo pela maioria das futuras professoras primarias... Ja começou a olhar diretamente para a Claudia, somente para ver se ela estava ou nao de cara feia para o lado dele... Senao... Senao ja viu, ne? E pela decepçao da Claudia eu nem ri por dentro, pois ate parecia que ele iria perceber, por mais baixo que fosse... Pois eu deveria mesmo era ter rido dela... Era muito metida a bonita, a rica eu nao sei se ela era tao bonita mesmo ou tao rica...
E quando ele entrou sorridente, começou a se explicar ou pelo menos a tentar se explicar... O "porque" dele ter pego aquelas aulas que era da mulher que tava bem na frente dele e ela nao abria mao do quarto magisterio e isso era tradição dela, ha muitos anos...
Mas naquele ano, tinhamos sido premiadas com as terriveis aulas daquele professor, tao genioso e tao incompreensivel, hoje... Ele na sala de aula... Ia ser pessimo!!! Nao ia prestar... Ele colocava defeito em tudo e suas provas... Suas provas nao eram faceis nao... E no minimo ele devia corrigir as minhas provas e falar para os demais professores que eu era uma aluna muito fraquinha...
Logicamente, esse deveria de ser o papo de todos os demais professores, na sala dos professores, igual e nos dias de hoje entre nos...
E eu nem me importei, com a chegada dele... Pois assim mesmo, eu gostava das aulas dele, o Almerio era um bom professor, explicava tudo muito bem, e dava bastante trabalhos para ajudar na nota e e claro que mesmo assim, tinha gente que ia mal, muito mal nas provas dele, mas mesmo assim conseguia passar, devido aos seus trabalhos e nao às suas provas...

domingo, 25 de julho de 2010

E quando raiou o ano novo eu pedi um novo amor, so que eu nao soube me explicar direito, pedi uma pessoa que gostasse de mim e que nao me zuasse, como era o de costume, so saberem que eu estava a fim... Zuavam... Pra eu ficar sem graça e sair fora... Mas eu me esqueci de pedir que eu queria que ele fosse o meu namorado... Nao, pedi um novo amor, e nao quis que ele fosse so meu, somente meu... Pelo menos no pedido que eu fiz, e achei que esse pedido nunca seria atendido por ninguem, nem mesmo por Deus, e o pior que o meu pedido foi atendido...
Ate entao, eu estava era muito tranquila, muito bem e sem encheçao de saco de ninguem, nao conhecia a familia dele, e nem tampouco pensava que eles existiam, pra mim... Todas as pessoas que moravam ali na rua debaixo, que hoje e a avenida e na rua dele, eram todos maloqueiros, pois a maioria eram amigos do Miguel... Entao, eu deduzia assim...
Entao, era o que eu pensava, e era o que eu acredito que todos os demais da minha familia, tambem pensavam... O pessoal que morava ali, ate entao... Eram todos uns bandos de maloqueiros, era assim que eu achava e todo mundo de casa, ou quase todo mundo de casa, se e que a minha mae tambem pensava assim...
Nao ia às festas, ao contrario do que eu faço as pessoas pensarem de mim, e eu as faço pensar que eu ia em bailes e em festas, so sonhava, somente sonhava... E com toda aquela idade, nos meus vinte e poucos anos eu nunca tinha entrado num salao de baile e pensando bem... Pensando bem eu iria entrar naquele ano de 1991, que eu ate iria suspirar por alguem, alguem que eu encontrei e que nunca, nunca, nunca mexeu comigo, nunca me zuava, pelo menos na minha frente nunca, nao sei por tras, so que ninguem nunca me falou nada que ele me zuou, somente algumas coisinhas que eu vou relatando aos poucos que alguma colega minha me falou.
Ao passo que os outros? Os outros... Os outros sempre zuavam de mim... Me colocando defeitos bem alto e etc... Ja ele, eram os seus amigos, as pessoas que andavam com ele que falavam o tipo de menina que ele gostava... Ate mesmo os que nao andavam com ele, que so o viam e me falavam...
E eu? Eu sofria mais nunca me importava, continuava teimando e gostando de quem nem ligava e nem ao menos gostava de mim ou pelo menos fazia de conta que gostava de mim, nunca falou nem que gostava de mim e nem que nao gostava de mim...
E eu curti o restante das minhas ferias e o sol mais calmo de Sao Paulo, era um sol mais brando, mais amarelado, um sol menos quente e sempre chovia no mes de janeiro inteiro, tanto e que quando abrimos a lojinha, depois daquele tempo todo de ferias, pudemos ver o tanto de chuva que caiu naquele mes de janeiro de 1991, pois o teto da lojinha estava todo manchado, a laje que tinha la, mas ninguem subia nem pra tomar sol...
Nem pra concorrer ao tal concurso Garota da Laje que tem nos dias de hoje, nem adiantava ir tomar sol na laje, pois tinha inquilino ai na casa da frente, onde a Meire mora hoje...
E quando chegamos, o Miguel tentou se explicar com a minha mae pra ela ficar a par do que estava acontecendo, ou pelo menos ele se explicou com a minha mae e logo ela acreditou em tudo, caindo assim... Que nem patinho... Que era o que sempre acontecia mesmo...
O meu pai e o Marcos falavam, mas a minha mae sempre acoitava, indo sempre contra eles, pois ela sempre me disse que tinha medo de confusao e que tinha medo de morte e essas coisas todas que acontecem nos dias de hoje e eu tambem tinha medo de tudo isso, mas eu nao sei nao... Eu acho que ele, muitas das vezes, adorava se aproveitar de todas as situaçoes que a vida lhe oferecia, afinal de contas... A mae dele era muito boa e boba pra qualquer coisa... Defende - lo e de se ele fosse preso... Pega - lo la na cadeia, gastando todo o seu dinheirinho precioso, coisa que eu acho que ela nao faria por mim nao, pois eu ja peguei um dinheiro emprestado com ela e ouvi o mundo com o diabo dentro...

sábado, 24 de julho de 2010

Que o Miguel estava na maior orgia em casa, ele disse dirigindo o carro com a maior raiva do mundo e o meu coraçao começou a acelerar mais... Ainda mais... Tava tao bom viajando, sem falar no Miguel, sem pensar nele... Ele so foi mensionado uma vez, quando estavamos em Fortaleza, ainda com maior odio por parte do meu pai e agora, quando chegamos... Vem o Marcos falando dele, com o maior odio do mundo e o meu pai ajudando a falar... E eu, olhando pra minha mae que estava com cara de nervosa...
E eu e a minha mae, escutavamos caladas, porque nao podiamos dizer nada em defesa dele porque senao... Sobrava pra nos duas... Falar em defesa? Falar em defesa era bem complicado, porque ele sempre foi assim mesmo... Ele era errado mesmo... Mas pela minha mae, eu fazia tudo... Entao, o que me restava era ficar calada mesmo, e ver se eu tentava ao menos me concentrar no caminho de casa... E eu poderia era tentar me esquecer do fato, porque nao adiantava mesmo eu ficar matutando, porque nao ia resolver... Mas so que nem assim dava pra esquecer...
Era so briga, discussao e dava o maior desanimo do mundo e alem disso, a Cleia tava em casa tambem, pois fazia pouco tempo que o Dinho tinha morrido e a mae juntamente com o meu pai, resolveram dar um apoio pra ela, colocando - a dentro de casa, novamente, ela e os dois filhos dela...
E eu ja tava cansada de viver esse tipo de conflito, na epoca a minha casa parecia mais a Faixa de Gaza do que a propria Faixa de Gaza, porque sempre um provocava ao outro, e a minha mae insistia em dizer que o Miguel estava sempre quieto, mas so o fato dele estar quieto, parado ali num canto, como ele sempre ficava, ja incomodava quem implicava com ele e o fato dele ficar parado ja era um tremendo desaforo para o meu pai que detestava esse tipo de coisa, pois o veio nunca ficou parado ate hoje...
Ate hoje, com a idade dele, ele continua trabalhando...
Tudo bem que ele sempre foi mulherengo, mas nunca deixou faltar nada dentro de casa, por mais negado e ridicado que fosse, pelo menos um arroz com feijao, comida basica e popular brasileira, que ate rico come, tinha em casa...
E aqui em Sao Paulo, o clima era ameno e bem fresquinho, coisa que nao e tanto agora... Bem diferente da quentura de la, aqueles sois quentes que prejudicaram ainda mais a pobre pele da minha mae, e ficavamos la mais de um mes, nunca ficavamos quinze dias, como deveria ser...
Nao... Eram as minhas ferias inteiras que eu ficava la junto com eles, e eu voltava morena, negra...
E no dia seguinte, abri a loja, e como eu usava shorts curtos eu fiquei la tomando sol nas pernas pra tentar conservar um pouco mais a minha negrisse...
Alias... Todos nos voltavamos negros, negros, negros...
So que a minha mae nao tentava conservar negrisse nenhuma nao... Ela nao gostava, detestava isso...
E todo mundo la na loja, me cumprimentava, falava comigo, naquela epoca, bem no inicio do ano, nao era tanta gente que mexia comigo nao, nao era tanta gente que me zuava nao, pelo menos pelo bairro nao, agora naquela escola... As meninas eram muito metidas mesmo que dava ate desgosto, entao elas sempre ficavam me olhando estranho...
Os outros começaram a me zuar mesmo pelo bairro, depois que descobriram que eu gostava do Sandro... Tambem... Eu queria ele e se todo mundo soubesse que eu gostava dele, era melhor... Nao e? Entao eu nao posso e nao devo reclamar, pois eu quis isso e assim do jeitinho que eu quis foi...
Eu ate gostava, nao era possivel, ate gostava que os outros me zuassem... Por que? Nao dava pra entender, e eu ainda ficava tentando cumprimentar as pessoas que me zuavam e quando eles olhavam na minha cara, ate surpresos... Ai zuavam mais ainda... Me detestavam... Talvez por saberem que o Sandro ate gostava de mim... Nao sei... Nao queriam nem me cumprimentar... Ou melhor: Que eu nem dirigisse a minha palavra e nem o meu olhar pra eles... Ou melhor ainda: Que nem passasse perto deles e que nem sequer... Tivesse existido!!!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

E a cidade era muito quente e nao era nada bonita, era uma cidade pacata de interior mesmo, onde as escadarias da igreja matriz eram imensas, serviam mais pra pagar promessas do que para subir pra rezar.
Mas a Jessy era evangelica, na epoca, da igreja Congregaçao Crista e as meninas iam na Batista, segundo a Thereza que eu acho que nao ia mesmo era em lugar nenhum, estava mais para ir na macumba, no sarava do que em ir na igreja...
E ficamos conversando um pouco e eu comentei que achava o presidente Collor muito lindo e a Lucia toda assanhada disse: "Iapois, mule, o Collor teve aqui e tem uma menina aqui que namorou o filho do Collor, conhece? O mais velho dele, o Arnon de Mello..."
E eu me lembro que quando a rede Globo saia do ar la em Maceio falava assim... "Emissoras do Grupo Arnon de Mello." Entao, quer dizer que a familia deles era muito rica mesmo e a Lucia começou a contar das vezes que o Collor foi la na cidade dela, era bem em epoca de campanha politica, e claro... E ela falou que a mulher dele era a Roseanne que era muito feia mesmo e so andava toda fantasiada, mas era feia porque a gente tinha inveja dela, uma primeira dama novinha de vinte e sete anos de idade, qualquer mulher queria ser...
Mas ela me falou que a primeira mulher dele a Lilibeth era muito linda mesmo e realmente eu a vi na revistinha onde estavam os dois filhos do Collor, o mais novo ate curtia lambada e foi ate chamado de Lambadeiro na epoca.
Estavamos la fora, eu e as meninas, quando uma magrela dos cabelos compridos aproximou - se da gente e a Lucia nos apresentou, a menina era bem branquinha e morava naquelas casinhas bem pobres que tinha ali proximo à casa delas e essa menina era a tal namorada do filho do Collor...
Namorada ali, naquela cidade, ou pelo menos ficou perto do garoto e ela saiu falando que era a namorada dele, mas so que ele deveria de ter uma namorada em cada cidade, so podia ser... Riquinho, usando roupas da Blue4, da Company, andando naqueles carros pretos maravilhosos, filho de quem e, o garoto era bastante categorico, so gostava de assistir ao Jornal Nacional, era um globalista pro meu gosto atual, mas naquela epoca eu nao me importava com nada disso nao, eu so queria era ter algum para pensar... Ja que eu nao tinha para amar...
A menina tinha os cabelos aloirados, longos e lisos, olhos negros e um rosto meio normal era bem parecida com a Silvia, podia ser ate a irmã mais nova dela, tinha treze anos, a mesma idade do Arnon de Mello, filho mais velho do entao presidente Fernando Collor.
E eu falei pra Lucia, que era a que eu mais falava que eu ate sonhava com o Collor e que agora eu tava ate sonhando com o filho do Collor e a Lucia falou que ele era lindo mesmo, tanto o pai como o filho e quando eu sai de la, falei pra ela mandar lembrança pra eles e ela falou que seria dada e os meus pais so ficaram me olhando...
Eu acho que ela ate me chamou de louca e falou pra todo mundo la que eu era louca pelo filho do Collor, nao era bem assim...
E que eu nao queria mais gostar de ninguem pra sofrer, pra ficar chorando, porque eu ja sabia que nao ia adiantar eu gostar de alguem porque novamente eu nao seria feliz...
E era sempre o que eu pensava e deveria ter continuado a pensar, pois assim eu nao teria dilacerado tanto assim o meu coraçao, como eu dilacerei pensando e amando tanto o Sandro, sem se quer ser correspondida...
Fomos embora para a nossa casa e quando chegamos o Marcos veio nos buscar a noite, que foi o horario que conseguimos chegar e começou a falar que o Miguel tava era na maior orgia em casa e nos assustamos com a má noticia...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

E a nossa casa estava sozinha!!! Somente com o Miguel la, como era de costume em todas as nossas viagens e o meu pai, como sempre, começou a falar do nada, um monte de coisas para a minha mae, isso quando estavamos ainda em Fortaleza, proximo a uma grande cabine telefonica que tinha la, isso foi porque o meu pai ligou pra casa e o Marcos atendeu e falou um monte, despejou a arte que o Miguel havia feito, o Miguel estava aprontando muito em casa, e a minha mae, coistada... Ela ficou ate desanimada, e acabou me falando depois da conversa nervosa, que gostaria de estar em casa, porque ela nao aguentava mais, ficar ouvindo um monte daquele veio ignorante... E era mesmo...
E depois desse fato, nos nao ouvimos mais o veio falando do Miguel, deixando assim, a minha mae nervosa demais, porque ele ja era um homem e nao tinha responsabilidades nenhuma na vida... Era verdade mesmo, nao ligava pra nada...
E ele estava certo, o Miguel ja era um homem feito, na epoca, mas so que nao tinha nenhuma responsabilidade na vida, era todo largadao e nao ligava pra serviço mesmo, pra ele... Dinheiro caia do ceu e o que eles queriam era que ele ficasse na marcenaria trabalhando com eles e sempre acontecendo encrencas, brigas, discussoes, porque o Marcos adorava a chingar e a falar que estava todo mundo errado e so ele que estava certo em chinga - lo e discrimina - lo...
E o Miguel, por sua vez, ja nao aguentava mais aquele tipo de coisa, ser chingado, ser maltratado, discriminado como ele sempre foi... Nao e que eu estou dando razao a ele, e que as coisas eram assim mesmo, como sempre foram e nunca deixaria de ser, se ele nao tivesse morrido...
Mas tambem ele nao se ajudava... Parecia ser sem animo da vida, sem animo para trabalhar, sem animo para estudar... Ele tinha animo para outras coisas, e claro, e menos para trabalho, que ele nao gostava muito mesmo, o negocio dele era outra coisa... Traficar drogas, usar drogas talvez... Eu nao sei direito o que se passava pela cabeça dele, jamais saberia mesmo, e ninguem saberia, cada um tirava as suas conclusoes, talvez certas ou erradas, mas tiravam conclusoes sempre para discrimina - lo... Mas depois ele teve que se virar para se sustentar... Mesmo assim... Ele nao se virou muito nao...
E eu achava que isso nunca ia acabar... E que o Miguel iria continuar em casa, pra sempre... Atazanando ou ajudando a atazanar a vida da gente...
E continuando a nossa viagem, ficamos ali por um bom tempo, o nosso tempo maior era em Recife e em Maceio, que eu sempre chamei de Fedoro, devido ao fedo da cidade, bosta pura, em determinados lugares, aquele mercadao podre que fedia a merda pura...
Eu e a minha mae, detestavamos aquela cidade, lugar fedido e estranho, mas como la era a terra do meu pai, entao... Nos tinhamos que aceitar, fazer o que...
E saimos de Recife, rumo a Maceio, e ficamos la mais tempo ainda, e ali tinhamos mais familiaridade com a cidade, e a minha mae deixou pra comprar os tecidos na Esplanada de la, era uma l0ja muito boa, onde vendiam tecidos muito lindos e as estampas e texturas dos tecidos variavam de capital para capital, realmente eram muito lindos mesmo...
Cada capital tinha um tipo e uma estampa de tecidos fresquissimos...
La em Maceio, sempre almoçavamos no Toca, um restaurante escuro que mais parecia uma casa noturna, acho que a noite deveria ser, e la do Parque Hotel nos viamos a igreja matriz e eu adorava ficar olhando pra la, seja de dia ou a noite, a igreja estava sempre ali, sem pernas para sair, era tao linda... Branca com frisos azuis, dava pra eu ficar admirando a igreja Matriz de Maceio como se fosse a igreja da Praça da Se em Sao Paulo...
E naquele ano nos fomos para a cidade de Coruripe, a cidade natal do meu pai, e ele fazia questao que todos os anos fossemos pra la junto com ele, e ficamos na casa das minhas primas de consideraçao de la, a Lucia era muito mais bela do que a Thereza, porem a Thereza e que levava a fama de bela, porque foi Miss de uma escola que ela estudou la... E a Jessy falou que a Thereza estava pra chegar, e eu fiquei esperando - a sentada ali na saletinha que eles tinham e ele chegou com um vestido florido de fundo vermelho e estampas, bem justinho, mal falou comigo e se jogou ali no sofazinho e ficou dormindo, nao tinha cristao que a fazia acordar, entao... Eu fiquei observando a beleza da menina, era bonita, nao tanto quanto a Lucia, mais estava loira... As madeixas loiras que eram negras... So que a Thereza, acho que por muito convencimento, ela era muito metida a bonitona e a gostosona, pra ela todo mundo olhava e admirava ela, mas nao era bem assim... Prato feito pro Sandrao na epoca, se ele morasse pra ca, no minimo ele ia querer ficar com ela...
So que a Lucia era muito mais graciosa e linda, porem nao tinha sido Miss de nada, morena, sempre muito bem arrumada, rosto cheio, alta e magra, a Thereza ganhava os concursos de beleza da cidade, nao por ela ser bonita, mas por ela ser popular... Mais popular do que a Lucia, e se a Kelly morasse la, na epoca, iria ser uma tremenda disputa... Ela e a Kelly, duas populares, disputando o coraçao do Sandro, ali daria uma tremenda historia de amor...
Ja pensou? Eu nao quero nem pensar...
Ia ser pena pra tudo quanto e lado...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

As putas de la, davam de dez a zero nas de Fortaleza, eram meninas muito lindas, mereciam ate estar em programas de televisao, fazendo comerciais, atuando em filmes e novelas... Bem maquiadas, e muito bem vestidas, nao andavam peladas como as putas de Fortaleza, pareciam turistas dignas mesmo... As de Fortaleza eram totalmente escandalosas, alem das roupas, elas tambem eram escandalosas...
E realmente eu me simpatizei com a cidade, tirando o maldito hotel... Tudo de belo tinha la naquela cidade... Pena que o meu pai nunca soube aproveitar a cidade, pelo menos quando estava conosco...
Fomos passear de carro na avenida principal, acho que alugamos um carro a noite, somente pra ver a beleza da cidade, so sei que estavamos passeando sentido contrario da avenida Presidente Cafe Filho, e vimos cada casa linda... Parecia ate um sonho... Que cidade linda... Tinha cada barzinho lindo e vimos algumas dunas, areias mortas que estavam la, onde teria que ter uma construçao linda...
Realmente, agora, o lugar deve ter se popularizado muito e enchido de gente...
Tinha um restaurante la, que se chamava Tabua de Carne, uma delicia... Que depois, em outras viagens nos fomos comer naquele restaurante... So nao gostei, porque tinha muitos pedintes la, que ficavam pedindo um teco de carne e gritando debaixo das janelas feito gatos famintos, infelizmente nao eram bem gatos famintos, parecia mais cachorro latindo... Deixa pra la... Mas que maes criminosas, que poem filhos no mundo e depois nao conseguem cuidar...
Quanto mais pobres, mais filhos...
E assim e a vida...
Adoramos a cidade que era linda demais...
De la de Natal fomos rumo à Recife, onde passeamos quase sempre os mesmos passeios do ano anterior, onde somente fizemos Recife e Maceio, ficando tambem um montao de dias, e o meu pai foi à casa dos mesmos amigos dele, e fomos às mesmas praias e eu me lembro que naquele ano estava muito quente, mais do que gostavamos mesmo era de ir ao shopping center Recife, dizia - se ser o maior do Brasil e realmente, parecia mesmo... Coisa que provavelmente hoje nao e mais...
E la tinha todas as marcas de roupas que os filhos do Collor usavam, a Blue4 que nao tinha aqui em Sao Paulo, era marca do surf carioca, e eu vi a loja da Blue4 e tirei uma foto em frente à loja da Company, que tambem nao tinha em Sao Paulo e eu achava muito estranho nao terem essas lojas aqui, mas como eram marcas de cidades praianas, que eram mais soltas e a vontade, entao... Logicamente nao poderia ter em cidade que nao tinha praia...
A Company tinha aqui, mais vendiam mais mochilas da marca.
Eu vi em Sao Paulo, uma revistinha em que os filhos do Collor usavam essas roupas e foi ai que eu guardei os seus nomes, e o filho mais velho estava com uma bermudinha escrita Blue4 e eu achei essa marca legal.
E no meio da viagem, passamos por uma rua um pouco curvulenta e o onibus passou em frente a uma lojinha bem pequenininha, menor do que a minha, mais lotada de roupas da Blue4 que eram a maioria listrada com listras bem grandes mesmo e em cores como vermelho e branco e branco e preto e eu ficava boquiaberta com aquelas marcas caras, ja que as minhas roupas nao eram de marca nenhuma, porque eu nao tinha condiçoes de comprar e tambem nao ficaria exigindo isso dos meus pais, que eram coisas superfluas, era melhor eu conhecer lugares novos, do que vestir roupas de marca, depois o meu conceito mudou... Na epoca, as marcas eram o auge do momento, tanto que quem nao podia ate matava pra ter uma roupa de marca, nem que fosse um arquinho da Pakalolo... Nos anos noventa, principalmente no inicio, quem usava roupa de marca estava inserido na sociedade, e era considerado Gente pelos demais, e os demais coitadinhos ou que nao gostavam de usar, eram totalmente excluidos, quem nao usava roupas de marca nem namorado arrumava, era o meu caso... Perdia a chance de conhecer pessoas lindas, e ate mesmo de namorar um cara lindo, que foi o que aconteceu comigo, que eu estou relatando aqui...
E o shopping center Recife era muito lindo, e la era o unico local fresco, a nao ser a pousada que estavamos, enquanto o sol e o calor do lado de fora, estavam de rachar o coco, la e no hotel, era bem mais fresquinho e ficavamos loucos quando chegavamos no quarto e o ar condicionado estava desligado, entravamos no quarto, aquela tremenda estufa...
Tiramos diversas fotos la no shopping center Recife, tiramos tambem proximos a uma feirinha de flores que era a coisa mais linda do mundo, e eu me apaixonei por aquela lojinha de flores, que era mais um quiosque que se vendia flores ali proximo às enormes escadarias do shopping...

terça-feira, 20 de julho de 2010

E quanto amanheceu o dia, eu contei todo o sonhos para os meus pais, e a minha mae gemia de dor, logicamente ela nem estava conseguindo se levantar, mais com muito custo ela acabou se levantando e nós ficamos andando na praia logo apos o cafe da manha.
Café da manha? Eu nem tomava agua naquele hotel nojento, la eu nem comia nada, pois o meu nojo era tanto... Tanto... Que me dava ate vontade de vomitar... Eu nao sou acostumada comer em locais que eu tenho nojo...
Fomos ao centro de Natal e la, o que nos impressionou muito, foi a limpeza da cidade, coisa que nos nao viamos em outras cidades do nordeste e ate mesmo aqui em Sao Paulo, e os açougues eram super limpos que dava ate gosto, porcos mesmo era somente os donos daquele hotel, que foi no cafe da manha que as duas donas chegaram com as coisas, muita coisa mesmo... Tinha ate panquecas e a minha mae ficava la falando pra eu pegar, porque tinha muita coisa e eu nem toquei em nada, pois o nojo era tanto... Mais tanto... Que eu queria tomar cafe preto num local limpo e luminoso, alias, la era bem luminoso, no local do cafe da manha, todo de vidro, que tinha uma vista maravilhosa, a vista do mar...
E o meu pai estava querendo era ir no mercadao e eu e a minha mae tinhamos arrepios de mercadao porque todos os mercadoes la eram fedidos e sujos... O exemplo foram os mercadoes de Recife e Maceio, que pareciam ate serem os mais fedidos do mundo... Devido a esse exemplo, e que nao queriamos ir ao bendito mercadao... E eu, sem vontade de ir, comentei com a minha mae, que acabou ate fazendo caretas e eu acabei comentando com a minha mae, que a cidade poderia ser limpa, mais o mercadao poderia nao ser limpo nao... E se fosse sujo, dai acabaria a boa impressao da bela cidade...
E à noite, a agitaçao ficava por conta da galera turista que ia andar em volta do calçadao da praia, como em Fortaleza, so que ali as pessoas eram mais comportadas, e bem mais comportadas... E ficamos passeando um pouco por la e o bom e que nao tinha tantas putas como em Fortaleza... Da cidade eu nao gostei, mas achei as moças e os rapazes que circulavam por la, belissimos...
Havia mais moças bonitas do que rapazes bonitos, e tinha na beira da praia de Natal, varias sorveterias e eu ficava olhando os sorvetes, as pessoas passarem com eles na mao e eu falava que queria chupar daquele sorvete gozado, daqueles copinhos que eram muito engraçados, eram de um jeito novo, uma forma nova, que eu nunca tinha visto na vida... E hoje e bem comum, em todos os lugares... Fomos la na sorveteria e o sorvete de la era muito caro, que eu acabei ate desistindo, devido ao valor, aqui um sorvete de massa era muito mais baratinho... Mas mesmo assim chupamos, e o calor de la era muito grande... Entao, todas as pessoas nao se importavam de gastar e ficavam ali chupando sorvetes e outras iam pela praia a fora...
A cidade era toda enfeitada com aquelas luzes amarelas, principalmente a beira da praia que era muito linda mesmo...
Tinha varias pousadas com piscinas que eu olhava la e comentava e depois o meu pai falava que tinha ido la, mas eles pediam muita grana para hospedarmos la, e passamos perto de uma que a agua jorrava pra piscina e o homen gordinho estava negociando quartos com uma familia e eu falei pro meu pai que nos ate podiamos ficar la e a minha mae acabou falando que la tinha muita escada pra subirmos e ela nao aguentava subir escadas e o meu pai falou que alem disso la podia ser muito caro, muito caro? Eu nao acho, eu acho que aquela espelunca que estavamos era o dobro daquela pousadinha beira mar meio chique que estavamos passando perto e olhando...
As feirinhas estavam bombando!!! E nos entramos em algumas que ate pareciam labirintos e todo mundo estava la comprando, nao sei se agora e assim... Das pessoas gostarem de gastar o tanto que queriam e nao se importarem com as dividas... Ate pra vender naquela epoca era bem mais facil, pois as pessoas ganhavam mais, as coisas eram mais baratas e o salario minimo era bem mais baixo, era no que ajudava mais... E hoje em dia... Uma pessoa mais pobre que saia pra comprar alguma coisa naquela epoca, nao sai nem na porta de casa pra remedio... Nao da nem para passear para o nordeste brasileiro, onde o turismo explora o bolso das pessoas...
Fomos ver a cidade la de cima, tinha um morrinho que subimos, as ruas eram bem altas, entao, podiamos chamar de cidade alta e de cidade baixa, onde ficava a praia... E de la daquele local admiramos a cidade e eu fiquei boba e falando... "Olha... Bem que o George tinha razao de fazer poesia para a cidade." e eu continuei admirando... "Como essa cidade e linda..."fiquei suspirando pelo local e imaginando o George la no pulpito da igreja do Guarani declarando poesias e o seu amor pela belissima cidade...
E na mesma viradinho que subimos, nos descemos e proximo, bem na viradinha, tinha uma boate, e como eu nunca tinha entrado, eu fiquei olhando o povo todinho dançando naquele local escuro e lotado ate demais, a lotaçao era maior do que o local, e as luzes piscando... Tinha ate luz azul, que era a cor que eu mais gostava na epoca... Era um salao de baile normal como os daqui, a diferença era o nome... Mais como eu nunca havia entrado, entao eu fiquei olhando e vendo como o povo que estava ali se comportava e tinha muita mulher bonita, todas maquiadas, muito bem mais arrumadas do que as mulheres daqui, e umas estavam sentadas num balcaozinho que tinha ali do lado de fora...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O cafe da manha do hotel era muito bom e nos ficamos passeando à tarde, no dia anterior pela rua da balada de Ponta Negra e ali eu vi uma menina bem branquinha, de cabelos compridos, ruivos e lisos, beijando um rapazinho branquinho dos cabelos negros e os dois nao se desgrudavam e ela tinha um corpo muito lindo, corpo de mulherao e rosto meio ovalado puxado pro cheio, com certeza ele era dali do local e ela era turista e uma menina meio feinha estava ali com ela, de vela, em frente a uma boate chamada Banana Blue cor de laranja por fora e na rua tinha alguns barzinhos e varios coqueiros e o local parecia um sonho mesmo e a minha mae ficou olhando meio torto pelo casal que estava se beijando...
No final, quando saímos de la, eu fiquei olhando nas minhas coisas e percebi que eu havia me esquecido da calcinha de cabelo e foi bom eu ter esquecido la, porque eu deixei la uma lembrança minha e fomos pra capital e eu fui meio a contra gosto e eu me lembro que o meu pai falou que iamos embora e eu fiquei correndo pela praia tipo pra me despedir do local que era tao lindo e cheio de sonhos... Colorido...
Chegamos em Natal e ficamos instalados no hotel Marina Mar, aquele um que tinha barata e formiga, so nao tinha aranhas porque eu tinha muita sorte mesmo, senao... Nao era nada dificil... Se tivesse aranha logicamente que eu nem entraria nem na porta do hotel...
E foi la que eu fiquei morrendo de nojo e o meu pai nos deixou ali provisoriamente, segundo o que ele disse, no hotel feio, sujo e esquisito e foi andar pela beira da praia procurando outro local pra ficarmos porque ali nao dava nao...
E eu e a minha mae ficamos ali no quarto do hotel, falando mal do mesmo, e eu fui ao banheiro somente pra ver como era e quando eu entrei... Quando eu entrei, me deu ate desgosto, fiquei ate triste... Como uma pessoa podia fazer comercial de um local sujo daquele, falando que tinha ate frigobar e televisores nos quartos? Sendo que nada tinha...
O banheiro era minusculo e horroroso e nao tinha nada a ver com o quarto do hotel, era pior ainda... Parecia ser mais um banheiro de cadeira e o quarto um quarto de senzala...
Fora os bichos escrotos que tinham la, como baratas, formigas que passeavam pelo box de tomar banho, nos fazendo nojo, eu ate chamei a minha mae pra ver o tamanho das baratas voadoras e das formigas pequenas e negras que estavam passeando por ali... E a minha mae foi ver e tambem ficou com nojo e me disse preocupada que nao era pra eu contar nada pro Miguel nao, senao ja viu... porque senao ele arrumaria confusao com o veio que nos levou num local como aquele que era mais caro do que os demais hoteis, e disso ela tinha certeza... Se o Miguel arrumasse confusao com o veio, o Marcos iria defende - lo, ai nao ia prestar...
E a cama do hotel era naquela base... Toda feita de concreto e um minusculo colchao fino encima e isso implicava em enormes e tremendas dores no corpo que a minha mae eventualmente sentiria e foi o que acabou acontecendo...
E perto do lavatorio eu vi um minusculo espelho daquele bem pobre mesmo, e daqueles bem horrorosos mesmo, envolvidos em moldura laranja que compravamos em qualquer mercado e nos tinhamos um em nosso banheiro a anos atras, bem nos anos oitenta mesmo, hoje em dia, eu nao vejo mais desses espelhinhos por aqui, a coqueluche mesmo era nos anos oitenta...
E eu ate comentei pra minha mae, que por sua vez falou que o hotel era um lixo e que tinha vontade de sair correndo dali daquela espelunca e ela queria saber onde e que o meu pai tinha achado aquela porcaria, sendo que a gente estava numa pousadinha tao boa e tao bonitinha que dava ate gosto, com uma mulher muito gentil e muito bacana...
Enquanto la nao... La aquelas mulheres assanhadas que ficavam na porta do hotel de saias ou vestidos curtos, falando de forro, mostrando aquelas pernas grossas...
E minha mae acabou sentando - se naquela cama horrorosa e falou que nao ia conseguir dormir ali naquela noite nao, que quando deitasse, ela nao se levantaria mais nem no outro dia e nem nunca mais e que era pro meu pai tratar de sair e procurar outro hotel, acabou dando o ultimato... Porque ali naquela imundisse ela nao ficaria...
A cidade era linda, o problema eram as acomodaçoes... E acabamos dormindo ali mesmo, porque o meu pai voltou alegando que nao tinha hotel e a minha mae falou que no dia seguinte ela sairia pra procurar comigo e com certeza ela acharia... E assim foi... E no meio da noite eu sonhei e naquele tremendo calorao insuportavel, que nos estavamos na casa da Loenilia, ex mulher do meu pai, e ela nos colocava pra dormirmos no quarto dela que era o quarto desse hotel e la tinha uma bolas enormes em cor marrom e que mais tarde, dos cantos do quarto e dos lados, as bolas se moviam e acabaram explodindo e de la sairam enormes aranhas marrons com pernas enormes e cabeludas e eu abri os olhos e parecia que eu estava vendo as malditas aranhas e eu dormi o restante da noite com medo, e se ali tinha tudo quanto e inseto, entao... No minimo em algum quarto tinha daquelas aranhas, naquele hotel chechelento...

domingo, 18 de julho de 2010

Hoje aquelas meninas ja sao mulheres feitas, devem estar formadas e a mulher tinha um menino que nao estava ali com ela, no momento... Eu acho que o menino deve ter ficado com alguem la no Gama.
Comiamos ate que bem, la em Fortaleza tinha um self service chamado Come Come Restaurante e Lanchonete e so comiamos la, pegamos gosto pelos self services, porque aqui em Sao Paulo ainda nao tinha esse tipo de restaurante, veio ter depois... Foi ate que enjoamos de comer la, porque tinha uma frutinha azedinha de la que se chamava Murici, hoje tem um tecnico de um time de futebol que se chama Murici Ramalho, veio daquela frutinha ne? Essa frutinha que leva o nome desse tecnico de futebol, ela era colocada como um ingrediente em todas as comidas servidas la no restaurante, o restaurante era bem limpinho e caprichadinho, perto de uma pracinha que tinha la com motivos chineses, e eu havia gostado demais do restaurante e eu so falava em ir la, mas so que nos ja nao aguentavamos mais comer o tal do Murici.
Tinha um menininho la, que ficamos conversando no Hotel Zen, o hotel dos ovos cozidos, e esse menino acompanhava o casal de velhos que pareciam ser os avos dele, esse menino falava muito bem, e ele acabou falando pra mim que tambem gostava do restaurante naquele sotaque nordestino e perguntou se nao era um restaurante de esquina e eu respondi que sim e ele começou a falar das coisas com Murici... "Arroz com Murici, Legumes com Murici..."
O menininho era moreninho e bonitinho, apesar de eu dar mais preferencias para pessoas loiras e clarinhas, mas aquele menininho pequenininho, alem de moreninho, ele era muito simpatico, e ate me fazia rir um pouco...
Depois do meu pesadelo, eu me lembro que a minha mae tambem me falou que nao gostou nenhum pouco daquela cidade, as prostitutas se misturavam com as pessoas que andavam a noite pela praia e eu so ficava reparando aquilo tudo...
E isso realmente nao era muito bom nem pra mim e nem pra ninguem...
Fiquei encantada quando chegamos a Natal, uma cidade linda mesmo, assim tinha razao o pastor George's e eu ate me encantei pela beleza da cidade, coisa mais linda... Hoje eu indico pra todo mundo ir la e faço bastante comercial da cidade... Nossa, a cidade inteira era linda e tinha muita coisa que nem mesmo nos conheciamos...
Ali nao me deu pesadelos como em Fortaleza que eu fiquei apavorada, sonhando com barulho de monstros, somente o barulho, na praia a noite...
Fomos a uma praia muito linda, nao muito distante da cidade, onde pudemos entrar um pouco, magnifico...
Ao adentrarmos na cidade, vimos aquelas luzes lindas amarelas e aquele cheiro delicioso que estava no ar da cidade, aquele encanto todo... Aquele ar fresco, aquela maravilha...
Ao contrario de Fortaleza, depois daquele pesadelo que eu contei pra minha mae e ela tambem tinha tido aversao àquela cidade...
E eu queria saber que cheiro delicioso sentiamos quando passavamos pelas ruas maravilhosas e arborisadas de Natal...
Aquelas luzes amarelas, lindas que iluminavam aquela cidade abençoada... E nem o cara que estava nos levando para a Praia de Ponta Negra, a mais famosa de la, soube me explicar o cheiro que eu estava sentindo e depois eu descobri que aquele cheiro delicioso que eu estava sentindo, era pimentao, um pimentao que tem la e que solta esse maravilhoso cheiro... Aquele ar delicioso, o vento que batia agitando os nossos cabelos... Era uma maravilha... Que cidade linda!!! Mais linda do que a cidade do Rio de Janeiro, ali sim... Deveria de ser a cidade maravilhosa... A tao famosa cidade Maravilhosa, nem chegava aos pes de Natal...
Chegamos a uma pousada linda, e a mulher era gentil e maravilhosa, parecia tanto com a apresentadora Hebe Camargo que eu ate a apelidei de Hebe... So que a diferença e que ela tinha os cabelos crespos, e era baixinha, tambem muito magrinha, num vestido esvoaçante vermelho com estampas de flores negras, simpatica, muito simpatica mesmo, e aquele hotelzinho lindo me encantou tanto... Pena que ficamos somente uma noite la e foi muito bom, fiquei com muitas saudades, o nome do hotel era London e todo de madeira envernizada...
O meu pai nao gostava de lugar sossegado, e ali era um tremendo sossego naquela praia, ele preferia mais as praias agitadas da cidade, naquela praia deliciosa... Colocamos as coisas no hotelzinho e fomos pra praia, suas ondas eram muito fortes mesmo, dava ate medo e eu olhei pras minhas pernas brancas e acabei falando sorridente... "Olha as paulistas branquelas entrando aqui na praia do Rio Grande do Norte..." e a minha mae deu risada. E a minha mae la pulando onda.
Fomos para Natal e o meu pai rodou, rodou, ate que nos ficamos numa espelunca que eu morria de nojo de comer la, eu tomei o meu banho no dia anterior, naquele hotelzinho gostoso, arejado, limpinho, a acabei esquecendo la a minha calcinha do cabelo branca e preta, numa estampa linda que eu tinha e prendi os meus cabelos pra nao serem agredidos pela agua do mar, acabamos molhando os cabelos devido às ondas bravas do mar que batiam na gente...

sábado, 17 de julho de 2010

Passamos uns tres dias em Fortaleza e tinha um homem la que vendia umas tapiocas deliciosissimas, redondinhas e com recheio de leite moça, geralmente elas tem formato de panquecas em formas de crepes ou seja... de meias luas, e alem do leite moça que tinha no meio, tambem tinha queijo branco e quando a gente mordia, vinha aquele fio telefonico, ligando a tapioca com a nossa boca... Uhn... Que delicia... Era uma delicia mesmo...
E quando eu experimentei pela primeira vez, eu acabei gostando tanto que todas as noites que tivemos la naquela cidade chata, eu comia, ia la pra beira da praia e comprava e comia... Tinha que pegar uma fila milimetral para poder comer aquelas maravilhosas tapiocas que eu nunca havia visto na vida... Mas so que quando eu comia aquelas benditas daquelas tapiocas, eu tinha uma tremenda dor de barriga e ficava alugando o banheiro do quarto e as vezes o meu pai ou a minha mae queriam entrar no banheiro e eu estava la, mas era uma delicia...
Numa daquelas noites que estavamos la sentadas, o meu pai, como sempre, puxou assunto com um senhor novo que estava la bem proximo da gente, vendendo perfumes falsos, ele falava que eram autenticos franceses... Mas... Era nada... E logo atras desse homem a mulher e as duas filhas dele, o homem era magro, elegante, disse que era professor e que ia la em Fortaleza porque havia muitos turistas e os turistas sempre compravam, e era onde ele aproveitava pra vender os perfumes para os turistas que vinham de todas as regioes do Brasil curtirem o verao de Fortaleza.
E o meu pai disse ao homem que eu tambem estava estudando pra ser professora e o homem me olhou com uma cara nada animadora e eu nem liguei, era um dos meus sonhos mesmo... Significa que professor nao ganha nada, e naquela epoca professor ganhava um pouco melhor do que hoje...
Por isso ele vendia os perfumes dele pra ajudar no orçamento e eles foram pra la de carro, ao contrario de nos que estavamos como ricos, de aviao... Moravam em Gama, uma cidade satelite de Brasilia, eu nunca tinha ouvido falar naquela cidade do Gama, que nem as meninas dele falavam "cidade do Gama" e eu fiquei conversando com a mulher que era nova ainda, gorda e loira, as meninas dela eram bonitas, loiras, altas e mais ou menos magras, todas elas eram novinhas, a mais velha teria no maximo seus quatorze anos de idade e a mais nova poderia ter no maximo uns doze anos e eles tambem estavam em hotel, so que nao no Zen, o hotel dos ovos cozidos, ate o dono tinha cara de ovo, e o hotel era totalmente estranho, com as paredes brancas e rusticas e so servia ovo cozido no cafe da manha, um colesterol danado... Dava ate pra se coçar nas paredes rusticas de tanto que eram rusticas, quem tinha coceira nas costas era so ir nos corredores ou nos quartos e se coçar, roçando nas paredes rusticas, e o caso do meu pai que nunca coçou as costas la, so coçava as costas na porta de casa...
As paredes da minha casa nao sao rusticas como as de la, e o engraçado e que as janelas dos quartos eram totalmente fechadas e eu como sempre, fui curiosa, das janelas fechadas que tinham ainda uma grade verdinha fininha, e eu via ali uma galinhas brancas de raça, com pelos nos pes e olhos azuis, eram galinhas alemas ou holandesas? Que raio e?
Ih, olha so... O cara criava galinhas de raça, galinhas que eu nunca havia visto na minha vida e a minha mae tambem nao...
E voltando à noite da praia em Fortaleza...
A mulher tambem estava com vontade de comer das tapiocas, e eu so nao queria ir porque eu tinha medo de atravessar a rua e de ser atropelada, ja que o transito la era pior do que o transito de Sao Paulo, e eu sempre tive medo de atravessar a rua e acabar engraxando um chao... Mas depois que eu aprendi a dirigir, tudo mudou... Agora eu so tenho cautela...
E a mulher pegou na minha mao e fomos atravessando a rua e eu falava pra ela que eu tinha medo de atravessar a rua, e ela nem ligava, so ficava olhando para os carros que iam e vinham, me puxava e as filhas dela atravessando logo atras, e chegamos la, pegamos a fila e pegamos as nossas tapiocas, cada uma com uma, o homem das tapiocas redondinhas era muito famoso no local, todo mundo falava com ele, todo mundo conhecia ele... E um ano depois ja tinha um monte de gente com as barraquinhas das mesmas tapiocas... Mas e claro que nao eram as mesmas... Eram horriveis... As do homem eram as melhores... Nos experimentamos e procuramos e acabamos achando as deliciosas tapiocas do simpatico homem gordinho, baixinho e simpatico...
Onde a fila era imensa, parecendo fila de INSS, banco ou de medico...
Comemos a tapioca, atravessamos novamente e ficamos la numa especie de parque e a mulher falava diversas coisas comigo e as filhas dela faziam o ginasio ainda, e a mulher falou que a escola era proxima da casa dela e a outra menina era a mais timida, nao falava muito nao...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

1991 chegou e com ele, muitas novidades, muitas alegrias, tristezas tambem chegaram juntos como em todos os anos das nossas vidas...
Sempre viajavamos em todos os meses de janeiro, que eram as minhas ferias escolares e o maravilhoso verao... E sempre iamos para o mesmo lugar, como sempre o Nordeste do Brasil, porque o meu pai e de la, entao... Nao tinhamos nenhuma novidade extrema, como em todos os anos, sempre viajavamos pra la...
Eu nao era apaixonada por ninguem, simplesmente admirava os artistas, os filhos dos artistas, os filhos de politicos e os politicos...
No presente momento, quem eu admirava e achava lindo, era o Collor, o presidente novinho que tomara posse no ano anterior, eu nao votei nele, votei no Lula, como a maioria votou...
Quer dizer... Eu acho que nem todo mundo votou no Lula, acho que a maioria votou foi no Collor...
Sempre ingenua, como sempre fui e sou ate hoje, apesar de me julgar experiente... Nao tinha malicia das coisas na epoca, hoje eu tenho um pouco mais... Eu nao fui criada como as outras crianças e nem tampouco como os demais adolescentes, que sabiam de todas as coisas da vida, entao... Qualquer pessoa podia me levar na conversa...
Ia começar a cursar o quarto magisterio, estudava no Padre Antao, no bairro da Penha, na zona leste de Sao Paulo, no periodo vespertino, ai eu nao sei como eu aguentava estudar a tarde, se fosse nos dias de hoje, logicamente que eu nao iria estudar no periodo vespertino, pois e a tarde que o sono vem mais forte, a gente estuda pela manha e a tarde pode fazer outras coisas sem compromisso nenhum com escola nenhuma... E das coisas que eu posso citar e uma maravilhosa soneca...
Como sempre... Parece ate que a historia se repete a cada ano, faziamos as festas de final de ano como no Natal e Ano Novo, usavamos mais fazer um almoço do que fazer ceia nas noites tanto do Natal como do Ano Novo... Ha dois anos seguidos, fizemos o famoso almoço aqui em casa, com a famosa lasanha da Patricia, filha mais velha da minha irma mais velha...
Tinhamos tres opçoes pra fazermos os famosos almoços... Duas delas era a casa do Marcos ou a casa da Adna, alem de ser aqui em casa, e claro... Nessas tres casas resumiam - se os almoços e as festinhas de familia, como e ate hoje... Raramente alguma coisa e feita na casa da Cleia... E naquela epoca ela estava mesmo conosco, morando em casa... Entao nao tinhamos a opçao "casa da Cleia..."
Às vezes, muito raramente, iamos em algumas festinhas de familia que tinham na casa da minha tia Helena, irma do meio da minha mae, mas era muito dificil, poucas pra relatar aqui, pois o meu tio Antonio e o meu pai nunca se deram, o motivo eu vou falando aos poucos... Qualquer coisa que se inventava na casa dela, ou as vezes eles vinham aqui em casa, um discutia com o outro... Sempre discordando das coisas da igreja, um querendo falar mais do que o outro, cada qual na sua razao, mais discordando da razao de cada um...
Fomos viajar, como o de sempre, igual a cardapio... Arroz, Feijao e Carne... Nós almoçavamos, todo mundo ia embora, limpavamos a casa, e assim que todo mundo ia embora pras suas casas, iamos arrumar as nossas malas e muitas das vezes, no dia dois, estavamos indo para o aeroporto de Cumbica, para pegarmos o aviao e ficarmos mais de trinta e dois dias fora... Eu e a minha mae, arrumavamos as nossas malas rapidinho e direitinho e eu, cheinha de sonhos...
E no dia seguinte embarcamos rumo à Fortaleza, porque as nossas viagens eram assim... Fortaleza, Natal, Recife e Maceio, e nunca iamos conhecer outros lugares, so que dessa vez fomos rumo à cidade de Natal, que foi um sonho pra mim... Eu ja ouvia falar tao bem daquele local que eu ate fui com as espectativas de ser feio, muito feio... De nao ser nada daquilo que eu imaginava e no fim... No fim... Foi tudo de bom... O Pastor Georges ate fazia poesias referente à cidade de Natal, ate contava coisas que eu ficava boquiaberta, nao acreditando muito, porque o povo nordestino e apaixonado pela sua terra assim como os portugueses sao pela terra deles... Isso acabou motivando mais ainda a minha curiosidade sobre essa cidade, e fazendo - me ficar pensando se o lugar era bonito mesmo ou se era conversa dele...
Mas so que tinhamos que passar em Fortaleza primeiro e eu achei que ia ate gostar da cidade, mas quando chegamos la, detestamos o tremendo calor que era...
E a minha mae ate queria voltar dali mesmo, de dentro do aviao, porque quando colocou o pe pra fora do aviao, sentiu o tremendo calor, viu aquele sol branco e voltou brincando com a aeromoça e sorrindo, que queria voltar e se nao podia voltar dali mesmo, perguntando se o aviao iria de volta pra Sao Paulo e a aeromoça educadamente respondeu que sim mas que nao era no presente momento... E o calor era forte mesmo, tanto que as pernas da minha mae ate incharam de tao quente que era... E ate o presente momento, na cidade de Sao Paulo nunca havia tanto calor assim como estava la em Fortaleza naquele dia, falaram que tava mais de quarenta graus, ja hoje nao, hoje e diferente... Hoje ate dormimos de ventilador ligado, naquela epoca nao... Era aquele friozinho gostoso, depois da chuva de verao...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A Paula era uma menininha bonitinha, de rostinho cheio e olhos negros e amendoados, de cabelos curtissimos que falava que quando veio pra ca pra Sao Paulo os cabelos dela eram enormes, negros e lisos e ela so passava preto azulao no cabelo, era sempre o que ela comentava, com aquele maldito sotaque baiano, quando nos estavamos conversando...
Uma vez a Erick veio comentando que estava do lado de fora, acho que esperando a mae dela chegar, porque era tarde, muito tarde mesmo, juntamente com a tia dela, que nao a deixava ficar sozinha naquela hora da noite, foi quando ele passou indo pra casa dele, todo serio e ela começou a falar, tipo se deliciando no que supostamente deveria ser meu mais nao foi... "Ta vendo esse cara ai tia, nao e bonito?" ficou perguntando pra tia dela e essa concordou que "sim" com a cabeça. "A Miriam ai da lojinha gosta dele, ele e modelo, manequim..." e começou a falar as coisas que eu acho que ele nunca deve ter feito na vida, apesar de ter tamanho e qualidade, mas eu acho que modelo e manequim ele nunca foi nao... Mas falta de qualidade nao, o que faltava nele era ambiçao pra seguir uma carreira de modelo e manequim... E so faltava ela falar que ele tava pra fazer novelas e comerciais de televisao... Qualidade tinha, como eu ja falei, o que faltava era a ambiçao...
Nao sei nao se ela nao falou, e nao me contou... E ele nem se importou com o que ela estava falando, porque pra ele nao deveria ser de suma importancia mesmo, afinal de contas...
Afinal de contas, ele devia ter beijado e abraçado tanto a Luciana, que agora... Agora ele so queria ir pra casa deitar e dormir...
Ele nem parou pra perguntar se era dele mesmo que estavam falando, porque ele nao julgava nada que ocorria aqui importante, a nao ser o fato de eu estar la olhando pra ele, que nem uma boba - apaixonada...
E a Iris conseguiu virar a cabeça da Erick tambem contra mim, e... Mas nao foi de todo mundo que ela conseguiu virar a cabeça... So de algumas pessoas que foram sempre na dela...
Eu comecei a perceber isso, quando, uma vez eu falei pro irmao dela, chama - la pra vir aqui na lojinha, porque eu estava querendo falar um negocio com ela, nao me lembro o que, pois eu so me lembro que eu queria era falar com ela... E o irmao dela foi la chama - la correndinho nas canelas, assim como eu falava e ele veio rapidinho falando que ela mandou eu "peidar na agua pra sair bolinha" que idiota mesmo...
Infelizmente eu nao peidei, porque a minha esperteza era tanta que eu nem consegui me imaginar peidando na agua e saindo bolinha, assim como ela falou...
E ela sempre foi um pouco esquisita pro meu lado, um pouco, nem tanto, como começou a ficar...
Ela começou a ficar mais grudada na Iris, conversando com ela e dando risadas juntamente com ela... E ela se juntava com a Iris e os maloqueiros dela, numa familia so, porque era a qualidade dela e começavam a zuar com a minha cara... Tipo quando eu passava, ela fazia cara de nojo, sabe?
Lembro - me uma vez, no final desse mesmo ano, quando eu estava la com ela e a dona Maria Passa Fome, que morava ali vizinha à Juliana começou a defender o Buiu, o neto dela que deve ter morrido podre na cadeia... Que acabou sendo solto apenas pra ir ao enterro da vo, assim eu fiquei sabendo, quando a dona Maria Passa Fome morreu, a alguns anos atras, quando tinhamos a lojinha, e a velha era toda durinha, de cabelinhos cuidadinhos, roupinhas bonitinhas, so tinha o apelido de Passa Fome, que fui eu que coloquei, porque quando ela recebia a grana da pensao do marido que havia morrido a muitos anos atras, os netos dela e filhos acabavam gastando tudo na lanchonete do seu Chico, e a velhinha era tao vaidosa que morreu dizendo que tinha setenta e oito anos de idade, nao completava aniversario, todos os anos a mesma idade... E eu so vendo a Erick com a falta de educaçao dela, que a mae dela deveria falar mais ela nao tava nem ai, ela gritava com a dona Maria feito uma louca e eu so observava, tambem falei algumas coisas, porque a dona Maria tinha um tremendo dengo com aquele neto dela, dava tudo pra ele... No fim... Quando ele nao teve mais... Foi roubar... E eu me lembro que fazia um solzinho fraquinho e eu estava no quintal da Erick junto com ela, estavamos conversando e dando risada, quando a velhota apareceu defendendo o neto dela, devido às brigas com os moleques, os irmaozinhos dela...
Lembro - me da ultima vez que eu a vi, ela ja nao era mais aquela mulher cheinha de vida, ela estava tao velhinha e tao magrinha, reclamando de problemas de diabetes, em frente ao portao da velha casa que hoje sao dois belos sobrados e eu ainda falei com ela... Cabelinhos branquinhos... branquinhos...
E tempos depois... Eu recebi a noticia de que ela havia falecido na casa de uma das filhas dela que ficou tomando conta dela, a tirou dai, de tanto ver a velhota desnutrida e desmaiando de fome, pois a ultima filha dela, acabava com tudo o que ela tinha... Hoje... Hoje deve de estar na miseria... Roubava a mae... A filha era crente da Congregaçao e cuidou dela, deu uma boa vida a ela, fez ela se converter, coisa que ela tinha aversao era a crente... Ela me falava que se ela tivesse pra se converter... Seria perto de morrer... Pois e... A velhota tava certa... Se converteu, deixou os cabelos crescerem, colocou saiao, andou na doutrina e Deus levou...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Aqui na minha rua, tinha uma menina que tinha o nome com a grafia engraçada, tambem a menina era toda engraçada... Magricela, perna fina... Mas se achava, se sentia a rainha da cocada preta... So tinha o rosto bonitinho, mas comum... nao era la essas coisas nao, como ela se achava e se sentia... e por fim... Ela queria ficar com o Chris, irmao mais novo do Sandro, embora nao herdara toda a beleza do Sandro, mas era bem parecido... E eu fiquei sabendo uma vez por ela propria que o Chris a chamou de criança, quando ele ficou sabendo, acho que por ela mesma, e depois... E depois as coisas acabaram mudando, como pra mim, que agora e ele que quer e na oportunidade certa ela deu o fora no Chris, e ela mandou perguntar pra ele se agora ele tava ficando com criança, pois a criança nao queria mais... E ela fez o que eu deveria fazer, mais eu nao vou fazer... Porque eu quero que ele tenha o gostinho gostoso de saber que agora ta com a pessoa que ele mais foi influenciado a nao ficar... Mas ele vai ter que sofrer aos poucos...
Ela nao, ja fez sofrer logo... Assim pelo menos ele se esqueceu e agora se lembra do fato, dando risadas... Alias, ela teria que fazer o Chris sofrer logo mesmo, pois ela nao ficou por muito tempo aqui, porque ela morava de aluguel e a Juliana me contou uma vez que a mae dela trabalhava num motel e vinha sozinha pela Avenida Maraial, a popular rua da feira de quinta, que continua la ate hoje, vinha a pe todas as noites, porque ela descia do metro Arthur Alvim, ela vinha a pe ate mesmo nos sabados e domingos com aquelas roupas curtissimas que ela usava, e um policial vinha junto com ela, acompanhando - a ate a pracinha do Nordeste, que hoje e o posto policial...
E a Erick sempre falava em mudar para o interior, porque a familia dela era todinha de la, entao, futuramente ela iria para o interior... E so ela e a mae juntamente com os irmaozinhos pequenininhos que estudavam no Vieira, moravam aqui na capital, e somente ela que estudava no Galileu juntamente com as meninas...
Nao me esqueço o dia em que a Juliana me contou que a Erick e a Lilian que nao se davam nunca, brigaram na calçada da casa da Erick e que as duas tacaram cartolinadas uma na outra, com toda a furia do mundo, e a Juliana falou que quem bateu mais foi a Erick...
Quando nos falavamos que a grafia do nome da Erick tava errada, a mae dela falava que nao, que era certo, era assim mesmo... E pela grafia parecia mais nome de menino do que nome de menina...
A mae da Erick era uma mulher bonita, nova ainda, aparentava ter uns trinta e poucos anos, de pele morena e cabelos lisos, curtos e tingidos um pouco mais claros, rosto ovalado, mas andava com umas roupas muito escandalosas, tinha pernas bem grossas e um corpinho mais ou menos, nao era gorda e nem magra...
E todo mundo falava, mais ela nunca se importava... E era na epoca que ficavamos na rua ate tarde da noite e iamos dormir bem tarde mesmo, tempo quente... Entao aproveitavamos, e a Paula sempre tinha uma historia de que tudo o que ela falasse, se acontecesse era porque o Sandro gostava de mim assim ela fazia com todo mundo, nao era so comigo nao... E ela começava bem baixinho, porque na rua era so a gente que se fazia ouvir... Uma vez etavamos sentadas la na guia da casa da Erick que era a casa da Loka, quando ela começou a falar com a voz bem sinistra mesmo, tipo pra dar medo... "Se a porta bater..." e de repente a porta bateu... E a Juliana olhou pra mim assustada e disse: "Olha... Encima..." e ela continuava com a mesma voz sinistra... "E se o cachorro latir..." e de repente ouve - se o latido de um cachorro... "Olha... Aconteceu denovo, Miriam... Ele gosta de voce..." continuou a Juliana, agora feliz, com as coisas que a Paula falava e confirmava encima.
Entao... Tudo indicava ser verdade mesmo e nao ser fantasia da minha cabeça nao...
So que nunca aconteceu... E quem sabe esta prestes a acontecer?

terça-feira, 13 de julho de 2010

E depois daquele dia a Renata veio me falando que eram umas onze horas da noite e os dois passaram na rua, e ela os viu, quando os dois estavam em frente à minha casa, e disse que ele passou olhando diretamente pra minha casa e parecia ate que os dois estavam discutindo feio mesmo e ele falava assim... "E por essa e por outras tambem..." e eu ja fiquei pensando naquele dia mesmo, o "porque" das minhas orelhas queimarem tanto assim... E a Valeria, que notou que as minhas orelhas estavam grandes, inchadas e vermelhas, deve ter contado o fato pra Iris que deve ter multiplicado esse fato para outras pessoas, dando risada de mim, no minimo e multiplicou tanto que ate a torcida do Corinthians inteira deve ter ficado sabendo do fato ocorrido...
Enfim... ate chegar aos ouvidos dele, que as minhas orelhas queimaram enquanto os dois discutiam...
Quando nos estavamos na lojinha, a Valeria ficava escrevendo a grafia verdadeira, segundo a concepçao dela, e claro... Dos apelidos da familia do Sandro que ela conhecia tao bem, por ter sido a namorada do Jehan... E eu... Trouxona... Caia na dela e ficavamos dando risadas feito duas retardadas recem saidas do hospicio... Isso quando ela escrevia e os descrevia depois, e claro... E isso era a nossa diversao, inclusive a dela, que gostava de colocar apelidos nos outros...
Muskito era a grafia do apelido do Chris, Bringella era a grafia do apelido do Sandro, Microphone da Shusha era a grafia do apelido do Jehan, Shushu era o apelido da dona Elsa e Cebollao era o apelido do seu Alencar e davamos risadas, enquanto isso ela escrevia numa folhinha em branco que tinha la na lojinha...
Inclusive ela escrevia na mesinha que tinha la na lojinha que a minha mae deu ou vendeu pra Meire, sei la, um belo dia, eu estava na lojinha sentada e a minha mae ali comigo, quando a Meire apareceu com nao sei mais quem la, era um menino e levaram a mesinha, tive que dar um tremendo "adeus" pra mesinha que foi testemunha de tantas conversas entre eu e as meninas e tinha muita escrita da Valeria ali a respeito da familia Buscape, que assim chamavamos... Ou a Horta... E a mesinha era testemunha de muitas conversas e segredos que eu e as meninas trocavamos la na lojinha...
A mesinha era de formica bege e cumpridinha, as meninas ficavam nas cadeiras da frente e eu na cadeira que dava pro balcao, que ficava dentro pra servir as pessoas que iam comprar doces...
E eu descobri que meu apelido la na rua do Sandro era "A menina da lojinha" e mais tarde... Alguns sem graça e sem noçao, me puseram um apelido horroroso de "Baiana Louca".
Certa vez, depois de algum tempo, dessa historia ocorrida, em outra epoca da minha vida, em que eu estava com o Walmir, ainda nos anos noventa, eu estava num onibus que ia pro Burgo Paulista, bairro pertissimo da minha casa, aqui na zona leste de Sao Paulo, quando eu me sentei num banco e vi escrito num coraçaozinho... "Sandro e BL" decifrado mais embaixo... "Baiana Louca" e acabei dando risada do idiota que escreveu aquilo e tambem do idiota que inventou o apelido, que deveria ser o mesmo que escreveu no coraçaozinho, isso foi a noite...
E era cada coisa louca que acontecia comigo, cada coisa que eu ouvia falar... Certa vez eu ouvi falar que o Sandro nao ficava comigo, porque ele tinha vergonha de mim, vergonha de pagar mico comigo, vergonha das roupas que eu vestia, e dele estar comigo e de alguem passar zuando dele e de mim... E mais so que da Silvia ele nao teve vergonha, quando eu fiquei sabendo mais tarde que ate os vizinhos dele colocavam a musica... Ô Silvia piranha..." ele ate saiu de perto de la, juntamente com ela, vendendo azeite de tanta raiva que ele estava... E eu achei bem feito, cuspiu pra cima e arrumou outra que o fez pagar mico de outro jeito... E os vizinhos dele eram muito infantis, nao gostavam da garota que ele estava, assim me disse a Rose, que contou pra mim, que ele estava se desabafando com ela sobre isso, e com a Silvia ele pagou mais mico do que pagaria comigo, porque no meu caso eram so as roupas, e no caso dela, era o que ela aprontava em relaçao às galinhagens, ate com os amigos dele ela saiu e ele ainda nao teve vergonha na cara e acabou ficando com ela mesmo assim, hoje ele e um infeliz e quer a todo custo reparar o seu erro...

domingo, 11 de julho de 2010

E esta acontecendo ate agora... So que agora eu nao sei se o que eu sinto por ele ainda e a mesma coisa que eu sentia antes... Bem antes...
Uma vez a Valeria me contou que a Kelly estava chorando as pitangas porque ela e o Allan tinham terminado o namoro e ela estava citando exemplos das pessoas que eram felizes e falou dela e do Jehan e depois de mim e do Sandro, mas so que ela falou que nao botava fe em nosso relacionamento, se bem que... ela parou de falar na hora e a Valeria queria saber e ela nao falou, achou melhor deixar pra la, entao a Valeria acabou deduzindo pra mim que, ela sabia alguma coisa a respeito dele gostar de mim e somente nos nao sabiamos de nada, agora pra Kelly ele deveria de ter falado, ja que confiava muito nela e a amizade deles poderia ate ser um relacionamento amoroso de casal ja que eles haviam sido namorados no passado e poderiam ser uma vez mais tarde... Como foram...
Agora pra Kelly ele contou o que eu vim saber dezoito anos mais tarde, ainda por outra pessoa, um senhor que conversava com ele sempre... Nunca por ele... Nunca eu fiquei sabendo nada pela boca dele...
E se nao fosse o seu Vicente, jamais eu iria saber o que a Valeria desconfiava dele gostar de mim...
Ou talvez saberia no dia que ele viesse falar comigo... Se ele vier ne?
E os dias foram se passando... E eu sempre na esperança dele vir falar comigo... Mas... So que isso nunca aconteceu... E nem sei se isso ira acontecer... Porque eu acho muito dificil... Dificil mesmo... Entao, a esperança e a ultima que morre... Mas a minha ja morreu faz tempo e muito tempo... Ate foi enterrada e desossada...
Eu sempre ficava do lado de fora, quando a minha mae resolvia fechar a lojinha e ficar dentro de casa... Ou entao... Eu fazia questao de ficar la... So para ve - lo passar... Ou entao ela ficava la na lojinha sozinha pra me dar uma folga... Uma folguinha so... E naquela tarde que choveu bastante e o sol resolveu a brilhar... Eu estava lendo alguma coisa num Portunhol bem forçado e ruim e claro... E o Chris passou sentido ponto me olhando... Tipo achando que eu era totalmente louca por me expor assim...
E na verdade mesmo eu que tirei um barato com ele, porque ele estava parecendo mais um salsao daqueles de folhas largas bem verdinhas e bonitas e ficou me olhando juntamente com o Jehan que passou ao lado dele, e conversa vem e conversa vem entre os dois irmaos e eu, o Jehan acabou me perguntando se eu nao achava a Luciana bonita e parecida com o Sandro e dessa vez ele estava sozinho, e passou sentido a casa dele e eu respondi que nao e ele me falou pra eu reparar bem, quando os dois passassem juntos e eu comecei a me lembrar na hora que, realmente os dois se pareciam, assim como a Telma e o Robson que apareceram em outra epoca da minha vida, na epoca que eu gostava do Robson e esse começou a namorar a Telma da igreja...
E eu acabei por concordar, antes de ficar encarando os dois e levar um chega pra la da Luciana e ele disse pra mim que ela ate parecia uma irma adotada dele e eu corrigi pra "adotiva" e ele se corrigiu denovo... "adotiva". Igual ao que eu havia dito...
E uma outra vez, em que estavamos na lojinha a noite, eu, a Valeria, a Erick, a Paula da dona Maria Biquinho, uma visinha que tinhamos perto de casa, e de repente, enquanto conversavamos, as minhas duas orelhas começaram a doer, a arder e a queimar, mais uma coisa sinistra como acontece hoje que e de queimar e ficar bem vermelha, as vezes as duas, quando nao so a direita que queima, queima mais a direita do que a esquerda... Isso nos dias de hoje...
E eu falei, sem querer pra Valeria que as minhas orelhas estavam ate pulsando de tanto arder e queimar... Falei em voz normal pra ela, sem estar chorosa nem nada... E assim ela olhou pras minhas duas orelhas e acabou confirmando admirada... "E mesmo, Miriam... Uma ta falando bem e outra ta falando mal... Um atacando e outro te defendendo... Olha... Olha so como as suas duas orelhas estao ate pulsando... estao que nem um coraçao..." e continuou admirada, olhando para as minhas duas orelhas... "Miriam, no minimo eles estao discutindo, nao e possivel, porque olha so como as suas orelhas estao vermelhas..." continuou assustada e todas as meninas olhando pra minha cara.

sábado, 10 de julho de 2010

E quando o Sandro passou numa tarde fria e eu estava sozinha na lojinha, quando eu o vi sem blusa nenhuma, ele passou sentido ponto, todo triste e cabisbaixo, me olhou de rabo de olho, como quase sempre, e foi embora, e eu, mais que depressa, a idiotona, tirei a blusa... Pra poder passar frio junto com ele e contei isso pra todo mundo, achando bonito, mais uma coisa sinistra e estranha acabou me esquentando assim... rapidamente, ao passo que ele estava indo de encontro a ela, pra ser abraçado e esquentado por ela ou usar uma das blusas que ele deveria ter la na casa dela... que poderia ser a segunda casa dele...
E nessa mesma noite mais algo estranho acabou me acontecendo, eu acabei adormecendo rapidamente e sonhando que eu estava numa casa esquisita e ali estava ele chorando, todo vermelho, como quem estava com afliçao de algo que ele estava passando... Numa laje onde eu conseguia enfim subir, porque eu lutava pra chegar la, em meio a tantas caixas de sapatos e a escadaria era estranha... Mal feita e tortuosa... Sera que foi um aviso, uma premuniçao que era tudo que iriamos passar pra um dia chegarmos a ficar juntos? Eu me lembro que nesse sonho eu lutava muito pra chegar ate onde ele estava, e nao estava conseguindo, pois a Iris que tambem estava no meu sonho, ficava olhando sorridente vestindo uma calça bege, sem fazer nada pra me deter... Ela somente ria e olhava pra escada, pensando com ela mesma... "Ela nao vai conseguir..." e eu, mais que depressa, tirava todas as caixas, jogando - as longe... Eram varias... varias caixas que estavam atrapalhando a minha subida ate la... E cada vez que eu tirava as caixas iam aparecendo mais e mais... E eu subia mais parava pra tira - las do meu caminho... E eu ficava apavorada, respirando aceleradamente ate conseguir subir tudo e chegar la, onde ele estava chorando com o rosto vermelho de tanto chorar... e o dia estava estranho e nublado e eu ia ate la, passava a mao no rosto dele e sentia quente e perguntava o "porque" dele estar chorando e ele nao conseguia me falar, pois seus labios tremiam de tanta comoçao e eu amanheci como os meus dedos molhados, sem que eu nao chorasse aquela noite e nem tampouco ninguem colocou agua na ponta dos meus dedos... Era assim que eu contava pra todo mundo essa parte final que nao foi bem assim... Nao molhei meus dedos, nem chorei e nem tampouco senti agua na minha mao, mas... pra incrementar eu contei assim, so pra dar mais uma apimentada nessa historia maluca...
E eu acabei contando pra todo mundo, mais ou menos desse jeito e no minimo ele ficou sabendo e eu estava falando pra Valeria naquela tarde um pouco fria, e eu ainda falei que se era verdade que nos iamos ter alguma coisa, que ele aparecesse chorando ali, em frente ao matinho que tinha na porta da lojinha, um matinho bem rentinho que tinha ali, bem antes de carpirem... E foi ai que eu prestei a atençao na Valeria soltando um suspiro de admiraçao, sentada ali, me olhando intacta e incredula com o que estava acontecendo, de olhos enormes... Era ele... Ele parado bem ali de labios tremulos e chorando... Nao sei... Nao sei o que foi que me aconteceu naquela hora... Entao... Entao... Era verdade... Era verdade que um dia teriamos alguma coisa... "Miriam... E ele... Olha como ele esta... Ate me arrepia... " disse, mostrando os braços de pelos arrepiados... Indignada com o que estava vendo e eu olhando boquiaberta e incredula... Meu Deus... Como pode isso estar acontecendo... Ele... Ali do jeitinho que eu havia falado... Meu Deus... Como pode...Do jeitinho que eu falei estava acontecendo...
Ele, ali, parado... E com os labios tremulos, rosto vermelho de tanta comoçao e... Acima de tudo... Chorando, igual ao meu sonho... Parado bem no matinho, e ficou olhando pra minha cara, assim como eu falei... E me fez ate me arrepiar...
Entao... Esse sonho que eu tive, foi uma premuniçao de tudo o que ele passou e vem passando no presente momento... E que ia ser dificil da gente ficar juntos mesmo... Aquelas caixas de sapato... Aquelas caixas de sapatos poderiam ser o tanto de meninas que ele ficou e que ele passou na minha frente pra me magoar mais e mais e tirar todo o sentimento que eu sentia por ele naquele momento e em outros mais da minha vida... E a dificuldade de eu chegar ate la, nao era a Iris, ela era apenas a mentora da epoca, a pedrinha de tropeço que colaborou pra gente nao ficar juntos, mas o que iria me prejudicar mesmo nao era nem a Luciana, nem a Lili, nem a Adriana, nem a Cintia, nem a Fernanda... E nem tantas outras que tiraram o meu grande amor do meu caminho... Mas uma so... a pior... a Silvia, atual esposa dele no momento... que e um grande obstaculo que temos em nossas presentes vidas...
E em todas as vezes que a Valeria fazia aquela brincadeira da caneta, quando estavamos sozinhas na loja, e eu sempre perguntava dele, e sempre falava que nos iamos ficar juntos mais nao era naquela epoca que eu tanto queria... E que demoraria um pouco... Um pouco... Nao quase vinte anos desolados e perdidos... Mas que iamos ficar juntos iamos... e mesmo assim eu nao acreditei e confesso que ate o presente momento eu nao acredito e quem sabe algum momento, capitulos depois da minha vida, eu possa ler essa parte com ele e depois darmos risadas juntos... Risadas das coisas tolas ou nao... Mas... Eu queria naquela epoca... Naquela epoca em que eu era apaixonada por ele... E nao... Agora... Agora eu fico sem graça... Pensando... Sera que eu vou voltar a gostar dele do jeito que eu gostava antes? Sera? Ai sim... Assim como a caneta falava na mao da Valeria aconteceu... Mas nao aconteceu ainda... Ou aconteceu? Ou vai acontecer? Aconteceu...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Era nada...
Era Acaju Claro a cor que ela passava no cabelo, mas so que nos cabelos dela ficavam tao lindos, porque eram bem lisinhos e longos... E ela era toda linda... Delicada, magrinha... Quase todas as meninas deviam ter inveja dela ou ate mesmo falar que ela nao era bonita coisa nenhuma... Achando defeitos onde nao tinha...
E outra vez que eu estava sozinha, ela passou com um top preto daqueles que vendiam na Demillus e nela ficava tao lindo, tao apertadinho, que dava ate gosto de ver... E naquele dia do top preto ela passou falando... "Pintou um gatinho na area, pintou um gatinho na area..."olhando pra tras, sempre sorridente, e eu vi um carinho na carona de um carro, branquinho e todo sorridente, lindinho... Gatinho mesmo... Ela tinha bom gosto, apesar de ja ser linda...
A Kelly era muito bem admirada por quase todas as pessoas que a conheciam e a Valeria achava o nome Celia sem graça e a Celia tambem, totalmente sem graça, e eu nao tiro a razao dela, apesar dela ser irma da Kelly era totalmente sem graça...
Uma outra vez, logo que eu conheci o Sandro, estavamos eu, a Valeria e a Iris falando deles, ja que ele era a sensaçao do momento no meu coraçao, naquela epoca, coisa que hoje eu nao sei... Tenho medos e duvidas sobre ele... E eu bobona como sempre tava querendo saber o nome da namorada dele, e a Kelly passou sentido casa dela com umas meninas falando que nao sei o que, quando a Valeria a chamou e ela a olhou, e a Valeria foi perguntando qual era o nome da namorada do Sandro e eu somente olhando... Acho que foi naquele dia em que ela passou abraçada a ele, com os aneis de marcassita nao me lembro e eu tava abalada com a situaçao, e chateada com o que eu havia visto... "Do rambo? A namorada do rambo?" indagou ansiosa e com os olhinhos brilhantes... Rambo? Ah, nada a ver... Por que esse apelido agora? Mais uma que eu havia descoberto dele... E a Valeria estatalou os olhos e perguntou ansiosa, como quem nao soubesse do apelido curioso dele... "Rambo? Por que rambo?" e a Kelly mais que depressa respondeu pra ela... "Devido ao concurso do Rambo que tinha no programa do Gugu, ai o apelido dele ficou sendo esse..." e ela sorriu e perguntou o porque queriamos saber sobre a namorada dele e a Valeria foi logo falando... "Nada, nao sou eu nao, e a Miriam..." disse apontando pra mim... "Ela gosta dele..." revelou por fim e a Kelly me olhou sorridente, tipo: "Mais uma..." E eu fiquei sem saber se ela sorria zuando de mim, por eu ser tao feia ou se ela ria por simpatia... Sei la, mais na epoca eu escolheria a primeira alternativa... "E voce Kelly com quem voce ta namorando?" continuou curiosa, tipo querendo desviar o assunto ja que ela nao havia nem falado ainda o nome da namorada do Sandro...
"Eu... Eu to com o Allan..."respondeu feliz. E elas ficaram se olhando como quem... "Allan? Quem e Allan?"
Sei la quem e Allan... Mas, sendo quem fosse, nao era mais lindo do que o Sandro nao... E ela se foi toda sorridente com as amigas dela, tudo isso sem falar o nome da garota, que era tudo o que eu queria saber... O nome da namorada do amor da minha vida...
E a Valeria nao tinha nada que falar pra Kelly que eu gostava do Sandro, mas ela falou e agora... Tava tudo mal feito... E acabou dando no que deu ate hoje...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Das varias vezes em que eu me recordo que o Sandro passou, ele tinha um camisao tao lindo, mais tao lindo que me encantava, todo florido, com estampas de flores bem fortes em tons avermelhados e ele passou na minha calçada novamente sentido ponto...
E quando a Fatima vinha almoçar em casa, e guardava a moto dela na nossa garagem, onde fica o meu carro hoje, fazendo todos pensarem que ela era a minha irma mais velha e que a moto era minha e a Fatima no caso que era a minha irma mais velha, dirigia a moto, assim a Celia me falou uma vez...
E uma vez que a Celia entrou na lojinha e eu estava sentada la, como o de sempre, e ela veio me pedindo nao sei quanto de folha de papel almaço e acabou me confessando que nao sabia qual era a diferença de folha de almaço pra folha de sulfite, burra que nem eu, porque eu tambem confundia... E ai foi que eu descobri o porque de muita gente falar, inclusive a Valeria, que ela era burra que nem uma porta... So que ela era mais ou menos popular entre os meninos, nao sei se era porque ela era irma da Kelly... Apesar da Celia ser mais velha do que a Kelly nao herdara a beleza dela, eu acho que os pais delas deixaram pra fazer a Kelly com toda a paixao do mundo e a Celia foi feita meio que às pressas, aprontada...
E o pior de tudo... O pior de tudo que eu acabei confessando a ela, toda sorridente que eu tambem tinha isso comigo, de confundir as duas folhas... E nos duas demos risadas do nosso achismo...
Ela tambem fazia magisterio assim como eu, so que a noite la no Zalina Rolim e devia ter bastante amigas, nao era assim como eu nao, uma tapadona que nao tinha amiga, que os outros se esquivavam, parecia ate que eu tinha uma doença grave e contagiosa... E a Celia tinha uma amiga alta, morena clara, de olhos e cabelos longos e negros, seus cabelos bem espessos que todo mundo falava que ela era bonita e o Sandro, se visse com certeza iria querer ficar com ela...
E eu acabei confessando que nao a achei bonita nao e a Celia falou que todo mundo a achava bonita e que ate a familia dela falou e que todo mundo sempre falava isso na frente dela, ela tinha uma pinta proxima à boca, vai ver a beleza dela estava toda estacionada ali... Na pinta.
A Valeria sempre gostava de defamar as pessoas que eu nao conhecia, me fazendo ter ideias erradas referentes às pessoas, ela viu que a Kelly comprou Avon de mim e me falou em alto e bom tom, quando estavamos na lojinha, que a Kelly costumava nao pagar as pessoas as quais ela comprava... E ainda me falou que ela era dificil de pagar e que eu ia ficar toda hora na casa dela cobrando e nao iria conseguir receber e eu acabei ficando com medo e a Kelly apareceu sentido casa dela, com um pouco de pressa, vinda do serviço e parou falando que ia me pagar... "Ah, deixa eu te pagar..." e me deu a grana na minha mao e a Valeria acabou ficando totalmente sem graça e eu vendo - a sem graça, acabei falando, para deixa - la mais sem graça ainda... "Ah, pensei que voce nao fosse me pagar..." e nisso a Valeria olhou pra ela e deu um suspirao e ate se mexeu na cadeira, de tao sem graça que ela ficou e a Kelly ficou olhando pra ela, como quem... "Desgraçada, voce fermentou alguma coisa a respeito?" E tudo parecia um veneno ali, um tremendo venenao... A Valeria sempre me envenenando contra os outros e no minimo envenenando os outros contra mim... A Iris como a cabeça de tudo... Como sempre foi...
Outra vez, estavamos la na lojinha, dando risada dos apelidos que a Valeria colocava na familia do Sandro, ja que ela os conhecia tao bem assim... e a Kelly passou com nao sei quem que estava dentro de um carro e o cara perguntava e a Kelly falava, sempre sorridente... de bermuda delava e uma blusinha la e tenis Nike e a Valeria olhou pra mim e riu e acabou falando... "Ah, tenis sem meia, quantas vezes eu falei pra ela que nao se pode fazer isso..." e a Kelly continuava falando toda feliz... "Pintei o meu cabelo de vermelho puta..." e gargalhava bem alto e a Meire que sempre estava metida nas conversas das meninotas do bairro, tambem riu quando ela falou do vermelho puta...

domingo, 4 de julho de 2010

Uma vez eu fiquei tao feliz quando a Valeria me falou que ia me apresentar ao Sandro, pois ela o conhecia, afinal de contas, ela ja tinha namorado o Jehan, o irmao do meio dele, e a minha felicidade foi tanta que eu passei em frente ao portao do seu Laudir e agaixei e levantei tres vezes de tao feliz que eu estava e tinha ali um baiano, parado ali me olhando, e eu nunca tinha ido com a cara dele, e ele estava ali atento, observando tudo, pronto pra aprontar... O cara era feio demais... De arrepiar... Ui!!! Ao contrario do Sandro que era tudo de bom... E eu fui embora pra casa toda feliz e entrei no banheiro pra tomar um banho gostoso, so que no banheiro da mae, porque a minha irma e os dois filhos dela estavam ocupando o meu quarto e o meu banheiro... Ufa!!! Que droga, havia perdido tudo novamente... Eu nem me importei com nada, fiquei feliz demais tomando o meu banho e sonhando com o momento de conhece - lo e dar os tres beijinhos nele, sentindo aquele maravilhoso perfume... Coisa que isso nunca aconteceu... E la vem a minha mae, com a voz alta e apavorada, preocupada e perguntando se eu tinha pegado dez reais de um cara que estava la no portao perguntando e falou que eu agaixei e me levantei tres vezes e o dinheiro dele caiu e ele veio com essa conversa e do banheiro, tomando o meu banho eu respondi que nao tinha visto dinheiro algum...
Depois eu fiquei furiosa, porque eu fiquei sabendo que ele ia fazer uma macumba preta pra mim, porque eu havia pegado a grana dele e naquele tempo dez reais era muita grana, e ele continuava falando que ia fazer uma macumba preta pra mim, mas eu nao gosto muito de preto nao, podia ser lilas ou azul clarinha que fica melhor...
E eu nao fiquei com medo, porque eu nem tenho medo de macumba e nem dessas coisas sinistras que tem por ai...
Da lojinha eu sempre via o Sandro passar, bem lindo e maravilhoso, como ele e e como ele sempre foi... So que na epoca ele estava mais lindo ainda... E nessa tarde que ele passou sentido ponto, a minha mae foi ate a pracinha e desde a morte do Dinho, o primeiro marido da Cleia, eu fiquei com medo da minha mae sair sozinha e morrer e eu ficar sabendo bem depois do ocorrido... Porque o Dinho havia morrido sem socorro algum... E a minha mae havia ido na pracinha comprar nao sei o que foi... E o Sandro passou de calça jeans e camisao preto com estampas pequenas, lindo... Ele estava agora pagando de cabeludo, com os cabelos lisos e ate as orelhas, estavam ate meio enroladinhos...
E me olhou e foi sentido ponto... E onde sera que ele ia com aquela beleza toda? Meu Deus do Ceu... Mas o cara era lindo... Lindo mesmo... No minimo pra casa da ingrata da Luciana, nao e? Pois e...
E eu coloquei no meu Sandrario, o diario do Sandro, que eu joguei fora a muito tempo... a data e a hora do acontecido e outra vez... quando a dona Flora, nossa visinha de rua era viva... Ela estava do lado de fora, saindo toda arrumadinha, como o de sempre, assim como o marido dela sempre gostava... E ela me viu e eu estava quase ali perto da casa dela, quando o Sandro passou de calça delave, sentido ponto, e um camisao cor de rosa, lindo... Estava maravilhosamente lindo...
E sorridente, e eu falei pra dona Flora que o principe tava passando e ela olhou e deu risada e ele foi sentido ponto novamente...