Mas a vida vai mudando como eu ja falei, as pessoas vao morrendo, outros vao nascendo, tem familia que mais nasce do que morre e em outras familias mais morrem do que nascem, no caso a minha, e a minha familia se encaixa na ultima alternativa, pois conforme os anos forem se passando e eu for relatando, quem for ler, vai ver quantos ja morreram e quantos ja nasceram.
E uma vez a Cleia contou que tava com uma dor de cabeça tremenda e ela mexia juntamente com o Nelson com esses negocios de licitaçoes de firmas e eles tinham um escritorio alugado no centro da cidade e ela trabalhava ali com ele, o resto ela nem contou... E de repente eles iam embora e ela teve uma colica tremenda de intestino e o Ricardo tava ali junto com eles e ela mandou o Ricardo embora e ele nem queria ir embora, pois ele queria ir embora junto com eles, e ela falou novamente pra ele ir embora e ele acabou indo sozinho, mesmo sem querer e ela voltou rapidinho com o Nelson pra ir ao banheiro, eu nao sei se ela ainda tava aqui quando ela contou isso, ou se ela ja tava morando la.
E a vida passou, como a Cleia me falou, quando ela ia ao cinema e me chamava no ano anterior e a minha mae, ficava falando pra eu nao ir e eu nao ia, tambem nao era no shopping, como hoje, era la no centro da cidade, aqueles cinemas que eram bem mais baratos e mais antigos, e eu, como sempre, nunca tinha grana pra nada, nao adianta nada eu querer ir, se eu nao tinha grana, por isso que eu falo, querer nao e poder, nem sempre, e so quando merecemos...
Hoje, a lojinha, que eu tanto falo aqui, esta fechada e a minha mae quis fechar, porque temos uma visinha aqui, tia das minhas colegas que vinham aqui, que conhece gente da prefeitura, ela mesma me falou, que manda fechar os comercios dos outros, poxa, isso e sacanagem...
E a minha mae tambem, ja tava de saco cheio de ficar la na lojinha, ela dizia que nao tava vendendo mais nada e acabou levando as coisas aqui pra dentro... E nao abrimos mais...
Mais antes, bem antes mesmo, aquilo que bombava eram os geladinhos, de diversos sabores que a gente fazia, as meninas vinham, pegavam fiado e eu e a minha mae anotavamos no caderninho e as vezes eu descia pra ir ao banheiro e a minha mae falava, quando eu chegava: "A Juliana teve aqui e pegou um geladinho ou um doce fiado, marca no caderninho." e eu marcava. "A Ligia teve aqui e pegou um doce fiado, marca no caderninho." E eu sempre marcava.
E quando chegava pra cobrar, as vezes algumas delas nao tavam devendo aquilo que tava sendo cobrado, era menos, ficavam com raiva e tudo, algumas vezes pagavam, outras, so davam a metade e outras ainda, so davam o que achavam que tinham pegado.
E todo mundo com isso, gostava de abusar da gente, ate mesmo quando eu falava la na lojinha, lembro - me de um fato de que todo mundo tava la na lojinha e tinhamos tanta coisa que a minha mae, depois que todo mundo saiu da lojinha, deu falta de um salgadinho muito delicioso que tinhamos la na lojinha e ela ate hoje se ela lembrar sempre que cometamos ela fala que foi a Galinha Preta que roubou o salgado, fora outros salgados e doces que sumiram de la da lojinha e as coisas que ela fazia como os brigadeiros pra vender, pois tinhamos uma freguesia muito boa, pois queriamos era vender bastante coisas, mais infelizmente nao conseguimos vender tudo o que tinhamos.
Por inveja, muita gente pensava que a lojinha era de roupas usadas e chegavam a perguntar ate pra minha mae que falava que nao vendiamos roupas usadas, acho que tambem era devido ao desleixo da minha mae que sempre deixou as coisas de qualquer jeito e era por isso que a lojinha era tratada assim, no inicio abrimos sem firma aberta e depois que o Collor tomou posse ao governo do Brasil, o famoso caçador de marajas, que caçava era a integridade dos pobres e a integridade dos marajas mesme ele deixava de lado, porque ele era um deles...
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