quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Maraja, essa palavra era ate engraçada, em alto e bom tom ele dizia que eram os pobres mesmo que ele queria perseguir e nao os ricos marajas que assim eram la da terra dele.
Antes eu nunca tinha ouvido falar nessa palavra e nao sabia nem o significado dela.
Pra ver como era, a maioria dos nossos fregueses eram daquela favelinha de baixo que a gente implicava e falava mal, so que ali era favela de familia.
Familias que perdiam suas casas, seus salarios e nao podiam mais pagar aluguel, entao eles tinham que ir pra favela e ficar morando la, pois la nao tinham muitas contas pra pagar, conheciam diversas familias que nao tinham condiçoes e a gente via que antes eles tinham condiçoes e que alguma coisa de ruim tinha acontecido na familia deles pra eles irem morar na favela.
Hoje, nao tem mais aquela favela, ali no local que antes era a favela, passa a avenida que separa as nossas casas e que fica aquele transito tremendo e agora e tao dificil de ver o Sandro passar aqui que eu ate penso que ele nem existe e nem nunca existiu, so penso que ele existe e so confirmo, quando eu passo la na rua dele e o vejo la, hora no carro, hora conversando, e eu logo me lembro das coisas que estao acontecendo comigo...
E voltando ao fato da mudança da minha irma, eu me esqueci de uma coisinha... Quando ela tava pra mudar ela falou pra minha mae que eu nao ia acostumar sozinha la no meu quarto, e que eu ia estranhar a primeira noite e foi dito e feito... Quando fomos dormir, eu tive um pesadelo, nao me lembro qual e o que eu sonhei que eu dei um tremendo grito, daqueles que eu dava quando eu era criança e dai por diante eu passei a dormir ali naquele sofa duro da sala e o meu pai falava um monte, eu com um quarto bonito daqueles, com tudo novo, tudo certinho, dormia na sala, no sofa duro.
Nesse sofa duro, como ele disse uma vez, eu sonhei que a baixinha dos cabelos vermelhos estava pronta pra se casar com o Sandro, toda de vestido de noiva, um vestido branco muito bonito.
E eu acordei desse sonho, chato pois eu tava temendo que tudo acontecesse ao contrario, que ele acabasse era se casando com a baixinha, dai eu penso hoje, antes fosse isso, porque assim, ele nao teria me feito sofrer tanto, quem sabe, seria ate mesmo ele ter largado a Luciana e logo se casasse com a baixinha...
Assim eu sofreria mais, depois faria tudo pra me esquecer ou acabaria me esquecendo dele automaticamente, que ele existiu um dia, assim quem sabe ate ele seria mais feliz do que hoje, que hoje, ele tem que se refugiar da Silvia, falando em mim e estragando todinha a vida dele de casado e querendo estragar a minha vida de solteira tambem, a vida boba que eu tenho na minha casa com os meus pais e sem complicaçao nenhuma, bem tranquila, e sem dinheiro no bolso...
E o filho dele? Coitado do filho dele... Eu imagino a cabecinha do moleque vendo que o pai dele quer trocar a mae, quer colocar outra mulher la dentro da casa dele, e tirar a mae dele de la, logo, esse menino vendo todas essas coisas, ele vai ficar como eu, vendo o meu pai com diversas mulheres e a minha mae correndo atras pra bater nas mulheres, so que esse nao e o caso dele, e claro, porque eu nao me dou o desfrute de andar com o Sandro pra destruir o casamento dele, jamais...
Lembro - me de um fato em que a minha mae tava passando roupas e o Miguel tava ali sentado na cadeira, perto da mesa falando de insetos e eu falei que o inseto que eu tenho mais medo e de aranha e o Miguel perguntou se eu visse uma barata ou uma barata voadora, que passasse perto de mim, se eu nao tinha medo e eu disse que nao, que o meu maior medo era de aranha, e ele contou que em uma tarde ele tava encima da laje, como o de sempre, e passou uma aranha marron enorme no braço dele e ele ate gelou e ficou quietinho ate ela terminar de passar e era daquelas compridas e altas e ele falou que mulher quando ve inseto começa a gritar e que mulher e assim mesmo e eu dei risada e falei que eu so tenho medo de aranha ele riu e falou que tem mulher que sobe nas cadeiras e mesas.

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