Mas ainda bem que eu nao fiz mais nenhuma formatura, nem sequer da faculdade.
Os dias foram se passando e eu fui distribuindo todos os panfletos que saiam, na faculdade para os meus colegas, teve um dia que eu fui classe a fora, quando a sala de geografia tava junto com a sala de historia.
Distribui falando pra todo mundo ter consciencia e votar no candidato certo que iria fazer alguma coisa pela nossa regiao, e todo mundo pegou os panfletos de bom grado, ate mesmo o Warley, um moço sem bracinho, que eu fiquei sabendo que ele bateu a moto num carro e a namorada dele morreu na hora e ele saiu ileso, sem um braço, que ele nao tinha vergonha de mostrar pra todo mundo.
Era militante do PT, gostava muito de politica, talvez fosse por isso que ele gostasse tanto de historia porque ele sabia na epoca, que tudo que se passa no presente momento nao é historia, mas que depois, passa a ser historia, quando vira passado.
Ele gostava de falar muito do Collor, que o governo dele nao prestava e etc, e era verdade, tanto é que ele foi deposto, num impeachment que a gente foi, a faculdade toda, com as caras pintadas, no Vale do Anhangabau, aqui no centro de Sao Paulo.
Mas isso depois eu chego la...
Voltando a esse fato politico, todo mundo sabe que ano politico é ano de festa, nao é?
Pois é... Um ano historico, como esse que foi, o ano de 1992, o ano em que os caras pintadas sairam nas ruas para pedir o impeachment do Collor e eu tava la, isso eu posso dizer, fui uma cara pintada e o jovem de hoje é muito acomodado com as coisas que estao acontecendo no pais, pensei que fosse voltar os anos dourados, epoca dos anos sessenta, onde tinham os subversivos, gente que acreditava em outro ideal politico, sempre penso que se eu existisse naquela epoca, com certeza eu seria subversiva, sempre acreditando e sonhando com novos e futuros ideais politicos.
Entreguei ate panfletinhos com santinhos na casa do Sandro, fui la com uma lixa de unha, bem a noitinha e mais um calendario do ano que ja tava quase pelo meio, antes das eleiçoes acontecerem e chamei o Jehan que desceu as escadas, mastigando carne e falei que tinha uma coisa pra entregar pra mae dele e ele me olhou, querendo se aparecer so porque tava comendo carne, depois eu contei pras minhas colegas e elas deram risada, falando que elas comiam carne todos os dias e que ele, talvez comesse uma vez por semana e demos risada.
E ele mascava a carne como se fosse chiclete e dava pra ver, porque conforme ele mastigava, aparecia a carne amarelinha, que parecia mais bosta do que carne.
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