quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

E depois que eu fiquei la na sala conversando um pouco e escutando a galinhada ali na vielinha falando alto e dando gargalhadas, e todo mundo tinha amizade com aquela Galinha Preta, acho que todo mundo deveria me detestar naquela epoca.
Porque adulavam tanto ela, ate demais da conta, ate gente que gostava de mim, ficava na compania dela e gostava...
E a minha mae sempre me dizia que isso um dia ia acabar e que uma galinha so nao fazia verao e eu duvidava falando que a tia dela, a Diva tinha casa propria, e que aquela galinha ia ficar ali por muitos e muitos anos, batendo as asas pra la e pra ca, e a minha mae tava era certa, e bem certa mesmo, a Galinha Preta bateu asas e voou, voou pra nunca mais voltar e agora so restam apenas as dolorosas e desagradaveis recordaçoes do tempo no qual ela reinava aqui na rua de casa e me enchia o saco, e a minha paciencia nao era muita, mas eu nao podia fazer nada, pois eu nao tinha ninguem a meu favor...
E hoje em dia, eu estou aqui, nessa noite de fevereiro, dia vinte e quatro, quente pra caramba, em frente ao meu computador, redordando epocas e pessoas que se foram e que nunca mais voltaram nem pra dizer Alo...
E durante o churrasco na casa da Adna, o meu pai reclamou que nao tava passando bem e que tava adoentado, como o de sempre, falando que a pressao dele deveria de estar um pouco alta, mas e claro, bebia e ia ao medico e depois tomava remedios...
Era e sempre foi assim... O meu pai bebia e tomava remedio e quando o Miguel cismava de fazer as limpezas nas gavetas de remedios daqui de casa, bem quando o meu pai saia e demorava, naquelas famosas saidas de deixar a gente sozinha mesmo, o Miguel arrumava e ficava so falando que o meu pai jogava muito dinheiro fora com remedios, e continuava bebendo e tomando remedios e que isso fazia um mal tremendo para a saude dele.
E tomava os remedios, e quando enjoava, os deixava la, porque nao sarava de nada, e nao suportava nenhum tipo de conselhos de ninguem, entao a gente sempre deixava como sempre deixou ele cuidar da saude e da vida dele.
E a minha mae sempre falava que quando ele morresse, o cemiterio, bem encima da cova dele ia ter uma poeira de nuvem branca devido aos remedios que ele tomava sempre e misturava com as bebidas que ele tanto gostava de beber e depois ainda ia pra igreja forçar a gente e fazer aquele tremendo teatrinho la na frente falando de Deus, e quem o visse fazendo o que ele fazia, jamais queria voltar e nunca mais passava na porta de nenhuma igreja evangelica, nem pra pedir "bençao" pro pastor.

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