segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mas era a raça do bicho, oras...
E ele riu na minha cara, nao acreditando.
E como sempre, a minha mae tinha dores pelo corpo, e ela havia se cansado da viagem e naquele calor... Ele pediu para eu aguarda - lo perto dela e foi o que eu fiz, olhando as coisas e esperando ali, junto a ela.
E depois, quando ele nao achou nada, me pediu pra ir com ele e ficamos procurando os telefones dos hoteis e enquanto eu ditava pra ele, compassadamente, ele ligava e falava com os donos dos hoteis ou os atendentes pra ver o preço dos quartos.
E naquele tempo, a situaçao era bem melhor pra gente, pois tinha inflaçao, juros exorbitantes, de acordo com a poupança e tudo ia muito bem, melhor do que nos dias de hoje...
Pois todo o dinheiro que o meu pai tinha, tava na poupança rendendo e so gastava os juros que corriam, sendo que nunca ficava sem grana pra poder sair.
Nao era como hoje em dia, esse caos economico...
Lembro - me que os fregueses da nossa lojinha, a maioria da rua do Sandro, pediam pra minha mae guardar as mercadorias de um dia para o outro no mesmo valor, pois no dia seguinte, podia contar que eu ja mudava as plaquinhas dos preços, pois era assim que ia a economia do Brasil...
Pois as coisas nunca paravam de subir...
E o presidente ainda era o Fernando Collor...
E o Brasil ainda nao tinha tomado jeito, como sempre...
So viajava quem tinha grana mesmo, pois muitos nao tinham condiçoes de andar nem de busao da casa deles ate a cidade...
Mas o desemprego nao era tanto...
As pessoas saiam e logo chegavam em casa empregados.
E assim a vida do brasileiro ia...
E eu, como sempre, cheia de sonhos...
Parecia ate que eu vivia dormindo, nao havia uma noite que eu me deitasse sem pensar no Sandro...
Afinal de contas, ele era o meu grande amor, e com ele eu sonhava em me casar e ter filhos, assim... Uma familia.
A familia que eu nunca tive...

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