E quando fizeram a peça que a Silvana era uma gorda, que comia doces da doceria Modelo, la da Penha, isso eu sei por que eu fiquei insistindo tanto de onde ela tinha comprado aqueles doces maravilhosos que ela ria e falava pras meninas que eu tava querendo saber onde e que ela comprou aqueles doces divinos e maravilhosos e ela acabou falando que foi na Modelo e ela ficava toda hora falando e oferecendo o doce pra plateia que era a gente e as criancinhas que riam demais...
"- Quer?" ela ficava perguntando e eu ria demais, e ate queria um doce daquele, afinal de contas eu sempre fui louca por doces, depois da hepatite e claro...
Na Penha, antes do shopping que tem agora, abrir, tinha duas docerias la que disputavam a liderança e uma delas era a Modelo que era meio suja mais tinha cada doce ali que fazia gosto e sucesso e a outra era a Marcella que era mais chique e mais limpa e vira e mexe ela abria e depois fechava, ate que fechou de vez, no mesmo local, e claro, sempre reformava pra ficar mais chique ainda, ate uns tempos desses ai ainda tinha, mais fechou novamente e ate fechar de vez, e no lugar, tem outra lanchonete muito suja que eu nunca entrei la, tenho muito nojo, mais nojo ainda do que da Modelo, so que os doces que tinham na Modelo, me tentavam a entrar la...
E fizemos varias peças, sobre situaçoes diversas, teve uma situaçao muito engraçada que foi aquela que tinha uma sala de aula e a Luciana que fazia o papel de uma menina sem vergonha que queria os meninos, falou que ia pedir papel nogenico pra professora pra ir ao banheiro, virando - se pra tras e a gente ria muito, mais muito mesmo, essa peça nao saiu da nossa sala, ficou apenas entre nos, era a Luciana, a qual eu a chamava de Irma, a Sonia, a Silvana e mais algumas meninas.
E em outra apresentaçao, que tinhamos que fazer pro Almerio Almeida, ele exigiu que apresentassemos uma historinha que lemos num livro la, em uma televisaozinha, so que naquele tempo nao tinha multimidia ainda, entao o meu irmao fez o negocio de madeira mesmo e o Miguel ate fez o desenho e ja que ele tava ocioso mesmo em casa, ficou desenhando nas folhas que eu comprei e colou ali na televisaozinha de madeira que o Marcos havia feito depois do cavalo marron com cilios e sombrancelhas que eu ficava perguntando pro Miguel se cavalo tinha cilios e sobrancelhas e ele falou que sim e como eu nunca tinha visto um cavalo pessoalmente, acreditei que tinha cilios e sobrancelhas e depois que o negocio ficou pronto e que começamos a rodar a manivela na sala de aula para apresentarmos o tal trabalho, o professor Almerio mandou parar tudo e ficou zuando comigo, perguntando se cavalo tinha cilios e sobrancelhas e eu falei que nao sabia e que tinha sido o meu irmao quem tinha desenhado e pintado pra mim, ja que ele estava ocioso em casa.
Fiquei contando aquela historia besta e rodando a manivela da televisaozinha.
No magisterio nao era so eu quem trabalhava nao, a minha mae que ajudou a costurar aquelas letras que me fez espirrar ate, de tanta alergia que eu tinha, o meu irmao que pintou o cavalo e o Marcos meu outro irmao, que fez o desenho do cavalo.
A professora Silvia que chamavamos de Escolinha, nos mandou fazer um apoio de livros que o Marcos fez, segundo o modelo que eu trouxe e o pintou de preto e esse negocio foi parar no lixo a anos, levei o negocio no onibus, quase que atrapalhando todo mundo, eu ficava com medo de machucar alguem ali na conduçao e as coisas virem totalmente pra cima de mim, como era o de costume, ainda bem que nada demais aconteceu, mesmo a tarde que o onibus estava lotado!!! E eu tive que levar uma segunda vez, porque eu era a unica que tinha esse apoio de livros do jeito que ela queria e ela gostou e falou que o meu estava certo e me pediu delicadamente para que eu o levasse na aula seguinte e eu fiquei teimando com ela, que eu vinha de longe e ate que ela me chamou de Miriamzinha e eu acabei aceitando levar o negocio no outro dia, novamente naquele atropelo todo e eu acabei levando o barato dela, aquele peso denovo e depois ela me agradeceu muito, e quem ficou com o peso todo foi eu, ela me agradeceu toda sorridente e feliz, por eu ter levado o barato dela, e ela demonstrou pra todas as meninas, explicando como deveria ser feito, e as meninas prestaram a atençao e depois ficaram me olhando, com inveja por causa do meu trabalho que dava trabalho, e eu fiquei novamente satisfeita, por ter sido lembrada, por uma coisa que eu tenho...
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