E elas iam sempre na Sound Factory, uma que tinha la na Penha, e que tinha uma caveirinha, era mais nas domingueiras que elas iam sempre e imaginem so, eu indo pra discoteca com aquelas duas meninas, uma mais feia do que a outra, e eu, eu que tambem nao ficava atras, e claro, segundo a concepçao dos meninos da epoca, eu era feia de doer... Ainda mais naquela epoca que eles iam falar que eu era a mais feia de todas...
E voltando à peça... Eu tava dando a ideia de fazer uma peça sobre um peixeiro com o nome de Quartemilson, que vendia peixe na feira e tinha uma familia muito louca e a Marcia Gimenez riu e falou que a ideia tava aceita e que eu ja podia ate escrever a peça que nos iamos trabalhar encima dela e eu falei logo que eu nao queria saber de ser esse tal peixeiro nao e ela falou sorridente que eu ia ser o peixeiro sim e continuou insistindo na ideia de que eu tinha que trabalhar encima daquela peça, pois tinhamos pouco tempo pra ensaiar, porque tinhamos que apresentar logo pra professora...
E a Sonia, que eu a chamava de Moranguinho, pois a cara dela era de formato de um morango bem grandao e ela dava risada e perguntava se ela tinha cara de morango e eu nao respondia nada, so ria da cara dela, ela começou a dar ideia e a falar que podia colocar que a mulher ou a mae dele tinha morrido de um soluço e caiu na gargalhada e eu disse que essa era boa e muito boa e eu iria colocar na peça...
E desta vez a Alessandra nao tava junto conosco nao, ela devia estar em outra turma e nos acabamos apresentando outra coisa, uma coisa relacionada com musica, porque a professora nao queria qualquer peça, ela queria alguma encenaçao com musica e no dia seguinte, quem tinha ursinho trouxe ursinho e eu, como nao tinha, na epoca, entao nao levei nada, mais a Marcia Gimenez tinha, a Paulinha tinha, e quase todas as meninas tinham e a professora nos levou pro patio e nos soltou la, pra nos termos as nossas ideias e termou um bom tempo pra desenvolvermos.
E tocamos a musica da Simony, aquela do Ursinho Pimpao, quando ela era bem pequenininha e eu fiquei falando pra Marcia fazer a encenaçao, ja que o ursinho dela era rosinha, o mais bonitinho de todos e tinha cara de Pimpao e ela disse que nao e falou que disso ela tinha vergonha...
E eu fiquei pensando com os meus botoes, sem dizer nada, apenas sorrindo... "So nao tem vergonha de dar, dar pra todo mundo..." Isso era o que ela falava pra toda a sala em alto e em bom tom, que ela saia com meio mundo, ate com a torcida do Corinthians e de outros times sendo times grandes ou pequenos, ela falava que saia, entao, a gente tinha um conceito meio estranho dela, achavamos que ela era putona e todo mundo falava dela na sala, so que sem ela perceber, e claro...
Ela falava muito, falava ate que tinha abortado e que os pais dela nao sabiam de nada, arrumava namorado e ninguem sabia que ela dava e ela contava cada coisa absurda, que fazia a gente ate querer deixar de ser virgem...
E quantas vezes eu chegava em casa, me trancava no meu banheiro e falava que queria tirar a minha virgindade com qualquer um e ficava pensando: "Ate o final do ano eu tiro... Nem se for com a boca da garrafa, eu tiro..." E nunca tirei... So ameaçava, pelos absurdos que ela falava, ate mexia com a minha cabeça, imagine as outras entao...
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