Que o Miguel estava na maior orgia em casa, ele disse dirigindo o carro com a maior raiva do mundo e o meu coraçao começou a acelerar mais... Ainda mais... Tava tao bom viajando, sem falar no Miguel, sem pensar nele... Ele so foi mensionado uma vez, quando estavamos em Fortaleza, ainda com maior odio por parte do meu pai e agora, quando chegamos... Vem o Marcos falando dele, com o maior odio do mundo e o meu pai ajudando a falar... E eu, olhando pra minha mae que estava com cara de nervosa...
E eu e a minha mae, escutavamos caladas, porque nao podiamos dizer nada em defesa dele porque senao... Sobrava pra nos duas... Falar em defesa? Falar em defesa era bem complicado, porque ele sempre foi assim mesmo... Ele era errado mesmo... Mas pela minha mae, eu fazia tudo... Entao, o que me restava era ficar calada mesmo, e ver se eu tentava ao menos me concentrar no caminho de casa... E eu poderia era tentar me esquecer do fato, porque nao adiantava mesmo eu ficar matutando, porque nao ia resolver... Mas so que nem assim dava pra esquecer...
Era so briga, discussao e dava o maior desanimo do mundo e alem disso, a Cleia tava em casa tambem, pois fazia pouco tempo que o Dinho tinha morrido e a mae juntamente com o meu pai, resolveram dar um apoio pra ela, colocando - a dentro de casa, novamente, ela e os dois filhos dela...
E eu ja tava cansada de viver esse tipo de conflito, na epoca a minha casa parecia mais a Faixa de Gaza do que a propria Faixa de Gaza, porque sempre um provocava ao outro, e a minha mae insistia em dizer que o Miguel estava sempre quieto, mas so o fato dele estar quieto, parado ali num canto, como ele sempre ficava, ja incomodava quem implicava com ele e o fato dele ficar parado ja era um tremendo desaforo para o meu pai que detestava esse tipo de coisa, pois o veio nunca ficou parado ate hoje...
Ate hoje, com a idade dele, ele continua trabalhando...
Tudo bem que ele sempre foi mulherengo, mas nunca deixou faltar nada dentro de casa, por mais negado e ridicado que fosse, pelo menos um arroz com feijao, comida basica e popular brasileira, que ate rico come, tinha em casa...
E aqui em Sao Paulo, o clima era ameno e bem fresquinho, coisa que nao e tanto agora... Bem diferente da quentura de la, aqueles sois quentes que prejudicaram ainda mais a pobre pele da minha mae, e ficavamos la mais de um mes, nunca ficavamos quinze dias, como deveria ser...
Nao... Eram as minhas ferias inteiras que eu ficava la junto com eles, e eu voltava morena, negra...
E no dia seguinte, abri a loja, e como eu usava shorts curtos eu fiquei la tomando sol nas pernas pra tentar conservar um pouco mais a minha negrisse...
Alias... Todos nos voltavamos negros, negros, negros...
So que a minha mae nao tentava conservar negrisse nenhuma nao... Ela nao gostava, detestava isso...
E todo mundo la na loja, me cumprimentava, falava comigo, naquela epoca, bem no inicio do ano, nao era tanta gente que mexia comigo nao, nao era tanta gente que me zuava nao, pelo menos pelo bairro nao, agora naquela escola... As meninas eram muito metidas mesmo que dava ate desgosto, entao elas sempre ficavam me olhando estranho...
Os outros começaram a me zuar mesmo pelo bairro, depois que descobriram que eu gostava do Sandro... Tambem... Eu queria ele e se todo mundo soubesse que eu gostava dele, era melhor... Nao e? Entao eu nao posso e nao devo reclamar, pois eu quis isso e assim do jeitinho que eu quis foi...
Eu ate gostava, nao era possivel, ate gostava que os outros me zuassem... Por que? Nao dava pra entender, e eu ainda ficava tentando cumprimentar as pessoas que me zuavam e quando eles olhavam na minha cara, ate surpresos... Ai zuavam mais ainda... Me detestavam... Talvez por saberem que o Sandro ate gostava de mim... Nao sei... Nao queriam nem me cumprimentar... Ou melhor: Que eu nem dirigisse a minha palavra e nem o meu olhar pra eles... Ou melhor ainda: Que nem passasse perto deles e que nem sequer... Tivesse existido!!!
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