1991 chegou e com ele, muitas novidades, muitas alegrias, tristezas tambem chegaram juntos como em todos os anos das nossas vidas...
Sempre viajavamos em todos os meses de janeiro, que eram as minhas ferias escolares e o maravilhoso verao... E sempre iamos para o mesmo lugar, como sempre o Nordeste do Brasil, porque o meu pai e de la, entao... Nao tinhamos nenhuma novidade extrema, como em todos os anos, sempre viajavamos pra la...
Eu nao era apaixonada por ninguem, simplesmente admirava os artistas, os filhos dos artistas, os filhos de politicos e os politicos...
No presente momento, quem eu admirava e achava lindo, era o Collor, o presidente novinho que tomara posse no ano anterior, eu nao votei nele, votei no Lula, como a maioria votou...
Quer dizer... Eu acho que nem todo mundo votou no Lula, acho que a maioria votou foi no Collor...
Sempre ingenua, como sempre fui e sou ate hoje, apesar de me julgar experiente... Nao tinha malicia das coisas na epoca, hoje eu tenho um pouco mais... Eu nao fui criada como as outras crianças e nem tampouco como os demais adolescentes, que sabiam de todas as coisas da vida, entao... Qualquer pessoa podia me levar na conversa...
Ia começar a cursar o quarto magisterio, estudava no Padre Antao, no bairro da Penha, na zona leste de Sao Paulo, no periodo vespertino, ai eu nao sei como eu aguentava estudar a tarde, se fosse nos dias de hoje, logicamente que eu nao iria estudar no periodo vespertino, pois e a tarde que o sono vem mais forte, a gente estuda pela manha e a tarde pode fazer outras coisas sem compromisso nenhum com escola nenhuma... E das coisas que eu posso citar e uma maravilhosa soneca...
Como sempre... Parece ate que a historia se repete a cada ano, faziamos as festas de final de ano como no Natal e Ano Novo, usavamos mais fazer um almoço do que fazer ceia nas noites tanto do Natal como do Ano Novo... Ha dois anos seguidos, fizemos o famoso almoço aqui em casa, com a famosa lasanha da Patricia, filha mais velha da minha irma mais velha...
Tinhamos tres opçoes pra fazermos os famosos almoços... Duas delas era a casa do Marcos ou a casa da Adna, alem de ser aqui em casa, e claro... Nessas tres casas resumiam - se os almoços e as festinhas de familia, como e ate hoje... Raramente alguma coisa e feita na casa da Cleia... E naquela epoca ela estava mesmo conosco, morando em casa... Entao nao tinhamos a opçao "casa da Cleia..."
Às vezes, muito raramente, iamos em algumas festinhas de familia que tinham na casa da minha tia Helena, irma do meio da minha mae, mas era muito dificil, poucas pra relatar aqui, pois o meu tio Antonio e o meu pai nunca se deram, o motivo eu vou falando aos poucos... Qualquer coisa que se inventava na casa dela, ou as vezes eles vinham aqui em casa, um discutia com o outro... Sempre discordando das coisas da igreja, um querendo falar mais do que o outro, cada qual na sua razao, mais discordando da razao de cada um...
Fomos viajar, como o de sempre, igual a cardapio... Arroz, Feijao e Carne... Nós almoçavamos, todo mundo ia embora, limpavamos a casa, e assim que todo mundo ia embora pras suas casas, iamos arrumar as nossas malas e muitas das vezes, no dia dois, estavamos indo para o aeroporto de Cumbica, para pegarmos o aviao e ficarmos mais de trinta e dois dias fora... Eu e a minha mae, arrumavamos as nossas malas rapidinho e direitinho e eu, cheinha de sonhos...
E no dia seguinte embarcamos rumo à Fortaleza, porque as nossas viagens eram assim... Fortaleza, Natal, Recife e Maceio, e nunca iamos conhecer outros lugares, so que dessa vez fomos rumo à cidade de Natal, que foi um sonho pra mim... Eu ja ouvia falar tao bem daquele local que eu ate fui com as espectativas de ser feio, muito feio... De nao ser nada daquilo que eu imaginava e no fim... No fim... Foi tudo de bom... O Pastor Georges ate fazia poesias referente à cidade de Natal, ate contava coisas que eu ficava boquiaberta, nao acreditando muito, porque o povo nordestino e apaixonado pela sua terra assim como os portugueses sao pela terra deles... Isso acabou motivando mais ainda a minha curiosidade sobre essa cidade, e fazendo - me ficar pensando se o lugar era bonito mesmo ou se era conversa dele...
Mas so que tinhamos que passar em Fortaleza primeiro e eu achei que ia ate gostar da cidade, mas quando chegamos la, detestamos o tremendo calor que era...
E a minha mae ate queria voltar dali mesmo, de dentro do aviao, porque quando colocou o pe pra fora do aviao, sentiu o tremendo calor, viu aquele sol branco e voltou brincando com a aeromoça e sorrindo, que queria voltar e se nao podia voltar dali mesmo, perguntando se o aviao iria de volta pra Sao Paulo e a aeromoça educadamente respondeu que sim mas que nao era no presente momento... E o calor era forte mesmo, tanto que as pernas da minha mae ate incharam de tao quente que era... E ate o presente momento, na cidade de Sao Paulo nunca havia tanto calor assim como estava la em Fortaleza naquele dia, falaram que tava mais de quarenta graus, ja hoje nao, hoje e diferente... Hoje ate dormimos de ventilador ligado, naquela epoca nao... Era aquele friozinho gostoso, depois da chuva de verao...
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