Mas ate ai eu nem comentei nada pra nao ser chamada de idiota pelas pessoas que estudavam comigo na epoca, porque se eu falasse que tinha obtido a ajuda de Deus ou de um anjo enviado por ele, no minimo iam rir da minha cara e ficar falando que eu era uma idiota e sonhadora, que acreditava em coisas que nao existem...
Entao, eu calei a minha boquinha e nem comentei nada em casa, e fiquei sossegada, mas eu sempre tinha que comparecer nos malditos dos estagios, pois eu precisava de acabar logo aquele tremendo sufoco que era completar aqueles estagios idiotas...
Somente para ter o meu diploma que nao ia me servir de nada, so me serviria como conclusao do segundo grau pra eu fazer a minha faculdade, porque exercer eu nao queria nao, ao contrario de algumas colegas minhas que vez por outra eu as encontro nas atribuiçoes da vida...
E teve uma outra vez que eu me levantei cedo pra ir ao maldito estagio, eu tava um pouco chateada, nao tava a fim de ir mesmo, mas... Mesmo assim eu acabei indo, e chegando la a professora fez uma media la e nao demorou muito, os colocou no patio e falou pra eu olha - los e ficar ali sem sair, porque ela voltava logo e aquela mulher demorou... Demorou... E eu ali com aquelas crianças que de inicio ficaram todas quietas e dali a pouco do nada, começaram a correr patio a fora, nao era bem no patio, era naquela quadra menorzinha que ficava proxima às salas das crianças mesmo, e o sol estava escaldante, e eu que podia estar em casa, na lojinha, ajudando a minha mae, estava la, vendo o tempo passar... E tinha que ficar la, com aquelas crianças, fazendo aquele maldito estagio que parecia que nao acabava nunca...
E pra tirar um barato, zuar um pouco com aquelas crincinhas malditas, eu, do nada, como ja estava de saco cheio daqueles malditos estagios, e daquela maldita daquela professora horroroza, abusando de mim, todas as vezes que eu ia la, comecei a zuar com eles... comecei por falar pra todos eles zuarem um menininho que tava quietinho la, e tinha maior bicao, quando ficava emburrado, o menino ate que era bonitinho, e olha o juizo de galinha que eu tinha... Meu cerebro era menor do que o cerebro da galinha... Mas... Eu ja tava totalmente cansada de tudo aquilo e precisava de dar um ponto final em tudo... E eu, com esse juizo de escroto, juizo de camarao, cabeça de aquario, daquelas pessoas que vem do nordeste pra tomar os empregos dos outros aqui, que comem camarao e bebem agua de coco e a cabeça acaba ficando um aquario...
E com a minha ordem, todos começarama a chama - lo de Bico de Pato e ate que era legal manda - los, zuar a cara do coleguinha, que fez novamente aquele bico de pato que o tornava mais lindinho ainda, e o menino começou a querer chorar... E logo mandei todo mundo parar de zua - lo e o legal e que todos obedeciam e paravam... E eu temi que a professora chegasse eu eu tivesse que me ver com ela depois... O menino fazia bico e fazia som de quem tava reclamando tambem... So que eles começaram denovo, nao adiantando nada eu mandar parar de zuar a cara do menininho que tava começando a chorar pra valer... E se eu tivesse mantido aquelas crianças quietinhas? Do jeito que teria que ser e nao tivesse mandado eles zuarem o coleguinha, e ficarem bem quietinhos, talvez eu nao tivesse visto aquela bagunça tremenda que virou, e nem tampouco teria levado um tremendo esporro daquela professora aproveitadora de estagiarias, e ai eu consegui o que eu queria... Que ela assinasse a todos os meus estagios, para que eu nunca mais voltasse ali e foi o que acabou acontecendo... E o bom foi que ela assinou a todos os meus estagios, sem observar as horas e nem nada... E com isso tudo eu acabei ganhando... So o menininho... So o menininho que deve ter ficado com complexo pelo resto da vida dele... Ou nao... E começou aquela tremenda bagunça... Criança correndo pra la, criança correndo pra ca... E todo mundo gritando, ai que medo de um empurrar ao outro e acontecer alguma coisa, e foi ai que eu nao consegui mais controlar ninguem...
Pois e... Foi por minha culpa, dessa vez foi por minha culpa, e eu no meio, querendo controlar, mas... Sem ao menos conseguir... E de repente, do nada... A mulher apareceu, dando aquele tremendo gritao, e todas as crianças ficaram paradas e estaticas, olhando pro lado da porta de ferro, como quem... "Ih! A professora chegou e a bagunça acabou..." "- Nao sabe cuidar de criança, nao?" começou a gritar comigo feito louca, e eu assustada sai da quadra, sem nem ter o que responder, pois a culpada da bagunça era eu mesma, por isso ter acontecido e fui pra sala de aula e ela controlou a sala, do jeito que tinha que ser e nao me falou mais nada nao e eu ja tava com a minha ficha de estagio na mao, e ela acabou pegando - a com tudo da minha mao, com toda a brutalidade do mundo, assinou logo tudo e me dispensou mais cedo e eu fui embora pra casa debaixo daquele sol escandante e nao passei nem pela rua do Sandro, e foi a ultima vez que eu fui la, porque ela tinha assinado tudo mesmo, e eu acho que foi a gota d'água o que ocorreu na quadra, eu acho que as crianças deviam ter comentado com ela do ocorrido no banheiro, naquele dia em que elas haviam ficado trancadas ali comigo e Deus mandou um anjo pra me salvar... Pois ela deveria de estar somente esperando mais alguma coisa acontecer, pra ela me espirrar fora de la e reclamar com a professora Eunice, e com a diretora, mas ninguem me chamou a atençao nao, no minimo devem ter ficado sabendo, mas acabaram deixando pra la, viam que nao adiantava mesmo falar comigo, pois o negocio ficaria por isso mesmo, porque eu nem sabia argumentar nada, nem ao menos sabia me defender, nem se eu estivesse certa, ou errada, nao sabia mostrar que tava certa e admitir que tava errada, nao sabia culpar ninguem pra me ver fora da situaçao... Eu era uma tontolina mesmo, como um coordenador pedagogico me falou certa vez, que eu sou tontolina e se eu nao sou eu acabo exercendo o papel do mesmo, e nao e porque os outros me fazem de tontolina, e porque eu sou mesmo, e de nascença... E eu queria saber pra quem foi que eu puxei, pra ser tao tontolina desse jeito!!!
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