Ou sei la... Vai ver ela e burra mesmo, ou nao tinha o que falar... E vira e mexe, eu e a minha mae, quando nao temos nada o que falar, relembramos o fato descrito aqui, o assunto da mae da Alessandra falar aquilo da porta automatica... Sera que ela pensou que era um fantasma que tava abrindo a porta? Ou ela pensou que fosse um vento forte que ela nem sentiu? Ou de repente ate o Superman... Com aqueles belos olhos azuis... E eu nem vi... Passou despercebido...
E a galera que nao tinha nada o que fazer, ia ao shopping center cocão, o melhor e unico shopping daqui do bairro, e quem nao podia, assim como eu, ficava em casa, so ia durante o dia, porque a noite... A noite... Eu nao podia nem pensar... Pois tinha bicho papão na rua... Eu era feita de cera ou gelo... Sei la o que...
E fomos embora pra casa, depois do acontecido, e era num domingo a tarde, frio e nublado, e tinha ate restaurante no shopping Cocão, o ruim e que tinha muitos maloqueiros la, e eu ficava com um pouco de medo de ir ate la...
Certa vez, nos fomos, durante o dia, e claro, eu, as meninas da rua, como a Juliana, a Marta, a Valeria, a Chris, a Iris, a Erick e a Lilian... La no shopping Cocao, e fomos comer no Habbib's que existe ate hoje no mesmo local, de quando foi inaugurado o shopping, acho que devido à galera que vai la, de outros bairros mais longe do que o nosso, porque quem e daqui mesmo, prefere ir la na Penha, do que ir no Cocão comer alguma coisa...
E sentamo - nos em uma mesa bem grandona que fizeram especialmente para a meninada que tava la e todo mundo com um pouquinho de dinheiro, pedimos esfilhas e refrigerantes, mas o que fica mais caro sao os benditos refrigerantes, sempre foi assim...
E comemos, demos risadas, nos divertimos muito pra depois irmos embora a pe, e eu era a unica mais velha no meio daquele bando de adolescentes que tava ali, mas mesmo assim, eu me sentia bem... Me sentia bem mais nova, ate bem mais nova do que elas, eu adorei aquela tarde de sabado em que nós iamos todas juntas, pedimos a conta e o garçom veio com a conta, olhamos e a Valeria que era a mais inteligente ali, entre todas nos, foi fazendo as contas e dividindo quanto e que cada uma de nos tinha que pagar, e quanto a gente nao tinha que pagar... Eu me sentia aceita ali, ninguem, por enquanto ficava zuando comigo, ninguem tava reparando em minhas roupas...
E todas nos fizemos um gesto so... Demos as nossas granas, sempre sorridentes, ai que demos gargalhadas mesmo, todas por debaixo da mesa, e sempre quietinhas...
E sem fazer barulho algum e quem escutava o nosso barulho era so quem tava perto, o nosso barulho era so a nossa risada mesmo...
E outra vez que eu me lembro, foi quando eu fui la no Kingdon, outra lanchonete que tinha la, so que de hamburgueres, tipo Macdonald's de pobre ne?
Eu e a Chris pedimos um lanche, cada uma, e comemos, sempre falando coisas sobre o Sandro, ela sempre me falando pra ficar calma, pois um dia ele seria meu, ele desmancharia da namorada dele, e ainda seria meu... Desmanchar ele desmanchou, so que nunca foi meu ate hoje... E nem sera...
Num outro dia que eu havia saido pra ir pra igreja, num domingo a noite, eu me lembro que a Cleia veio correndo me chamar e eu fui la no quarto onde nos dormiamos e ela me falou que o viu no programa de esportes, numa corrida de Kart que teve la no Cocao e foi filmado pelo programa esportivo e que ele foi entrevistado e ele falou la que nao tinha nada o que fazer em casa e a Andreia ainda falou bem assim: "O seu admirador..." toda sorridente...
Mas nao era ele quem me admirava, era eu quem o admirava...
Droga... Porque eu fui perder aquela reportagem? Seria a primeira e a unica vez que eu iria ve - lo na televisao, dando uma entrevista, pagando de gente famosa... Que droga... Que droga... Que droga de igreja... Que droga do meu pai... Que sempre obrigava a gente ir à igreja, quando a gente nao queria... Ou menos queria...
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